Escola que prepara ou mascara??


Richard Miskolci: Teoria Queer – Um Aprendizadi pelas Diferenças.

É comum, nos dias de hoje, o debate intenso sobre o conceito de escola inclusiva, que parte das capacidades de cada indivíduo para transformar o meio e acabar com a desigualdade, porém, o que se vê através dos muros da maioria das escolas é o contrário. Um regime ultrapassado,  inflexível e nostálgico. O que é ensinado não condiz com a condição real vivida pelo aluno, gerando preconceito e reproduzindo o discurso da violência, seja ela simbólica ou física.

Richard Miskolci, lançou recentemente o livro Teoria Queer: um Aprendizado pelas Diferenças, na tentativa de ajudar os profissionais de educação a lidar com a diversidade sexual que ocorre em nossa sociedade. Apoiando-se na Teoria Queer que estuda essa tendência de padronização da sociedade, Miskolci explica como a escola reforça a imposição dos modelos masculino e feminino e, por isso, propõe novas abordagens sobre essa questão. Para ler a entrevista completa: http://migre.me/dg4RN

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O que é a Teoria Queer e como ela está relacionada à educação? Trata-se de uma corrente que tem origem em diversos países ao mesmo tempo, inclusive no Brasil, mas ficou mais conhecida como tendo surgido do feminismo norte-americano no final dos anos 80. Essa vertente de estudos interessa muito para educação porque ela problematiza a tendência das instituições de normalizarem as pessoas. Frequentemente estudar no sistema escolar é também passar a sofrer a demanda de que você incorpore certo saber, se comporte de determinada maneira. Então historicamente a escola é uma das instituições que foram mais marcadas pela normalização das pessoas.

E como essa teoria pode ajudar os profissionais de educação? A Teoria Queer pode auxiliar professoras e professores a compreenderem melhor essa história e, também, a transformar o ensino escolar de maneira que ele seja menos normalizador e, de certa maneira, menos violento, já que a expectativa de que as pessoas se comportem, adotem formas de viver modelares, padronizadas, é uma forma de violência.

De que forma isso pode ser percebido na prática? Isso se expressa não só no currículo, mas também na experiência cotidiana marcada pelo bullying. O caráter violento da convivência se expressa no fato de que os próprios estudantes, às vezes, maltratam seus coleguinhas por que eles são mais gordos ou baixos demais, ou porque eles são homossexuais ou qualquer outra coisa. Na esfera do ensino há uma tendência a reiterar, sublinhar e a desenvolver padrões injustos e discriminatórios que fazem parte de nossa vida social. A Teoria Queer traz elementos para que os educadores percebam essa violência e busquem evitá-la.

Então a violência na escola reproduz a violência da sociedade? Não há como negar que a violência na escola está ali porque, no fundo, ela é uma marca da sociedade brasileira. O fato é que a maior parte da população brasileira não tinha acesso a nenhum serviço prestado pelo Estado, que historicamente não atendeu às classes populares desse país. E isso inclui as áreas de saúde e de educação.

O senhor falou em futuro. Que futuro consegue vislumbrar a partir do atual quadro de violência na escola? Toda violência é negativa, mas o fato de vermos sua expressão na sala de aula também traz a promessa de que ali, naquele contexto, com adequação e com o acesso dos professores à informação, talvez consigamos transformar isso em algo positivo, em demandas por direitos, por reconhecimento. A discriminação cotidiana, o bullying, isso tudo acontece por causa da nossa história, mas ela está se transformando e a sala de aula pode contribuir para tornar a sociedade brasileira plenamente democrática.

Fonte: Yahoo Groups – Grupo Plur@l

Ostentação


Antes de qualquer coisa eu quero dizer que vocês são umas hereges, não se vota menos de 5 estrelinhas num post que fala sobre Beyoncé!

Mas não é comigo que vocês vão prestar contas, a deusa Cher vai ter uma conversa séria com vocês no dia do juízo final.

Chateadíssima

Chateadíssima

ostentar 1O tema de hoje é sobre um assunto que permeia demais o universo LGBT: a ostentação.

Tenho observado uma guerra constante entre as beeshas que “possuem”, seja dinheiro, formação acadêmica ou prestígio social, e gritam isso para os quatro ventos sob a forma de auto-valorização, e as beeshas que “não possuem” (principalmente aqui nos comentários do blog).

