Transexualidade como fuga da homofobia


MACHÃONa última semana li nos comentários algumas beeshas comentando sobre a vontade que muitos gays afeminados têm de transicionar a fim de fugir da homofobia sofrida no meio gay, devido ao fato desse meio hoje em dia supervalorizar o masculino e deixar as coitadas de lado quando a intenção é pegação, namoro ou casamento.

Por um lado eu concordo veementemente com isso, diversos foram os gays que eu conversei e todos me disseram que em algum momento de suas vidas pensou nessa possibilidade, no quanto seria mais fácil conseguir um namorado se fossem mulheres.

E aí eu resolvi tirar prints das minhas conversas no Badoo (um site de relacionamento com muita gay, mas predominantemente hétero), pra você, beesha afeminada, não se iludir achando que ser transexual é mais fácil.

Tá, não vou ser hipócrita em dizer que não pego mais homem. Pego sim, e só homem gostoso, homens que eu JAMAIS pegaria se fosse menino. Porém, observem que na maioria das vezes o relacionamento acaba nisso.

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Primeiro, vejam como ficaram as minhas estatísticas com dois dias que eu entrei no Badoo:

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Agora, observem as conversas (algumas são bem humoradas, pra quebrar o climão hahaha):

Clique nas imagens para ampliar

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Quer dizer, tirando alguns poucos casos, na maioria absoluta das vezes somos tratadas como meros objetos sexuais, uma tara secreta a ser satisfeita.

Pouco importando o que você sente, ou pelo que você já passou, seu corpo está ali como um bem comum. Um corpo modificado e construído unicamente para o deleite sexual masculino, nada mais.

Será que o lado de cá é realmente mais simples? Não se iludam, a única fuga é a heterossexualidade.

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Desvendando mistérios: Por que eu sumi?


Yasmin_cartelaNão, lindas, eu não sumi porque enjoei do blog, como algumas propuseram. Desapareci por uma razão específica, e quero dividir com vocês.

Nota-se que eu mudei bastante desde o início da transição. Tanto fisicamente quanto psicologicamente. Como resultado, isso tem me trazido experiências diferentes para as quais não estava preparada.

Mas o que mais tem me frustrado e me feito perder o tesão em publicar no blog, é o comportamento de alguns gays diante da minha transformação.

a6Qualquer comentário que eu faça sobre transfobia, ou sobre um assunto que incomode os “G” dos LGBT’s é recebido com muita misoginia e comentários do tipo: “Acho que você deveria reduzir esses seus hormônios, estão te deixando louca”.

Como se eu fosse um barril de hormônio ambulante e tivesse perdido toda a minha credibilidade intelectual num debate.

Quer dizer, o ódio ao feminino é tanto, que por eu ter me assumido mulher passo a ter todas as minhas opiniões destoantes do hegemônico consideradas “histeria feminina”.

E as mulheres cis passam pela mesma situação diariamente, nós sabemos. Será que os homens não percebem o quanto isso é absurdo e ofensivo?

Tudo isso me fez pensar: Pra quê eu vou ajudar esse grupo que só tem me dado tapa na cara depois da transição? Que sequer tem a humildade de admitir que falou algo ofensivo ou transfóbico porque na cabeça deles eu não deveria me ofender com isso?

Opa, quem determina o que ofende ou não é o oprimido, não o opressor!

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E o pior, por que eu vou continuar ajudando essas pessoas que insistem em dizer que eu “virei mulher”? Sendo essas mesmas pessoas as que não admitem ouvir que “viraram gays”?

Será que o movimento GGGG, ops, “LGBT”, merece continuar recebendo minhas contribuições?

Lógico que eu vou ouvir: “Nossa, Sarah tá se ACHANDO agora, só porque se assumiu trans acha que é a última Coca Cola do deserto”.

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Não, meus amores, eu sei do meu valor, eu sei quantos leitores eu já ajudei com meus posts, minha caixa de e-mail e os comentários aqui não me deixam mentir, eu tenho um papel importante na cena LGBT.

Porém, repensei, conversei com o Dé e outros leitores e tal. E cheguei a conclusão de que, por mais que eu receba pedradas e muita misoginia dos gays aqui, não posso fazer como a sociedade (que julga todas trans como marginais, safadas, dissimuladas e criminosas) e julgar todos os gays a partir de meia dúzia de comentários maldosos.

