O caso da bandeira perdida: Elza ou boa ação? [ENCONTRADA]


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A bandeira foi encontrada, realmente, como nós esperávamos, uma boa pessoa guardou pros meninos ❤

Vocês souberam, através da nossa programação, que teve mais um Piquenique na Pedra da Cebola ontem, né? Aliás, depois quero fazer um texto muito do mal-educado pra uma galera que está RECLAMANDO da presença em massa de heterossexuais no evento… e em qualquer ambiente GLS.

Essa semana eles levaram aparelhos de som e projeção para passarem filmes de temática LGBT para os presentes, e pelos comentários na página do evento, foi um sucesso.

Acontece que no final do encontro, o pessoal da produção ficou tão atarefado juntando os equipamentos de som e imagem que esqueceram uma bandeira gigante pendurada numa das árvores. Mas quando voltaram para buscar, a bandeira havia sumido.

Segue o pedido de ajuda no Facebook:

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tamborA bandeira é gigante, beesha, acho que cabiam umas 30 viados plus size sentadas nela, acompanhadas de suas cestinhas de comida. Algo desse tamanho não sumiria assim, né?

Então das duas uma: Ou uma bee muito prestativa encontrou a bandeira e guardou pra entregar pra produção, ou uma elza truqueira dobrou a delícia e enfiou na mochila.

Acontece que já são quase 14 horas e o pessoal da produção não recebeu nenhuma mensagem sobre alguém ter encontrado.

Pensando nisso, tô usando o blog pra pedir que você, mesmo que tenha roubado (ninguém vai saber se você não disser), entre em contato com os meninos CLICANDO AQUI e devolva. Aquela bandeira é muito importante pra eles, além de ser caríssima, é o símbolo do Piquenique desde o primeiro encontro. Tem valor sentimental.

Entretanto, caso você não queira devolver, saiba que eu estou neste momento ligando pra todas as amigas pembeiras e mestres das forças ocultas para planejarmos uma confraternização repleta de tambores, totalmente inspirada na mudança da aparência do seu edi:

tamboreee

DST’s e preconceito


Ahhhhhhhhhhh

Ahhhhhhhhhhh

Assunto pesadíssimo hoje. Logicamente ele foi resultado de mais uma discussão que tive no Gepss. Aliás, a maior parte dos posts aqui eu tô tirando das discussões que tenho lá, perceberam?

Muitas vezes, inclusive, eu “traduzo” artigos científicos para a linguagem popular e vocês nem se tocam que tão lendo teorias pedantíssimas da Sociologia Bicha. É bom ou não é?

O assunto é sobre DST’s e preconceito. Lá no Gepss várias foram as histórias contadas de conhecidos que não faziam exames com medo do resultado e morreram sem nem saber que tinham HIV, outros que sabiam do resultado, mas não iam no Hospital das Clínicas buscar os antirretrovirais com medo de ficarem faladas na cidade.

Nessa hora uma gay do grupo levantou e disse: “Mas gente, quem tem que buscar o antirretroviral só deve ir lá uma vez por mês, não é possível que alguém desconfiaria de alguma doença.”

Só fiz assim pra viado:

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imagesBasta você ENTRAR uma vez na vida nos hospitais que distribuem antirretrovirais que logo deduzem que você foi beijada. No começo do ano mesmo, uma prima minha passou mal, se internou lá e quando eu fui apenas visitá-la, duas gays já me mandaram mensagem no Facebook perguntando se eu tinha sido beijada.

Isso quando não falam que eu tô com a tia por ser magra. Não se pode nem ser magro nessa cidade maldita (acho que escrevi um post explicando isso… CLIQUE AQUI)!

Agora imagine quem vai lá todo mês? Tem uma coisa muito errada aí.

Sabem por que?

Nós sabemos como prevenir, nós sabemos que não existe problema nenhum em fazer sexo com camisinha com quem tem HIV e nós sabemos mais ainda que quando essas pessoas se tratam o vírus fica praticamente indetectável, e as chances de passar para outra pessoa são tão baixas que ficam próximas de quem não tem o vírus.

Entretanto, o preconceito permanece, o medo ter a fama de contaminada é tão absurdo que tem gays que nem andam com os soropositivos, pra não ficarem mal-faladas por consequência.

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Tipos-de-camisinhaMas e as doenças curáveis? Essas sim são terríveis quando o assunto é ser estigmatizado. Uma vez que a sociedade descobre que um dia você teve sífilis ou HPV, já era, todo mundo vai pensar duas vezes antes de ter uma relação sexual contigo.

Vamos pensar mais, galera! Ter HIV ou qualquer outra DST não é sinônimo de promiscuidade, de falta de caráter ou seja lá do que vocês chamam essas pessoas. O mundo está lotado de gente contaminada que não conta para seus parceiros que tem HIV, ou que nem sabem que tem HIV e contaminam outras pessoas.

