Audiência Pública: discutindo o nome social.


Nessa sexta-feira (30/08) acontece uma audiência pública para discutir o uso do nome social nas escolas do município de Vitória. Só pra lembrar, no dia 05/03, foi derrubado o veto a lei 120, de autoria do vereador Esmael Almeida, que proíbe o uso do nome social nas escolas municipais da cidade de Vitória.

O nome social é um recurso para que travestis e transexuais exerçam plenamente sua cidadania, as escolas da rede municipal de Vitória devem incluir o nome social de travestis e transexuais nos registros escolares – diários de classe, listas de divulgação pública no interior e na parte externa das escolas, crachás e outros registros similares – para garantir inclusão dessas (es) cidadãs (ãos) no processo de escolarização, de aprendizagem e de convivência no contexto escolar.

Então, sexta, antes do rock na Lama, a senhora dê uma passadinha na Câmara para apoiar-nos!

Por que a passividade é tomada como uma condição humilhante?


Cadê essa atividade toda?

Cadê essa atividade toda?

Aproveitando a deixa do Dé, compartilho esse texto que foi publicado no site Adé Diversidade, autoria de Gésner Braga:

Eventualmente, costumo ir a um bar de Salvador onde um ator trans­formista incor­pora uma per­so­na­gem regada a comi­ci­dade e muito escra­cho. Invariavelmente, sem­pre a vejo (ela, a per­so­na­gem) ele­ger alguém da pla­teia para uma bate­ria de per­gun­tas ínti­mas, emba­ra­ço­sas e de duplo sen­tido. Até aí, nada de novo, pois a ver­go­nha alheia foi, é e sem­pre será uma das maté­rias pri­mas do humor.

O assunto pre­di­leto nes­sas oca­siões é sexo e uma per­gunta recor­rente aos homens é: “você é ativo ou pas­sivo?”. Até hoje, não vi nin­guém res­pon­der de maneira firme que é pas­sivo. A res­posta mais fre­quente é “fle­xí­vel”, quando não “ativo”. Se, diante da insis­tên­cia e arti­ma­nhas da entre­vis­ta­dora, o inter­ro­gado se vê com­pe­lido a se assu­mir pas­sivo, isso se dá com fla­grante constrangimento.

Então eu me per­gunto: qual a razão de tanta ver­go­nha?Sobre isso, é curi­oso obser­var que mui­tos gays osten­tam femi­ni­li­dade no jeito de ser de um modo orgu­lhoso em boa medida. Trata-se de uma ati­tude ine­ga­vel­mente afir­ma­tiva que eu aplaudo, pois a femi­ni­li­dade no homem é um dos pos­sí­veis ins­tru­men­tos de rup­tura da hete­ros­se­xu­a­li­dade com­pul­só­ria a que esta­mos sujei­tos desde que nas­ce­mos. Essa mesma ati­tude tam­bém é res­pon­sá­vel por um grau de expo­si­ção que torna o gay mais vul­ne­rá­vel à vio­lên­cia. É nesse momento que enxergo um enorme con­tras­senso: se existe cora­gem para se expor tão inteiro, man­dando o pre­con­ceito às favas e dando a cara a tapa, por que a pas­si­vi­dade é uma con­di­ção tão humilhante?

Invariavelmente, diante daquele palco, ali­mento o desejo de ver uma res­posta impro­vá­vel frus­trar a piada. Imagino sem­pre a opor­tu­ni­dade de se dizer em alto e bom tom: sou pas­sivo! Eu iria além: faria um dis­curso em favor da causa e diria que essa ver­go­nha em se assu­mir pas­sivo é fruto de uma soci­e­dade machista e misó­gina que atri­bui a quem pene­tra os valo­res pre­ten­sa­mente sobe­ra­nos da mas­cu­li­ni­dade e que con­si­dera menor e des­pre­zí­vel tudo que se refira ao uni­verso femi­nino, inclu­sive numa for­çosa e equi­vo­cada asso­ci­a­ção da pas­si­vi­dade ao papel de mulher da relação.

É pre­ciso enten­der de uma vez por todas quão fluida é a sexu­a­li­dade humana, mesmo em situ­a­ções em que os papéis estão apa­ren­te­mente bem defi­ni­dos entre os aman­tes. Ao ser pas­sivo na cama, eu sou tão bio­lo­gi­ca­mente homem quanto o meu par­ceiro. Se par­tir­mos para o plano das sub­je­ti­vi­da­des, ambos somos tudo ao mesmo tempo. Ainda que exclu­si­va­mente pas­sivo no sexo, eu domino e sou domi­nado, sou doce e impe­tu­oso, sou Yin e Yang. E nessa salada de múl­ti­plos papéis, é deso­nesto e iló­gico demar­car o que é femi­nino e mas­cu­lino e total­mente des­ca­bido pro­por essa demar­ca­ção como forma de esta­be­le­cer valo­res dicotô­mi­cos, como o certo e o errado, o bom e o mau, o melhor e o pior.

Da pró­xima vez que eu for ao bar, pro­po­rei a cri­a­ção do Dia do Orgulho Passivo. Só de pirraça…

Professores gays repreendem menos a homofobia na sala de aula


Uma pesquisa realizada pela Universidade de Millersville, na Pensilvânia comprovou que professores homossexuais tendem a advertir menos situações de homofobia dentro do ambiente escolar por medo de serem prejudicados. O estudo realizado com mais de 350 professores e diretores locais, demonstrou que esses profissionais tem medo de que a intervenção ao chamado bullying homofóbico possa repercutir de maneira negativa. “Eles temem pelo trabalho ou pela repercussão de serem vistos como gays”, afirmou Tiffany Wright, que participou da pesquisa publicada pela revista “TES”.

Segundo Wright, mais de um terço dos professores entrevistados temem que seus empregos fiquem em risco, caso a sua sexualidade seja descoberta. Dois terços dos entrevistados responderam que raramente ou nunca veem outro professor intervir quando presencia algum comentário homofóbico. E ainda pior: 59% disseram que já ouviram comentários homofóbicos feitos por outros professores.

Fonte: http://migre.me/fP8LS

A grande descoberta.


E no meio dessa confusão… Me descobri trans. Se bem que no fundo, no fundo, eu já sabia. Quando criança, meu lugar nunca fui ao lado das mocinhas comportadas do colégio. Anos a fio de reclamação por parte da minha mãe que não conseguia entender o motivo de uma calça jeans ser muito mais confortável que aqueles vestidos e apetrechos femininos. Mas com o tempo perdi minha autonomia, por pressão da família, é claro. Até ontem, eram a coisa mais importante, mas chega uma hora, um limite, em que não dá pra se fingir de tonto e não perceber que é desconfortável viver de aparências.

E assim, após um belo dia de stress, cortei meus cabelos. Nunca havia radicalizado tanto no corte, ouvi uma palestra da minha mãe, mais um monte dos mais próximos, mas me senti bem. A chateação tinha passado e eu até me sentia bem com meu corpo novamente. Eureka! Durante uma conversa com um grande amigo, foi ficando claro (quase transparente) a forma como eu havia mudado e como essa mudança me fez bem.

Um resumo, bem resumido que serve de explicação pra muita gente. Então, amados, com todas as letras: Sou transexual, sou babado certo e sou feliz. Continuo aqui, apesar das idas e vindas da vida. Grande abraço e até mais!