Babado, Confusão e Déjà vu


Descobri que tenho um dom, um tanto inútil, mas que pode salvar vidas. Tenho o dom de prever tiroteios minutos antes de acontecerem.

Ontem estava com fogo na periquita, queria sair de qualquer jeito, ainda mais que o horário de verão havia acabado e eu estava amando meu intestino, que fica locão durante o verão, voltando ao normal e me enchendo (ou ao vaso) de orgulho.

Fiquei sabendo que teria um bloco de Carnaval no meu bairro, mesmo que o Carnaval já estivesse no fim… estava em casa sem fazer nada, marquei com as amigas prostiputas e comecei a me arrumar. Mamãe me chamou pra tomar umas no bar com ela, e lá eu fiquei até Anwar chegar na pracinha.

Anwar chegou, compramos um garrafa de Cantina das Trevas e ligamos pra Bixa Maconheira, que prontamente nos guiou até o bloco… chegando lá…

Uma mensagem de carinho ❤

BEE’S! Era uma cena de Cidade de Deus, pra onde você olhava tinha medo de ser assaltado, funk pra todo lado e o mais interessante é que os carros de som estavam dispostos nas esquinas, lembrando pequenas trincheiras da Segunda Guerra Mundial, estava nítido o perigo iminente.

O cheiro de Kolene e Óleo de Amêndoas Paixão tomava conta do ambiente, e aumentava tanto a umidade do ar que era possível ver as pequenas gotas de óleo flutuando sem se misturar com as partículas de água da atmosfera. (Ui, parafraseei Cem Anos de Solidão, DEITA NA BR, beesha leitora de Revista Caras)

De repente, uma bee falou comigo: “Nossa, MAX? Você por aqui? Como assim?!”

Meu koo já deu aquela trancada, porque se a própria gay, moradora do bairro, veio com esse papo de “o que você está fazendo aqui”, é porque o babado ali não era certo.

Respondi: “Ah, me trouxeram pra cá, mas num dá nada, tô bebendo, tô dançando, tá ótimo!”

Passaram uns 10 minutos e uma SEGUNDA BEE veio falar o mesmo: “MAX? Você aqui? O que você tá fazendo aqui?”

Respondi o mesmo, mas o edy já começou a ficar irritado… até que uma TERCEIRA gay veio falar a mesma coisa! Aí eu incorporei Márcia Fernandes do Note & Anote e comecei a dar uma de sensitiva.

Virei pra Anwar e falei: “Viado, VAMOS EMBORA, NOW!”

Aí a Bixa Maconheira: “Mas por quê, Max?”. “Tá tranquilo aqui”, completou Anwar.

Respondi: “Não, viados, eu não vou ficar aqui, eu estou sentindo que vai ter tiroteio”

Anwar respondeu: “Ah, Max, deixa de ser best….” E ANTES QUE ELE PUDESSE RESPONDER, retruquei:

O que aconteceu na Píer quando eu falei que estava sentindo que ia dar merda?

Um silêncio sepulcral, tanto de respeito pelo dom que me foi dado quanto pelas garrafas de vodca que foram brutalmente assassinadas no Massacre de 10 de Dezembro.

Proibido cortar a mão

Nesse momento um grande coro de marvans começou a se manifestar no local, eles diziam para a polícia: “Dá nada não”. Mas até agora não soube se foi devido ao som alto ou aos inúmeros cigarros de orégano sendo fumados ao ar livre.

Não interessa o motivo, gatas, foi horripilante, se você se concentrasse era possível ver a Morte, pairando no ar com sua foice, só escolhendo quem ia levar na hora da confusão.

Eu e Anwar vazamos na velocidade da luz, e fomos para a pracinha de Cogayral…

Na pracinha vi duas meninas de longe, com a camisa do bloco, uma delas era uma travesti, qué dizê, gentchy como a gentchy, logo fiz a íntima e ela me contou:

Minha cara quando ouvi a fofoca:

Não tem idade para começar

Meninas, foram 15 tiros, segundo a trava, mas não sei se era verdade, afinal, ela estava cuidando da irmã de DOZE ANOS, que resolveu beber naquele dia. Lembro-me, inclusive, que a garota começou a chorar e a trava, muito franca, respondeu: “Agora você chora, né? Na hora de esfregar essa perereca nos homens você não chorava não, mamãe vai te pegar de pau, você vai ver”

Nesse mesmo dia também conheci a história da sapatão grávida de Santa Mônica, uma história que desafia os conhecimentos da Medicina Moderna e, segundo uma amiga, “A Dissimulada de Vila Velha” – como é conhecida na região,  a sapa é 100% fiel a sua esposa, mas apareceu grávida.

Já me dizia a minha bisavó, quando eu era novinha: “Olha, agora que você é uma mocinha e já menstrua, leve sempre uma toalhinha de rosto para limpar o assento do ônibus quando tiver um homem sentado nele antes de você, senão você pode engravidar”.

O rock então acabou e eu fui dormir:

Boa noite. Muah :*

Babado, Confusão & Tiroteio na Píer 27


Acorday! Numa ressaca do cacete, mas com as memórias de ontem ainda frescas na cabeça.

