Escola de Vila Velha promove oficina em respeito aos gêneros


Para incentivar o respeito à diferença de gêneros, a Escola Estadual Silvio Rocio, em Vila Velha, desenvolveu a “Oficina Questão de Gênero”. O projeto conta com a participação de alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental. A atividade foi realizada por meio do projeto Coordenadores de Pais.

A ideia surgiu da necessidade de promover uma maior integração entre os estudantes. Durante um mês, aproximadamente, eles realizaram diversas atividades conjuntas em sala de aula, com o objetivo de levar os participantes a entender como lidar com o outro.

A coordenadora de pais da escola, Oneida de Souza, que é uma das organizadoras do projeto, explica a importância de ações como esta para a formação dos estudantes. “A nossa ideia é fazer que os alunos saibam que existem igualdades e diferenças entre os gêneros e respeitá-los, não só dentro como fora escola. É fazer com que eles vejam que são capazes de ser melhores”, conta.

Para encerrar os trabalhos, no dia 14 de junho vai acontecer um evento onde serão exibidos os trabalhos desenvolvidos pelos estudantes. A apresentação será aberta à comunidade e os pais poderão ver as atividades que os filhos realizaram em sala de aula.

A coordenadora destaca o papel do diálogo entre pais e escola. “Quando os filhos são estimulados e os pais participam, os alunos conseguem enxergar a importância da escola e o desenvolvimento é muito melhor”, finaliza.

Implantado em 2012 em 15 escolas da região do Programa Estado Presente, o projeto Coordenadores de Pais conseguiu bons resultados em todos os quesitos. Dos alunos atendidos, 711 (61%) melhoraram o comportamento, 634 (55%) tiveram melhor desempenho escolar, 1.022 (69%) reduziram as faltas e 356 (46%) que estavam vulneráveis à evasão retomaram os estudos. Em 2013, o projeto chega a todas as escolas da região, totalizando 32 unidades de ensino atendidas.

O projeto é uma ação realizada em parceria com a Fundação Itaú Social e conta com o apoio da Fucape e Movimento Espírito Santo em Ação (ES em Ação). O projeto segue a experiência que foi desenvolvida pela Fundação na Zona Leste de São Paulo. Inspirado na Reforma Educacional de Nova Iorque (EUA), cada unidade de ensino conta com um coordenador de pais. Esses coordenadores, que geralmente são moradores da comunidade em que se encontra a instituição de ensino, são indicados pela direção da escola para atuar no “relacionamento escola-família”.

Fonte: Fórum Estadual LGBT-ES

Qualificação Profissional para LGBTs em Cariacica



A Coordenação de Políticas de Promoção da Diversidade Sexual de Cariacica situada na Secretaria Municipal de Cidadania e Trabalho, vem discutido internamente a qualificação profissional para LGBTs, tendo como prioridade qualificar travestis, transexuais, gays afeminados e lesbicas masculinizadas, por comporem a parte mais discriminada e afastada dos equipamentos públicos da sigla LGBT.

Alguns pontos ainda precisam ser discutidos, entretanto, a partir de hoje, a coordenação fará um pré cadastramento para os cursos a fim de articular uma primeira turma específica, de acordo com a vocação das pessoas inscritas.

As modalidades de cursos são variáveis: de recurso próprio, de convênio, nos bairros, na Prefeitura, para beneficiários do Bolsa Família, para os munícipes e/ou para Grande Vitória. Para participar do pré cadastro é necessário enviar nome completo/nome social, endereço completo, telefone de contato e identidade sexual para o e-mail: diversidadesexual.cariacica@gmail.com.

Os cursos são:

Almoxarife
Armador de Ferragem
Arquivista
Assistente de Logística
Atendente de balcão de Farmácia
Atendente de Consultório Médico e Odontológico
Auxiliar Administrativo
Auxiliar de Serviços Gerais
Bombeiro Hidráulico
Cabeleireiro
Captação de Passageiros
Carpinteiro de Fôrma
Confeiteira
Confeiteiro
Conferente de Cargas
Corte e Costura
Corte e Costura Industrial
Corte e Escova
Costureira
Cozinheira
Cozinheiro
Depilação
Digitador
Eletricista instalador industrial
Eletricista predial
Emissão de Notas Fiscais
Estética Corporal
Estética Facial
Fotografia
Gesseiro
Hardware
Informática Avançada
Informática Básica
Manicure
Manutenção de Computadores
Mestre de Obras
Montador de Andaimes
Montador de Móveis
MOPP
Noções Administrativas
Operador de Betoneira
Operador de Caixa
Operador de Empilhadeira
Operador de Guincho Munck
Operador de Guindaste
Operador de Pá Carregadeira
Operador de Ponte Rolante
Operador de Retro Escavadeira
Padeiro
Pedicure
Pedreiro de Acabamento Azulejista
Pedreiro de Alvenaria
Penteado Afro
Pintor de Obras
Pintura
Rotinas Administrativas e Contábeis
Salgadeira
Salgadeiro
Soldador a arco com eletrodo revestido
Técnicas de Venda
Telemarketing
Cuidador de Crianças e Idosos

Drauzio Varella: A violência contra homossexuais


O seguinte artigo de Drauzio Varella foi publicado na sua coluna da “Ilustrada”, da Folha de São Paulo.

