SUS vai registrar casos de agressão por homofobia


Durante durante o lançamento do Sistema Nacional de Promoção de Direitos e Enfrentamento à Violência contra a população LGBT (Sistema Nacional LGBT) nesta quinta-feira (27), o Ministério da Saúde anunciou que vai tornar obrigatório o registro dos casos de violência por homofobia atendidos na rede pública de saúde. A iniciativa será aplicada a partir de agosto aos estados de Goiás, Minas Gerais e Rio Grande do Sul e, em janeiro do próximo ano, será estendida ao restante do país.

Segundo Alexandre Padilha, ministro da saúde, o preenchimento de um formulário pelo profissional que realizou o atendimento vai tornar visível a dimensão real do problema da homofobia. “É fundamental conhecer a magnitude das violências que acometem esta população, identificando quem são as vítimas, quais os principais tipos de violências, locais de ocorrência, a motivação, a oportunidade do uso do nome social, dentre outras informações”. Padilha ainda explicou que este conhecimento vai servir para a formulação e implementação de políticas públicas de enfrentamento às violências homofóbicas e políticas públicas de atenção e proteção à população LGBT.

 Na ocasião também foi apresentado um relatório sobre a Violência Homofóbica no Brasil em 2012, produzido pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República. O relatório aponta que, em 2012, ocorreram 3.084 denúncias e 9.982 violações de direitos humanos relacionadas à identidade de gênero. Isso representa um crescimento significativo, se comparado ao ano anterior, quando foram registrados 1.159 casos de denúncias de violência e 6.809 violações de direitos. Também houve crescimento de 183% do registro de vítimas de violência por homofobia, subindo de 1713 para 4.851. A maioria das vítimas (61,16%) tinha idade entre 15 e 29 anos. O documento foi realizado a partir da base de dados do Disque Direitos Humanos, Central de Atendimento à Mulher e 136 da Ouvidoria do Ministério da Saúde.

“O crescimento no número de denúncias mostra a confiabilidade nos sistemas que estamos instituindo e produzindo no Brasil”, observou a ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário. Segundo ela, o recebimento dessas acusações configura um passo importante porque resulta em atitudes. “Quando recebemos estas denúncias, temos que mover uma rede de proteção e atendimento às vítimas”, complementou a ministra.

O Sistema Nacional LGBT servirá para qualificar e ampliar o atendimento à população LGBT, familiares, amigos e vítimas da discriminação, além de potencializar ações nas áreas de direitos humanos, segurança pública e assistência social. Pretende-se integrar todas as entidades existentes no país, mas que funcionam de forma desarticulada também, e construir um tripé formado pelos conselhos, coordenadorias e planos estaduais e municipais LGBT.

Conscientização no Rio de Janeiro


Olha que fofura a nova campanha do Rio para o Carnaval 2012:

Verdade, SUS, quebração de louça rola MUITO!

Mas num dá nada, o máximo que essas duas vão fazer é ir pro motel beber Martini, falar mal de homem e fazer trança no cabelo uma de outra.

UPDATE: Sou obrigada a comentar dessa de branco, né? Posso colocar um gif que representa como ela está se sentindo fazendo parte de uma propaganda pro governo?

Famosa em todos os pontos de ônibus da Tijuca, garáleo

Via Liberdad

UPDATE 2: E tem mais uma foto!

O Rio tá arrasando demais, néam?!

Brasileira passará por operação de mudança de sexo no SUS


Xande, primeiro trans a passar por cirurgia pelo SUS.

Alexandra Peixe dos Santos, mais conhecida como Xande dos Santos, militante LGBT e um dos organizadores da Parada Gay de Sampa,  será a primeira mulher brasileira a passar pelo procedimento de mudança de sexo através do SUS. Este será a primeira cirurgia de transição female-to-male, ou no bom português, do sexo feminino para o masculino, o caso inverso já é realizado desde 2008.

A cirurgia está marcada para o início do mês de Abril, e do centro cirúrgico, Xande sairá sem útero, ovários e trompas. Depois, em data ainda a ser definida, passará pela retirada das mamas. Cada intervenção para retirada dos órgãos reprodutivos femininos (histerectomia total) e da mama (mastectomia) custará ao governo 717,90 reais e 462,80 reais respectivamente. Muito antes da cirurgia, o transexual deve passar por exames físicos e psicológico para saber se está apto à mudança, além de tomar alguns hormônios controlados.

“Desde criança, me entendo como menino”, diz Xande. Cedo, refutou o nome Alexandra: preferia Júnior. No primeiro dia de aula, foi parar na fila dos meninos. “Eu não entendia por que meu lugar era junto às meninas.” A escola, aliás, foi o principal palco do descompasso com o corpo nos primeiros anos. Nas aulas de educação física, queria compor o time de futebol – exclusividade masculina. “Era difícil até mesmo ir ao banheiro: a qual eu deveria ir?”, lembra.

A partir da adolescência, com as mudanças próprias da fase, tudo se complicou. Com um instrutor de uma academia de ginástica, teve acesso a hormônios masculinos, que engrossaram a voz, interromperam a menstruação e fizeram nascer pelos no rosto. Sem a devida orientação médica, acabou impondo mais dor ao corpo que queria transformar. “Tomei doses excessivas de hormônios e sofri dois derrames em menos de quinze dias”, conta.

Para a medicina, a cirurgia também é o desenlace de um drama. Em 1975, quando a primeira operação desse tipo veio a público, o médico responsável pelo feito, o cirurgião plástico Roberto Farina, chegou a ser condenado por lesão corporal grave, enquadrado no Código Penal Brasileiro. Quem quisesse se submeter ao procedimento, portanto, tinha de fazê-lo de forma clandestina, ou viajar a países com tradição no assunto, caso de Tailândia, Grã-Bretanha, Marrocos e Equador.

Mas a demanda pelas intervenções fez com que os profissionais de saúde paulatinamente repensassem suas posições.  Em 2002, a prática deixou de ser experimental. Por fim, em 2008, o Ministério da Saúde deu ao tema status de questão de saúde pública, ao assumir os custos da cirurgia de mudança de sexo entre homens e, no final do ano passado, entre mulheres. É o fim de um ciclo.