A máxima é a humildade: Você pode ser inteligente, rico, bem-sucedido ou bem-informado, desde que você não externe isso. O reconhecimento deve vir de fora e a sua obrigação, de cara, é a de negar o elogio ou apenas agradecer sem mais delongas.

tumblr_mh1xqvbj2T1qg4ow3o1_500Já observaram como é o discurso de pessoas premiadas? Você só as vê dizendo que agradecem pelo reconhecimento, e por terem achado o trabalho delas bom o suficiente para ser valorizado.

Mas no fundo o que elas queriam dizer é: “Sou do caralho meishmo, meu trabalho é um escândalo, e eu acho que foi mais que a obrigação de vocês terem me dado esse prêmio por ele”.

É óbvio, ninguém vai mostrar pros outros um trabalho que nem mesmo o autor acredita que seja brilhante.

Pensar pode, expressar e se auto-valorizar não pode, é anti-ético. Tá boa, né?

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Porque eu mereço

E eu pergunto: por quê? É da natureza humana ostentar o que se tem, aliás, boa parte do nosso impulso de lutar pelo que se deseja advém dessa vontade de ter o que se considera admirável ou louvável. E é por isso que sociedades comunistas são utópicas e impraticáveis, ninguém gosta de ser só mais um.

OFF TOPIC:

É óbvio que tem muita influência do Capitalismo nesse comportamento que eu chamo de natural. Todos nós temos o potencial para se comportar assim, mas o Capitalismo alimenta esse pequeno monstrinho.

A gente também pratica a ostentação nos pequenos detalhes do cotidiano, por exemplo:

  • Quando você compra aquela calça caríssima e faz questão de sair pra boate no sábado para ver a cara das gays tombarem com seu bom-gosto fashion;
  • Quando você faz aquele corte de cabelo da moda e passa horas arrumando pra ir pra faculdade;
  • Quando você compra um carro um pouco mais caro pelo status em vez de um popular somente para a locomoção;
  • Até mesmo quando você consegue um namorado escandalosamente bonito e faz questão de passar de mãos dadas com ele na frente daquele seu ex que te traiu.

pirc3a2mideA ostentação é uma forma de, simbolicamente, dizer que você não faz parte da massa anônima que passa despercebida. E isso é saudável! Isso é até, sendo a Max chata e bióloga mais uma vez, animal.

Entendam, lindonas, nós somos evoluídos, temos a racionalidade ao nosso favor.

ajudaEntretanto, ainda sim vivemos numa sociedade competitiva como a de qualquer outra espécie, e tudo que nós fazemos por nós mesmos (e alguns pelos outros, vide o dar esmola almejando o reino dos céus) é uma forma de nos elevar nessa pirâmide dos que possuem as características consideradas mais adaptadas pelo resto da população ou pelo grupo no qual estamos inseridos.

P.s.: O exagero AINDA é prejudicial, ok? Não porque é errado, mas porque é mentira.

Você não é pica das galáxias ao ponto de ser superior a todo o resto… são 7 bilhões de pessoas no mundo, 1/3 dessa galera é de asiáticos diabolicamente super-dotados, você não é tão especial quanto acha que é.

Stonewall: 43 anos desde Movimento Gay Revolucionário


Ok, vamos suspender a Big Apple por alguns instantes:

Na noite de 28 de junho de 1969, há 43 anos, no bairro de Greenwich Village em Nova Iorque, o mais popular bar gay, Stonewall Inn, estava repleto de gays, lésbicas, travetis e drags queens que lamentavam a morte da diva Judy Garland, a eterna Dorothy do filme O mágico de Oz, que estava sendo velada naquele dia.

Em meio ao ambiente de comoção, a polícia invadiu o bar naquela noite para mais uma batida de rotina, de extorsão e humilhação. Inconformados com a repressão policial, os frequentadores do bar lideraram, naquela madrugada e nas quatro noites seguidas, uma rebelião que resultou no espancamento e prisão de dezenas de manifestantes. Sem dúvida a rebelião de Stonewall foi um marco pela luta por respeito e direitos da população LGBT.

A rebelião de Stonewall para os mais jovens é um fato sem grandes proporções e principalmente no Brasil, mas é questão de honra para todo ativista, escrever, publicar e exaltar os acontecimentos de 1969 no E.U.A. Aproximadamente 400 gays, que se encontravam no bar, foram para cima da polícia abandonando a postura condescendente e sambando na cara da sociedade!

