Você não é Césio 137, mas seu brilho me contaminou


Olha, eu percebi que eu tava um pouco desaparecida quando eu me olhei no espelho e vi que tava a cara da Mari Alexandre.

Por onde anda a Mari Alexandre, um beijo para Mari Alexandre.

Olhei para meu rosto calejado pela pouca exposição midiática e me perguntei: morri ou estou na Record? Mas antes que eu fosse condenada a ser protagonista de uma microssérie baseada na bíblia e entrasse naquele looping constrangedor de ter que fazer par romântico com Maurício Mattar, eu resolvi voltar para vocês.

ADOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOORO!

Acontece que eu estava numa cremosa crise alérgica que deixou meu nariz tão constipado que quase tive que transformar a minha perna mecânica na máscara do Kabal, de Mortal Kombat, pra ver se eu conseguia respirar direito. E a melhor parte é que eu tô assim há mais de duas semanas e não melhoro em nada. Quer dizer, descobri hoje que tava tomando um anticoncepcional no lugar do antialérgico.

Está finalmente explicado o porquê de eu ficar dublando You Make Me Feel a Natural Woman na condução para casa durante toda essa semana.

Aliás, teve uma vez que eu confundi meu anticoncepcional com uns dois m&m’s que tavam perdidos na minha necessaire. Sorte que ninguém me come, porque senão eu já tinha parido.

Nessa loteria da vida chamada genética, tenho tanto alelo recessivo que eu sinto que esse símbolo capixaba foi gerado no meu útero.

Mas então, eu estou aqui hoje reunindo o que resta das minhas forças pra falar com vocês de um tema muito importante em nossas vidas, o Lulu. Claro que a galera do deixa disso já pegou seus extintores de incêndio para apagar nossas bacurinhas em chamas com a possibilidade de avisar a todas nossas amigas que aquele desfrutável pedaço de mau caminho te elogia com trechos de canção do Exaltasamba.

Olha, meu amor, vou te dizer uma coisa. Se homem não fosse objeto, a gente não tinha esse estímulo de dar nome pra vibrador.

Já que não posso avaliar o Tatuapu, uma vez que não se reconhece a necessidade de um pequeno pedaço de poliestireno explorador de mucosas ter o seu próprio perfil no Facebook, vou me divertindo avisando a humanidade do recorrente risco de se gastar tempo e energia em conquistar uma pessoa que tem a capacidade de usar tênis com meia preta.

Três meses de trabalhos intensos de jardinagem para deixar sua vulva com uma belíssima cobertura capilar no formato das iniciais do boy pra na Hora H descobrir que ele usa cueca asa delta vermelha.

Gente, vamos combinar. A coisa mais pesada que tem no Lulu é a denúncia de que o boy curte o Romero Brito. É grave: sim. Deveria ser considerado crime hediondo e, portanto, inafiançável: com certeza. Mas, a gente sabe, né. Coisa de hétero. Se essa aplicativo tivesse surgido na mão de alguma bicha venenosa, garanto que ia ter uma área só pra você indicar a cor, pastosidade, viscosidade e volume do cheque passado pela gay avaliada em questão.

Chocante, mas não tão chocante quanto as cenas de amor de Leleco e Muricy em Avenida Brasil.

“Ah, mas não é legal objetificar ninguém, Tchynna”. Até que eu concordo, mas o Lulu tem uma vantagem sensacional: ele simplesmente rotula e classifica exatamente quem geralmente costuma ser o fio da balança para se rotular, classificar e separar as pessoas, veja que legal. Acho que não vejo homens cisgêneros e heterossexuais sendo objetificados, veja bem, desde a Convenção das Bruxas de 1922, quando eu e minhas amigas invadimos a Semana de Arte Moderna e transformamos Oswald de Andrade no Abaporu.

O que importa, gente, é a beleza interior.

Aliás, queria agradecer muito as pessoas que contribuem para que a internet seja um grande desafio de pegar jacaré numa enorme pororoca de chorume, porque já criaram um que os homens avaliam as mulheres. O que eu tenho pra falar sobre isso? Tá feio, tá escroto, tá pior do que o remake de Guerra dos Sexos. Hétero não entende nada de vingança.

Garanto que se aquela menina de Revenge, a Emily Thorne, fosse lésbica, o seriado ia ser bem mais legal.

Enquanto vocês se matam aí nos comentários porque, claro, viado adora uma polêmica, eu vou continuar aqui no meu cursinho de programação por correspondência do Instituto Brasileiro pra ver se a gente adianta o nosso lado e cria aquela versão do aplicativo para o universo homossexual.

Vai ser tanta discórdia que o aplicativo rapidamente vai se tornar um infalível método de controle populacional.

PS.: Não tenho nada contra os héteros, tenho até amigos que são. Não é preconceito, é só minha opinião. :*