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E por isso resolvi voltar, um pouco diferente, mas tentarei manter o mesmo humor, sagacidade e empatia que vocês já conhecem e adoram.

Espero que curtam a nova autora do blog ❤

Minha primeira transfobia: E que comecem os jogos


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Bem, como a maioria dos leitores aqui já perceberam pela minha foto nova, eu estou transicionando e amando os resultados. Acontece que eu queria mostrar, principalmente pras meninas que ainda não criaram coragem pra começar a terapia, que nem tudo são peitos, OPS, rosas, nem tudo são rosas.

Existe muita gente calhorda solta nesse mundo, principalmente na internet. Hoje, fui obrigada a descobrir por acaso que um grupo de Hentai (tal de Hentai Brasil 2.0) estava usando meu perfil e minhas fotos numa postagem na qual eles tentavam descobrir qual era o meu sexo.

Fiz prints, observem:

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Quer dizer, é sempre a mesma história, o que você tem no meio das suas pernas (ou o que simplesmente nasceu lá, mesmo que tenha tirado) infelizmente vai te perseguir pelo resto da sua vida, independente das pessoas admitirem que não vêem um homem quando olham pra você, ter um pênis (ou ter tido um) é motivo o suficiente pra tudo isso ser ignorado.

O pior é que isso não é só com quem tá começando, acontece o mesmo em casos absurdos como o da transexual perfeita que foi flagrada com o Romário e teve de ouvir a declaração de que “Ela é minha camarada, minha parceira, mas eu gosto é de mulher”.

E ela é o quê, porra, uma capivara?

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Lamentável…

A última pessoa do print foi a única que me defendeu no post e, portanto, é a única que merece o direito ao anonimato.

O resto, fiquem à vontade para procurarem os perfis nos seus respectivos Facebooks e mostrarem TODO O SEU AMOR por gente preconceituosa.

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De quem foi o constrangimento mesmo, A Gazeta?


Olha a notinha CACHORRA que saiu na coluna social do jornal A Gazeta:

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Vocês perceberam o tom de deboche do autor? Pode parecer que, pela responsabilidade jurídica, ele esteja do lado de quem sofreu a transfobia, mas não, se você ler com cautela vai observar que o “constrangimento” mesmo foi aparecer alguém “vestido de mulher” para receber o diploma.

Lógico, porque uma transexual é só alguém vestido de mulher… NÃO! Ele deveria ter dito que subiu ao palco uma mulher (e aí a surpresa da plateia seria justificada), não alguém “vestido de”, como se a pessoa estivesse imitando uma mulher.

Acho uma graça que o jornal mexeu logo com quem acabou de se formar em Direito e deve estar cheio de gás pra meter o processo. YOU GO,GIRL!

Transfobia em boate hétero


Antes de começar, o SELO LUANA DA LAPA! Porque esse texto tá pedindo por ele!

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Uma boate capixaba “de elite”, famosa em 2009 por não deixar “gente feia” entrar, agora resolveu cagar mais uma regrinha e dizer que mulher trans não é mulher.

Vamos vomitar comigo?

Semana passada, saí com um grupo de amig@s para uma noite em conceituada casa noturna de Vitória. A noite que tinha tudo para ser deliciosa tornou-se uma das maiores crueldades explícitas que já vivenciei na vida.

Ainda na fila para entrada no referido estabelecimento, uma PESSOA muito querida que, além de ser minha amiga, é trans, começou a sofrer diante do preconceito socialmente instituído.

Em filas separadas por gênero, homens e mulheres são revistad@s por seguranças de seu mesmo sexo antes de adentrar a casa, com exceção de “Estrela” (nome fictício), que foi encarada por seguranças femininos e masculinos que negaram-se a revistá-la. Desconsideramos a situação e dirigimo-nos ao caixa para fins de cadastro das comandas de consumo.

Ao checar o RG de “Estrela”, o funcionário pontuou que ela deveria estar na outra fila, juntamente com os homens e que o valor de sua entrada seria Y, pois o valor X era referente às entradas femininas. Mesmo tomada por constrangimento e insegurança frente à essa abordagem que chamou a atenção do público presente, , aquela mulher alta, bonita, sensual, elegante e cheia de brilho afirmou bravamente a sua feminilidade. Para nosso espanto, um funcionário do estabelecimento defendeu vorazmente a conduta, alegando que não era possível saber se “Estrela” era homem ou mulher.

