O ocaso da estrela brilhante


Antes de começar, dá play na trilha sonora:

Saiu n’A Gazeta:chica a gazeta

Leia a matéria completa aqui.

Na matéria, Chica Chiclete afirma que encerrou a boate por conta do cansaço e da concorrência.  “Estou encerrando porque estou muito cansado. Então, há algum tempo eu já vinha com essa ideia de mudar de ramo de negócios”, disse. E completou “queria mudar de ramo há um bom tempo. A concorrência no mercado LGBT está grande atualmente. São quatro boates gays na Grande Vitória, que não tem público para isso“.

Uma certeza: vai deixar saudade! O Bar Chica Chiclete está no imaginário de muitas de nós sendo um espaço em que já batemos muito cabelo, aquendamos muitos bophes e já ficamos tortas de colocação…

Me deixa, tô de bode.

Luto II – Roubo seguido de morte ou crime de ódio?


E mais uma vez é com pesar que faço esta publicação no blog…

Na madrugada de terça pra quarta, Wiris Delfino Vitoriano, 26 anos, foi assassinado a facadas em sua residência no centro de Vila Velha. Wiris morava com outros dois amigos, que viajaram durante o feriado de carnaval. Quando um deles voltou, encontrou o cadeado do portão trocado. Estranhando o fato, o rapaz arrombou o cadeado para entrar na casa e encontrou o corpo em um dos quartos. Havia manchas de sangue em várias partes da residência, quase todos os cômodos da residência estavam revirados e alguns objetos haviam sumido. A vítima estava apenas de sunga, e tinha um barbante amarrado a uma das mãos.

Agora, as informações extra oficiais:

Wiris tinha ficado sozinho em casa, meu último contato com ele foi na terça por volta das 23h quando saíamos do trabalho. A polícia tem as filmagens da rua e nelas, Wiris sai de casa por volta de 1 hora da manhã sozinho e depois retorna com mais dois homens. Em seguida, as 2:50 da manhã os dois suspeitos saem da casa carregando alguns objetos. O rapaz que morava com ele afirma que recebeu algumas mensagens dele via Facebook, ainda na terça feira, informando que estava na casa de uma conhecida.

Outra informação é que a vítima teve aproximadamente 64 a 68 perfurações no corpo, causadas por diferentes objetos cortantes. Sobre os indícios de que o crime tenha sido motivado por homofobia, só posso afirmar que há esta possibilidade. Wiris era gay e na parede da casa de um dos vizinhos, apareceu uma pixação com os dizeres: VIADOS. A parede foi pintada recentemente, antes do carnaval.

Recebi informações via Facebook de que diversos grupos LGBTs de outros estados estão acompanhando o caso.

Por hora, restam as investigações da polícia e a tristeza no coração dos amigos. Nos conhecemos no trabalho e nos tornamos muito próximos. Era um rapaz trabalhador, quieto e querido pelos conhecidos.  Foi um prazer te-lo conhecido…

Saudades, irmão! Você é FODA!!

Luto: Drag Domenik


Ontem, às 17 horas, foi sepultada no Cemitério Jardim da Paz a drag queen capixaba Domenick, falecida devido às complicações de um acidente vascular cerebral.

É sempre uma tristeza para nós noticiarmos este tipo de coisa, mas o fazemos para reverenciar figuras importantes da noite capixaba, lembrar seus trabalhos e oferecer nosso abraço de condolência aos familiares e amigos nestes momentos de dor.

Fica nossa homenagem  a quem  será sempre lembrada por seus amigos por  sua alegria e companheirismo. Apesar de muitos, como eu, não a conhecer pessoalmente, a recordaremos por suas apresentações como a deste vídeo – sua última – no aniversário de Chica Chiclete. Nele a Chica diz que ela é mais que uma amiga, é uma irmã:

  R.I.P. Domenik 😥

E é com muita tristeza que afirmo…


Azedam esperanças de ver Lady Gaga no Brasil

koo

Ai, bee’s, tô tão de luto quanto as senhoras… pois é, o presidente da produtora de eventos que estava responsável pela vinda de Lady Gaga para o Brasil, Fernando Alterio, afirmou:

“Não vejo a Lady Gaga cantando para um público de mais de 50 mil pessoas”. “Ela é um dos conteúdos em estudo. É para 30 mil pessoas.”

Meu edy, néam? Lady Gaga só é “conteúdo de estudo” para a Biologia pra ver se conseguem enquadrá-la numa espécie a parte, porque humana ela não é!

