Chico Rei: exemplo de marca que respeita o público!


Vou contar o que houve para estar aqui elogiando a marca. Sou um cliente da Chico Rei (tenho esta e esta), marca de camisetas criativas (lindas!) que vendem via internet. Há algumas semanas eles lançaram uma nova coleção e anunciaram no Facebook. Eu pensei “Oba, vou lá ver as novidades!“, mas eis que entre váras ótimas estampas me deparei com essa camisa aqui que me desapontou:

Para olhos mais desinteressados, uma mensagem inocente, mas para nós gays, uma afronta. Fiquei louco e dei logo um basfond no face da marca:

Porque eu pensei o seguinte, se fosse uma marca que visasse uma grande massa até deixaria passar, mas no caso da Chico Rei que trabalha justamente com conteúdo e conceito exclusivo, onde a mensagem conta MUITO, não podia deixar passar. Como eu já disse num post, felizmente ou infelizmente, no mercado, como consumidores que pagam, TEMOS que ser tratados como iguais.

Daí eles responderam e começou o debate – inclusive a Izaa entrou e me ajudou, obrigado, linda! – cata:

E o resultado, advinha? A marca não só tirou a camisa para venda como criou outra estampa para se retratar:

Não é demais?! ♥ Por isso agora eu não tenho problema algum em dizer, comprem na Chico Rei, além de divertida e criativas, as camisas tem qualidade!

Vazou: ‘Dívidas’ da Angela Jackson


Saiu o clipe da drag-diva-little-monster Angela Jackson: Dívidas, paródia de ‘Judas’, da Gaga. Abusada, Angela dá close e arrasa para falar de um mal que quase toda bee assalariada – eu! – passa: dívidas. E ela ainda dá umas alfinetadas ao se mostrar em lojas e numa famosa boate de Vitória: cita aquelas gays que se matam pra comprar umas roupinhas, gastar horrores na boate e depois ficam todas cagadas financeiramente, com cobrador batendo na porta… Olha sua vida aí, bee:

“Ai, como sofro, não tenho dinheiro e sou pintosa!”

Entre o velho rico triste e o jovem mendigo alegre


Andando pela orla de Itaparica conversando com um amigo falávamos sobre a questão homossexual e a relação com a estabilidade/ instabilidade financeira. Ele me dizia da crise que passava uma bee amiga dele, que é mais velha, e que reclamava como os amigos dela, que são héteros e tem família, conquistaram muitas posses como casa e carro e ela não tinha “nada”. É claro que para ter tudo isso o amigo da bee deve ter poupado e para tanto se privado de uma série de coisas como saídas aos finais de semana, viagens, roupas e etc. Entretanto, gastar todas as suas economias de forma hedônica não é, ao meu ver, uma regra entre os gays, já que muitos também são extremamente perfeccionista e econômicos, é quase aquela coisa dos ‘8 ou 80’.

Vivemos entre duas filosofias – que seriam mais máximas, aliás – que nos regem no que tangem a questão financeira: ou “a vida é uma só, só se é jovem uma vez” ou “não se é jovem para sempre“, sendo que a primeira prega justamente o hedonismo e gastar ao máximo pois não faria sentido juntar dinheiro para a velhice quando em tese não seria mais necessário ter dinheiro pois a pouco a se aproveitar, e esta que prega justamente o oposto a necesssidade de guardar dinheiro para adquirir bens e ter uma vida mais tranquila. Enfim, a velha metáfoga da cigarra e da formiga, néam?

Eu mesmo por mais que queira poupar sofro sempre com isso, porque no fim do mês estou sempre pobríssimo. Eu meio que gostaria de ter a segunda filosofia, mas acabo mesmo é vivendo a primeira.

E vocês, como lidam com esta questão?

Pink money, trabalho e aceitação social: a hipocrisia capitalista


Pink Money!

Aprendi cedo uma lição não muito cidadã, mas que infelizmente se reafirma dia-a-dia. Logo que comecei a ensaiar a saída do armário, mas especificamente a primeira vez que fui a uma boate gay (a move), conheci um homem bastante interessante em vários aspectos. Ele era de certo modo até a figura caricata do “bom”: alto, loiro, olhos azuis, empresário, 40 anos, rico. Era também ativo e a neca era boa, foi o primeiro cara que fiz aquele caminho boate-cama, e chegamos até a começar um relacionamento mais sério, entretanto me apaixonei por outro cara que definitivamente não valeu a pena, mas isso tudo não vem ao caso. Conversando com esse sujetio ele me disse (fazia muito a linha conselheiro, talvez pela idade) que se eu trabalhasse e adquirisse uma renda, eu poderia me assumir e seria bem aceito. Citava  a própria história, trabalhava muito, tinha grana e posses e apesar de ser gay assumido numa pequena cidade do interior do estado ninguém o recriminava, ao contrário de outros gays da mesma cidade.

Enfim, o que quero discutr é que o capitalismo iguala a todos nós, enquanto potenciais consumidores. Ele cria essa linha de fuga para as minorias, de tal maneira que até se cria os chamados mercados de nichos e alguns deles nos tem como público alvo, mas a anistia a homofobia generalizada é restrita aos que são capitalizados. Apenas! Que realidade é essa que vivemos que privilegia e aceita apenas quem tem dinheiro e atira a obscuridade e a margem todo o resto que não seja macho-adulto-branco-saudável? Sentimos confortáveis em viver num mundo assim? Eu não.

Hoje foi aberta oficialmente as campanhas eleitorais. Este mês tem parada gay em Vitória. E nós o que estamos (estaremos) fazendo? Assistindo a tudo numa poltrona com a boca aberta escancarada esperando a morte chegar?