DO YOU WANNA PEAK UNDERNEATH THE SEMIÓTICA? Uma review em capslock de Artpop, da Lady Gaga


Sabe quando você está em casa fazendo uma eloquente francesinha no dedão do pé, lixando suas unhas para embebê-las num cintilante esmalte colorama tangerina selvagem da China, e do nada sente uma pontada aqui no peito. Gases? Não, queridinha, a gente que tem prótese sente mais as coisas, né, Michelle.

Tava cheio de vidrón no cabelón delán

Rumei para a janela de meu apartamento duplex babado aqui nesse condomínio fechado de travestis que construí em Nova Rosa da Penha XXIII e abri as cortinas: lá embaixo, várias travas rodopiavam, nuas, em torno de uma fogueira, ensandecidas, num ritual pagão de adoração. Eu já sabia o que tinha acontecido.

O pacto estava… renovado.

Nesse instante, senti todo meu silicone industrial captar o sinal da banda larguíssima que tenho em casa, transformando meu corpo num deliciosíssimo cliente de torrent. Minha perna mecânica imediatamente começou a ter vontade própria e começou a me arrastar pela sala, me obrigando a fazer a coreô de Applause até me largar, assada e puída como um fantoche velho, num cantinho sujo e escuro do apartamento. Foi quando minha TV Philco 14 polegadas ligou sozinha. Começava, ali, minha audição de ARTPOP.

Contatos imediatos de primeiro grau com Lady Gaga

Eu apenas tremia. Tremia como uma vara de bambu que balança nos prados verdejantes dos altiplanos asiáticos que servem de bioma para os pandas. Atrasadíssima para a minha festa à fantasia, minhas mãos fraquejavam a cada faixa, o mormaço tomava conta de minha bacurinha, e meu lápis de olho errava o caminho habitual para meus belíssimos olhos caramelados, transformando minha fantasia de Amy Winehouse em um desastre.

Acordaaaaa, menina, vem cá pra Rehab

Olha, se tem uma coisa que eu aprecio nessa vida, é quando uma cantora pop me faz subir em cima de minha mesinha de centro feita de mogno e dublar pela minha vida como se o carnê da Giacomim fosse vencer amanhã. Quer dizer, nem todas as músicas, né? Artpop traz umas coisas insossas e sem graça como aquele se ex pomerano que te proibiu de se candidatar à Rainha da Polenta para a família dele não descobrir que ele, na verdade, gosta de tomar coca-cola de canudinho.

Aura, G.U.Y, Sexxx Dreams, Swine e Gypsy

Queria dizer que G.U.Y, de fato, veio para destruir carreiras. Olha, tá quase me levando a comprar o álbum físico. Aliás, verdade seja dita, esse disco vai ser vendido na Polishop como brinde de um daqueles multiprocessadores, né, porque Lady Gaga finalmente assumiu sua condição de mimeógrafo humano e enfiou TUDO, eu disse TUDO o que o pop já produziu nas 14 faixas de Artpop.

Ouvinte de Artpop chocada de como essa mulher conseguiu enfiar Kylie Minogue, David Bowie e Janet Jackson em uma faixa só

Sexxx Dreams é a primeira fuck song de Lady Gaga, praticamente aposentando o Born to Die como trilha sonora para uma tórrida perda da virgindade. Na verdade, sempre quis entender como as pessoas conseguiam transar ao som de Summertime Sadness, porque da última vez que Lana del Rey fez um show no Oriente Médio, um cara dormiu três dias seguidos e quando ele acordou, acharam que tinha ressuscitado. Swine, por sua vez, uma homenagem à Super Pig.

Little Monster plus-size tentando executar os movimentos de Applause

Quando tocou Gypsy, eu simplesmente saí rodopiando pela sala, incorporando Aninha Furtando na abertura de Explode Coração.

Mas vamos falar de Aura, né. A MELHOR MÚSICA DO DISCO. PONTO. Quando começaram a entoar aqueles cânticos árabes, quando as janelas se inundaram do vento quente do deserto, quando eu achei meu anel-pulseira da Jade no fundo de uma gaveta, senti que Aura me transportou imediatamente para uma cidadela perdida no meio do Marrocos onde tudo o que meu corpo sentia era o arrebatamento de Marcus Viana cantando A Miragem.

