Mais sobre estupro masculino


Assunto pesadíssimo pra um domingo de manhã, mas achei muito legal a iniciativa de uma fotógrafa americana que resolveu tirar fotos de homens que sofreram violência sexual segurando cartazes com frases ditas pelos seus agressores, e postar no seu tumblr: projectunbreakable.tumblr.com

Lembrando que em 2012 fiz outro post sobre isso, que você pode ler clicando AQUI.

"Homens não podem ser estuprados" - Quando eu contei a alguém

“Homens não podem ser estuprados” – Quando eu contei a alguém

"Não se preocupe, meninos devem gostar disso"

“Não se preocupe, meninos devem gostar disso”

"Eu queria que você fosse uma garota"

“Eu queria que você fosse uma garota”

Veja todas CLICANDO AQUI

Curioso que eu também me lembro de tudo que ele falou pra mim na hora, e já faz 4 anos! Esse tipo de violência é extremamente marcante.

Esse tópico é interessante de se falar num blog gay por um motivo: Por que quando um homem hétero é abusado sexualmente toda a sociedade se sensibiliza, mas quando um homem gay é violentado não é dado o mesmo enfoque (isso quando não vira vídeo de humor)?

Obtive essa resposta através de um artigo que falava sobre o valor dado à vagina e ao ânus diante de uma violência sexual. Pois é, o artigo dizia que é curioso como a maioria das mulheres sabe quando são violentadas sexualmente, enquanto homens gays passam por inúmeras situações de violência nesses locais de pegação (principalmente aqueles de final de praia) e quase nunca se consideram violentados.

Ele fala também umas paradas sobre os estupradores serem tratados muito pior do que realmente deveriam, que o crime, do ponto de vista dele, não é tão terrível assim e mais um monte de merda que só uma pessoa que nunca sofreu um estupro é capaz de dizer.

Mas vale a leitura, clique AQUI para baixar.

É só uma piada…


Depois as pessoas querem reclamar comigo, que eu sou fiscal de piada, que eu arrumo confusão com pouca coisa.

Mas alguém pode me dizer QUAL É A GRAÇA nessa merda de vídeo?

[youtube http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=4VMTTmt8fZk]
Hum... muito bonito.

Eu e Dé assistindo ao vídeo

so-as-melhores-piadasAí na descrição do vídeo ele diz que foi uma combinação com a mãe dele e que o vídeo foi uma brincadeira, porque ele gosta de humor barato… que é só uma piada…

(Tão barato quanto aqueles utensílios de 1,99 que a gente usa uma vez e quebra)

Vocês não sabem O ÓDIO que eu tenho dessa expressão idiota. Como se dizer que é humor desqualificasse todo o discurso da própria piada, que se baseia numa realidade para existir e, logo, representa sim parte da opinião do próprio criador sobre o tema.

Aí vai vir leitor aqui dizer que é old, que todo mundo já viu. Mas eu não estou postando o vídeo para mostrar pra quem não viu, estou mostrando o vídeo para discutir com vocês o poder que tem uma piada.

lixoEsse tipo de humor, e qualquer outro que envolva situações que se fossem reais não seriam tão engraçadas assim (como estupro ou violência física), é uma faca de dois gumes.

Por um lado ele pode servir para rir das mazelas da sociedade, de modo a fazer uma crítica social (o que logicamente não foi o caso do vídeo acima), ou ele serve para corroborar ou banalizar a violência da situação.

tumblr_mjmfbi4ofD1r83ei3o1_400Particularmente, eu não gosto desse tipo de humor, independente da intenção dele. Não porque eu acho que ele vá fazer as pessoas agredirem seus filhos caso eles sejam gays, mas porque não tem graça mesmo, é mal-feito, é vazio e a única mensagem que passa é: “É muito engraçada a violência doméstica que gays sofrem”.

Entretanto, isso não quer dizer que eu não goste de humor que envolva essas situações.

O que me incomoda é: por que sempre quem se ferra na piada é o grupo que já se ferra todo dia na sociedade? A graça de uma piada não está na “quebra” de uma situação cotidiana? É um homem que escorrega na casca de banana, alguém que leva um susto… todas são quebras da linearidade.

Esse tipo de piada não quebra linearidade nenhuma, ela apenas narra um acontecimento triste e corriqueiro, que por ser “teatral”, passa a ter graça.

Por quê? Duvido que alguém tenha caído na gargalhada na cena da Camila, de Laços de Família, raspando o cabelo por causa do tratamento de câncer.

Mas o princípio foi o mesmo, apenas dramatização (ela não tinha câncer, assim como ele não é gay),  nada de extraordinário.

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=xbHI3QQARAo]

Sabe por que ninguém ri? Porque nos afeta! Porque o câncer é uma realidade que nos amedronta.

Repúdio

Repúdio

E é aí que mora o perigo de se achar graça em piadas com violência moral ou preconceitos. O fato das pessoas rirem delas significa que aquela triste cena NÃO afeta a sociedade, é banal.

Por esse motivo, nós não devemos achar graça de piadas dessa categoria, achar graça disso demonstra que a causa não nos incomoda, que não nos revolta, não nos entristece, como entristeceu a cena da Carolina Dieckmann raspando a cabeça.

Trate todas as piadas preconceituosas como tratamos as piadas do incêndio da Boate Kiss: com repúdio.

Isso demonstra que você se importa.

A briga entre a coragem e a covardia


Lugar de bandido!

Essa semana, o país se chocou com a violência com que dois playboyzinhos de merda espancaram covardemente um homossexual em São Paulo simplesmente porque ele “cruzou o caminho deles”. Veja matéria sobre o caso aqui.