Tudo por causa do preconceito.

Claro, a obrigação de cada um é usar camisinha, mas decerto todas aqui já passaram pelo desespero de ter feito sem camisinha sem querer. Seja pelo calor do momento, pelo nível alcoólico, pela confiança, não interessa, todos aqui já fizeram e ficaram com o koo na mão com medo de ter pegado…

…e SE TIVESSE PEGADO? Você gostaria de ter sua índole e seu caráter julgados por isso? Gostaria de ser estigmatizado por um deslize?

Pois é, então pense antes de julgar o coleguinha.

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Androginofobia?


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Estou em Vitória desde domingo, vocês devem ter percebido pela minha presença nos comentários. Não postei nada ainda, mas tenho uma boa razão pra isso.

androginia 5Acho que nunca peguei para falar desse assunto aqui no site. Provavelmente porque sempre achei que não interessaria a ninguém, uma vez que é um assunto que envolve um grupo tão pequeno de pessoas que poucos leitores se disporiam a ler sobre.

Mas recentemente estive conversando com uma grande fã do site e ela me sugeriu falar desse tema, pra ajudar esse grupo que, mesmo pequeno, precisa saber que existe gente boa por aí que não nos vê apenas como aberrações de gênero.

Só que vocês devem estar se perguntando:

Por que só agora, depois de 4 anos de blog, Max resolveu falar do que ele tem de mais marcante?

Justifico com a minha viagem a BH que fiz nessa sexta-feira. Como disse NESSE post, não vou mais postar os Babados, confusões & gritarias, e não vou mesmo. Só que dessa viagem eu preciso selecionar uma coisinha pra discutir com vocês.

androginia 3Não tenho essa aparência à toa, e muito menos forço para construí-la. Tenho um probleminha na minha gônada chamado hipogonadismo (você pode clicar aqui pra ler mais) e, por esse motivo, produzo metade da quantidade normal de testosterona de um homem adulto. Daí, não desenvolvi totalmente as características sexuais secundárias masculinas.

Voltando a falar sobre a viagem…

Como estava bem longe da minha cidade, resolvi fazer uma coisa que sempre tive vontade, mas nunca tive coragem: vestir um short pra sair na noite!

Só isso?

Só isso?

androginia 4Hahahaha, calma! Não me julguem ainda! Eu sempre morri de vergonha de vestir shorts, minhas pernas são muito brancas e morro de medo de me desviar da androginia, pelo medo do preconceito e também porque não me identifico como trans. Então, se o máximo que posso chegar é na imagem de uma sapa masculina, tento me manter assim.

Acontece que onde eu ia recebia elogios, inclusive dos meus colegas de sala que viajaram comigo. Desde a padaria onde fui comprar uma cerveja pra começar a esquentar, até os cachaceiros do bar que, mesmo de forma vulgar, não viam a minha imagem como algo ruim.

Entretanto, quando cheguei em Vitória dei de cara com esse comentário na caixa de spam:

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Clique para ampliar

Eu, enquanto sou criticada:

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androginia 2Esqueça a parte que ela viaja na maionese e fala em me processar porque comentei sobre a boate nova que vai abrir em Vila Velha (que amanhã vou postar mais informações quentíssimas) e se foquem no “SER INDEFINIDO” que ela usou pra me categorizar.

De todos os ambientes que já frequentei, e por ambiente você pode incluir até mesmo puteiros, os únicos nos quais sofri preconceito quanto a minha aparência foram nos meios GLS.

androginia 1Por alguma razão, que eu não sei qual é, a maioria dos gays afeminados tem o mais absoluto ódio de andróginos. Digo gays afeminados porque somente sofri esse tipo de preconceito de um único gay masculinizado, que depois fiquei sabendo que ele se arrependeu do que falou e disse aquilo porque era encubado e eu representava a liberdade que ele queria ter, mas não podia (foi perdoado).

E eu pergunto pra vocês, por que todo esse preconceito? Pra vocês terem noção, eu mal posso ter a auto-estima de valorizar a minha própria aparência sem ser criticado por essas pessoas, como se fosse um crime ideológico se sentir bonito tendo a aparência de ambos os gêneros.

De cara muitos podem pensar:

“Max, é lógico, tá muito claro que é recalque, principalmente porque advém de beeshas afeminadas que matariam pra ter sua aparência”

Não! Não podemos ser tão simplistas assim, até porque tem beesha afeminada bombada que ama ser bombada. Acho que isso vai muito mais além.

Tenho duas teorias, uma pensada por mim e outra pensada em conjunto com um amigo meu psicólogo, mas elas não são opostas.

A minha teoria, depois de tantos anos ouvindo críticas, é a de que o gay andrógino representa para esses gays preconceituosos a imagem que eles deveriam ter para que a pinta que eles dão fosse condizente com a aparência.

