Causando frisson em Santa Mônica


Meninas, nem escrevi o Babado, Confusão e Gritaria essa semana, porque estava com vergonha de contar o que me aconteceu nesse domingo. Mas hoje, pra gente mudar esses ares péssimos de basfond, resolvi contar.

Domingo fui beber com Anwar num bar aqui pertinho de casa. Saímos por volta das 5 da tarde, fiz meu Olho de Thundera, truquei a mala, coloquei uma blusinha e parti pro Bar Abrigo, em Santa Mônica. Chegamos lá e tínhamos dinheiro pra 6 litrões, iniciamos a bebedeira. No segundo litrão um rapaz sem camisa, até atraente, apareceu no bar e começou a me olhar. Logo pensei: “Pronto, é homofóbico, vai cortar meu grelo e expor em praça pública”.

Mas ele sorria, fazia caras e bocas e não parecia querer nada de ruim. Deixei olhar, afinal, o que é bonito é pra se mostrar hahaha. Ele ia ao banheiro, e toda vez olhava pra mim quando passava, entretanto, numa das vezes ele passou e eu não vi. Estava apertado e resolvi ir também ao banheiro, sem saber que ele estaria lá mijando.

Abri a porta e *BOOM*, dei de cara com ele lá dentro. Fechei a porta correndo e pedindo desculpas. Acreditam que ele, muito safado, deixou a porta entreaberta e sacudiu o pinto duro pra mim?! Entrei em estado de choque e saí  trocando as pernas, atordoada. Sentei na mesa, passaram alguns minutos e ele não voltou. Uma bee esperta logo pensaria “Rá, tá querendo pegação e tá só me esperando lá”.

Mas como não nasci ontem, mandei Anwar ir no meu lugar fingir que estava fazendo xixi, dito e feito: O boy trancou a porta, e surgiu de trás do reservado com a esperança de me encontrar, deu de cara com Anwar e foi embora, desolado.

Continuamos bebendo, e apareceu um grupo de velhinhos pescadores (olha Mulheres de Areia me atormentando de novo aí). O velhinho começou a me elogiar, falar mil coisas e, para meu espanto, me chamou no canto. Nesse canto começou a falar:

-“Poxa, me dá um beijo, gostei demais de você” (Foco na dentadura balançando na boca mais que a bunda da Sheila Carvalho ao som de “Bambolê“)

-“Mas eu não sou assim, não beijo desconhecidos” (Tá boa, néam? hahaha)

-“Poxa, então casa comigo! Juro que te dou o que você quiser!”

Sururu

Fiquei numa saia justa e comecei a falar de culinária, achando que pescador curtisse o assunto, ledo engano, quando falei que fazia uma Moqueca de Sururu de lamber os beiços, aí que ele ficou louco mesmo. E permaneceu insistindo.

Anwar foi embora porque começou um tiroteio na rua dele (morar na periferia, isso que dá), fiquei lá com os velhinhos, afinal, estava ganhando cerveja grátis. E por cerveja grátis a gente atura qualquer coisa.

Feio, porém charmoso

De repente, surgiu mais um rapaz, jovem, não muito bonito, porém mais pegável que o velhinho. Sentou na minha mesa e começou a flertar comigo. Vocês ACREDITAM que o vovô começou a brigar com o cara? Rolaram no chão brigando, enquanto o velhinho gritava em alto e bom som: “pára de mexer com ela que ela é MINHA!” Imaginem a minha cara de vergonha, gentchy?

Deixei os boys brigando pela princesa da torre e saí de fininho pra minha casa. O problema é que direto vejo o velhinho da rua, mas me escondo, pois graças a Zeus, acho que ele tem problemas de vista e não consegue me reconhecer de longe.

Babado, Confusão e Déjà vu


Descobri que tenho um dom, um tanto inútil, mas que pode salvar vidas. Tenho o dom de prever tiroteios minutos antes de acontecerem.

Ontem estava com fogo na periquita, queria sair de qualquer jeito, ainda mais que o horário de verão havia acabado e eu estava amando meu intestino, que fica locão durante o verão, voltando ao normal e me enchendo (ou ao vaso) de orgulho.

Fiquei sabendo que teria um bloco de Carnaval no meu bairro, mesmo que o Carnaval já estivesse no fim… estava em casa sem fazer nada, marquei com as amigas prostiputas e comecei a me arrumar. Mamãe me chamou pra tomar umas no bar com ela, e lá eu fiquei até Anwar chegar na pracinha.

