ENEM E NOME SOCIAL: LEGITIMIDADE E RESPEITO


Somente a adequação da imagem corporal com o gênero de identificação não é suficiente para que a pessoa seja reconhecida como tal. Ainda restam algumas contradições, como por exemplo, a incompatibilidade entre a imagem representada e o nome que a pessoa carrega em seus documentos, o que acaba causando sérios constrangimentos para travestis e transexuais brasileiros.

E pela primeira vez no Brasil, a edição do ENEM 2014 adotou uma inovação: candidatos travestis ou transexuais poderão usar o nome social para fazer a prova, bastando fazer uma solicitação ao INEP via telefone. Segundo dados divulgados pela Agência Brasil, cerca de 70 pessoas realizaram a solicitação.

No ano passado, algumas candidatas transexuais que fizeram a edição de do Enem 2013, relataram que sofreram constrangimento na hora de apresentarem o documento de identidade aos fiscais das salas de prova. Como usam um nome social diferente do nome indicado no documento de identificação, duas estudantes transexuais disseram que só receberam o caderno de provas no primeiro dia depois de um longo processo de conferência de dados. Uma delas foi tratada como se houvesse perdido o documento de identidade. Imagem“O nome social garante que a pessoa seja respeitada no gênero em que está, para que não sofra nenhum constrangimento”, explica a coordenadora de Políticas da Região Sudeste da ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) e coordenadora colegiada do Fórum LGBT do Espírito Santo, Deborah Sabará.

ImagemDeborah fez inscrição no Enem e pretende usar o exame para ingressar no ensino superior. Ainda está em dúvida entre os cursos de história e serviço social. “O percentual de pessoas trans no ensino superior é baixíssimo. Estamos também longe das escolas, do ensino fundamental e médio. Mas eu acredito que isso vai aumentar. Precisamos empolgar a nossa população a fazer o Enem e usá-lo para o que for possível”.

A pedagoga e presidenta do Conselho Municipal LGBT de São Paulo, Janaina Lima, diz que o uso do nome social atraiu mais candidatos ao exame. “No meu convívio social, eu sei de várias [travestis e trans] que estão se inscrevendo. Saber que vai chegar lá e vai ser só mais uma pessoa concorrendo, tem facilitado. Elas dizem que estão se inscrevendo só porque poderão usar o nome delas e que não vão ser expostas antes mesmo de começar a prova”.

O que é que Vila Velha tem?


Um mistério paira sobre nosso estado: por que, afinal de contas, Vila Velha bomba mais do que Vitória no quesito número de boates? O fato é que há alguns anos muitas boates gays brotam na cidade, enquanto a capital que deveria ser o centro de todas as atenções míngua com apenas uma.

Bichas de outras cidades lendo este post.

É sabido que, no passado, a situação era extremamente oposta: Vitoria tinha várias boates (a maioria no Centro) e Vila velha não tinha nada. O que mudou de lá para cá? Conversei com alguns amigos para tentarmos entender afinal o que Vila Velha tem que as outras cidades não tem.

O fato é que houve uma rixa histórica entre as bichas de Vitória e Vila Velha, especialmente entre as drag queens. Essa rixa só era colocada em suspenso quando a questão era a Serra, aí todo mundo se unia para falar da outra (leia mais sobre isso aqui).

Típica bicha de Vitória

A primeira resposta é que Vila Velha tem mais bicha numericamente, pois a cidade é mais populosa. Não sei se é assim, mas quando a  gente anda pelos terminais de lá, uns 60% das pessoas são gueis com os penteados mais bafoentos e os que mais desafiam as leis da física e do bom gosto. Segundo o IBGE, Vila Velha tem 90 mil pessoas a mais que Vitória. Mas será que isso é suficiente para dizer que há mais viado na terra dos canelas verdes? Mais gente quer dizer mais viado? Cadê os números do senso das guei de Vitorinha para tirar essa prova?

Típico morador de Vila Velha

Porém, entre os meus entrevistados a resposta mais comum é que a diferença entre os viados de Vila Velha e Vitória não é quantitativa, mas sim qualitativa. Entre as pessoas com quem falei houve unanimidade ao dizer que as viadas de Vila Velha são mais fervidas que as de Vitória, que por sua vez tendem a ser mais frescas e elitistas.

As (bichas) vilavelhenses são mais povo, as de Vitorinhas ficam fazendo carão, as de Vila Velha se jogam mais“, disse uma amiga. Uma guei falou: “Vitória é vitoriana, é sempre pelos bons costumes, Vila Velha é ferveção” e completou “sempre que pego ônibus verdinho de Vitória, logo noto a diferença, não é como o povo das outras cidades em torno, eles são mais bem vestidos, mais comportados, mais limpinhos e cheirosinhos, mas também são mais arrogantes e cara amarrada. Agora pega um transhca em Vila Velha! É babado confusão e gritaria. Tem o mendigo atacando no 507, tem a própria Max!”, riu.

