Kooriosidades – Na Cama com Max [Tema: Gays e Misoginia]


Sentiram falta do Kooriosidades? Aposto que sim!

Vocês perceberam que eu dei uma diminuída na quantidade de postagens da coluna, mas foi por uma boa causa: Eu estava recebendo uma quantidade absurda de e-mails de bee’s me perguntando apenas como arrumar um namorado. Mandavam Facebook, diziam suas qualidades e me indagavam o motivo pelo qual não conseguiam namorar.

E eu digo pra todas: Eu não sei! Aliás, essa é a grande pergunta da maioria das pessoas que estão realmente interessadas em relacionamento, mas infelizmente esse é um grupo muito pequeno diante da quantidade de pessoas que tiveram desilusões amorosas e hoje não querem mais nada sério.

Mas vamos ao tema de hoje. Dessa vez eu recebi um e-mail muito fofo de uma leitora heterossexual (leitora mulher mesmo, tsá?). Nesse e-mail ela conta o quão militante da causa gay ela é e não entende por que muitos gays a tratam mal só pelo fato de ter uma vagina.

Vamos ler?

Oi max, belezinha?

Primeiro queria dizer que sou fã do Babado Certo, daquelas que entra no site todo dia e fica chateada quando não tem nenhum post novo. Sua fã em especial.

Meu nome é Amanda (nome fictício), 32 anos, casada há 4, considerada muito gay pelos meus amigos.  Existem pencas de mulheres assim, expansivas, comunicativas, viadas, defensoras da causa, utilizadoras do pajubá, que naturalizam o mundo gay.

Enfim, eu sou mais uma dessas, só que legítima, de verdade, sem ser fake, sem forçar a barra, daquelas que só frequenta gays, que só tem amigos gays, que cresceu com gays, que tem uma linda irmã sapa pau de mel. Dessas que pode zoar os amigos gays a vontade, porque possui permissão e licença poética… e é recíproco.

Vamos a minha dúvida, quero muito saber sua perspectiva sobre esse assunto: por que nós mulheres somos TÃO maltratadas pelas gays? Até que você vire amiga da gay, a única coisa que você, mulher, merece é coió! Tá chato isso já!

Ainda mais essas bees ninfetinhas, que não são da minha geração, que estão tomando conta de vitória. até parei de sair! Deixa eu explicar melhor: Eu era frequentadora assídua da Move, antes de casar. Que época boa, como fui feliz naquele lugar! Peguei todas as pessoas de Vitória!

E como eu fui maltratada também! Alguns meninos não têm nenhum respeito pelas “rachas uó”, são grosseiros, esbarram na gente de propósito e tal.

Tô magoada desse jeito porque esses dias fui ao casamento da minha amiga, ela foi jogar o buquê, as viadas toooodas correram pra pegar, eu achei a cena muito engraçada e divertida, botei maior fé!

Bichinhas passando correndo excitadíssimas do meu lado, eu, que dou bom dia a cavalo, quis interagir, na maior naturalidade, disse: “calma gente!” mas rindo, me divertindo.

A beezinha virou pra mim e disse, como um demônio: “EU ESTOU FALANDO COM ELE”, e virou o pseudocabelo tipo a Beyoncé! Com desprezo! porra, precisa? A gente tá num casamento de uma pessoa em comum, que a gente ama, que só deve ter chamado gente que ela gosta, só isso já dá pra desarmar!

Tenho um amigo muitíssimo inteligente. Cabeçudíssima a passiva, produz pensamento igual a fazer café, tem uma linguagem técnica que muitas vezes não acompanho, “o mundo pós moderno isso, o neoliberalismo aquilo”. e de quê adianta? Misógino! Menos comigo, que sou “amiga”.

Muitas vezes ele já me ofendeu dizendo ter nojo de buceta, que buceta é extremamente nojento. porra, nojo? isso é pesado!

Fala sério! Buceta não é nojento! Pessoas são nojetas, outras pessoas não são! Algumas são asseadas, outras não. Esse argumento de que se a pessoa não gosta de mulher, por exemplo, a coisa torna-se asquerosa é vazio. Pra mim é exatamente isso que os gays sofrem, esse tipo de argumento. que gay é nojento, que beijo gay é nojento, não uma manifestação afetiva, de carinho.

