Meu amigo hétero


"Rhum, não tanto, brother"

Uma das relações de amizade mais complicadas é entre indíviduos homossexuais (em especial assumidos) e heterossexuais. Há uma desconfiança mútua: os gays temem a reprovação e a violência física e verbal e os héteros temem ser associados a homossexualidade, desejados e até abusados. Mas pouco-a-pouco essas barreiras vão sendo quebradas e como atores da história temos que contribuir para isso. Por exemplo, se seu amigo diz que é hétero não adianta a senhora ficar fazendo a uó e investindo pau-no-cuzamente o tempo todo. Se ele é hétero ele não te deseja e não vai passar magicamente a te desejar, seu edí, ao contrário do que você pensa, não tem este poder. Você gosta quando aquela sua amiga rachinha fala que você só é gay porque não comeu a boceta dela ainda?! Então, é a mesma coisa. Temos que aceitar a heterossexualidade de nossos amigos. Sei, é díficil, mas pra ele também é dificil aceitar a sua. Isso é respeito a diversidade, entende? É uma via de mão dupla, tem que vir de ambos os lados. Mas a questão da sexualidade também não precisa ser um tabu…

"Que foi, brow?!"

Eu tive a sorte de ter um grande amigo hétero homem na fase adulta. Aliás, por incrível que pareça, foi ele quem me “tirou do armário”. “Pô, cara, se você for gay, pode falar, não tem problema, vai continuar tudo igual entre nós”, ele disse, e eu me assumi pela primeira vez. Ele ouvia minhas histórias homoeróticas, fazia aquela cara de nojinho e sempre me aconselhava.

Eu fazia o mesmo com os casos de racha dele. Havia uma naturalidade no tratar da intimidade, na auto-revelação, assim como deve ser toda relação de amizade. Mesmo sabendo de minha homossexualidade me chamava pra dormir na casa dele, os pais dele também sabiam de mim e me aceitavam numa boa. Ele sem se importar ficava semi-nu na minha frente e dormíamos no mesmo quarto em camas lado a lado. A tentação vinha, claro. Eu olhava pro lado e via as formas do corpo masculino, os pêlos e me excitava, porém sempre respeitei a orientação sexual dele. Era como uma paga pela mesma aceitação que ele tinha por mim, como eu disse mais acima que deve ser.

Hoje nos afastamos, pois ele se casou. E adivinha quem foi o padrinho de casamento dele?

"Meu amigo gay!"

Mesmo sendo evangélico (adventista) fez questão que eu entrasse na igreja! No convite do casamento constavam meu nome e de meu companheiro, me senti bastante feliz com essa valorização pública da minha relação e fiz um pensamnto positivo para que num futuro próximo o mundo todo seja assim. E se eu tivesse ficado o atacando e o assediando seria da mesma forma? Respeitemos para sermos respeitados. Cata eu fazendo a conselheira!