Transfobia em boate hétero


Antes de começar, o SELO LUANA DA LAPA! Porque esse texto tá pedindo por ele!

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Uma boate capixaba “de elite”, famosa em 2009 por não deixar “gente feia” entrar, agora resolveu cagar mais uma regrinha e dizer que mulher trans não é mulher.

Vamos vomitar comigo?

Semana passada, saí com um grupo de amig@s para uma noite em conceituada casa noturna de Vitória. A noite que tinha tudo para ser deliciosa tornou-se uma das maiores crueldades explícitas que já vivenciei na vida.

Ainda na fila para entrada no referido estabelecimento, uma PESSOA muito querida que, além de ser minha amiga, é trans, começou a sofrer diante do preconceito socialmente instituído.

Em filas separadas por gênero, homens e mulheres são revistad@s por seguranças de seu mesmo sexo antes de adentrar a casa, com exceção de “Estrela” (nome fictício), que foi encarada por seguranças femininos e masculinos que negaram-se a revistá-la. Desconsideramos a situação e dirigimo-nos ao caixa para fins de cadastro das comandas de consumo.

Ao checar o RG de “Estrela”, o funcionário pontuou que ela deveria estar na outra fila, juntamente com os homens e que o valor de sua entrada seria Y, pois o valor X era referente às entradas femininas. Mesmo tomada por constrangimento e insegurança frente à essa abordagem que chamou a atenção do público presente, , aquela mulher alta, bonita, sensual, elegante e cheia de brilho afirmou bravamente a sua feminilidade. Para nosso espanto, um funcionário do estabelecimento defendeu vorazmente a conduta, alegando que não era possível saber se “Estrela” era homem ou mulher.

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PERGUNTAR a ela resolveria o “dilema”

Completamente violentada e humilhada, minha amiga pôs-se a chorar.
Pois bem, minha paciência juntamente com minha cota de educação dispensada ao caso chegaram ao limite. Eu esbravejava, gritava, chorava, mas poucas pessoas me ouviam enquanto eu era ameaçada de ser retirada do local juntamente com “meu amiguinho”. Foi então que “Estrela” reuniu todas as suas forças e, num ato corajoso, começou a despir-se a fim de provar a feminilidade que lhe foi exigida para que ocupasse aquele lugar em que estávamos. Imediatamente, os funcionários retiraram suas palavras e permitiram a nossa entrada.

Ainda que a noite já tivesse se tornado um pesadelo, minha amiga insistiu em exercer o seu direito de ir e vir e adentrou a casa. Temendo evitar um desconforto ainda maior à “Estrela”, a acompanhei por alguns minutos, poucos mas suficientes para sentirmos nos olhares de reprovação e desperezo lançados por uma gente insensível e egoísta, o amargo sabor do crime socialmente legitimado e naturalizado.

Tristíssimo relato, mas atitude super corajosa de “Estrela” em se despir para bater o pé pela sua feminilidade.

Gente, se vocês passarem por uma situação parecida, não briguem, não discutam, apenas liguem pra polícia. Eu sei que os policiais não vão fazer nada, mas os jornalistas da TV Gazeta e da TV Vitória AMAM uma matéria desse teor e com certeza vão aparecer na hora.

Você vai receber suas desculpas em rede local e ainda por cima vai boicotar a casa noturna, que pra mim já deveria ter sido fechada HÁ MUITO TEMPO devido a essas práticas discriminatórias.

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Ligue!

Curiosamente, pelo que eu lembre, na última vez que fui lá uma das promoters era trans. Estranho ela não ter se manifestado. Prefiro pensar que ela não viu nada em vez de deduzir que temos mais uma amoladora de facas por aí.

BOMBA: Homofobia no Gallegão!


Bafo, bafo, bafo! Informação quentíssima de um leitor do blog.

Na última madrugada algumas pessoas estavam sentadas no Gallegão, em Coqueiral de Itaparica, por volta das 4 da manhã.

De repente, passou um carro lotado de pessoas que, enquanto gritavam ofensas de cunho homofóbico, jogaram vários ovos nas bee’s que estavam comendo na lanchonete.

740F3D7356FC40FAA0817B59574A7B76Lamentável! E é interessante que ao mesmo tempo que recebia a informação discutia com um comentador do blog NESTE post, no qual ele dizia que nós temos os mesmos direitos dos héteros.

E agora, senhor comentador Peterson, você acha mesmo que um grupo de jovens sairia das suas casas às 4 da manhã, com uma dúzia de ovos para jogar em pessoas desconhecidas, se aquela lanchonete não fosse famosa por ser frequentada somente por homossexuais?

Se sim, por que eles não jogaram em nenhuma das outras inúmeras barraquinhas de cachorro-quente que existem naquela rua?  Por que escolheram justo a frequentada pelos gays? Cadê a igualdade sobre a qual você tanto fala?

Crimes de ódio contra a sexualidade são esfregados na nossa cara todos os dias, só não vê quem se finge de cego.

Quando um lado da balança pende...

Quando um lado da balança pende…

A lei realmente é para todos, em teoria temos sim os mesmos direitos, mas de nada adianta termos os direitos no papel se eles nos são negados na prática, uma lei só passa a existir quando é respeitada pela sociedade como um todo.

Um gay ou um hétero que são agredidos são amparados igualmente pela lei, entretanto, o que justifica a falta de direitos não é a agressão, mas o que impulsiona essa agressão.

Enquanto esse hétero seria agredido por um motivo plausível, seja uma briga ou uma discussão, um gay é agredido simplesmente por ser o que é. Nesse caso, os meus direitos à liberdade de expressão e o de ir e vir me são negados, porque existem as leis, mas toda a sociedade as ignora e me agride.

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Pra ontem!

É o mesmo que não ter direito nenhum. Daí a necessidade de uma lei voltada para a criminalização de crimes como esse, assim como foi feito com o racismo.

Essa lei não fez as pessoas deixarem de ser racistas, mas lembrou a elas que a expressão desse sentimento limita a liberdade de expressão do outro, e isso não deve ser tolerado numa sociedade igualitária.

A liberdade de expressão não deve resvalar nos direitos fundamentais do cidadão e na dignidade humana.

1312_1Se um grupo não é tratado pela sociedade do mesmo modo que ela trata a si mesma no geral, esse grupo precisa ser amparado de maneira diferenciada também pela justiça, nossas leis são o reflexo da população, não o contrário.

Apenas:

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