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Por exemplo, dificilmente sou ridicularizado em ambientes heteronormativos por ser feminino. Isso porque, para essas pessoas, espera-se que alguém com a minha aparência tenha um nível de feminilidade.

Aliás, sou ridicularizado sim quando tento masculinizar meus trejeitos.

Credo, Max, você falou que nem homem agora! Tomei até um susto!

androginia 7Em contrapartida, esses gays que são “apenas” afeminados sofrem muito mais que eu por serem afeminados, e a situação é ainda pior se eles são altos, fortes ou têm uma aparência bem masculina.

Enquanto essa galera é considerada caricata, vide Vera Verão, eu passo despercebido aos olhares machistas porque soa “natural” que alguém com o meu rosto e corpo não seja “macho”, mas não soa natural que um homem com corpo e cara de homem saia desmunhecando por aí.

E indo mais profundamente nesse babado, podemos perceber também um problema com a questão da “identidade” da bicha dentro do seu universo.

Assim como o gay desconstrói a ideia do homem normal e o homossexual desconstrói a lógica da heterossexualidade ser a norma… o andrógino desconstrói e INdefine a afeminada, porque ele vai além e quase toca na linha finíssima que separa a pintosa da transexual. Linha essa que elas lutam o tempo todo pra manter em pé, separando, definindo, categorizando.

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E se o “ser” se define a partir da negação do outro (eu sou isso porque não sou aquilo), o andrógino entra aí como um outro que “é e não é” e, portanto, não pode ser incluído nem execrado, daí tamanha confusão e rejeição.

O andrógino não se encaixa nos padrões estabelecidos e perturba a noção de identidade que demorou tanto tempo para ser construída. Por isso gera tanto transtorno.

Compreendem a lógica? O que pensam sobre esse tema?

No Domingo Legal funcionava…


Ahhhhhhhh, o romance está no ar… Imagina você, leitora abigãm, que a senhora namore um boy por 5 anos e pensa: “Tá na hora de casááááá!”. Monta todo um esquema alá programa de auditório sensacionalista com direito a outdoor, carro de som e vai trélíssima vestida de noiva ao encontro dele no trabalho para pedir ele em casamento, só que…

“Volta, Bruno, volta!”

Feliz Dia dos Namorados!

Via Morri de Sunga Branca.

Somos todos marcianos


Como se não bastasse o Marcelo Antony ter defendido a proibição do beijo gay na TV, usando o argumento de que 80% dos telespectadores são humildes e sem instrução, e por isso seriam incapazes de compreender um beijo gay. Ou seja, chamou a população brasileira de estúpida e quadrada.

Agora ele me veio com essa:

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ai eca

Que nojo, QUE NOJO que eu tô desse cara falando. merda. pra caralho. Qual a relação entre um gay masculinizado e a seriedade do papel?  Agora gays afeminados não podem ser pessoas sérias?

Estou por conta do cacete já com essa máxima do “vamos fazer um gay com mais seriedade” para falar de fazer personagem masculino. Como se bicha afeminada fosse piada apenas por ser o que é.

Aliás, qual é essa medida de feminilidade ideal? Porque até agora se eu vi 5 gays completamente masculinizados foi muito, o resto todo dá algum tipo de pinta.

Por que? Porque existe de um tudo no meio gay, assim como existe de um tudo em todos os meios. Tentar separar isso no grupo “dos afeminados que só servem pra fazer piada” e o “grupo dos gays sérios, discretos, que constituem família e são normais” é ridículo e contraproducente.

Qual gay vocês acham que a sociedade vai escolher pra respeitar e qual vai rechaçar?

A gente sabe que não vai ser assim

A gente sabe que não vai ser assim

E ele já está igualzinho aqueles viados homofóbicos:

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Sempre FUGINDO do estereótipo, ‘ele dá um pouquinho só de pinta, não pode ser catalogado como a pintosa que a gente está evitando para representar o personagem com seriedade. Ser bicha e mulher é ruim, deve ser evitado, porque homem não precisa ser afeminado pra ser gay’… o meu rabo pra tudo isso.

Cada um precisa ser o que acha que deve ser, e merece respeito por isso.

Perceberam então, né? Ou você é o homem que as pessoas falam “Caramba, não sabia que ele era gay” (elogiando, lógico, que nem falei nesse post. Porque não parecer gay é uma coisa maravilhosa) ou você é marciano.

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Tenho orgulho de ser marciano,  seus seres inferiores.

E se acha que eu estou exagerando, me mostra um personagem afeminado que foi tratado com seriedade nas novelas da Globo que calo minha boca.

Até mesmo aquele cabeleireiro que o Paulo Gustavo fez, era apenas um stand-up comedy móvel. A única cena séria dele foi no final quando ela se despede, e mesmo assim ele fez uma piadinha.