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PERGUNTAR a ela resolveria o “dilema”

Completamente violentada e humilhada, minha amiga pôs-se a chorar.
Pois bem, minha paciência juntamente com minha cota de educação dispensada ao caso chegaram ao limite. Eu esbravejava, gritava, chorava, mas poucas pessoas me ouviam enquanto eu era ameaçada de ser retirada do local juntamente com “meu amiguinho”. Foi então que “Estrela” reuniu todas as suas forças e, num ato corajoso, começou a despir-se a fim de provar a feminilidade que lhe foi exigida para que ocupasse aquele lugar em que estávamos. Imediatamente, os funcionários retiraram suas palavras e permitiram a nossa entrada.

Ainda que a noite já tivesse se tornado um pesadelo, minha amiga insistiu em exercer o seu direito de ir e vir e adentrou a casa. Temendo evitar um desconforto ainda maior à “Estrela”, a acompanhei por alguns minutos, poucos mas suficientes para sentirmos nos olhares de reprovação e desperezo lançados por uma gente insensível e egoísta, o amargo sabor do crime socialmente legitimado e naturalizado.

Tristíssimo relato, mas atitude super corajosa de “Estrela” em se despir para bater o pé pela sua feminilidade.

Gente, se vocês passarem por uma situação parecida, não briguem, não discutam, apenas liguem pra polícia. Eu sei que os policiais não vão fazer nada, mas os jornalistas da TV Gazeta e da TV Vitória AMAM uma matéria desse teor e com certeza vão aparecer na hora.

Você vai receber suas desculpas em rede local e ainda por cima vai boicotar a casa noturna, que pra mim já deveria ter sido fechada HÁ MUITO TEMPO devido a essas práticas discriminatórias.

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Ligue!

Curiosamente, pelo que eu lembre, na última vez que fui lá uma das promoters era trans. Estranho ela não ter se manifestado. Prefiro pensar que ela não viu nada em vez de deduzir que temos mais uma amoladora de facas por aí.

Dia do homem? Dia da homofobia!


songweaverEu sumi, gente, eu sei, mas é porque o Aion lançou uma classe nova e vocês me conhecem, não consigo me segurar em jogar até chegar no level máximo.

Tava começando a escrever agorinha mesmo o post de análise do meu ponto de vista sobre a Rouge House, apesar do Dé já ter feito a dele, muitos leitores pediram também a minha opinião durante a festa de sábado.

Só que não tem a possibilidade de eu me concentrar em fazer um post sobre isso, enquanto a minha timeline inteira está tomada de postagens homofóbicas sobre o dia do homem e de gays tendo a pachorra de se vangloriar por ter essa tripa no meio das pernas.

Por isso, vou fazer um apanhado geral e comentar cada uma delas.

Caso 1: Gays e o dia do homem

Eu ia postar o link de um blog que fez um texto sobre ser gay no dia do homem, mas o texto foi tão escroto e cheio de misoginia, que eu acho que ele se tocou e apagou aquela merdinha.

Que eu me lembro, era um texto repleto de clichês do tipo “Existem muito mais gays machos do que se imagina”, “nós também somos homens com H” e a máxima do final, “feliz dia do homem até pra você, afeminado, que apesar disso ainda é homem”.

Tchau, não quero mais militar por gente assim.

Tchau, não quero mais militar por essa gente

Nossa, me dá raiva de ler essas coisas. Macho, Homem com H, você é homem APESAR de afeminado? Que porra é essa?

Nós gays não temos que nos orgulhar de forma alguma de fazer parte da noção hegemônica ou heteronormativa do que é ser homem, aliás, temos é que ter vergonha.

Porque é por causa dessa dicotomia de gênero, dessa separação idiota baseada em leis vazias de comportamento (que ninguém sabe de onde veio, quem criou, mas todo mundo insiste em respeitar como se fossem naturais) que milhares de gays são agredidos nas ruas todos os dias, que travestis e transexuais não têm sua identidade de gênero respeitada, que mulheres lésbicas são humilhadas por não incluírem um pênis nos seus relacionamentos e que a diversidade da nossa classe fica cada vez mais limitada aos flyers de Parada Gay.