O que foi aquilo ontem na Gaiola das Popozudas, Braseeeeel?! Vou contar na ordem cronológica porque o bafo aconteceu só no final da noite e a festa não pode se resumir só a ele.

Cheguei por volta das 23 horas, o lugar estava lotado e o público não me parecia muito mal-encarado, inclusive, eu estava adorando aquela mistura de boys HT’s, com bee’s pintosas e rachas de sainha da Cyclone. Entrei.

Bebi, conversei com as leitoras, não sofri homofobia e achei a segurança um luxo, até às 4:45 da manhã.

Eu olhei pro Mildo e falei assim: “QUERO IR EMBORA!”. Mildo, muito interessado pelo show da Valesca, que realmente estava ótimo, falou para esperarmos até o show acabar para irmos, entretanto, um bafão começou a surgir no segundo andar.

Soltaram o Meteoro de Pégasus

No momento exato que a Valesca cantou o refrão “Traz a bebida que PISCA!”, vinhádos, literalmente trouxeram o que ela pediu: começou a CHOVER garrafas de vidro do segundo andar, chover mesmo, parecia uma chuva de meteoros vindo do céu!

Até então eu não tinha visto nada, mas senti uma gotinha gelada cair na minha cabeça, olhei pra cima, e uma enxurrada de vodca começou a cair, depois uma garrafa quebrou do meu lado! E Valesca correu como o vento daquele palco, só vi a bunda colorida dela passando abaixadinha em direção à porta lateral!

Pensei: “Gente, se VALESCA correu, o que eu tô fazendo aqui ainda?!” Me movi em direção à porta, que estava fechada! Em todas as áreas abertas começaram a cair garrafas de vodca, baldes de alumínio e até uma MESA DE FERRO! Ficamos todos presos na única área protegida perto do bar enquanto as pessoas desciam as escadas rolando, seguranças passavam com paus e marvans gritavam lá do alto… até que.. TRÁ!

Pareceu que dispararam dois tiros lá na área VIP! Bee’s, as pessoas se espremiam naquela área como se tivessem dado um tiro de escopeta dentro do 507 lotado! Imagine só, a confusão acontecendo e você não poder sair?! Consegui descer as escadas, achando que pudesse me livrar daquilo sem levar uma bala perdida.

Imaginem isso… só que DENTRO da boate!

Lá embaixo, parecia que estavam dando uma casa de praia na Bacutia pro primeiro que batesse o sino pendurado do lado de fora da boate, eu nunca vi tanta gente desesperada tentando sair! E nunca vi tanto marvan junto passando em fila indiana. Pensei: “Fodeu, bebês, vão descer 15  marvans com fuzil fazendo uma chacina aqui embaixo, e eu tô até vendo quem eles vão escolher pra dar o primeiro tiro… ÓBVIO, a gay andrógina que confundiu a cabeça deles desde o início do rock!

A quantidade de rachas chorando e desmaiando era tão grande que mais parecia o Dia do Arrebatamento, e se fosse, já tinha me conformado em ficar pra bater um papo com os Cavaleiros do Apocalipse. Sem contar os boys com a cara sangrando e o pescoço cortado (navalhaaaa!) que logo me fizeram pensar que tinha trava envolvida na história. De repente, MAIS DOIS TIROS aparentemente foram disparados do lado de fora da boate, e começaram a chutar o portão de fora pra dentro.

Vitorinha nunca mais o/

Vou te contar que nem no show da Britney teve tanta disputa pra ver quem passava pela gretinha primeiro! Prenderam todo mundo lá dentro e só saía quem pagasse a comanda… mas como pagar a comanda se o caixa era de frente pro portão de madeira? Qualquer tirinho naquele portão acertaria alguém lá dentro!

Os ânimos se acalmaram, umas 8 viaturas estacionaram na frente da boate e eu consegui pagar minha comanda e sair… juro que a cara das pessoas quando saíam mais parecia daqueles reféns de assalto a banco, todo mundo com blusa de frio enrolada no corpo e aquele olho arregalado que nem gato no escuro. UM HORROR!

Vale ressaltar que nada disso foi culpa da Massa Cult ou da organização do evento, não bebês, eles não podem proibir ninguém de entrar num evento, isso é crime. Mas eu avisei que anunciar na Tropical Jovem Mix não ia dar certo… ninguém confiou na minha intuição de mulher sagitariana, deu no que deu.

Mas fica a pergunta… alguém sabe o motivo da briga? Testemunhas oculares que estavam no olho do furacão disseram que foi briga entre gangues rivais, isso procede?

p.s.: Sabe o que mais me chocou? Como eles conseguem, com uma briga, destruir a boate INTEIRA em menos de 2 minutos, gentchy? Tem curso de vandalismo pra isso?!

UPDATE: Me lembro de ter visto muita gente filmando o bafão, se alguém tiver o arquivo (ou o link do Youtube) e quiser me passar, pode enviar para max_babadocerto@hotmail.com 🙂