Gentileza é uma coisa, machismo é outra coisa


Feministas?

Há um tempo atrás, um post de um leitor postado aqui no blog causou polêmica, veja-o aqui. No texto, o autor faz um relato de como tratar bem seu namorado passivo. Alguns comentaristas do post ficaram indignados acusando o autor de feminilizar os passivos (o que eu concordo!) e de ser machista. Machista?!

Alguns dos argumentos sustentados é que os agrados feitos ao parceiro é um reflexo do machismo, como ocorre na relação entre homem e mulher (cis). Faz um tempo eu tinha uma opinião parecida, até que tomei um coió de uma amiga militante feminista. Para mim atitudes como abrir porta, puxar cadeira para a mulher sentar, ajudar a carregar umas sacolas era apenas uma atitude machista, uma maneira de expressar a dominação masculina em relação a mulher.

Na verdade, pode ser apenas uma atitude de gentileza e pronto. Especialmente, quando a pessoa é mais frágil e mais vulnerável, uma ajuda cai muito bem. O que os movimentos sociais querem, e isso inclui o feminismo, é igualar as pessoas NAS SUAS DIFERENÇAS. Independente de gênero. Uma mulher mais forte que um homem, num mundo pós-gênero, pode ajudar um homem a carregar algo, assim como pode segurar a porta de um elevador para um cafuçú e isso não ir de encontro ao gênero e do sexo de nenhum dos dois – do macho ou da fêmea, da bicha e do hétero.  Machismo é o que de forma ativa coloca o que é feminino subjugado ao masculino e o que agride simbolicamente ou fisicamente o ser mulher, apenas isso. Até mesmo uma gentileza como forma de flerte não vai nada mal, mostra que a pessoa está se importando com você. É importante não misturar as coisas.

Mulher, homem, bicha, travesti, oriental, velho, alta, gordo, sapatão… quem não gosta de uma gentileza, não é mesmo?

8 comentários sobre “Gentileza é uma coisa, machismo é outra coisa

  1. Gentiliza não é cavalheirismo.
    Sem querer parecer arrogante e chata, mas é só uma dica. A palavra é subjugado e não “subjulgado”.

  2. Eu, como legítimo membro desse grupo semi-extinto – mas que ocupa o topo da cadeia alimentar – e como homem divorciado, já vivi as mesmas coisas, e do mesmo ponto de vista do escritor, meu colega Bill.
    Portanto, comentarei o script, com o mais amplo conhecimento de causa, tópico por tópico.
    Lembrando que estamos nos baseando sim em paradigmas e estereótipos, pois vivemos no mundo que está aí e não num mundo ideal, livre de preconceitos e blablablá.

    post original: Não crie insegurança nele para se impor: “Nossa, esse daí eu como hein!”, disse o namorado ativo quando passa um homem bonito na rua.
    Ele quer e deve poder confiar em você. Não se faça de pegador, ele não é um objeto que pode ser trocado a qualquer hora.
    Ele já se estressa o suficiente para fazer chuca e estar lindo e cheiroso para você, não precisa criar pulga atrás orelha dele.

    Coment: Realmente, o padrão é um ativo casado ser o sonho de consumo do resto da comunidade, então, logicamente o passivo será mais inseguro que o ativo.
    Por isso, colega, realmente não subjugue o rapaz – ele já se subjuga a você na cama.
    Comedor que é comedor, não precisa ficar se vangloriando.
    Esse tipo de atitude, ironicamente, demonstra a insegurança do ativo.
    Que está acontecendo, colega? Não tá dando conta? Acha que o seu bilau é pequeno? Ou será que o passivo é muito mais bonito que você (também acontece muito)?
    E, muito cuidado com esse tipo de comentário, pois se for um cara com tendência para o ciúmes, o seu bilau (já sendo pequeno ou não) poderá ficar um pouco menor.

  3. Vixe, me arrependi aqui. Muita coisa para comentar. Para resumir, vou direito ao tópico mais polêmico:

    Post: Pode ser machismo, mas seja cavalheiro: Seja o cara que chama o garçom, que abraça para aquecer, que toma satisfação dos outros para proteger. Ele não é mulher, mas gosta de saber que pode contar com você.
    Muitíssimos passivos sentem a necessidade de se sentirem cuidados, afinal nossa sociedade educa assim.

    Coment: DE FATO, geralmente, os passivos geralmente gostam muito de se sentirem cuidados e protegidos.
    Não tem coisa mais gostosa que um ativo ouvir: “Parece que nada de mal vai me acontecer quando você abraça.”
    Ou: “Depois q terminamos, é tão difícil dormir sem teu abraço.”
    Agora, colega, realmente tenho que DISCORDAR disso de ser cavalheiro.
    Embora seja evidente a transposição de vários conceitos do heteronormativo “papai e mamae”, isso de o ativo dever ser cavalheiro não é um deles.
    Se assim fosse, então TODOS os passivos são o quê? DAMAS?
    Conheço mais do que um passivo que me esmurraria se eu abrisse a porta do carro, puxasse a cadeira ou quisesse pagar toda a conta.
    Por outro lado, acho que é necessário um certo cavalheirismo num relacionamento gay, mas, de ambas as partes.
    Afinal, os ativos, no fundo, lá no fundo, também são românticos.
    🙂

  4. Quem dera se no mundo o machismo tivesse apenas esse lado “bom”. Mas é cultural. Só quem tem contato com feministas desde cedo consegue se distanciar da cultura domintante. Eu não tive.

    Fui criado por mulheres machistas, meu pai faleceu quando eu tinha 3 anos. Tive que ser “o homem” da casa desde cedo. E ai de mim se não me portasse como “o homem”.
    Isso já faz parte de minha personalidade. Aposto que ninguém ainda se libertou completamente dessa cultura.

    Se uma amiga feminista reclamasse de uma gentileza, sinceramente, eu ficaria magoado pela ingratidão.

    • O machismo é cultural, é complicado! Mas o que me deixa super xatiado é ver mulheres e gays com esses comportamentos. Mulheres até uns anos atras sofreram tanto com o machismo, e ainda conseguem seguir essa ‘ditadura’, e as gays, ah as gays!

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