O beijo que pesa como uma bomba


Beijo Felix

Parecia final de Copa do Mundo, Brasil e Argentina. As bichas todas reunidas em volta da televisão, tomando uma cervejinha e comendo uns quitutes. Toda vez que o Félix e o Niko ficavam um pouquinho mais juntos todo mundo gritava ao mesmo tempo, uma loucura: “AI, MEU DEUS, AGORA VAI!” “VAI, VAI, VAI!”, “BEIJA LOGO, GARÁLEON!”. Um nervosismo…

[Afinal era o final da novela Amor à Vida e pela primeira vez a emissora de TV mais popular e tradicional do país, a Globo, havia dado sinais de um possível beijo entre dois homens em uma de suas novelas – verdadeiros monumentos da cultura de massa nacional – o que até então era um tabu (em 2005, na novela América, um beijo gay chegou a ser gravado, mas foi vetado de última hora). Ou seja, bizarramente, era um momento histórico na televisão do Brasil, desses de contar pro netos, “eu tava lá”, quando reexibido na retrospectiva de 2050].

Ai foram todas aquelas cenas de final de novela, gente casando, gente parindo, gente reunida e festejando… As gueis ansiosas, viravam especialistas em teledramaturgia e ficavam comentando os furos no enredo, como o naquela cena bizarra dos comparsas da Aline entrando com um bolo (um bolo, gente!!!) INTEIRO, ENORME, dentro do presídio! rs. Todos ficaram chocados (desculpa pelo trocadinho infame) e amaram a morte da vilã. Foi inédita e inovadora. Depois veio aquele monte de cena de perdão ao Félix. No fim das contas, o enredo na novela tornou-se a redenção desse personagem.

O capítulo da novela já ia para mais de duas horas, quando Félix e Niko, na sua casa de praia riquíssima – onde moram com seus filhos e com o Cesar, pai do ex-vilão -, ficaram sozinhos… Aquela tensão já tomou toda a sala, ficamos todos em silêncio, mãozinhas dadas, vidrados na telinha. Os dois se aproximaram e o personagem do Thiago Fragoso passou os bracinhos em torno do pescoço do personagem do Mateus Solano. Já pensei: se for para ser vai ser agora. Um misto de esperança e de ódio me consumiu, pois se com aquela ação eles ainda não se beijassem seria muita filhadaputice da Globo.

Os dois se entreolharem, cada um com a cabecinha levemente virada para o lado e Félix disse emocionado: “Eu não vivo sem você, Carneirinho”. Daí eles foram se aproximando e…

*BOOM*

*BOOM*

Os viados ficaram loucos. Gritavam, pulavam, soltaram fogos. Todo mundo saiu na varanda ensandecida fazendo barulho comemorando a grande vitória. PUTA QUE PARIU!!!!! Filmei nossa reação quando houve o beijo, cata, mona:

Como esperado, o beijo caiu como uma bomba no país. As redes sociais foram tomadas de reações a cena. Muitas positivas e lindas! O dia 01 de fevereiro acabou virando o Dia Nacional do Beijo Gay. Uma onda de amor tomou o país! ❤ Pessoas se abraçando, dando beijaços, compartilhando mensagens de respeito e defesa a homoafetividade. Muitos perfis do face foram trocados pelo frame da cena do beijo. Foi coisa linda de se ver.

No outro dia TODOS os reacionários nacionais e locais estavam aos jornais esbravejando, ameaçando (alguém me explica porque quando o tema é gay NECESSARIAMENTE a fonte ouvida é um religioso cristão?). Quanto mais eles ficavam nervosos mais as gays gozavam de amor e alegria:

Um dos melhores tuítes, aos reacionários foi este:

E claro, teve autor de novela que ficou queimadíssimo. Lembram disso:

Aguinaldo Silva Sobre Beijo Gay

“Tá feio, tá eshcroto”

É aquilo, né, quem nasceu para Clô, nunca vai ser Félix. Beijos, Gui!

Enfim, algumas considerações sobre o beijo:

  1. Foi tardio: o fatídico beijo-gay-na-novela-da-Globo veio super tarde. Tão tarde, mas tão tarde que nem soou mais como algo revolucionário, moderno, etc. Não havia nada de avant-garde nele. Soou mais como uma corrida atrás de um tempo perdido, a emissora perdeu o timming da mudança de costumes na sociedade e transformou a coisa em algo muito maior do que precisava ser. Mas, antes tarde que nunca, né?
  2. Foi elegante: a Globo cumpriu o que prometeu. Querendo agradar gregos e troianos, a cena foi exatamente como anunciada, não foi apenas um selinho chocho, mas também não foi um beijão de língua ultra-erótico. Ficou uma cena de bom gosto que não fez ruir a tradicional família brasileira.
  3. Foi político: é ingênuo acreditar que não há articulação entre política, afeto e cultura de massa. Os discursos estão aí circulando e modificando a sociedade. Cenas como essa vão naturalizando as relações LGBTs e, se não aprovadas, pelo menos estimulam o respeito às diferenças.