Anwar chegou, compramos um garrafa de Cantina das Trevas e ligamos pra Bixa Maconheira, que prontamente nos guiou até o bloco… chegando lá…

Uma mensagem de carinho ❤

BEE’S! Era uma cena de Cidade de Deus, pra onde você olhava tinha medo de ser assaltado, funk pra todo lado e o mais interessante é que os carros de som estavam dispostos nas esquinas, lembrando pequenas trincheiras da Segunda Guerra Mundial, estava nítido o perigo iminente.

O cheiro de Kolene e Óleo de Amêndoas Paixão tomava conta do ambiente, e aumentava tanto a umidade do ar que era possível ver as pequenas gotas de óleo flutuando sem se misturar com as partículas de água da atmosfera. (Ui, parafraseei Cem Anos de Solidão, DEITA NA BR, beesha leitora de Revista Caras)

De repente, uma bee falou comigo: “Nossa, MAX? Você por aqui? Como assim?!”

Meu koo já deu aquela trancada, porque se a própria gay, moradora do bairro, veio com esse papo de “o que você está fazendo aqui”, é porque o babado ali não era certo.

Respondi: “Ah, me trouxeram pra cá, mas num dá nada, tô bebendo, tô dançando, tá ótimo!”

Passaram uns 10 minutos e uma SEGUNDA BEE veio falar o mesmo: “MAX? Você aqui? O que você tá fazendo aqui?”

Respondi o mesmo, mas o edy já começou a ficar irritado… até que uma TERCEIRA gay veio falar a mesma coisa! Aí eu incorporei Márcia Fernandes do Note & Anote e comecei a dar uma de sensitiva.

Virei pra Anwar e falei: “Viado, VAMOS EMBORA, NOW!”

Aí a Bixa Maconheira: “Mas por quê, Max?”. “Tá tranquilo aqui”, completou Anwar.

Respondi: “Não, viados, eu não vou ficar aqui, eu estou sentindo que vai ter tiroteio”

Anwar respondeu: “Ah, Max, deixa de ser best….” E ANTES QUE ELE PUDESSE RESPONDER, retruquei:

O que aconteceu na Píer quando eu falei que estava sentindo que ia dar merda?

Um silêncio sepulcral, tanto de respeito pelo dom que me foi dado quanto pelas garrafas de vodca que foram brutalmente assassinadas no Massacre de 10 de Dezembro.

Proibido cortar a mão

Nesse momento um grande coro de marvans começou a se manifestar no local, eles diziam para a polícia: “Dá nada não”. Mas até agora não soube se foi devido ao som alto ou aos inúmeros cigarros de orégano sendo fumados ao ar livre.

Não interessa o motivo, gatas, foi horripilante, se você se concentrasse era possível ver a Morte, pairando no ar com sua foice, só escolhendo quem ia levar na hora da confusão.

Eu e Anwar vazamos na velocidade da luz, e fomos para a pracinha de Cogayral…

Na pracinha vi duas meninas de longe, com a camisa do bloco, uma delas era uma travesti, qué dizê, gentchy como a gentchy, logo fiz a íntima e ela me contou:

Minha cara quando ouvi a fofoca:

Não tem idade para começar

Meninas, foram 15 tiros, segundo a trava, mas não sei se era verdade, afinal, ela estava cuidando da irmã de DOZE ANOS, que resolveu beber naquele dia. Lembro-me, inclusive, que a garota começou a chorar e a trava, muito franca, respondeu: “Agora você chora, né? Na hora de esfregar essa perereca nos homens você não chorava não, mamãe vai te pegar de pau, você vai ver”

Nesse mesmo dia também conheci a história da sapatão grávida de Santa Mônica, uma história que desafia os conhecimentos da Medicina Moderna e, segundo uma amiga, “A Dissimulada de Vila Velha” – como é conhecida na região,  a sapa é 100% fiel a sua esposa, mas apareceu grávida.

Já me dizia a minha bisavó, quando eu era novinha: “Olha, agora que você é uma mocinha e já menstrua, leve sempre uma toalhinha de rosto para limpar o assento do ônibus quando tiver um homem sentado nele antes de você, senão você pode engravidar”.

O rock então acabou e eu fui dormir:

Boa noite. Muah :*