A homossexualidade é uma ilha cercada de ignorância por todos os lados. Nesse sentido, não existe aspecto do comportamento humano que se lhe compare. Não há descrição de civilização alguma, de qualquer época, que não faça referência à existência de mulheres e homens homossexuais. Apesar dessa constatação, ainda hoje esse tipo de comportamento é chamado de antinatural.

Os que assim o julgam partem do princípio de que a natureza (ou Deus) criou órgãos sexuais para que os seres humanos procriassem; portanto, qualquer relacionamento que não envolva pênis e vagina vai contra ela (ou Ele). Se partirmos de princípio tão frágil, como justificar a prática de sexo anal entre heterossexuais? E o sexo oral? E o beijo na boca? Deus não teria criado a boca para comer e a língua para articular palavras?

Se a homossexualidade fosse apenas perversão humana, não seria encontrada em outros animais. Desde o início do século 20, no entanto, ela tem sido descrita em grande variedade de espécies de invertebrados e em vertebrados, como répteis, pássaros e mamíferos.

Em virtualmente todas as espécies de pássaros, em alguma fase da vida, ocorrem interações homossexuais que envolvem contato genital, que, pelo menos entre os machos, ocasionalmente terminam em orgasmo e ejaculação.

Comportamento homossexual envolvendo fêmeas e machos foi documentado em pelo menos 71 espécies de mamíferos, incluindo ratos, camundongos, hamsters, cobaias, coelhos, porcos-espinhos, cães, gatos, cabritos, gado, porcos, antílopes, carneiros, macacos e até leões, os reis da selva.

Relacionamento homossexual entre primatas não humanos está fartamente documentado na literatura científica. Já em 1914, Hamilton publicou no Journal of Animal Behaviour um estudo sobre as tendências sexuais em macacos e babuínos, no qual descreveu intercursos com contato vaginal entre as fêmeas e penetração anal entre machos dessas espécies. Em 1917, Kempf relatou observações semelhantes.

Masturbação mútua e penetração anal fazem parte do repertório sexual de todos os primatas não humanos já estudados, inclusive bonobos e chimpanzés, nossos parentes mais próximos. Considerar contra a natureza as práticas homossexuais da espécie humana é ignorar todo o conhecimento adquirido pelos etologistas em mais de um século de pesquisas rigorosas.

Os que se sentem pessoalmente ofendidos pela simples existência de homossexuais talvez imaginem que eles escolheram pertencer a essa minoria por capricho individual. Quer dizer, num belo dia pensaram: eu poderia ser heterossexual, mas como sou sem vergonha prefiro me relacionar com pessoas do mesmo sexo.

Não sejamos ridículos; quem escolheria a homossexualidade se pudesse ser como a maioria dominante? Se a vida já é dura para os heterossexuais, imagine para os outros. A sexualidade não admite opções, simplesmente é. Podemos controlar nosso comportamento; o desejo, jamais. O desejo brota da alma humana, indomável como a água que despenca da cachoeira.

Mais antiga do que a roda, a homossexualidade é tão legítima e inevitável quanto a heterossexualidade. Reprimi-la é ato de violência que deve ser punido de forma exemplar, como alguns países fazem com o racismo. Os que se sentem ultrajados pela presença de homossexuais na vizinhança, que procurem dentro das próprias inclinações sexuais as razões para justificar o ultraje. Ao contrário dos conturbados e inseguros, mulheres e homens em paz com a sexualidade pessoal costumam aceitar a alheia com respeito e naturalidade.

Negar a pessoas do mesmo sexo permissão para viverem em uniões estáveis com os mesmos direitos das uniões heterossexuais é uma imposição abusiva que vai contra os princípios mais elementares de justiça social. Os pastores de almas que se opõem ao casamento entre homossexuais têm o direito de recomendar a seus rebanhos que não o façam, mas não podem ser fascistas a ponto de pretender impor sua vontade aos que não pensam como eles.

Afinal, caro leitor, a menos que seus dias sejam atormentados por fantasias sexuais inconfessáveis, que diferença faz se a colega de escritório é apaixonada por uma mulher? Se o vizinho dorme com outro homem? Se, ao morrer, o apartamento dele será herdado por um sobrinho ou pelo companheiro com quem viveu trinta anos?