Cabixabas na Revista Júnior


Todo mundo sabe que eu não suporto essa revista Júnior e a acho um desserviço à comunidade LGBT, pois, dentre outros motivos, dispersam um modelo de “gay perfeito” que só alimenta comportamentos de discriminação e preconceito internalizado. Mas tenho que divulgar as imagens da edição “Júnior Homem”, só com modelos capixabas, cata:

Se quiser ver mais, clique AQUI.

O que tem a ver?


Entro no Mix Brasil nessa manhã e dou de cara com isso:

Segue a matéria:

Você é gay, adora tecnologia, RPG, ficção científica e já cansou de ser chamado de “nerd”? A JUNIOR te procura. A revista está produzindo uma reportagem sobre jovens geeks, aqueles que, por exemplo, não pensam duas vezes antes de trocar uma balada com os amigos para ficar em casa diante do computador. […]

E eu digo: FIQUEI POOTA!

Quem conhece a Revista Júnior sabe que a principal crítica que eles recebem é por disseminar um estereótipo de homem gay resumido na construção de um corpo malhado, colocando o cérebro em segundo plano. 100% das fotos seguem esse padrão e se você não se encaixa naquilo, está fora do circuito. É tão cruel quanto a Capricho com a anorexia.

Agora, fala pra mim: Qual nerd que se preze lê a Revista Júnior? E quantos nerds no país estão dentro desses padrões estéticos dispersados por essa manufatora de distúrbios alimentares?

Achei a matéria lunática, e eu nem estou falando dessa foto nonsense que ilustra a notícia – acham que é só colocar óculos fundo-de-garrafa num homem bombado que automaticamente ele pode representar um nerd. Inclusive, não duvido nada que como “nerds” apareçam bills marombeiras que jogam Super Mario World e Age of Empires e se consideram as vicidadchênhas no mundo dos games.

Me schupa e mostra seu Paladino level 85 no World of Warcraft antes de falar de RPG comeego, garáleoam!

E as Barbies? [LEITURA OBRIGATÓRIA]


Recebi uma dica de um leitor via Twitter. Ele me enviou um texto que fala sobre a dinâmica social do “universo gay” e de que maneira alguns gays se comportam para se inserir na sociedade.
O texto chama-se “Reflexões Queer sobre a Revista Júnior”, foi baseado na monografia da estudante de Ciências Sociais da UFSCar, Flávia Azevedo, que analisou a famosa revista “Júnior”, destinada ao público gay. É  longo e por isso vou copiar algumas passagens que me chamaram mais atenção, vamos lá?

[…]De forma sintética, na visão de Azevedo, a revista é marcada por ambiguidades como retratar um universo gay de consumo acessível a poucos privilegiados do circuito Rio-São Paulo tendo que lidar com as tensões da realidade brasileira. O resultado, até ao menos o número doze, foi o da idealização ou criação de modelos de estilo de vida mantidos ‘separados’ da realidade pela seção Dossiê, na qual matérias mais ‘sérias’ terminam ‘contidas’.
É no Dossiê que aparecem os Outros de nossa sociedade (sobretudo os pobres) e também os temores (ou pavores) dos gays-ideais (a velhice, a ‘feiura’, etc). Assim, com a realidade represada no Dossiê, a maior parte da revista pode se dedicar a construir seu ‘universo perfeito’ para os aprendizes de Barbie, diria eu, a quem se dirige predominamente a Júnior. […]

Mas a parte que realmente “toca na ferida” da maioria dos gays, é a seguinte:

“[…]Devido ao ainda recorrente temor do estigma do efeminamento passam a viver em função de uma dedicação corporal e subjetiva para incorporar meios e, até mesmo, corporificar aquilo que vejo como a ‘versão eugênica’ falha do heterossexual: a Barbie.
Quem seria a Barbie? O primeiro fato a ser notado é que uma Barbie jamais se reconhece como tal, pois vê em si o ideal do mundo gay. Barbie é o termo usado ironicamente por aqueles que denunciam neste ‘homem de plástico’ que a sua hipérbole de corpo musculoso o trai colocando à prova sua virilidade. Afinal, só mesmo alguém altamente inseguro para tentar ser mais forte e másculo do que qualquer homem heterossexual, seu ideal irrealizado, a ‘falha’ de sua vida.[…]”

E completa:

"Casal-Gêmeo", Rede Globo

“[…]Mas este corpo pode ser amado? O desejo está tão atrelado à norma, ao perfil musculoso, definido por longas sessões de musculação, que o desejo pelo outro se (con)funde com o desejo pelo corpo do outro, o consumo do outro para a aceitação social. Assim, não é de se estranhar que tal dinâmica forme ‘casais-gêmeos’ ou, ao menos, pautados mais pelo grau de adequação do ‘par’ ao padrão gay que, afinal, é pura reverência à respeitabilidade e o privilégio perdidos da heterossexualidade.[…]”

E você? Já se sentiu deslocado por não se enquadrar no perfil de Barbie? Ou é do tipo que defende a ideologia: “Quanto mais tempo gasto exercitando os músculos, menos tempo para exercitar o cérebro”?

Texto completo: Clique aqui (deixe de ser preguiçosa e leia!)

Capixabas na Revista Junior


O pessoal da Revista Junior, possivelmente a mais importante para o segmento gay atualmente no país (é melhor que a G, vamos combiná), esteve em terras capixabas fotografando para suas próximas edições. Oh, o vídeo do Making of:

Foram fotografados modelos da agência Ragazzo. As fotos serão usadas em duas edições uma do mês que vem (edição de setembro) falando justamente sobre bophesh  capixabas (foram escolhidos 4 e terá uma página com cada um deles em destaque) e a outra de fevereiro, uma edição especial. Veremos nas bancas!