Êta! Êta, êta, êta. É a lua, é o sol é a luz de Tieta.


Há alguns dias cheguei no pequeno aeroporto que rodeia Vitória, com meu derrière maculado por uma hora e vinte minutos de viagem num avião apertadíssimo com a calça de suplex que utilizo nas aulas de lambaeróbica. Claro, minhas madeixas estavam cobertas por um belíssimo véu de seda colhida por famintas crianças laosianas, mostrando que não importa qual o seu grau de escolaridade ou quanta grana você tem no banco: no fim das contas, qualquer pessoa que sai de uma cidade pequena para uma grande metrópole sofrerá da síndrome de Tieta.

Para quem não sabe, a síndrome de Tieta acomete todo mundo que não se comportava o suficiente para ser bem falada em sua cidadela e que, na metrópole, passa a girar mais Pião do Baú nas tardes dominicais do SBT. Em suma, essa síndrome atinge todos aqueles que percebem que no meio de onze milhões de habitantes, tem homem o suficiente para você fazer a Joyce Pascowitch e não repetir no dia a dia.

Disfarçando minha devassidão para essa cidade que sempre quer saber com quem você se deita, cheguei lembrando dos meus dias ensolarados em que me olhava no espelho e estava vestido à imagem e à semelhança de Taylor Swift. Uma das coisas que mais me tem incomodado, como Tieta recém-chegada para o carnaval, foi um casal de amigos tendo que se esconder para dar um beijo, desses beijos quaisquer, no meio do carnaval.

Foi aí a deixa para deixar de lado o meu véu costurado por velhas caolhas cujos cabelos brancos brandam com os ventos das planícies vietnamitas: se existe, no fundo, um efeito colateral da síndrome de Tieta este é o de destruir todo o conservadorismo e o moralismo que se escondem pelas caras feias e as palavras sem sentido desse estado que te obriga a engolir sua santidade até no nome. No entanto, por mais que eu pesasse a mão e fizesse a cabeça dos meninos, nada aconteceu. Pois é, Tieta, “tem que se esconder no escuro que na luz se banha”.

Pouco depois, o puxador do bloco anuncia em cima do trio que um menino tinha apanhado de um valentão pelo simples e único motivo de ser gay. E aí seguiram-se as repreensões, os bons-mocismos, as pessoas vaiando a opressão por um segundo. Lindo, não? Não. Aprendi a ser Tieta e, como Tieta, quero ser muito mais do que demonstrações pontuais e instantâneas de um apoio que se esconde nos sorrisinhos bestas dessa terra onde a dor é grande a ambição pequena.

Tieta, grande inspiração para minha vidinha. Afinal, sair de uma cidade pacata e hipócrita eu sei bem como é. Voltar para ela, amadurecido e cheio de ideias, eu também sei. 

Tieta, emulando a Kátia Cega, mostrando como não está sendo fácil.

Chega de fingir, de mentir, né, gente. A gente sabe que quem mais goza e pena é que serve de farol para ver se ilumina um pouco esse arquipélago à beira-mar. Enquanto aqueles dois meninos, meus amigos, precisarem se esconder para dar um mísero beijo, sua vaia, seu apoio, sua mísera comiseração não me serve. E nem desce pela minha goela. Meu amor, já vivi de tantas migalhas nessa cidade que hoje, como Tieta, não quero meus farelos. Quero muito mais.

Aprender a ser Tieta não é fácil. Mas é preciso. Eu, que sempre me dei bastante a timidez, deixei as bochechas vermelhas e os olhares de repreensão no primeiro farol, no primeiro cruzamento que encontrei pela minha frente. Não pensei duas vezes quando vi aquele menino bonito numa estação do metrô, perdido, olhando e sorrindo pra mim. Podia ter feito tudo, ter esperado. Reencontra no outro dia. Esperar a próxima vez.

Acontece que quando você está cercado de onze milhões de pessoas, não existe a opção do reencontro fortuito. Talvez, seja essa a maldição que paire sobre essa ilha. A dança silenciosa, esquecida pela poeira e o mormaço, dos pequenos esbarrões que se tem com o objeto de desejo pela cidade pequena. Foi ali, no metrô, que virei Tieta. Encostei no ombro do menino e falei: “você tem uma estação para me dar seu whatsapp e descobrir que sou o grande amor da sua vida”.

Ele é meu homem e eu sou sua mulher.

E assim se seguiu uma tarde nada produtiva no trabalho, com milhares de mensagens trocadas com o menino. Vieram as tardes produtivas na feirinha gastronômica, andando de mãos dadas, tomando os picolés e dando beijos à luz do dia, sem os olhares e sem os pudores das senhorinhas irascíveis que frequentam padarias que chamam afetadamente de boulangerie.

Talvez, alguns de vocês protestarão sobre a facilidade de percorrer esses caminhos quando todos já estão abertos. Não deixo de me gabar de como São Paulo tem sido doce e de como cada vez mais as lâmpadas tem se tornado apenas uns instrumento de iluminação e perdendo a sua aplicação prática de rachar algum cocoruto desavisado na Rua Augusta.