Eu, enquanto você fica toda dura tentando manter sua masculinidade

Eu, enquanto você fica toda dura tentando manter sua masculinidade

Ser gay e se orgulhar de ser homem, é se orgulhar de fazer parte de uma instituição falida, opressora e genocida, responsável pela homofobia que você sofre.

Caso 2: Ariadna e a transfobia

Lógico, alguma trans eles iam pegar pra Judas. E quem melhor pra sofrer que ela, a mais conhecida trans do Brasil?

Muitos brasileiros tem um particular ódio da Ariadna porque ela é bonita, não tem características do sexo masculino e com certeza alimenta um recalque extremo nos homens transfóbicos que sabem que pegariam ela.

Como resultado, sempre que chega esse maldito dia do homem, é o dia da transfobia na página dela. Cata a última:

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Deram “feliz dia do homem” pra ela, já dá pra imaginar. Até aí tudo bem, não esperava menos desse Facebook cheio de gente calhorda.

O que me incomodou é que ela fez um texto gigante dizendo o “quão homem ela teve de ser” pra chegar onde chegou:

“Bom dia. Ontem, devido a tantas ofensas retruquei me igualando a certas pessoas. Não e fácil ser ofendida e atacada e ficar quieta. Meu instinto defensor falou mais alto que eu.

Então, decidi deixar uma mensagem a todos que me desejaram e que vão me desejar feliz Dia do Homem. Eles me dizem: Feliz Dia do Homem. Sim, muito obrigada.

Fui muito homem pra realizar meus sonhos e chegar aonde cheguei. Fui homem demais pra comprar duas casas. Homem demais pra ter meu carro. Pra ajudar minha família. Homem demais pra ir pro outro lado do mundo fazer uma cirurgia arriscando minha vida pra me tornar uma mulher. Fui homem demais pra ganhar o direito de ser reconhecida por lei como mulher. Homem demais pra continuar sonhando. Homem demais pra perceber o quão infelizes são vocês, que com suas brincadeiras imorais e irracionais tentam me ferir e me denegrir. Homem demais pra saber que vocês sempre serão esses seres infelizes e mal amados.

É uma pena que você que se julga tão mulher, não tenha caráter e força de vontade nem pra ter uma vida mais digna, perdendo tempo, me ofendendo. É uma pena que você que se julga tão homem foi menos homem que eu. Pois somente um homem mal resolvido, é capaz de ofender e maltratar.

Seja homem igual a mim e enfrente a vida seriamente. Não desista como eu não desisti. Falar de mim, me ofender é fácil. Difícil é realizar tudo o que eu já realizei sem medo de ninguém. Sem dar satisfações a ninguém”

Discurso libertador e tal, okay. Mas foi só eu ou todo mundo aqui também percebeu que ela teve de abdicar da sua identidade de gênero para adquirir o respeito que desejava?

E isso é muito comum entre as mulheres trans, sempre que é necessário se defender, fazem o uso da ideia machista de que ser homem é sinônimo de ser corajoso, bravo, trabalhador… por que ela não disse que foi muito mulher pra conseguir tudo que conseguiu?

Caso 3: Filho do Ronaldo e a capacidade de relação de fatos

Filho do Ronaldo e seu amigo esperam o pai no aeroporto pra fazer um monte de coisa que não me interessa.

Seguem as fotos:

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Muita pinta, muita ferveção e toda aquela juventude beesha que acabou de se descobrir e quer mostrar pro universo (não só pro mundo) o tamanho do seu amor pelo sexo masculino.

Elas, quando se descobrem, só falta andar assim no chão da balada:

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Até aí foda-se, todo mundo já passou por isso e não é porque a bee é filha do Ronaldo que é mais especial pra merecer uma matéria no jornal relatando a magnitude da sua pinta.

Isso se ele for gay, né? Porque ser afeminado não é garantia de homossexualidade.

O negócio é que os homofóbicos conseguiram relacionar isso com o caso do Ronaldo ter pegado a trava, VOCÊS ACREDITAM nesse absurdo?

Inúmeros comentários dizendo que ele era o “fruto do amor” do Ronaldo com a travesti, que um pai que pega travesti não poderia ter um filho diferente disso e até evangélico cagando pela boca dizendo que esse menino era um castigo de G-zuis pelo Ronaldo ter saído com uma travesti.

