É só uma piada…


Depois as pessoas querem reclamar comigo, que eu sou fiscal de piada, que eu arrumo confusão com pouca coisa.

Mas alguém pode me dizer QUAL É A GRAÇA nessa merda de vídeo?

[youtube http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=4VMTTmt8fZk]
Hum... muito bonito.

Eu e Dé assistindo ao vídeo

so-as-melhores-piadasAí na descrição do vídeo ele diz que foi uma combinação com a mãe dele e que o vídeo foi uma brincadeira, porque ele gosta de humor barato… que é só uma piada…

(Tão barato quanto aqueles utensílios de 1,99 que a gente usa uma vez e quebra)

Vocês não sabem O ÓDIO que eu tenho dessa expressão idiota. Como se dizer que é humor desqualificasse todo o discurso da própria piada, que se baseia numa realidade para existir e, logo, representa sim parte da opinião do próprio criador sobre o tema.

Aí vai vir leitor aqui dizer que é old, que todo mundo já viu. Mas eu não estou postando o vídeo para mostrar pra quem não viu, estou mostrando o vídeo para discutir com vocês o poder que tem uma piada.

lixoEsse tipo de humor, e qualquer outro que envolva situações que se fossem reais não seriam tão engraçadas assim (como estupro ou violência física), é uma faca de dois gumes.

Por um lado ele pode servir para rir das mazelas da sociedade, de modo a fazer uma crítica social (o que logicamente não foi o caso do vídeo acima), ou ele serve para corroborar ou banalizar a violência da situação.

tumblr_mjmfbi4ofD1r83ei3o1_400Particularmente, eu não gosto desse tipo de humor, independente da intenção dele. Não porque eu acho que ele vá fazer as pessoas agredirem seus filhos caso eles sejam gays, mas porque não tem graça mesmo, é mal-feito, é vazio e a única mensagem que passa é: “É muito engraçada a violência doméstica que gays sofrem”.

Entretanto, isso não quer dizer que eu não goste de humor que envolva essas situações.

O que me incomoda é: por que sempre quem se ferra na piada é o grupo que já se ferra todo dia na sociedade? A graça de uma piada não está na “quebra” de uma situação cotidiana? É um homem que escorrega na casca de banana, alguém que leva um susto… todas são quebras da linearidade.

Esse tipo de piada não quebra linearidade nenhuma, ela apenas narra um acontecimento triste e corriqueiro, que por ser “teatral”, passa a ter graça.

Por quê? Duvido que alguém tenha caído na gargalhada na cena da Camila, de Laços de Família, raspando o cabelo por causa do tratamento de câncer.

Mas o princípio foi o mesmo, apenas dramatização (ela não tinha câncer, assim como ele não é gay),  nada de extraordinário.

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=xbHI3QQARAo]

Sabe por que ninguém ri? Porque nos afeta! Porque o câncer é uma realidade que nos amedronta.

Repúdio

Repúdio

E é aí que mora o perigo de se achar graça em piadas com violência moral ou preconceitos. O fato das pessoas rirem delas significa que aquela triste cena NÃO afeta a sociedade, é banal.

Por esse motivo, nós não devemos achar graça de piadas dessa categoria, achar graça disso demonstra que a causa não nos incomoda, que não nos revolta, não nos entristece, como entristeceu a cena da Carolina Dieckmann raspando a cabeça.

Trate todas as piadas preconceituosas como tratamos as piadas do incêndio da Boate Kiss: com repúdio.

Isso demonstra que você se importa.

“SENAS” da noite capixaba #20


Foi um blogayro gay capixaba que viu e me contou. Ele estava num badalado bar de Vitorinha (não gay). As mesas desse bar são muito próximas umas as outras, a tal ponto que uma pessoa fica praticamente sentada com um desconhecido. Acontece que havia por lá uma mesa com três bichinhas beeeeeeem femininas, senhorinhas praticamente. A uma certa hora da madrugada, chegou nesse estabelecimento um grupo de héteros fazendo balburdia, vindos de uma micareta e sentaram na mesa colada com a das gay.

Na hora, eu, quero dizer, ele, o blogayro, pensou “vai dar merda”. Óbvio: começou o bullying, começou a homofobia. O hétero mais metido a macho zombava alto, simulando viadices… As guei nem cu, muito menos fiança pra eles.

“Ela dão bi ãba!”

Só que a racha que estava acompanhando o héterozão brutamontes homofóbico era dazamiga e começou a papear com as homoafetivas e logo logo fizeram amizade e praticamente trocavam calcinhas na mesa. Os outros héteros reprimiam a racha e ela nem aí. Criou uma situação desagradável. O heterozão trocado pela amizade com as beeshas saiu em protesto. As outras rachas falavam pra amapoa-irmã ir lá dar uma assistência pro homenzinho emburradinho dela. Ela não foi. Um outro cafuçú, brother do boy foi lá fora do bar, conversar com ele que estava mordidinho pelo ocorrido e àquela hora chorava, sentindo-se humilhado. No final? Os héteros se foram, putos da vida, e a racha ficou na mesa bebendo e fofocando liiiiiiiiiinda com as guei!!!

Como as gueis ficaram com isso tudo?

Achei digno.