FW: FW: FW: EMOCIONANTE O que aprendi fazendo bolos.ppt


Acabo de cortar meu dedo com uma pequena faca enquanto tentava fazer um bolo.

Não que seja de extrema necessidade ou relevância compartilhar toda essa informação. Acontece que a vida é feita de tanta coisa pequena. Na verdade, às vezes vem a certeza de que a vida é simples como fazer um bolo. A vida é cheia dessas grandes questões de química, de se escolher os ovos frescos, a manteiga, todos os gostos, recheios e coberturas açucaradas.

E, às vezes, a gente vai lá, tropeça e sola toda a vida. Toda a mistura, as colheres exatas, os gramas contados de farinha – peneirada para não ficar numa pedra -, tudo se amontoa devagarinho no tabuleiro pra gente, com pressa, ir lá e estragar tudo de repente. Ansiedade, né. Hoje, mais cedo, solei meu primeiro bolo de fubá.

Aprendam, nunca me abram o forno antes dos primeiros vinte minutos. As coisas podem e vão dar muito errado. Eu deveria ter dado aos meus bolos toda a calma que ando dando pra minha vida. Há um mês que não apareço mais aqui. Há, também, um mês exato que mudei de cidade e que tenho me desesperado ao esquecer uma meia dentro da roupa suja. Por isso, tive toda a calma do mundo em escrever esse texto.

E tive toda a calma do mundo para voltar aqui.

Pisei em Vitória, de volta, no meio do carnaval. Completamente perdido, esquecido das linhas de ônibus e do nome das praias. Escrevo, aliás, da cozinha em que frequento desde pequeno e que me fez crescer entre o pó royal e fermento biológico que se esconde nos cantos mais profundos dos azulejos. Agora, com o dedo enfaixado e com o segundo bolo no forno, posso sentar e me dedicar à pilha de livros, de texto para passar a limpo e ao blogue.

Não, não que tenha exatamente voltado. Até porque minha antiga máscara está bem guardada, pois enfim é quarta-feira de cinzas e é hora de deixar pra lá tudo o que em si é falso ou que não nos pertence mais. Falo, agora, com a própria voz. E, assim, continuarei. Então, deixemos a Tchynna de lado. Ainda não lhes darei meu nome, assim, com facilidade.

Claro, se pudesse escolher meu nome, escolheria funcho. É, erva-doce. É com ela que se faz um bolo de fubá, daqueles fofos, com um pouco de goiabada no meio. Pois é, eu sei, fiquei perdido na década de 1970. Tô até hoje esperando voltarem com a embalagem de celofane do Alô Doçura. Enquanto não voltam, eu fico aqui com vocês. Na espera.

Gif motivacional de blogueira virtuosa fazendo um desabafo pessoal para suas alvoroçadas leitoras que bebem leite de amêndoas

Um beijo enorme,
Aloe Vera.