Vila Velha Wins!

Houve ainda quem dissesse que Vila Velha tem uma infraestrutura melhor para este nicho de mercado. Max Pederzini, coautora deste blog, foi uma delas e comentou: “acho que é porque é tudo pertinho em Vila Velha, e tem muitas áreas escuras, isoladas, ótimas pra boate. As encubadas odeiam lugar iluminado“. O preço dos espaços e a especulação imobiliária também foram comentados como razão para o sucesso da cidade que foi nossa primeira capital. “Tem a questão do preço de venda e aluguel de imóveis que é muito alto em Vitória. Além disso, o povo de Vitória não gosta de ir longe para sair. Não vão nem ao Centro, onde seria possível conseguir um preço mais baixo. Mas realmente não sei se também não é falta simplesmente de abrirem mais estabelecimentos que sejam bons“, me disse um cafuçú magia.

Outro fator destacado foi a questão financeira. Alguns creem que em Vila Velha as casas noturnas conseguem fazer/fazem preços mais camaradas e os custos e logística de acesso, transporte e alimentação na cidade são mais em conta para os clientes.  “Vila Velha é uma cidade maior e o povo não gosta de pagar pedágio… Pessoas de cariacica, por exemplo, também preferem vir pra cá porque as coisas são mais baratas. Tanto que as boates que bombam em Vila Velha atraem um publico de poder aquisitivo menor que o das boates de Vitória“, argumentou uma bichinha vilavelhense.

Um dia qualquer na orla de Cogayral de Itaparica.

Por fim, para alguns entrevistados a cidade de Vila Velha simplesmente tem uma estrutura e uma tradição junto ao público LGBT e chegaram a classificá-la como um grande point gay. Uma viada afirmou galhofeira: “tem a Feira do Cu e lá (Vila Velha), é onde a tradição do congo é mais forte, né? Porque tocar a casaca, esse instrumento fálico com uma cabeça esculpida transforma até o maior machão numa belíssima bill“. Outra também comentou brincando: “Todas as boates são só pra suportar a demanda de Cogayral, só tem viado nessa porra“.

E você? Por que você acha que Vila Velha é tão privilegiada de ambientes dedicados ao público gay?

Afroreggae vai além do arco íris


O Grupo AfroReggae é uma ONG que luta pela transformação social através da cultura e da arte. O objetivo inicial do AfroReggae era a mediação e integração com a população afro-brasileira, atuando principalmente na comunidade de origem de seus membros, Vigário Geral.

Depois de ir às ruas e descobrir em meio a prostituição histórias de violência e rejeição, o grupo criou o projeto chamado “Além do Arco Íris”, que se propõe a oferecer para travestis verdadeiras oportunidades que vão desde o trabalho até o sonhado respeito à diversidade.

Hoje o Afro Reggae já atua em seis comunidades: Vigário Geral, Morro do Cantagalo, Parada de Lucas, Nova Iguaçu, Complexo do Alemão e Vila Cruzeiro. Você também pode ajudar oferecendo emprego ou capacitação.  Fale com Daniela Pereira e João Paulo, coordenadores do projeto, através do telefone: (021)3095-7200 ou pelos e-mails: daniela.pereira@afroreggae.orgjoao.paulo@afroreggae.org ou empregabilidade@afroreggae.org

Fontes: http://migre.me/eEXOn

“SENAS” da noite capixaba #21


Aconteceu num butequinho pé-sujo da periferia da Grande Vitória já há algum tempo. Estavam duas travas socializando quietinhas no canto delas, quando um cafuçú magia-negra de meia-idade mal encarado, virou pra uma delas e gritou:

– Viado, vem cá!

A trava olhou com a aquela cara desconfiada, mas solícita.

Ele virou pra mona e gritou apontando pra si e pro amigo:

– Paga uma cerveja pra gente, baitola!

-Oi, gato?

– Paga uma cerveja pra gente, bicha, tô mandando!

“É claro”, respondeu a trans.  E foi indo até o bar…

A trava pediu uma lata de cerveja e dois copos. E entregou na mesa do cacura. E ele:

– Me serve, vadia, me serve!

A trava toda presenteira abriu elegantemente a lata e divamente serviu o copo dos dois caras. E o véio, não satisfeito, ainda completou falando com ar vitorioso para o amigo:

– Tá vendo, é assim que trata viado!