Creiam, amigos, que não é fácil. Também não vai ser nem um pouco fácil abrir picadas e caminhos por essa Santana do Agreste perdida entre o esquecimento e o minério de ferro. Ninguém disse que a vida é fácil. Mas, meu amor, existe alguém em nós, em muito dentre nós esse alguém que brilha mais do que milhões de sóis. É preciso brilhar, ser o próprio sol, existir a luz do dia. A escuridão só tem fim quando a gente constrói a própria aurora.

E, bem, o menino do metrô me deu um perdido. Reapareceu dias depois, sentado na porta da minha casa, depois de uma pequena discussão pelo celular, com um sorriso no canto da boca: “já não tem mais metrô, vou ter que ficar aqui”.

E ficou :).

(Ele, ainda, me deixou com uma marca roxa no pescoço por uma semana. Disse que era pra eu aprender a ser menos arredio e que agora, não tinha jeito, era dele. Dias depois, vi ele pegando um outro alguém naqueles bares ali perto da USP, na porta de casa. Meu amor, Tieta veio, baixou e fui lá alertar o outro menino, mostrando o chupão no pescoço: “cuidado, amigo, que isso aí não tá vacinado não”. Pois é, a vida tem sido boa, mas nada fácil pra Tieta).

Programação de Réveillon


Eu estou de férias, não deveria nem postar, maaaaaas como eu vi as senhoras loucas nos comentários querendo saber pra onde ir no ano novo, segue o que eu achei até então de programação de ano novo.

Quer dizer, se vocês encontrarem outras, postem aí nos comentários que eu atualizo, tá?

Loft: Sim! Os boatos eram verdadeiros!

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Mais informações clicando AQUI

Move Music:

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Rouge House:

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p.s.: Alguém sabe a origem da palavra réveillon? Puta que pariu, que complicação pra escrever. Quase botei “Reveião” mesmo, mas as bichas teriam problema pra achar o post no google.

Cobertura da Parada Gay de Vitória [2013]


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Olha aqui! Eu quero dizer pra vocês que todas deveriam me amar MUITO depois do esforço que eu tive que fazer pra ir na Parada Gay com o calor diabólico que estava fazendo!

Nem acreditei que tive forças de sair, porque no dia anterior fui pra Nova Almeida (de novo, não me conformei com a péssima experiência da última vez).

Lá bebi tanto que, além de ter sido abordada por um cigano que em vez de tentar ler as pregas da minha mão me falou sobre uma nova técnica cigana de leitura de pregas do edi, acabei de madrugada numa cama de solteiro com um boy que nem faço ideia do nome, apenas me lembro da sensação de girar, girar, girar e ter três orgasmos. Nada. mais. me. lembro.

[youtube https://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=v396cL6lCqE#t=101]

Me arrumei toda por volta de 14 horas, e assim que botei o pé na rua cada fio da minha progressiva pediu arrego e num passe de mágica eu pulei de cosplay de Jessie J. para Gal Costa. Mas mesmo assim, fui, guerreira, prestigiar a luta LGBT.

Infelizmente

Por outro lado, o calor tem suas vantagens: A nudez é uma delas.

Absolutamente toda a Grande Vitória estava seminua, e se meus peitos de hormônio já estivessem grandes o suficiente com toda a certeza eu teria tirado a camisa e feito um protesto legislativo a la Indianara Siqueira.

Mas oportunidade é o que não vai faltar, APENAS ME AGUARDE, VITÓRIA, ME A-GUAR-DE.

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Eu em breve na Fernando Ferrari

Estava uma gracinha a parada, principalmente por causa da nova lei municipal aprovada em Vitorinha, que instaurou o dia contra a Homofobia e foi repetida o tempo todo em cima do palco.

Sim! O palestrante toda hora pegava o microfone e gritava: “A lei foi aprovada, se vocês sofrerem violência disquem 100”. Avisando aos homofóbicos que o bagulho ficou doido!

Como resultado, não vi violência, apenas uma correria louca na praia (e foi até poético ver aquela boiada estourando ao longe) que até agora não sei o motivo. Caso alguém saiba, favor me explicar nos comentários, pois eu vi uma fila de 20 policiais indo pra trás do palco e de repente o estouro de gente.

UPDATE: Informantes me disseram que havia um carro de som tocando funk atrás do palco e que a fila de 20 policiais foi, com toda a sua delicadeza, pedir pros meninos desligarem. Daí a confusão.

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Entretanto, também vi depoimentos de pessoas que passaram por isso:

“Gostaria de saber de fato qual esta sendo o objetivo dos Manifestos LGBT? Pois o que se viu em todas elas foi grupos de funkeiros reunidos e agindo de forma inadequada com algumas pessoas que simplesmente esbarravam neles.”