DO YOU WANNA SEE THE GIRL WHO LIVES BEHIND THE AURA, BEHIND THE CURTAIN, BEHIND THE BURQA

Donatella, Do What You Want, Mary Jane Holland

Meh. A única coisa legal de Do What You Want é a bunda da Lady Gaga: já até imprimi a capa do single pra levar na academia e exigir do meu personal trainer  uma série para deixar meu pirelli igual aquela belezinha. Mary Jane Holland? Não vou nem comentar meu ódio por essa senhora alimentar as postagens de 4:20 no facebook quando todos sabemos que, na verdade, as Little Monsters estão consumindo o bolinho de chuva. E, por fim: cês juram que Donatella é hino? Apenas não.

Todo mundo sabe que entre Flora e Donatella, a escolha é óbvia.

Venus, Jewel’n’Drugs, MANiCURE, Artpop, Fashion!, Applause

Sabe como que é, né. Todo mundo tem aquele período difícil na vida em que acabou de tomar um pé na bunda e tudo o que te resta no sábado à noite é acompanhar a deliciosa programação do SBT e bater uma deliciosa siririca para o Arlindo Grunge? Pois é, essas faixas do álbum são tão ou talvez mais constrangedoras do que a velha wicca que traços de sapatão que se apresentou num desses sábados depressivos no pernóstico FAMOSO QUEM.

PELO AMOR DE DEUS, TIREM O PEDAL DE CAMINHÃO DA GARGANTA DESSA SENHORA! Aproveitem e tirem Jewel’n’Drugs e Artpop do disco, porque, olha, parece que gravaram essas faixas num festival de performance amadora no Centro de Vitória em que alguma bicha se amarrava com barbante a vários espanadores para tecer uma crítica fenomenológica-existencial à Galinha Pintadinha.

Esta foi a reação de Marina Abramovic ao ouvir MANiCURE

Mas, vamos combinar, todo mundo já sabia que Artpop não ia ser o disco que a Gaga tava prometendo, né. Até mesmo porque, essa mesma senhora nos disse uma vez que BORN THIS WAY ia ser a canção de uma geração. Aliás, por onde anda o sucesso do disco Born This Way. Um beijo para você, Born This Way. Venus, no fim das contas, é a prova viva de que Lady Gaga realmente assiste Rupaul’s Drag Race, porque aquela piadinha com URANUS é feita TODA SANTA TEMPORADA.

Berenice, segura, as little monsters vão nos bater.

E o veredito final de Artpop é…

Um pequeno passo para as gays, mas passo nenhum para humanidade. Artpop é cheio de hits, é cheio de coisinhas legais, mas também tem um monte de música feita nas coxas para agradar as little monsters. E só as little monsters. Enquanto vocês se matam aí nos comentários (e eu quero que se mate mesmo, quero chegar aqui e ver sangue escorrendo na caixa de comentários), eu vou vestir uma deliciosa barraca de camping e ir fantasiada de NeideCamp para a ressaca de Halloween nesse domingo.

Always and Forever,
Tchynna Turner

Resenha: “Move para Elas”


Bom, como todos já sabem, a Move estreou um novo projeto dedicado as sapas da Grande Vitória. O “Move para Elas”, é um evento que vai rolar toda 2ª quinta feira do mês, promovendo a interação e pegação entre lindas garotinhas. Eu fui curtir de perto e contar tudinho pra vocês, é claro!

Faz exatamente 1 ano que não apareço pelas bandas da Move, então, vocês já devem imaginar que eu desci no ponto errado. Sim, eu fui de ônibus, e sim, muitas outras sapas também, afinal eu olhei para o lado e contei mentalmente. Depois que finalmente consegui chegar, a portaria não parecia tão animada, acendi um cigarro e esperei calmamente o fervo.

Lá dentro, a música já rolava e havia bastante gente, desde as novinhas até as mulheres de verdade, muita sapa bonita dançando e pra minha surpresa, femmes e femmes se pegando freneticamente! Adorei. A Move me pareceu menor que antes, não sei se mais alguém percebeu isso. O bar estava muito bem organizado, fui rapidamente atendida todas as vezes. Adorei os leds nas paredes e os djs não deixaram ninguém ficar parado!

Falei bem até agora né, mas lá vem a crítica. As gogo dancers pareciam travestis! Me desculpa, mas pareciam meeesmo!! As sapas se acabaram de bulina-las e eu fiquei traumatizada!

Foi legal perceber que as mulheres marcaram presença, o que destaca o fato de que na Grande Vitória somos carentes de eventos voltados para lésbicas. Amei a noite e espero, sinceramente, que dê muito certo essa nova empreitada da Move.