Senta que a Boióloga vai falar!


Recebi e-mails, telefonemas, torpedos e até sinais de fumaça para comentar sobre a gafe postada no Século Diário pelo autor que se intitula ‘doutor’ Nazar.

O texto fala sobre uma mulher indignada porque descobriu que seu marido contraiu HIV, até aí tudo bem, qualquer uma ficaria poota na paulista. Mas, diante do pedido de ajuda, cata o que o tal doutor respondeu:

“[…]Não sei se você sabe realmente da vida sexual de seu marido fora de casa. Será que ele sai mesmo com outras mulheres? Isto é uma verdade, ou não seria apenas uma suposição sua para encobrir alguma coisa que você não quer ver, algo que possa lhe constranger? Por que você acredita que ele se infectou com mulheres? E se foi com homens? Você deve levar em conta esta possibilidade. Isto porque, o grande canal deste tipo de infecção é sangue com sangue e esperma com sangue, e a probabilidade de um homem ser infectado por uma mulher é rara, mínima. O homem, sim, infecta uma mulher muito mais facilmente.

Use o raciocínio lógico. A grande maioria de homens casados que se infectam com o vírus da Aids tiveram relações homossexuais passivas pela via anal. É muito difícil uma família admitir um fato como este. O imaginário social presta um grande beneficio para todos neste caso. Pelo simples fato de serem casados eles acreditam que podem passar a idéia de terem sido infetados por uma mulher. A probabilidade é menor. Acredito que seu marido é gay, certamente ele teve relações com homens. E não há que se ter vergonha desta situação. Acredito que seria indicado um bom tratamento analítico para ele, talvez ele seja mais humano nesta sua posição gay, menos rígido. […]”

De fato o doutor fez a linha “Dourado do BBB” ao afirmar que a probabilidade é mínima, quase nula. E isso não é verdade. Apesar da probabilidade do passivo (seja homem ou mulher, afinal, hétero também faz sexo anal) ser infectado pelo HIV ser muito maior, devido a maior laceração do tecido com o atrito, e consequentemente, maior quantidade de microlesões, tanto no pênis quanto no ânus, o ativo também têm boas chances de se contaminar.

A vagina possui maior lubrificação e maior resistência ao atrito, afinal, é a sua função abrigar o pênis durante o sexo, por esse motivo, é menos susceptível a infecções de contaminação via transfusão sanguínea. Bem como o pênis, que possui a pele também preparada para suportar o atrito.

O ânus possui lubrificação natural, mas apenas interna e escassa, afinal, as fezes já vêm lubrificadas do intestino. Ou seja, ele é menos preparado para receber tais agressões, logo, mais propício permitir a troca sanguínea entre o ativo e o passivo, uma vez que o pênis também se “machuca”, tanto com a maior dificuldade na penetração, a menor lubrificação interna em relação à vagina e ao diâmetro do canal retal, menor que o canal vaginal.

Ou seja, o doutor não foi homofóbico, apenas extremista, e na ciência tudo é passível de correção. O autor está certo ao falar que a grande maioria dos HOMENS CASADOS se infectam dessa maneira. Ele especificou o grupo a fim de evitar erros de interpretação, afinal, as estatísticas comprovam que atualmente, na população total, o número de infectados é muito maior entre heterossexuais jovens.

O comentário infeliz do doutor foi o de dizer que “certamente” o marido adúltero é gay, e isso não é benquisto pela comunidade científica. Uma probabilidade, por mais que esteja 99% correta, NÃO deve determinar um diagnóstico.

Outro péssimo comentário foi o de afimar que o marido adúltero tem AIDS, e isso não está claro na carta que a esposa mandou. Ter Aids é diferente de ter HIV, estar infectado não implica em ter os sintomas que caracterizam a doença. Ele como “doutor” deveria saber disso.

No fim das contas, para José Nazar só se transmite HIV via relação homossexual, mas tentou mascarar sua opinião inserindo uma probabilidade que pra ele mesmo nunca existiu. Que vergonha! Tem que ver isso aí, gente!  É por isso que cada vez mais o grupo homossexual deixa de ser “de risco” e mais pessoas “casadas/de bem” aparecem com a “sopa de letrinhas” no sangue. Lamentável o desserviço do site, colocando em xeque décadas de campanha de ministérios, secretarias e organizações de saúde.

Nós do BC estamos indignadas e já vamos enviar e-mails com a fúria de Marimar para a redação do site. Se quiserem fazer o mesmo, basta clicar AQUI (ou diretamente para faleconosco@seculodiario.com.br) e enviar sua bronca.

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