Pra que, bicha?! A travesti rasgou com as mãos a latinha vazia que estava segurando, criando uma navalha improvisada e desferiu um golpe certeiro na cara do homem. Viado, quem estava lá diz que foi uma das cenas mais medonhas já vistas! Espirrou sangue pra tudo quanto é lado. A pele se partiu e expôs a parte interna da boca; pela bochecha dava pra ver dentes e a língua do abusado. O corte foi tão profundo que as ligações do maxilar se romperam e o queixo ficou pendurado de um lado. Claro, acabou todo mundo na delegacia…

E se esse tiozão aprendeu alguma coisa naquela noite foi:

Apenas…

…não mexa com as travas!

Gosto de homem, pica é consequência… será?


Desde o post da Léo Áquila falando sobre homens que ficam com travestis e a problemática em determinar a sexualidade deles, conversei com um amigo meu, gay e ativo, sobre essa questão.

A opinião dele me pareceu bastante preconceituosa quando ele disse que “gay gosta de pênis, se meu namorado não tivesse pênis eu não sentiria atração por ele.”

E completou: “Se esses homens que procuram travestis só quisessem sair com alguém mais liberal não precisariam sair com travesti, o que não falta no mercado são mulheres que fazem penetração com cinta nos clientes. São no mínimo bissexuais que não têm coragem de ficar com outro homem”.

Já eu achava que pênis era apenas uma “consequência do homem”, que nós nos atraíamos pela imagem masculina ou por resquícios dela (no caso de bee’s mais afeminadas) e esperamos que ali exista um pênis, claro, mas ele não seria o ponto-chave da atração, uma vez que travestis têm pênis e nem por isso nós gays nos atraímos por elas (ser mulher não se resume a ter rachada), certo?

Entretanto, voltando num post sobre transexuais Female to Male (de mulher para homem), observei que a maior parte dos leitores, tanto aqui quanto no Facebook, sentiram-se atraídos pela imagem, mas seriam incapazes de fazer sexo com eles devido à falta do pênis. Dando total razão ao que o meu amigo falou comigo lá em cima… e agora, Glória?

Será que o mesmo acontece com homens heterossexuais “de verdade” diante das travestis, quer dizer, que os homens heterossexuais sentem-se atraídos por elas fisicamente, mas quando descobrem que existe ali o pênis em vez da vagina, acontece a repulsa sexual assim como acontece conosco diante de um transexual female to male?

Ou será que tudo isso é apenas um reflexo da nossa cultura que segrega as sexualidades e nos obriga a deixar sempre claro por qual “padrão” nós nos atraímos? Sem nos dar a liberdade de experimentar e sentir novas formas de prazer, já que nós não fazemos sexo somente para a reprodução?

Aliás, eu mesmo já fiz sexo com homem, mulher, gnomo, seres de luz e entidades satânicas, e nem por isso deixei de ser gay… eu acho. Ser gay não é nada além de um rótulo, jamais vai conseguir representar a individualidade dos que fazem parte do grupo.

O que as senhoras acham? Vamos votar?

RS institui Carteira de Nome Social para travestis e transexuais


Entre muitas ações que rolaram ao redor do mundo, durante as comemorações do dia Internacional de Luta Contra a Homofobia, o estado do Rio Grande do Sul passou a frente e assinou, pela primeira vez no Brasil, decreto que institui a carteira de nome social para travestis e transex. Essa realidade ainda não é possível nos outros estados do Brasil.  O governador Tarso Genro também instituiu o Comitê Gestor dos Direitos Humanos, que irá cuidar, entre outros, dos direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT).

Durante o ato, o governador do estado entregou simbolicamente o documento para a travesti Simone Rodrigues (à direita na foto). A Carteira de Nome Social funciona como um documento de identificação, válido para  serviços públicos, onde será impresso o nome feminino pelo qual são conhecidos socialmente.

O documento vem pra somar, o retorno de muitos travestis e transex afastados das escolas pelo constrangimento ao se apresentar em público é o principal foco desta ação. “Muitas travestis são profissionais do sexo. Na hora da abordagem na rua, é um constrangimento ter de mostrar um documento que não condiz com a imagem. Na saúde, quando se pede às atendentes para ser chamada por um nome feminino, elas não tem a sensibilidade. Nas escolas também”. Alerta Marcelly Malta.

O secretário da Segurança Pública, Airton Michels, informou ainda que 730 novos policiais civis e os mais de 2 mil policiais militares que estão na academia receberão formação específica sobre a aceitação do documento e os direitos LGBT. “Isso é apenas o início para que o preconceito e a intolerância sejam extirpados do nosso Estado”, afirmou.

O presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis, acredita que trata-se de uma grande conquista para os indivíduos transgêneros e que a ideia precisa ser seguida por outros estados.

“Se a pessoa se sente A ou B, ela deve ser respeitada neste sentido. Isso promove a inclusão e é importante pelo respeito à dignidade humana e à questão do gênero”, aprova.

Fontes:  http://migre.me/9c4yl; http://migre.me/9c4zp; http://migre.me/9c4B5