Homofobia na Calourada de Biologia


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É complicado… estava planejando hoje fazer um BCG super engraçado, com situações atípicas que aconteceram na Calourada.

Mas parece que todo fucking ano eu tenho que me estressar com gente homofóbica nesse curso que, diga-se de passagem, é cheio de beesha omissa.

Ano passado foi a gordofobia que tive de impedir. Gritavam aos plenos pulmões termos ofensivos para as gordas presentes. Subi no palco, dei meu recado e desci.

Mas como gente escrota não tem limite, quando não conseguem cagar por um preconceito, vêem-se obrigados a procurar por outros. Dessa vez foi a homofobia: Foi entoado inúmeras vezes um maldito coro usando o nome de um aluno e o termo ‘viado’: ‘Fulano, viado’, como fazem em jogos de futebol quando querem denegrir alguém, sacam?

Sem contar a homofobia habitual que acontecia toda vez que um calouro do gênero masculino não conseguia beber a quantidade de doses de vodca barata que eles achavam “hétero o suficiente”.

Ou seja, sempre relacionando o “ser viado” com ser fraco e pouco respeitável.

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Como assim? Que naturalização da homofobia é essa? Dentro da sua casa vendo seu futebol você pode chamar quem quiser de viado, mas num microfone, num local aberto dentro de uma universidade você deve o mínimo de respeito aos presentes.

Logicamente, me irritei com aquilo, porque eu não podia acreditar que um curso repleto de gays permitisse um tipo de comportamento tão execrável como aquele em cima do palco.

Inicialmente eles pararam, mas foi o tempo de 30 segundos que eu saí para pegar uma cerveja, que consegui ouvir de lá do balcão o mesmo coro.

Voltei no ódio

Voltei no ódio

E aí eu te pergunto: Coincidentemente, o fulano que foi chamado de viado também é negro, e se em vez de gritar “fulano, viado”, gritassem “fulano, macaco”? SERÁ que a resposta do público seria a mesma? Ambos são animais, não são?

Eu te respondo: NÃO, não seria! A população jovem desse país aprendeu a pelo menos não fazer o uso desse termo, enquanto a homofobia segue como um preconceito banal, “é comum xingar os outros de viado”, fui obrigado a ouvir de uma menina que tentava me acalmar… oi?

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Mas é exatamente por ser comum que eu me incomodo, é exatamente por NINGUÉM se manifestar contra a desqualificação de toda uma classe, que se faz necessária uma intervenção nesses momentos.

E o pior, quando subi no palco para contar que segunda-feira irei à ouvidoria denunciar os responsáveis, tive de ouvir alguns gays me xingando de feminazi e vários outros nomes que não me cabem repetir.

Só que isso não me incomoda, eu sei quem é cada um, a vida vai tratar de tirar com lâmpada fluorescente esse sorriso debochado e conformista das suas caras. Mas independente disso, vou continuar lutando pelo respeito que vocês, apesar de não merecerem, vão se aproveitar.

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Lembrem-se, o silêncio e a omissão também são formas de violência.