UTILIDADE PÚBLICA: Tudo que você precisa saber sobre DST’s


Há muito tempo os leitores vêm me cobrando um guia sobre as doenças sexualmente transmissíveis, formas de contágio e onde deve-se ir para fazer os exames. Por isso, resolvi postar esse tutorial completo com as principais DST’s, baseado nas minhas apostilas do Medcurso (bem conceituado no Brasil inteiro).

Todo o conteúdo da postagem é uma transcrição pessoal dessas apostilas, a fim de que as informações fiquem claras para as bee’s de todas as escolaridades e áreas do conhecimento.

Vamos começar:

Herpes Simples e Herpes Genital

As herpes envolvidas no contato íntimo são causadas por vírus chamados Herpes Vírus Humanos (HHV), sendo os Herpes Vírus Simples responsáveis pelas infestações no rosto, tronco (HSV-1) e genitália (HSV-2).

O HSV-1 se dá por contato pessoal (próximo ou íntimo) e cerca de 70% dos adultos são soropositivos para esse vírus. Já o HSV-2 é transmitido via relação sexual e cerca de 25% dos adultos possuem o vírus, porém, os contamidos podem transmití-lo MESMO quando não apresentam os sintomas.

Apesar do HSV-1 e HSV-2 possuírem modos de infecção próprios, o sexo oral desprotegido é uma das principais causas de contaminação da boca com o Herpes Genital e dos genitais com o Herpes Simples.

Os sintomas todo mundo já conhece: Lesões purulentas nas regiões dos lábios, cabeça do pênis e grandes lábios da vagina. O tratamento consiste no uso de Aciclovir, Fanciclovir ou Valaciclovir, até o fim da atividade reprodutiva do vírus. Vale lembrar que não é possível a eliminação total do vírus no sangue,  somente a redução da sua carga viral.

HPV (Papilomavírus Humano)

O HPV é o vírus responsável pelas verrugas comuns, pelo Condiloma Acuminado (Crista-de-galo), entre outras doenças, como o Carcinoma de colo de útero, vagina, ânus ou pênis. A transmissão do HPV que causa o Condiloma é sexual, mas também existem casos de pessoas infectadas pelo uso coletivo de saunas, compartilhamento de toalhas, roupas íntimas e, é claro, pelo sexo oral.

80% dos adultos sexualmente ativos são portadores do vírus e este é altamente contagioso: 2 a cada 3 parceiros sexuais adquirem o vírus do portador. A camisinha NÃO PROTEGE o parceiro e o portador pode transmitir o vírus mesmo quando não apresenta os sintomas (verrugas genitais ou anais). Ou seja, a única maneira de evitar o contágio é pela redução do número de parceiros sexuais.

O tratamento das verrugas consiste na aplicação de Ácido acético (para identificação), com posterior crioterapia, eletroabrasão, entre outros. Além disso, o paciente deve proceder com o uso de Podofilox ou Ácido Tricloroacético até o desaparecimento das lesões ou redução da carga viral. A eliminação do vírus do sangue, assim como no caso anterior, não é possível, e as verrugas podem reaparecer mesmo sem o contato sexual.

Candidíase

É caracterizada pela infestação do fungo Candida albicans, podendo infectar a região vaginal e oral, incluindo esôfago e brônquios. O tratamento é relativamente simples, com higiene com bicarbonato e administração de Nistadina ou Fluconazol.

Sífilis e Gonorreia

São doenças bacterianas pouco comuns nos dias atuais, não vou me ater aos sintomas (você vai correr pro médico se tiver hahaha).

HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana)

Muito se teme o HIV, mas pouco se sabe dos motivos. O HIV é assim chamado por afetar os linfócitos T CD4+, tá, mas e daí, Max?

Os linfócitos T fazem parte do grupo de células sanguíneas especializadas na resposta imunológica do corpo (“glóbulos brancos”), e o línfócito T, especificamente, é como se fosse o “alarme” desse corpo. É ele quem avisa aos outros defensores que existe um invasor no organismo.

Esses linfócitos têm um receptor na sua membrana celular, chamado CD4, daí seu nome linfócito T CD4+, sendo “+” de positivo para a presença do receptor CD4, e é exatamente ali que o HIV se liga para infectar a célula. O vírus usa os linfócitos como “incubadora” e impede que ele coloque em prática a sua função imunológica de avisar o corpo sobre a invasão.

É por isso que ninguém morre de “Aids” (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, é a doença desenvolvida após a dominação do organismo pelo vírus), mas sim das inúmeras doenças infecciosas que o soropositivo pode adquirir se mantiver sua carga viral alta por muitos anos, já que quando microorganismos entram no corpo, este é incapaz de identificá-los.