Fiquei depressiva com a notícia, vou encher a minha cara de Lexotan e Absolut enquanto rasgo com ódio o meu look de papel crepom franjado especial pro dia do show.

Sou objeto de estudo, e você?

Suicidio, pressão social e homossexualidade: O caso do Dj Alex Brasil


Suicídio é sempre um assunto delicado de se tratar, tanto que na imprensa comum é um tema tabu em que eles raramente noticiam. Estou aqui com essa missão dificil que é a de confirmar o suicidio do Dj Alex Brasil, especialmente pelo fato de ele ter postado aqui neste blog uma carta de despedida. Não falei antes sobre o tema, pois queria uma confirmação oficial. Foi por isso que entrei em contato com a irmã dele que havia deixado o seguinte recado no orkut do Dj:

Olá!!!
A todos vocês que conviveram com meu irmão Alex, agradeço aos que verdadeiramente tentaram faze-lo sentir-se feliz, mas infelizmente o inimigo tirou sua vida nesta quarta-feira dia 11/11. Deixo a vocês apenas o meu agradecimento por acolhe-lo.

Deixei meu telefone na página do orkut dela e ela me ligou a pouco. Disse-me que ele foi encontrado morto por enforcamento na casa de sua mãe onde morava. A irmã dele terminou a conversa tentando me evangelizar, dizendo que Deus abomina as práticas que eu sigo referindo-se a minha homossexualidade  sem, no entanto, nomeá-la.

Acredito que este seja um dos momentos mais tristes desse blog, pois abateu-nos assim essa tragédia, por mais que o Dj fosse bastente controverso e já tenha criado certos basfonds por aqui nos comentários (como aqui e aqui). Houve uma certa frieza da parte dele de escrever aquela carta e alterar todo o orkut dele, mas admiro o fato dele querer deixar uma mensagem positiva mesmo que sua família o pressionasse no sentido oposto. Destaco alguns trechos da extensa mensagem final publicada aqui e em seu blog:

(…) Anos e anos, dia e noite, cada segundo da minha vida…Sempre lutando, sonhando e desejando ser o que fui e o que cheguei a ser, um sonho de adolescente e realizado como um profissional reconhecido hoje.

Já caí, levantei, caí novamente e levantei várias vezes, conseguindo sobreviver em meio as dificuldades, sempre dizendo pra mim mesmo que era forte e capaz de cair mais vezes ciente de que levantaria com garra e determinação, talvez por achar ser mais capaz do que eu um dia pudera imaginar…Enganei-me!

Hoje com meus 28 anos de idade me vejo jogado no chão de uma forma que não consigo enxergar quem sou, o que sou, pra onde eu vou e o que fazer…Incapaz.

(…)

Ao para um milésimo de minha vida, pude ver que eu havia aprendido a amar esta pessoa que tivera entrado em minha vida e que eu estava sendo a pessoa que eu sempre almejei ser, feliz…Fechei os olhos para poder sentir isto com mais intensidade….Abri os olhos e de uma forma estranha e confusa pude ver e sentir que eu estava sozinho, que a pessoa na qual aprendi a amar não se fazia mais presente…Eu não sentia mais o calor desta pessoa, o cheiro, não ouvia sua voz mais e com tudo isto, pude ver que esta pessoa na qual aprendi a amar e na qual eu acreditei…Tivera ido embora sem ao menos me explicar os porquês, não por ser obrigado a isto, mas ainda assim nunca mais o vi como a pessoa que aprendi a amar e na qual acreditei me amar…

Caí…Desabei…Tentei me levantar, porém de uma forma muito diferente de todas as outras vezes nas quais eu caí e levantei, esta era estranha, não consegui decifrar e entender, porém tentei de todas as formas e jeito…Ouvindo as pessoas falando que eu deveria sair dessa, tentar…Reerguer-me, esquecer o que aconteceu, ouvi tudo isto como um eco lá no fundo e confesso que por vezes tentei sair, levantar e ir…Segui a minha vida, mas de uma forma estranha eu pude ver que não, como se eu tivesse chegado ao fim da minha estrada e que, de alguma forma eu tivesse mais capacidade e sabedoria para criar novos caminhos e seguir a frente.

(…)

Peço perdão a todos que sempre quiseram me ajudar, me fazer brilhar, ser alguém nesta vida, agradeço a todos vocês pelos carinhos e respeito, mas hoje encerro toda a minha história que um dia chamei de vida, não a tenho mais, ela se foi, nunca pensei que chegaria um ponto da minha existência em que a minha vida pudesse ir…Deixando-me para traz, no esquecimento, sendo apagado a cada segundo.