No dia seguinte, os policiais voltaram ao bar. Mas a multidão de gays, lésbicas e travestis também voltou mais organizada, com uma atitude mais política, e alguns começaram a pichar frases nas vitrines e nas paredes, reclamando direitos iguais. Outros gritavam exigindo o fim das batidas nos bares gays. Novamente a multidão atirou pedras e garrafas em direção aos policiais e novamente a polícia investiu contra os manifestantes.

Fonte: http://migre.me/9G5Vl

Síndrome de Betty, a feia – Como o meio gay criou monstros


Aviso: Post polêmico e desaconselhável para bee’s que não saibam a diferença entre “maioria” e “todo mundo”.

Bem bonita

Esses dias estava conversando com uma beesha leitora do blog sobre o nosso futuro e como nos víamos daqui uns 20 anos. Além de cacura, disse a ela que me via trabalhando num hospital renomado e tal, isso se eu não morresse antes, assassinada por alguma inimiga mortal do Babado Certo.

Fiz a pergunta de volta e, para a minha surpresa, ela não disse absolutamente nada sobre a sua vida profissional, só que queria ser “bonito”, ao ponto de ninguém ser capaz de criticá-lo quando fosse numa balada.

Envelheci 😦

Apesar dessa revelação ser chocante, é mais comum do que se imagina. Obviamente a gay é novinha e pouquíssimo experiente, mas é um medo coletivo dos gays o de envelhecer e deixar de ser atraente para as outras pessoas.

Atribuo isso à maioria dos gays que tiveram uma infância/adolescência na qual sofreram bullying por serem gays ou qualquer outro motivo, e quando cresceram perceberam que no meio gay, onde deveriam encontrar aceitação e se sentirem iguais, são discriminados do mesmo jeito.

Exótica

Eu nunca vivi isso, porque mesmo que tenha sofrido bullying na minha adolescência, depois que virei adulto desenvolvi um rosto belíssi… é… desenvolvi um rosto exótico e uma personalidade marcante o suficiente para me atrair vários seguidores.

Entretanto, não é muito raro, ao conversar com outros gays, observar a frustração que sentem quando vêem que o amigo bombado posta no Facebook que acabou de fazer a chuca e recebe 34 “curtir”, enquanto ela tem um brain storm e posta uma frase filosófica, mas só duas cacuras e uma pão-com-ovo de cabelo alisado com Guanidina acham legal.

Essa mesma gay frustrada, quando vê a quantidade de elogios que o amigo bombado recebe ao publicar uma foto sem camisa, acaba determinando que só será aceita quando ela adquirir aquele corpo.

Tudo isso porque por mais que o amigo bombado ache que “Cortina de Ferro” eram persianas para proteger as casas dos bombardeios, e ela passou com louvor em cinco vestibulares no ano passado, as pessoas ainda insistem em dar mais valor ao amigo bombado.

Aí a bombada letrada vai dizer: “Ah, Max, mas nem todo bombado é ignorante”. E não é mesmo! Posso citar dezenas de exemplos (inclua meus leitores bombados aqui <3). Pra tudo existem exceções, mas pautar teorias em exceções não é a melhor maneira de formar opinião.

Tenho mestrado em Havard, brow

Não sejamos hipócritas. O dia tem somente 24 horas, eu não consigo conceber a possibilidade de uma pessoa exercitar o corpo para chegar no nível que a sociedade deseja (Padrão gogo boy halterofilista, diferente de apenas atlético) e o cérebro na mesma proporção. Questão de lógica.

Quem nunca ouviu o ditado: “Não importa quantos livros de Franz Kafka você leu, você vai sempre perder o seu namorado para alguém que fica admirando o próprio corpo no espelho da academia”?

Daí o título do post, esses gays acabam se deixando levar pela tendência atual de valorizar o superficial e pautam o seu sucesso, a sua felicidade, na mudança do seu visual…

…Se fazendo valer da história da Betty, que mesmo que tivesse sucesso profissional sendo feia, só conseguiu o homem que queria e foi realmente feliz quando se encaixou no padrão de beleza da sociedade.

E aí? Como essa pressão social afeta vocês? Como lidam com a sensação de mesmo se exercitando e fazendo dietas malucas, tentando conciliar tudo isso com um pouco de cultura geral, sempre encontrar alguém considerado melhor que você somente por ter um par de gomos a mais na barriga?

A minha opinião é bastante simples: “Tu és eternamente responsável por aquilo que cativas”.

Se é dos medíocres que você quer a admiração, vá em frente, mas depois não venha reclamar que o seu namoradinho cobiçado não consegue escrever uma oração de período composto.