Um nojo, um horror! O menino só tem 13 anos, está sendo feliz tendo a coragem de ser autêntico, mesmo sendo filho de quem é. E as pessoas, que se auto-denominam de bem, parecem que têm o prazer em traumatizar e desqualificar o garoto.

Lembram do caso da menininha atriz filha de pais gays?

E pra fechar com chave de ouro, o Caso 4: Mister Catra feminista (o Word até sublinhou esse feminista de vermelho, hahaha)

Não vou comentar nada, apenas postarei dois títulos.

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Hum…

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Boa noite

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Transfobia no Banco da Hebe?


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Indignada

Meninas, esse bafo aconteceu quarta-feira, mas estou tão atarefada esse semestre que só tive tempo de contar hoje.

Pois bem, depois de termos ido no grupo das beeshas, sobre o qual falei NESSE post, fomos pra um bar ali na Rua da Lama. Tenho certeza que vocês conhecem, ele fica de frente para aquele banco enorme de concreto que as pessoas usam pra sentar e beber por ali mesmo.

Bebida vai, bebida vem, deu a hora de ir embora e resolvi fazer xixi. Lá no banheiro encontrei uma sapa leitora do blog, gente finíssima inclusive, enquanto esperávamos na fila.

Saiu a moça do banheiro feminino (que vale lembrar, são individuais, mas ainda assim mantêm a plaquinha de masculino e feminino) e a sapa entrou. Continuei lá…

A sapa saiu e o banheiro masculino continuou ocupado, e como havia chegado mais um rapaz para esperar na fila, fui em direção ao banheiro feminino a fim de desafogar a fila, mas a sapa me chamou e continuamos o papo na porta… nisso chegou o garçom:

– Hey, você não pode entrar aí não!

– Posso saber por quê?

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– Porque é banheiro feminino, ué.

– Hum, mas os banheiros são individuais, qual a diferença?

– A diferença é que homem mija em pé e suja tudo!

– Mas todo homem levanta a tampa, se você não sabe. Em falar nisso, eu mesmo faço agachado (pra refazer o truque fica mais fácil hahaha), pode ficar tranquilo. Aliás, mulher não mija sentada em banheiro de bar.

– Mesmo assim, não, vai no outro.

– E se eu te dissesse que sou transexual?

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STOP! Esse momento foi crucial na conversa. Porque por mais que eu não seja trans, deixo muitos garçons confusos quanto ao que responder e ali eu cato a transfobia, se ela existir.

Fiz essa pergunta com a intenção de que ele me respondesse: “SE você fosse, tudo bem, mas você não é”.

Inclusive, quando fiz o mesmo numa calourada de Biologia que fui, o segurança foi sensacional e me deu esse tapão de luva. No final viramos amigos e tudo.

Só que na verdade ele respondeu:

– MESMO se você fosse, o banheiro é pra quem nasceu mulher.

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Beeshas! Virei o cão e comecei a falar que chamaria a polícia e os caralho (tava bêbada, lógico), que aquilo era um absurdo, que eles não tinham preparo para lidar com a diversidade, que era uma vergonha um estabelecimento que ficava ao lado de uma universidade tratar transexuais dessa maneira.

Acreditam que ele não ficou com nem um pouco de medo? Como se estivesse com a razão!

Selo Luana da Lapa pra esse garçom:

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Me dá até enxaqueca pensar nisso

Sabem por quê? Pois mesmo que a Constituição Brasileira proteja os LGBT’s desse tipo de situação, não existe crime tipificado e as pessoas sabem disso. Sabem que é muito difícil um estabelecimento ser multado por esse tipo de discriminação, diferente de como seria se fosse um caso de racismo.

Banheiros com divisão de gênero são ridículos, diga-se de passagem, porque esfregam na nossa cara que mulheres devem usar um banheiro diferenciado porque a presença de um homem num local no qual a vagina das mulheres está exposta tem grandes chances de acabar em violência sexual.

Ou vocês acharam que isso era só pra organizar? Claro que não, daí o desconforto em se permitir que pessoas trans usem o banheiro feminino: o pênis!

Depois fiquei sabendo que somente aquele garçom era transfóbico, mas que os outros e o próprio dono do bar não são. Bem, a gente sabe que uma laranja podre num saco de maduras tem tendência a apodrecer todo o resto se ficarem juntas… Fica a dica.