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… os funkeiros me trataram muito bem…

Ah! Outro ponto interessante eram as frases faladas por um menino no trio, super nonsense, seguem algumas das quais me lembro:

“Gay vivo não dorme com o inimigo”

“Vitória é sapatão!”

“Quem é de Feu Rosa grita agora!”

Entre outras que a Brahma não me permite lembrar. Mas era visível o constrangimento das pessoas na rua.

Eu só olhava assim pro trio:

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No mais, parabéns a todos os envolvidos. Nem tenho ideia do quanto deve ser desgastante promover um evento desse porte, e qualquer contratempo deve ser relevado diante do trabalho maravilhoso que eles fizeram. ❤

Dali eu fui pra Rua Sete, no Centro, pra ver o samba.

Mas os homens estavam muito atacados, um me perseguiu por toda a rua quando eu fui comer, dizendo que queria “me atravessar”. E outro que, quando eu passei, simplesmente meteu a mão no meu peito e apertou! Cadê o cavalheirismo, minha gente?

Os boys tavam assim no evento:

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Seguem as fotos da cobertura. Mas antes de tudo, quero agradecer à Jéssica Telles pela maravilhosa homenagem ao desenho Pokémon, com seu cosplay de Cyndaquil!

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Separadas por um Professor Oak

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Cobertura completa no Moqueca Mídia, clique AQUI.

E com vocês, Londres… ops, VITORINHA


Saiu no GazetaOnline:

Selo Preguiça do Amor Duplo para esse vídeo, assim, de cara:

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Pooorrãm, o boy conseguiu transformar o reloginho cachorro do Centro de Vitória no Big Ben!

Ele não deveria ter recebido só dez no TCC não, deveria é ser contratado por quem faz essas propagandas da cidade, pra ver se param de filmar mulher fazendo panela de barro e descascando siri… na moral, fica parecendo que somos aquela cidade da novela Mulheres de Areia.

E acabou o post, era só isso mesmo, mostrar essa gracinha de vídeo e parabenizar o Gustavo Martins.

Ah, aproveitando que estamos falando de Vitória e de vídeos life changing, vou repostar o vídeo de Vitorinha que eu mais amo:

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=ZAxaNM-mmJE]

Aí a gringa vê o vídeo do Gustavo, chega aqui, se decepciona e sai no ESTV primeira edição, assim:

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Mais informações sobre a nova boate de Vila Velha


Tenho notícias quentinhas sobre a boate Angels Lounge, que vai inaugurar dia 6 aqui em Vila Velha, e queria dividir com vocês.

Primeiro, o flyer:

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Clique para ampliar

Pois é, a informação que eu tenho é que essa boate será voltada para o nicho de mercado que foca em shows eróticos. Sim, piroca e racha de fora! Até pras sapas tem diversão, e é raro pensarem nelas, coitadinhas.

Quer dizer, eu não conheço nenhuma boate (exceto a chica, quando trazia Lola Batalhão) que forneça esse tipo de entretenimento, acho sim super louvável esse mercado se expandir aqui no Espírito Santo, aos modos da Le Boy lá do Rio de Janeiro.

Segundo a direção da boate:

A Angels Lounge é uma casa genuinamente GLS, que dará oportunidade para drags locais, dj’s locais e gogo boys capixabas. Viemos com uma proposta diferente de ousar com a produção de shows eróticos e sensuais, de strip total tanto masculinos como femininos.

Cata as fotos dos dançarinos da inauguração:

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Então, fica a dica pra você que está cansada da programação local, que  não se conforma de ver os dançarinos só de cueca em cima do palco e fica louca pra subir lá e arrancar a sunga do boy no dente.

Segue o endereço:

Rua: Avenida Darly Santos, Nº 74 (Antigo Baladas)

Bairro: Nossa Senhora da Penha

Cidade: Vila Velha – ES

Segundo Ato de Repúdio!


Dessa vez a data não vai sofrer alterações como sofreu da última vez, está confirmadíssimo!

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Não quero saber de corpo mole! O evento começará às 14 horas na Praça do Papa, e às 15 horas os manifestantes vão se dirigir à Assembleia Legislativa.

Quero todos lá, eu infelizmente não poderei ir porque tenho uma maldita aula de campo de Ecologia das 6 da manhã às 6 da tarde, em Calortina. 😦

Mais informações clicando AQUI

Nova Boate Gay em Vitorinha?


GENTE, BAFO BAFOENTÉRRIMO! Não tenho nenhuma informação além do que vou mostrar abaixo, mas assim que tiver, posto.

Cata:

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Eu li direito?

Gogo dancers?

dança

Peito de fora?

bomba

Strip TOTAL?

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Tudo isso em Vitorinha!

Falando sério, eu acho que uma noite gay só recebe o respeito do público gay do país quando abre uma boate que tem piroca de fora como atração principal.

É a modernidade chegando à província.

Mais informações em Jumper Boys

Dica do Feeh