O mais lindo foi que logo após o beijo veio aquela cena lindíssima do Félix e do César, observando o pôr do sol, ambos se perdoando. Foi lindo pois lembrou a todos – logo depois do beijo – que o gay tem uma família e que muitas vezes ela é, antes mesmo da sociedade, seu próprio inferno particular. Acabou que essa cena foi mais importante e emocionante que o próprio beijo e deu a sustentação afetiva para a cena anterior.

felixpai1 felixpai2

felixpai3 felixpai4

felixpai5 felixpai6

felixpai7 felixpai8

felixpai9felixpai10

Foi um final de novela lindo como a muito tempo não se via. É inegável que a cena só ficou tão perfeita e emocionante (quem não chorou tem uma pedra no lugar do coração) graças ao talento, experiência e sensibilidade de um Mateus Solano e de um Antônio Fagundes. Para vocês entenderem o peso que a cena teve leia esse relato de um gay a uma colunista do IG (um dos vários que surgiram na rede):

“…estavam todos na sala… eu no sofá quando o Felix beijou o carneirinho… Silêncio… Fiquei quieto também pra não dar motivos, embora estivesse fazendo a drag por dentro… Mas a cena final, do Felix e do César, eu não aguentei, veio um choro descontrolado que estava preso esses quatro anos que não falamos direito.., estava total descontrole… dai veio minha mãe com a cara  inchada de chorar me abraçar e meu pai do outro lado segurou minha mão e pôs a mão em volta do meu ombro… Não falamos nada! Na hora de dormir, o Felipe (irmão) entrou no quarto, deu a mão e quando eu ia apenas apertar, ele me puxou, deu um abraço e disse que ele sempre vai ser meu irmão. E chorei de novo… Pela primeira vez não dormi no inferno” (FONTE).

Nossa, para nós blogueiros gays foi um alívio agora toda a vez que começar uma novela com personagem gay não vamos precisar ficar perguntando “será que vai ter beijo gay bla bla bla”. Nossa, tirou um peso das costas. rs

Mas a luta ainda não acabou, minha gente: queremos agora um beijo gay numa novela BOA! rs #fikadika, João Emanuel Carneiro!

Vilão gay: como não amar?


Ontem (20), estreou a nova novela global Amor à Vida. Todo mundo dando graças a deus por ter acabado a novela da queda livre e na expectativa do boom da aparição de Tatá Werneck no horário nobre da Gluóbo. Mas vamos falar de coisa boa?! Eu já tenho minha personagem preferida, claro:

Tá vilão, tá pintoso, tá divo, tá caricato! ❤

Ele será apenas o simbolo do “Moça, seu namorado é gay!” Hauhauhauhauhuahuahuahuahua. LOOSHO.

E o final do Crô na novela?


Sô rica!

Para tudo, beeshas noveleiras, congela! Não vem reclamar, não! A novela ‘Fina Estampa’ foi ruim no começo e no meio, vocês mesmo assim assistiram e ainda juravam que o final seria bom? Parem de palco!

Apesar dos pesares, não podemos deixar de fazer uma menção honrosa, que, sem dúvida, é unanime, para dois personagens que levaram a novela nas costas: Tereza Cristina e a Crodoaldo Valério, vulgo Crô.

Boa parte do sucesso do segundo se deve parte a atuação do Marcelo Serrado que transmitia pela tela seu divertimento em fazer a personagem e parte na persona singular criada pelo Agnaldo Silva, que, como sabemos existem aos montes na vida real. Quem viu o reality ‘Mulheres Ricas’ sabe que Crôs existem e muito. Já falei sobre isso neste post.

Rum! Mas falemos do final da novela. Após a suposta morte da vilã, Crô terminou rico. No testamento da rainha de Tebas, ela deixou metade de sua fortuna para sua fiel bee escudeira. Achei um luxo, final feliz maior não poderia haver, né? A bee ficou com a mansão e com o poder sobre os funcionários. Tá bom ou quer mais?

Porém o que deixou muita gente possessa foi o fato da novela ter terminado sem que seu maior mistério fosse revelado: quem era afinal o amante secreto de Crô?

Clique para ver a cena!

Na cena, o mordomo apareceu na cama ao lado de um homem, mas só mostrou o pé do rapaz e a horrível tatuagem de escorpião – pra mim o maior mistério da novela é porque tanto cafuçú tem essa tattoo horrível de rena. E com a frase “Assim como o segredo de Perpétua, na novela Tieta, meu segredo também não será revelado para vocês”, Crô deixou tudo mundo assim ó:

Posso falar? Sei que serei apedrejado, mas eu gostei disso. Uma porque quem quer que fosse já não seria importante pra trama – dois suspeitos estavam mortos e o motorista Baltazar visivelmente não era, uma vez que mesmo estando sozinhos mantinham-se sempre no mesmo tom de briga. Outra que revela esse lado mafioso das guei que pega os cafuçú e esconde de todo mundo. Achei digno!

