Inversão de valores ou fogo no koo?


Fotos-de-homens-bonitos-151Vejam que curioso, desde o início dos anos 2000 os homens gays começaram a se interessar pela cultura de culto ao corpo, à malhação e aderiram ao hábito de depilar o corpo a fim de deixar mais aparente os traços dos músculos.

Por esse motivo, desde então a depilação masculina se manteve ligada à homossexualidade, e à ideia de que homem que se depilasse não era “macho”.

Pois bem, recentemente a Gilette lançou uma campanha no youtube e no Facebook chamada “Quero ver raspar”, um trocadilho com o refrão da “música” Gangnam Style. Sim, aquela batida insuportável que não pára de tocar em toda festa hétero (porque se tocar isso em boate gay as beeshas quebram a taça de Chandão na mão e jogam os cacos de vidro no Dj)

O vídeo foi retirado do youtube, mas a campanha continua no Facebook, cata:

gillette

A campanha logicamente deixou o patriarcado se mordendo de ódio: “Como assim a mídia querer dizer como eu, o macho dominante, devo aparentar para pegar mulé?”

Rolou inclusive processo no Conar contra a Gillette. Dezenas de homens dizendo que pelos são símbolo de virilidade, que homem depilado não é homem de verdade.

Quero ver falar isso pro rapaz abaixo:

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Sobre isso, e antes de dizer o que eu penso, vamos ler um texto delicioso postado na página Machismo Nosso de Cada Dia (um pouco de cultura não vai te matar não, garáleo!):

“Ao primeiro sinal de imposição estética os caras já estão surtando, era de se esperar que olhassem para a situação das mulheres e conseguissem, enfim, ter alguma dimensão do que é ter seu corpo controlado e avaliado diariamente. Nos últimos anos a indústria da beleza tem avançado para deixar a outra metade do mundo complexada e, ainda que as mulheres sejam os principais alvos, essa campanha é pioneira em perseguir tão abertamente o corpo masculino.

Acho errado? Sem dúvidas, é sempre uma violência impor um modelo único de beleza, em qualquer circunstância. Mas me choca perceber que os mesmos caras que reclamaram da Gilette fazem questão de mulheres totalmente depiladas e ainda usam os argumentos escrotos sobre “higiene” (oi, vocês são imundos porque têm pelos?) ou reforçam que as mulheres devem permanecer reféns de um modelo de feminilidade asséptico.

Agora somos obrigadas a assistir a legítima defesa deles sobre o próprio corpo enquanto cagam pra luta feminista e querem mais é que as mulheres sejam obrigadas a se depilar, se maquiar, emagrecer e essa porra toda, em função da preferência deles.

Sério, galera? Mesmo sentindo na pele como é ter seu corpo ridicularizado e ser coagido a padronizá-lo, não rolou um paralelo? Uma mínima empatia? Será que eles conseguem imaginar o que é ser bombardeada por mensagens agressivas que escracham seu corpo diariamente, em TODOS os lugares?

E ainda vi várias mulheres defendendo os homens peludos, dizendo que gostam deles assim, mas ai delas se não comparecerem à tortura semanal de depilação. Ou mesmo as que curtem depilados, deixam claro que é uma escolha deles, “até gosto lisinho, mas não faço questão”, a autonomia dos caras sobre o próprio corpo permanece intocável, não se discute, a palavra final é deles – se não gostou, foda-se. Enquanto isso a gente fica aqui sentada, vendo a pop up de emagrecimento, o comercial da Veet, a campanha da Marisa, o cara do lado dizendo que mulher tem que ser vaidosa, a dyke com pelo na perna sendo xingada no ônibus.”
Texto de Cely Couto

homem-mais-peludo-do-mundoEu vou mais além, já observaram a inversão de valores que estamos presenciando? Se ontem depilação estava ligada à homossexualidade e ao halterofilismo, hoje os gays remam contra a maré e a cada dia se observa mais homens assumindo os pelos e a barba.

E juntamente com esses gays, as mulheres heterossexuais iniciam aos poucos também uma inversão dos valores exigindo que os homens agora passem a se depilar. Por mais que ainda seja lamentável a pressão estética quanto à depilação feminina.

1268661431__homem51223Resta saber uma coisa: Seja no caso dos héteros ou no nosso caso, essa inversão tem a intenção de democratizar os padrões de beleza da modernidade, ou no final das contas nós estamos fazendo a mesma coisa que fizemos antes, apenas sob um enfoque diferente?

Estariam os gays mais à frente ao aceitarem agora também o padrão bear de beleza, e os héteros mais atrasados cometendo o erro que cometemos lá no início dos anos 2000?

Afinal, eles começaram depois de nós a exigir dos homens um corpo sarado, antes disso homem em academia era invariavelmente viado, porque “viado que liga pra corpo, mulher gosta é de dinheiro”.

O que vocês acham?