Minha perereca é uma manifestação de carinho e beleza, não é nojenta!

Só não acho que ser mulher é, em nenhum momento, depreciativo, desqualificante, degradante. Óbvio que tenho várias teorias com relação a isso, como por exemplo não ser um ódio do nada, apenas um mecanismo de defesa.

Como héteros não têm uma placa na testa escrito “sou legal, relaxa”, na dúvida as bees ficam armadas, mas aí fodeu. Elimina um monte de possibilidades.

#Chatiada

Suprimi algumas partes do texto porque a amapoa é super falante e me enviou um rascunho da Bíblia. Delicioso, diga-se de passagem, mas eu sei que vocês são preguiçosas e não leriam tudo.

Então, eu estava conversando exatamente sobre isso com uns amigos enquanto estava lá no Rio. A misoginia entre os gays chegou num nível alarmante.

Pra quem não sabe o que é misoginia: Misos – ódio/Ginos – Mulher. É o ódio ou a aversão a mulheres. E não pense que héteros estão excluídos dessa categoria só porque fazem sexo com mulheres não, o machismo carrega consigo uma grande base misógina também.

in da box

E eu não vou me excluir dessa não, sei que muitas piadas que faço aqui com as sapas perpetuam esse tipo de aversão. Entretanto, existe uma diferença bem grande entre fazer piada e todo mundo saber que você está sendo sarcástico e fazer piada com a intenção de denegrir todo um grupo.

A minha teoria é que essa misoginia é um reflexo do machismo que nos afeta diretamente, afinal, o que os homofóbicos odeiam na gente não é a nossa sexualidade nem o que fazemos entre 4 paredes, mas sim a feminilidade que reside nessa sexualidade.

O gay abdica da sua “posição superior” de homem para se deixar prestar um papel social feminino, o ato de deitar com outro homem como se fosse uma mulher mesmo.

Nossa sociedade não admite que um homem se castre e tenha comportamentos de mulher, na cabeça dessas pessoas é um desrespeito com a “sorte” que você teve de ter nascido como o sexo dominante.

Ela também tem, e você ama!

Uma grande idiotice, é claro, mas infelizmente é assim que as coisas funcionam, e quando um gay é misógino ele está claramente se “vingando” daquela mulher que é a culpada do preconceito que ele sofre.

E para que ele mesmo não se sinta preconceituoso (afinal, o preconceituoso nunca admite o preconceito), faz o uso da sua sexualidade para focar seu ódio na vagina, não na mulher… como se a vagina não representasse exatamente isso, néam?

Uma outra abordagem interessante, sugerida por uma leitora nos comentários, é a de que o fato das mulheres terem vagina e, portanto, atraírem um número maior de homens, pode ser interpretado como uma ameaça por parte dos gays diante de uma possibilidade de pegação. Isso se refletiria também na aversão à mulher.

É muito comum esse tipo de preconceito reflexivo. Outro exemplo é a relação entre o Espiritismo e a Umbanda. Ambos são discriminados, mas ouse falar com um Espírita que a religião dele pode ser comparada à Umbanda pra você ver o diabo que ele vai virar.

E no final ainda terminará com uma frase do tipo: “É por causa deles que nós sofremos preconceito”.

Hummmm, Max, essa frase me é familiar!

E é mesmo! É a mesma frase utilizada por muitos gays que se consideram masculinos e que discriminam as bee’s afeminadas. O que faz com que ele discrimine a bee afeminada? A feminilidade dela, e de onde vem essa feminilidade? Das mulheres!

**BOOM**! Você tem aí sua resposta: O fato de um grupo sofrer preconceito não o exclui da possibilidade de ser preconceituoso quando essa aversão advém de um preconceito muito maior que o sofrido por ele.

P.s.: Mas por que os gays amam as divas? Muito simples, divas não são mulheres, são divas, e a categoria de diva as coloca numa posição superior dentre as outras mulheres.

É como se elas fossem uma mulher com pênis, basta observar que quando uma diva é muito poderosa ela é logo comparada a uma trava… opa! Então será por isso que gays respeitam muito mais travestis que transexuais?

É um caso a se pensar…

Tá com um dilema de natureza sexual, social ou médica? Mande sua dúvida para max_babadocerto@hotmail.com, e a Max consultará os universitários para tentar resolver o seu problema.