A farsa do “não tenho preconceitos”


Não fui muito com a sua cara

Hoje em dia é bem comum ouvir a expressão: “Amo a todas as diferenças e não tenho preconceitos”, entretanto, essas mesmas pessoas não observam que pré-conceituar está muito além dos típicos grupos que são alvo de discriminação e parte para uma outra esfera: a do conceito.

Pré-conceituar, como o nome já diz, é o ato de criar um conceito a partir de uma impressão inicial, sem um estudo mais profundo sobre o que se conceitua. E isso nós fazemos O TEMPO TODO, seja quando você sente vontade de chegar numa pessoa para puxar assunto ou quando você torce o nariz para alguns funkeiros escandalosos no ônibus.

Você acabou de entrar, mas todo mundo já tem uma opinião formada sobre você

Por toda a vida, nós estamos submetidos e submetemos as outras pessoas a julgamento, e isso faz parte da convivência social harmoniosa. Se você não pré-conceitua, você não desconfia, se não desconfia é ingênuo, e a ingenuidade, bebês, é a pior qualidade para se ter num mundo no qual não podemos confiar nem em nós mesmos.

Portanto, aprendam, preconceito todo mundo tem, mas o que diferencia você do preconceituoso, é procurar saber se o seu pré-conceito está correto ou equivocado, afinal, eu posso achar que alguém tem cara de vinhádo, e estar certo, não é meishmo?

Então, me poupem, porque de gente que diz amar a tudo e a todos, mas que atravessa a rua quando passa um trombadinha na calçada, eu estou can-sa-da!

6 mil escolas públicas receberão kit anti-homofobia no 2º semestre


Uooow, depois de algumas semanas ”so far away”, finalmente estou terminando de acertar as coisas e voltarei a postar novamente. Agora nova moradora de Vila Velha, ainda estou me acostumando com a correria da cidade grande e as responsabilidades da vida solitária. Estava na faculdade quando fiquei por dentro deste assunto e trouxe pro BC, a fim de esclarecer para quem ainda está meio perdido…

O QUE É?

O programa do governo intitulado “Escola sem Homofobia”, pretende distribuir para os alunos do ensino médio, um kit escolar contendo vídeos e cartilhas sobre orientação sexual. O material tem por objetivo, ensinar a tolerância à diferenças e evitar futuras agressões a jovens homossexuais. O kit é composto por cinco vídeos, caderno com orientações para professores, uma carta para o diretor da escola, cartazes de divulgação nos murais do colégio e seis boletins para distribuição aos alunos em sala de aula. A ideia é que o material sirva como guia para discussões sobre as diferenças de sexo, a discriminação contra mulheres e gays e a descoberta da sexualidade na adolescência. Três dos vídeos já foram disponibilizados na internet, são histórias sobre um menino que percebe estar apaixonado por um colega, uma mãe que descobre que o filho gosta de brincar de bonecas e de uma jovem travesti na escola.

A POLÊMICA

O material, chamado pelos conservadores de “kit gay”, virou polêmica no Congresso Nacional, depois que alguns deputados argumentaram que ele estimularia a prática homossexual entre os adolescentes. O grupo liderado por (adivinha quem?) Jair Bolsonaro, busca apoio da sociedade contra a distribuição do material. Nesta semana, Bolsonaro (pois me recuso a chamar este ser de deputado) deve levar aos gabinetes 10 mil panfletos atacando o material anti-homofobia. “Ninguém aqui é contra o homossexual, cada um faz o que quer com seu corpo. O que não pode é levar isso para as escolas.” – diz o deputado.

A LINHA DE DEFESA

Jean Wyllys, um dos parlamentares a frente do movimento gay no Congresso, diz que “o material usa a educação para inibir as agressões a alunos perseguidos nas escolas. Para o kit ganhar apoio da sociedade, é preciso esclarecer as pessoas.  O projeto valoriza a vida humana, o respeito à dignidade do outro. Se a gente pudesse apresentar para a sociedade os danos causados pelo bullying, se pudesse ter acesso a todos os crimes praticados, lesões corporais, violência, ela [a sociedade] não iria ser contra, porque estaria protegendo os seus próprios filhos.” – afirma o deputado

CONCLUSÃO

Não, não é um kit gay! Trata-se de um conjunto de instrumentos didático-pedagógicos que visam à desconstrução de imagens estereotipadas sobre lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais e para o convívio democrático com a diferença. Ou seja, o material serve para a desmistificação do universo gay. Muito do preconceito e intolerância é pura falta de conhecimento, os vídeos com pequenos recortes do dia-a-dia do jovem homossexual aproxima e facilita a convivência. É claro que esta ferramenta deve ser muito bem elaborada e revisada, para que não entregue a sociedade informações errôneas acerca do tema.

Na faculdade, tive que ouvir uma orgulhosa evangélica dissertar sobre a indecência de mostrar um vídeo com duas “sapatonas” se beijando para crianças. “Ela até respeita, mas não acha que o “kit gay” ajude na aceitação dos homossexuais.” Primeiro, se ela usa o termo sapatonas, pra mim o respeito já passou longe e segundo que ao contrário do que a gente pensa, os adolecentes tem uma cabeça muito mais aberta pra esse tipo de assunto, que muito adulto pelo Brasil a fora. Acredito sim, que seja útil a iniciativa e creio que se realmente acontecer, o país tem muito a ganhar.