Dilma Rousseff veta anúncio gay do Ministério da Saúde


A propaganda de tevê destinada a gays realizada pelo Ministério da Saúde foi vetada pela Presidência da República. A intervenção acontece seis dias depois da campanha ter sido divulgada pelo órgão. A exibição da propaganda só poderá ocorrer se a cena de carícia entre os dois atores for retirada, segundo determinações da presidente Dilma. De acordo com a Agência O Globo, o vídeo estava em exibição no site do Ministério da Saúde, mas já foi retirado.

O Governo do Estado e a Prefeitura de São Paulo estão preocupados com as altas taxas de infecção pelo HIV entre jovens gays e fizeram um apelo, por meio de nota, para que campanhas de conscientização sobre a AIDS voltada para este e outros públicos mais vulneráveis à doença sejam transmitidas em canais abertos de televisão. Na mensagem, a Coordenação do Programa Estadual DST/Aids-SP e os coordenadores dos Programas Municipais DTS/Aids-SP afirmam que “campanhas direcionadas para jovens gays necessitam ser divulgadas na mídia televisiva, com linguagem específica e direta, pois constituem-se em ferramenta imprescindível para o enfrentamento da epidemia, redução da homofobia e do preconceito”.

É justamente o contrário do que fez o Governo Federal ao vetar o vídeo no Carnaval de 2012. Com a alegação de que o vídeo foi produzido para ser exibido apenas em locais de frequência LGBT, o Brasil ganha nota ZERO no quesito evolução. Outro vídeo foi produzido e você confere abaixo:

Nessa nova campanha os gays aparecem, mas em forma de número de casos que aumentaram nos últimos anos. É destacado o “aumento de mais de 10% nos casos de AIDS entre jovens gays de 15 a 24 anos” nos últimos 12 anos, o que fez com que o Ministério da Saúde anunciasse, ainda em 2011, essa população como sua prioridade nas políticas de combate ao vírus HIV no Brasil.

Ao invés de mostrar a realidade, o governo continua preferindo nos tratar como estatística. Não sou apenas um número, tenho voz, pago minhas contas, sou cidadã e tenho vergonha de ter votado em você, Dilma…

Pink money, trabalho e aceitação social: a hipocrisia capitalista


Pink Money!

Aprendi cedo uma lição não muito cidadã, mas que infelizmente se reafirma dia-a-dia. Logo que comecei a ensaiar a saída do armário, mas especificamente a primeira vez que fui a uma boate gay (a move), conheci um homem bastante interessante em vários aspectos. Ele era de certo modo até a figura caricata do “bom”: alto, loiro, olhos azuis, empresário, 40 anos, rico. Era também ativo e a neca era boa, foi o primeiro cara que fiz aquele caminho boate-cama, e chegamos até a começar um relacionamento mais sério, entretanto me apaixonei por outro cara que definitivamente não valeu a pena, mas isso tudo não vem ao caso. Conversando com esse sujetio ele me disse (fazia muito a linha conselheiro, talvez pela idade) que se eu trabalhasse e adquirisse uma renda, eu poderia me assumir e seria bem aceito. Citava  a própria história, trabalhava muito, tinha grana e posses e apesar de ser gay assumido numa pequena cidade do interior do estado ninguém o recriminava, ao contrário de outros gays da mesma cidade.

Enfim, o que quero discutr é que o capitalismo iguala a todos nós, enquanto potenciais consumidores. Ele cria essa linha de fuga para as minorias, de tal maneira que até se cria os chamados mercados de nichos e alguns deles nos tem como público alvo, mas a anistia a homofobia generalizada é restrita aos que são capitalizados. Apenas! Que realidade é essa que vivemos que privilegia e aceita apenas quem tem dinheiro e atira a obscuridade e a margem todo o resto que não seja macho-adulto-branco-saudável? Sentimos confortáveis em viver num mundo assim? Eu não.

Hoje foi aberta oficialmente as campanhas eleitorais. Este mês tem parada gay em Vitória. E nós o que estamos (estaremos) fazendo? Assistindo a tudo numa poltrona com a boca aberta escancarada esperando a morte chegar?

Devaneios políticos: uma guerra nem tão tácita assim


Hora de falar em política. Vou fazer a linha Regina Duarte: Eu estou com medo! Mentira, na verdade passamos por um delicado momento histórico-político em nossa nação, no qual corre-se o risco de se ter nadado, nadado e de morrer-se, ao final, na praia, pois, nunca a questão dos direitos dos homossexuais (e não só o nosso!) chegou a esse nivel de discussão e muito menos no que tange a respeito da criminalização da homofobia, problema sério e histórico no Brasil (que neste aspecto é bastante atrasado, inclusive a países latinos-americanos muito mais pobres a nós). Isso só foi possivel pelo choque de cidadania e democratização trazidos pelo governo Lula que desde que assumiu o poder governou pautado pelos movimentos sociais. Ano que vem tem eleição pra presidente e daí já viu, né? Não é motivo para ter medo? rs

Acontece uma guerra polítca semi-declarada nas Câmaras da nação: de um lado os entusiastas das causas gays e de todos os movimentos a favor das minorias e de outro grupos evangélicos e certos membros da direita, aqueles mesmos da marcha pela família… Falo em grupos evangélicos, pois realmente não acredito que todo evangélico seja canalha a ponto de querer emperrar uma lei que impede que pessoas sejam violentadas e mortas por um falso pressuposto de que ela prejudicaria a doutrinização dos “valores cristãos”.

É chegada a hora (ou ela já foi perdida?) de pressionarmos os poderes constituintes, antes que seja tarde e nosso sonho seja adiado. Beesha não é só buatchy, sexo e roupas, não é?