Por fim, quem concorda comigo que a fala mais engraçada ever da novela foi a empregada falando, quando  o Crô entrou no armário para chorar o fim da Deusa do Nilo, que “já havia visto bicha sair do armário, agora entrando nele…”?! Eu faleci! E a cena mais fofa não foi o motorista pedindo pra ele sair do armário? Achei fofis, admito.

Vamos combinar, alguém lá queria saber final de Grizelda e/ou dos filhos dela? Claro que não! Crô, ao lado de sua rainha, FOI a grande estrela e o que salvou a trama de Cretina Estampa! E ponto.

E você o que acharam?  Não deixem de comentar, hein? Rum!

"Sim, linda, viva e rica"

UPDATE: Li agora no site do Muza que teve também final sapatão, né?

Clique para ver a cena!

Mas Crô não foi o único final homossexual, digamo assim. De forma muito sutil, a novela também teve um final lésbico. Isso mesmo! As golpistas Alice (Thaís Campos) e Íris (Eva Wilma) compraram um caminhão e saíram pelo mundo como caminhoneiras. Além disso (a expressão “caminhoneiras”) ser uma referência às lésbicas, a personagem Íris declarou em uma das cenas da última semana que não era uma pessoa carinhosa, nem mesmo com quem ela escolheu para ser sua companheira, Alice.

Tô passado. Essa Agnaldo não tem jeito, néam?

Você ouviu isso, bebêam?


Gente, hoje na novela ‘Fina Estampa’ teve a cena de assassinato com mais cara de pastelão da história, morra junto comigo:

“Obrigada, Nazaré Tedesco!”

E não é o mesmo que digo toda manhã ao acordar?! Aloka!

Na novela, a danada da Rainha do Nilo não tombou pro mafioso que queria chantageá-la por saber seu segredo do passado (?) e, ao fazê-lo se distrair, fez a Naza liiiiiinda! Babadeira ou não é? E não para por aí…

Em seguida, Íris e Alice vão ao encontro de Tereza Cristina e descobrem o corpo estirado no chão. “Como você aprendeu a agir de forma tão violenta?”, perguntou tia Íris à sobrinha. “Foi numa novela. Tinha uma personagem que fazia isso quase todo dia”, respondeu a assassina.

Então, numa espécie de cena de crime pastelão, as três enfiam o corpo no armário da área de serviços da mansão e brindam o sucesso da operação com conhaque francês. (Fonte)

A Filha de Osíris já entrou pro hall das vilãs divas de nossos corações que além de Nazaré, tem Odete, Laura, Bia, Norma, Flora, Clara, Silvia, Paola, Soraya e Léo? Hein?

TÔ PASSADO, MONA: ‘Morde & Assopra’ surpreende com final gay feliz


Sabe a novela das sete que acabou, Morde & Assopra, aquela bem bobinha de dinossauro e robô? Quem viu a novela – eu só via alguns pedacinhos en passant – sabe que havia uns personagens que rolava uma certa tensão sexual gay. Eu já estava achando tudo uó, porque pelo pouco que vi percebi que íamos para mais uma novela em que no final as beeshas viram héteros e terminam apaixonadas por rachas. LEDO ENGANO! Waldyr Carrasco sambou na nossa cara e deu um final surpreendente – e feliz! – pras bees!

A bee que ia casar abandona  a noiva no altar e foge com a outra bee que vivia fantasiada de mulher! No caminho encontram outros dois personagens, uma bee e um cafuçú chucro, que durante toda a trama viviam num clima meio estranho de amor e ódio. Todos eles se juntam num fusquinha branco – com um lenço com estampa de arco-íris amarrado na antena – e vão pra onde? São Paulo, claro!

Clica na imagem para ver a cena toda:

“Eh, pessoal! São Paulo que aguarda nóis!”

Relembre algumas cenas gays da novela aqui, aqui e aqui.

Dica de leitor via comentário.

Central Gaybo de Produção?


A rede Globo, o ícone mor da grande mídia no Brasil, tem andado apoiando as causas LGBTT em seus programas. Na semana passada, o personagem Eduardo, papel de Rodrigo Andrade na novela Insensato Coração, revelou estar confuso com sua sexualidade e que sempre teve atração por “caras”:

Isso disparará na novela as discussões sobre homofobia. No mesmo dia, no quiosque de Sueli, mãe de Eduardo na história, que é um point gay, ela, um de seus funcionários e um cliente, ambos gays na trama, discutem a violência em razão da homofobia, inclusive dando números de assassinatos e falando da necessidade de denunciar. Veja a cena aqui.

Afora isso, a Globo lançou com o canal Futura uma reportagem especial MUITO LEGAL sobre discriminação sexual nas escolas, tão legal que merecia ser incluido no kit ‘Escola Sem Homofobia’ e distribuido pra todas as escolas, pela forma tranquila e sensível como eles encaram este tema tão difícil. Clique na imagem abaixo para vê-lo:

Arrasô!