O foda é que nós homossexuais somos vítimas sempre duas vezes: uma quando sofremos as agressões e outra, posterior, em que temos que provar que o crime foi sim de ódio por motivos de diferença sexual, além de outras discriminações de terceiros.

Por isso, o estudante de direito (!) André Baliera, o rapaz agredido, gravou um vídeo emocionante  para esclarecer alguns fatos, pois os boçais estão levantando a hipótese de que ele havia os provocado antes. Eles estão trancando, pois serão acusados de tentativa de homicídio e denunciados, com base na lei paulista anti-homofobia. “…fiz esse vídeo pra conseguir atingir o maior número de pessoas e pedir JUSTIÇA”, diz a descrição do vídeo.

Assistam:

“a gente tem que fazer isso parar, eu não quero ter que apanhar outra vez, eu não quero ter que fingir que eu não sou quem eu sou para voltar para casa com segurança… quer dizer, esse é o papel do homossexual?… ser ofendido?… ouvir ofensas e não falar nada???”

E tem gente que diz ainda insiste que homofobia NÃO EXISTE! Que casos como este sirvam ao menos para reacender as discussões de se estabelecer uma legislação que proteja-nos como cidadãos que somos. Quantos Andrés e Lucas precisarão existir ainda até que se tomem alguma providência?

Postado a pedidos de inúmeros leitores.

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UPDATE: Um dos agressores perdeu o ponto da sua loja por conta do ocorrido. Leia aqui.

Chateadíssima


Enquanto não saem as fotos da Skins Party para que eu faça o Babado, Confusão e Gritaria da semana, vamos falar de um caso terrível que aconteceu em Vila Velha, no último domingo:

Cata o vídeo:

Ai, me dá até frio na barriga ver essas coisas, sabe.

Entendo que as pessoas, mesmo se conhecendo, podem brigar e partir para a violência. Mas, meu Zeus, um pedaço de pau cheio de pregos? Pra quê tanta brutalidade?

Aliás, isso me dá medo só por causa de UM vídeo do Youtube:

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=hVqN0LfJ69A]

Esse barulho do pau batendo na cabeça dele não me deixou dormir POR DIAS!

Via Folha Vitória

Quanta barbárie!


A gente lê notícias como esta:

E se pergunta: Há esperança para a humanidade?

Sinceramente, o que passa pela cabeça dessas pessoas para acharem que podem julgar, condenar e executar com as próprias mãos uma atitude completamente legal – no sentido de legalidade – ainda que discordem dela? Neste caso foi um possível engano, mas se fossem mesmo um casal gay estaria tudo bem? NÃO, NÃO ESTARIA TUDO BEM, MERDA!

Nossa, tô puto. Revoltado! Odeio postar coisas tristes assim no blog, mas alguém em algum momento tem que fazer alguma coisa. As mãos de TODA A SOCIEDADE BRASILEIRA estão cobertas de sangue.

Notícia completa aqui.

CAMINHOS DA ESCOLA – DESAFIO BULLYING


Os alunos da Escola Estadual Itália em Porto Alegre – RS terão que criar uma campanha de conscientização sobre o bullying na escola. Na primeira etapa os alunos deverão criar um blog na internet para iniciar a discussão. Na segunda etapa os alunos vão preparar diversas ações de conscientização sobre o bullying na escola. E no terceiro bloco o Desafio de combate ao bullying chega ao fim.

Um estudo coordenado pela pesquisadora Miriam Abramovay, coordenadora da área de Juventude e Políticas Públicas da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), apontou que 45% dos alunos e 15% das alunas não queriam ter colegas homossexuais. Que grande, ironia, não acham?

Segundo ela, o jovem brasileiro tem menos vergonha de declarar abertamente esse preconceito contra homossexuais do que de declarar a discriminação contra negros.  Há casos, inclusive, de jovens que abandonam a escola por conta dessa violência. “Os adultos da escola não se dão conta disso, porque na escola em geral reina a lei do silêncio”, afirma.

O bullying homofóbico é um pouco mais complexo, visto que, o adolescente está sozinho, afinal a maioria dos pais não está preparado para lidar com isso e, por medo, o jovem se cala e acaba aguentando sozinho. Um estudo feito nos EUA aponta que que jovens LGBT que experimentaram elevados níveis de vitimização na escola têem a sua saúde afetada mais tarde, incluindo depressão, tentativa de suicídio, DSTs e risco de VIH.

E aí, quem vai dar apoio no final das contas? Quem vai ficar do seu lado e te dar suporte? Um jovem não é auto-suficiente e as experiências vividas são levadas para o resto da vida! Então você cresce e aprende que não pode confiar em ninguém. (?)

Além da vítima se manifestar contra esse tipo de atitude, cabe as autoridades responsáveis punir e educar (não necessariamente nesta ordem) os agressores/ofensores. E sim, isso leva tempo, é necessário um longo processo de conscientização e inclusão. E sim, mesmo estando em 2012, a sociedade brasileira ainda tem muito a caminhar, seja na bancada religiosa-conservadora como dentro do movimento-comunidade-gay.

“A sexualidade ainda é tabu, seja para adultos, seja para crianças e adolescentes, e a hipocrisia ainda é uma realidade estruturante no debate sobre a sexualidade”, disse Maria Lucia Leal, coordenadora do Grupo de Pesquisa sobre Violência, Tráfico e Exploração Sexual de Crianças, Adolescentes e Mulheres.

Fonte: http://migre.me/9lRJd; http://migre.me/9lRLx; http://migre.me/9lRVc