A carga viral de um soropositivo infectado há muitos anos, mesmo sem tratamento, é menor que a do recém-infectado, isto é, sendo a fase inicial “sem sintomas” a ideia de que  o vírus ‘não tem cara’ se percebe ainda mais correta.

Mas como se pega?

Transmite-se pelo contato sexual, compartilhamento de seringas, transmissão na hora do parto, acidentes com objetos cortantes ou transfusão sanguínea.

No contato sexual as chances do passivo pegar são 8 vezes maiores que a do ativo se infectar. Em porcentagem, a chance do passivo contrair o vírus é de cerca de 3%, contra 0,025% para o ativo. E isso é a cada relação sexual desprotegida, se você tem o hábito de fazer sexo desprotegido com muitos parceiros, mais vezes ficará exposto a essa roleta russa.

Com o sexo anal o risco é maior (3% contra 0,2% do vaginal), pelos seguintes motivos:

  • Apenas uma fina camada de mucosa retal separa o sêmen das células que residem na mucosa ou abaixo dela (isso se intensifica com a presença do esperma dentro do corpo por muitas horas);
  • Devido a maior sensibilidade e menor calibre do ânus em relação à vagina, as chances de microlesões são maiores, permitindo uma transfusão direta de sangue (esse risco se agrava com o uso de saliva como lubrificante ou a falta de qualquer lubrificação);
  • Úlceras, lesões, fist fucking, uso de objetos ou a própria “chuca” poucos minutos antes da relação sexual podem aumentar as chances de infecção.

E o sexo oral, Max?

O sexo oral também pode transmitir HIV para quem o faz, seja por meio de contato da mucosa bucal lesionada (aftas, escovação violenta, entre outras) com os fluidos genitais contaminados, ou pela transfusão de sangue através de lesões na boca e no pênis/vagina do parceiro. Isso também vale para as lésbicas, que fazem o uso dos dedos e da boca nas relações sexuais, a unha, mesmo curta, pode lesionar a mucosa vaginal e deixar exposto sangue contaminado, sem contar os fluidos vaginais que, como nós sabemos, são bem mais abundantes em relação aos penianos (já foram relatados casos de casais lésbicos com transmissão viral).

Entretanto, as chances de se pegar HIV com sexo oral são pequenas, de 120 entrevistados numa pesquisa, apenas 4 determinaram o sexo oral como única forma de contaminação. As chances caem em 80%. Só que, é importante lembrar que prevenção nunca é demais, eu mesmo até os meus 20 anos não fazia o uso de preservativo no sexo oral, até o dia que soube do caso de uma moça que só tinha esse tipo de relação com o namorado, e se contaminou.

Mesmo que eu não fizesse sexo anal desprotegido (em hipótese alguma), e fizesse exames a cada 6 meses, o risco sempre existiu. De dois anos pra cá, a minha entrada no Babado Certo contribuiu para a redução do número dos meus parceiros sexuais (medo de ficar mais mal-falada do que já sou, né, bee?) e para a maior seleção deles, o que ajudou muito na minha mudança de hábitos. Quem é esperta sabe que nos ‘BCG’s” quando digo que “fiz o boy” nem sempre estou me referindo a sexo.

Se você fez sexo desprotegido com um soropositivo, aconselha-se que o processo anti-retroviral (anti-HIV) seja iniciado em até 72 horas após o ato, com administração de AZT e 3TC, o Biovir, para impedir que o vírus se encaixe nos linfócitos. Acontece que nem todo mundo sabe que tem o vírus, tem aqueles que sabem e não contam, ou até mesmo casos de abuso sexual podem expor as pessoas ao HIV, por isso, não vá sair por aí tomando coquetel anti-HIV depois de cada noitada, isso pode trazer sérios danos ao seu organismo. O melhor remédio ainda é a prevenção… ou pedir o exame de todos os peguetes.

p.s.: Você pode ouvir falar do HIV-2. Esse vírus é uma variação do HIV e apareceu pouquíssimas vezes no país, mas é altamente resistente aos coquetéis modernos, portanto, a preocupação deve ser dobrada!

Segue abaixo os principais locais em Vitorinha onde fazem esses exames e oferecem tratamento gratuitamente:

Para exames:

Hospital das Clínicas (HUCAM)

Av. Marechal Campos nº 1355, Santos Dumont – Vitória – ES

Telefone: 3335-7222

Mapa:

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Para tratamentos:

Centro de referência DST/Aids 

Endereço: Rua Caramuru, 10, Centro (próximo à Unidade de Saúde de Vitória)
Telefones: 3132-5108 e 3132-5106 (palestras de educação)
E-mail: dst.aids@vitoria.es.gov.br

Horário de funcionamento: segunda a sexta, das 7 às 20 horas.

Horário para a realização de exames: segunda a sexta, das 7 às 19 horas

Cata o mapinha:

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