A complexidade dos relacionamentos gays


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Dia desses, um amigo que havia recentemente se separado, lamentava sobre a curta duração dos relacionamentos entre gays. Ele falava sobre a impossibilidade de se manter um relacionamento estável com outro homem. Entretanto, a ideia de que gays não conseguem ter relações duradouras é um mito e origina-se do clássico “gays são promíscuos”. Porém existe muito mais coisa por trás disso, como por exemplo o fato de que atualmente qualquer relacionamento tem um prazo de validade menor, devido ao imediatismo das pessoas.

Para a sexóloga Fátima Protti,“A dinâmica de um casal é influenciada pela história de vida, pelos traços de personalidade, pela sexualidade e também por influências externas, independentemente da orientação sexual dos indivíduos que formam o casal”. Ainda nesse campo, a psicóloga Anne Peplau, co-autora de um capítulo do livro Annual Review of Psychology, afirma que “Há evidências consideráveis de que tanto as lésbicas, quanto gays, querem ter um relacionamento estável e comprometido, e são bem sucedidos na criação destas parcerias, apesar das dificuldades criadas pelo preconceito social, o estigma e a falta de reconhecimento legal para as relações do mesmo sexo”.

Um dos motivos para que meu casamento não funcionasse, foi a homofobia internalizada e a rejeição por parte da família de ambos. Minha ex não conseguia aceitar que fazia parte “desse tipo de gente” e quando brigávamos, não havia mãe ou pai pra aconselhar e consolar. Eu sempre me aceitei muito bem, então não a entendia e acabei acreditando que eu era o projeto de ciências de uma garota mal resolvida. Segundo Fátima Protti, “o preconceito e a falta de aceitação social impedem o estabelecimento de vínculos afetivos consistentes pelos gays. “Enquanto não se libertam, eles têm muita dificuldade em assumir relacionamentos duradouros”.

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Outro fator que pode influenciar é a invisibilidade da família gay. Assistimos aos comercias das grandes marcas e o que vamos são modelos de famílias que não correspondem mais a realidade. A maioria dos LGBT cresce em famílias heterossexuais e passa boa parte da infância e da adolescência sem sequer conhecer um casal homossexual. E mesmo depois de terem se assumido e passado a conviver com outros gays, não é muito freqüente encontrarem casais estáveis e visíveis. Visto que muitos escolhem se “camuflar” com os héteros e viver uma vida longe da comunidade gay.

Não demonstrar afeto em público, ou ter que mentir sobre o estado civil por motivos profissionais, influenciam diretamente a vida do casal e principalmente do parceiro que é “escondido”. No meu caso, eu era o “invisível”, o amigo que mora junto ou no pior dos casos, nem era apresentado.

Todavia, mesmo com todas estas dificuldades, o Instituto de Pesquisa Rockway, de San Francisco, anunciou que relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo são mais saudáveis que entre heterossexuais. Uma série de estudos revelou que pessoas que se relacionam com outras do mesmo sexo têm maior probabilidade de relacionamentos maritais e familiares do que aquelas em um relacionamento hétero. Robert Jay, que é diretor executivo do Instituto Rockway disse que a flexibilidade de gênero dos papéis desempenhados pelas pessoas em um relacionamento gay e a divisão igualitária nas questões domésticas e familiares resultam em relacionamentos mais saudáveis que aqueles heterossexuais apoiados em moldes antigos.

John Gottman, um professor emérito de Washington, da Universidade de psicologia, e seus colegas coletaram dados de casais homossexuais em 12 anos, e descobriu que cerca de 20 por cento tinham se separado nesse período. Essa taxa projetada sobre um período de 40 anos, é ligeiramente inferior à taxa de divórcio para os primeiros casamentos entre casais heterossexuais, sobre o mesmo período de tempo, de acordo com o estudo publicado em 2003 no Journal of Homosexuality.

Cheguei a conclusão de que o meu relacionamento não deu certo por falta de maturidade de ambas as partes e um pouco do imediatismo que eu falei lá em cima. Que os relacionamentos passados sirvam de lição e não de lamento !

Fonte: http://migre.me/gRCZB
http://migre.me/gRD69
http://migre.me/gRDa8