Estupro Masculino


Pegue o sabonete

Demorei muito tempo para ter coragem de escrever sobre esse assunto. A vergonha e a quantidade de críticas que a vítima sofre são os principais fatores que me levaram a evitar tratar desse acontecimento aqui.

Sem contar que o estupro é mais tratado como humor, por ser mais comum em cadeias, que como um crime. Quem nunca ouviu piadas sobre “deixar o sabonete cair”?

Sei que poucos de vocês já passaram por um “estupro”, é mais comum que aconteça com mulheres ou em atos de homofobia (não foi o meu caso). Mas acho importante tocar no assunto, a fim de gerar uma discussão nos comentários.

Desde 2009 a ideia de “estupro” mudou de figura, não mais se configura como “constranger mulher à conjunção carnal, mediante violência ou grave ameaça”. Agora a lei diz o seguinte:

Portanto, estupro agora é sinônimo de abuso sexual de qualquer tipo, sem que haja a necessidade de penetração ou da presença de vagina na vítima.

No final do ano de 2010 eu resolvi ir com uns amigos à Move. Cheguei por volta de meia noite, mas não estava me sentindo bem.

Me diverti, tomei umas e resolvi ir embora às 4 da manhã, mais cedo que meus amigos. Dali fui em direção ao posto de gasolina da orla pegar um ônibus. Não queria pagar um táxi até Vila Velha e resolvi esperar o “bacurau”, que passaria por ali às 4:30.

Fiquei no ponto de ônibus e poucos minutos depois um homem se aproximou de mim. Começou a puxar assunto, me elogiando e falando da minha aparência, mas como eu estava passando mal e ele não me atraiu, nem dei confiança e logo finalizei o assunto (quem me conhece sabe que eu sou uó com pegação inesperada).

Mas ele insistiu, chegou mais perto, começou a tentar passar a mão em mim, e eu sempre relutante. Quando resolvi me afastar senti que ele havia colocado um objeto pontudo nas minhas costas. Olhei e era uma arma de fogo.

Protesto no Metrô de Xangai, sobre o governo dizer que a culpa dos abusos sofridos pelas mulheres era da vestimenta

Prontamente parei de me mexer, ele disse para que eu fosse para o outro lado da rua e, dentro de uma daquelas moitas que têm na praia de Camburi, fez o que tinha que fazer. O tempo todo apontando a arma para minha cabeça.

Felizmente, não me agrediu, mas me machucou bastante com a força que fazia pra me manter imóvel. Depois de uma hora consegui me levantar, sangrando, e voltei pro ponto, onde havia 3 beeshas esperando o ônibus (afinal, já eram 5 da manhã).

Cheguei até elas, contei o ocorrido e pedi ajuda, se alguém poderia me acompanhar até uma delegacia, ou ligar para a polícia, mas a única expressão que ouvi foi: “Mentira, viado! Chama o estuprador lá que eu também quero!”.

No final das contas quem me ajudou foram os rapazes do posto de gasolina, me deram uma toalha e me mostraram um chuveiro para tomar banho.

Saí dali e fui direto na delegacia, onde fizeram um B.O. (que nunca dá em nada), exames de corpo de delito, e as medidas profiláticas das DST’s, habituais em caso de estupro. Graças a Zeus, não peguei nada.

Acabei de contar isso para uma leitora e ela, muito esperta, me lembrou do vídeo do rapaz que foi preso fazendo sexo com outro homem no banheiro público, e durante a entrevista disse que “foi forçado a fazer sexo”. Cata:

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=QSm8VeZ46BQ&feature=related]

Todos zoaram o rapaz, admito que eu também, mas vocês percebem que dizer que ele estava “só fazendo charme” parte do mesmo discurso dos machistas que diz que uma mulher pede para ser estuprada quando usa roupas sensuais, e que a culpa do estupro é dela, que “provocou”?

E o pior, para as poucas pessoas que contei esse caso a maioria teve a mesma reação: “Claro, Max, você já é andrógino, ainda usa maquiagem e roupas justas, não pode reclamar que o cara achou que você quisesse sexo”.

Bullshit! Eu poderia estar pelado na orla da praia, nada justifica ele ter continuado após o primeiro NÃO que eu falei.

Sobre esse tema, vale ler o post da Lola, uma feminista e blogueira, que trata da chamada “cultura do estupro”, na qual a ideia de sexo forçado torna-se cada vez mais bem aceita pela sociedade.

Propaganda da Prudence postada no Facebook

Ora, se a culpa do racismo é do racista e a culpa da homofobia é do homofóbico, por que a culpa do estupro é do estuprado?

Respeito, por favor!


Já falamos várias vezes aqui que nós preferimos não moderar comentários, pois acreditamos na democracia e na não sanção da opinião de nosso público. Tanto que as mais baixas e vis críticas contra nós não nos importa nem um pouco. Lemos, rimos e às vezes respondemos. Entretando, houve nos últimos comentários uma série de mensagens desrespeitosas que questionavam o caráter de dois indivíduos. Criticar o trabalho de alguém tudo bem, agora acerca de sua moral, no way!

Lembramos que:
– Os IPs ficam registrados. Se der merda, a polícia tem como encontrar a origem das mensagens.

Não estrague uma mídia que até então vinha funcionando super bem informando e unindo a comunidade LGBT do ES. Não vamos aceitar esse tipo de atitude, que é criminosa, aqui no blog. Se continuar dessa forma, vamos ter que MODERAR os comentários.

Antifumo


Faltando um mês para entrar em vigor a Lei Antifumo. Entre discussões de quem vai fiscalizar, e opiniões de quem acha a lei uma afronta aos direitos individuais, já ouvi de tudo sobre a polêmica lei.

No Gazeta OnLine:cigarro

Já ouvi reclamações de amigos que não fumam, que a fumaça de cigarro é o que mais incomoda em buatchys.  Além de queimaduras acidentais na pista, sempre brindam as bees com aquele cheirinho que costuma ficar até na cueca.
Acredito que a lei será mais rígida em lugares como buachys, e vale destacar que a criação de ambientes para um caretinha é imprescindível para o funcionamento de qualquer casa.  A reforma da Move já deve pensar em um lugarzinho!

Como fumante, espero que realmente as pessoas respeitem os espaços destinados ao fumo, e não desrespeitem as leis. Só não entendo um governo que não atende as demandas nas áreas de educação e saúde pública , mobilizar pessoal para fazer a “lei pegar”. Essas ações do governo pelo “politicamente saudável” beiram (?) a hipocrisia!

E ai viado! O que acha da nova lei? Vai pegar?