Pois assim termina a minha história de vida…

(…)

Talvez possam achar que fui fraco e incapaz, pois talvez eu tivera sido assim realmente, mas nunca passei por isto e fui incapaz de lidar com tal situação…

O mais importante de tudo no que restou da minha vida foi poder ver e sentir que eu amei, amei de verdade, talvez até mesmo de uma forma na qual eu pudesse ver que nada sabia sobre o que era um amor, que não é apenas uma forte palavra, pude ver e sentir que sim…Desta vez eu realmente aprendi o que é o amor.

Hoje fico por aqui nos meus 28 anos de idade e logo a frente esquecido diante de todos e de tudo, pois eu pude ver que fui esquecido pela pessoa que eu aprendi a amar e que, dei a minha vida e não me arrependo em momento algum, pois eu aprendi o que é o amor e acima de tudo, amei.

Não irei citar nomes, mas…um dia a pessoa que eu amei irá entender a vida, as coisas, o ser e estar, a razão…Quando isto acontecer, já terei caído no esquecimento de uma existência.

Finalizo me despedindo de todos dizendo o seguinte:

Lute…corra atraz…ame…..mas ame de verdade…..se entregue…..se doe ao máximo, pois o amor entre dois homens existe sim, é verdadeiro, único, grandioso…não desista nunca…sonhe muito….um dia….quando as coisas mudarem….os tempos forem outros….isto poderá dar certo e você será muito feliz….acredite.

Um dia…você será feliz…e poderá sentir e ver que a felicidade é muito mais do que desejou.

Me choca o fato da carta ter sido publicada no dia 08 e o ocorrido ter acontecido no dia 11. Três dias, provavelmente esperando uma resposta. Somos culpados? Não. Poderíamos ter ajudado? Talvez.

Minha relação com ele foi curta e distante. Tivemos uma única conversa pessoalmente num bar em que trabalhava na Praia da Costa, mas foi sobre negócios. Ele queria que divulgássemos o local. Falávamos, às vezes, também por msn, mas pouca coisa sobre assuntos pessoais. Numa ele falou sobre o ex-namorado e que havia brigado com ele na The Pub (com agressões fisicas). Em outra, quando houve minha briga com o meu ex, ele falou também acerca do seu caso e que havia perdido 20 kilos desde o término da relação. É sabido por muitos que essa relação era bastante complicada, sendo que já havia até dado cadeia. Na rápida conversa que tive  com  sua irmã ela disse que foi-lhe pago tratamentos que não adiantaram…

Hoje consigo melhor entender o Alex: era um cara desesperado. Amou demais alguém, se entregou totalmente a relação e depois com o fim, não soube lidar com a perda (poucos sabem). Tudo para ele era escapismo, por isso a necessidade de aparecer e de agradar. Ele não tolerava crítica alguma! Não teve nada a ver com o fato de ser gay, como ele mesmo diz na carta e como a família insiste em afirmar, mas sim com esse sentimento que o ser humano pode ter, na sua maioria, que é quando a amor vira seu oposto e se torna um sentimento de destruição e de auto-destruição.

Uma pena. Entretanto,  fica sua obra que pode ser ainda baixada, ouvida em seu blog. Ele inclusive fez uma especialmente para o Babado Certo, o que ele chamou de “maior blog informativo para o público LGBT do estado do Espírito Santo“, ouçam-na aqui.

Very blue


Acho que devo explicações às pessoas do blog (autores e leitores) e às pessoas que foram (ou não?) a Caravana do Babado pra Sampa. Aconteceu uma coisa super triste e chata durante o fim de semana. O avô do meu namorado foi internado na UTI e veio a falecer. Meu domingo foi todo no cemitério consolando meu bophe. De fato, meu celular ficou sem bateria e eu estive inacessível. Peço desculpas a todos que tentaram falar comigo e não conseguiram, como disse indignada a Tchynna, mas a morte é algo que não podemos prever. Para compensar farei o relato de todo o feriado, sobre a festa Love Secret do Diego Fiuza e do basfond que aconteceu lá, e sobre minhas críticas após visita a Move Music na sexta. Beijoseagorapodemmeligar!

Ah, mas posso adiantar que, para o bem ou para o mal, o feriado foi algo meio assim: