O que você não gosta de ouvir?


Tem coisas que a gente ouve que dá vontade de dar uma salva de palmas para a pessoa, uma salva de palmas bem no meio da cara para parar de falar merda.

“Gosto de gay, não de viad…” *TAPA*

O repórter da Uol James Comino foi à Avenida Paulista ouvir os viados e fez um vídeo para saber quais são as frases clichês que eles não gostam de ouvir. Entre elas estão as nojentas “você é gay porque não encontrou a mulher certa”, “Quem é o homem e quem é a mulher da relação?” e “Você é gay, mas é legal”. Veja:

Clique para assistir!

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Eu pessoalmente detesto quando usam expressões do tipo “vocês gays”, ou pior ainda “pessoas como vocês” ou apenas “vocês”, mesmo que seja para elogiar, para dizer que ama. Acho bizarro essa ideia de que os gays sejam um todo, ou que sejamos iguais, ou mesmo parecidos uns com os outros além do simples fato de desejarmos pessoas do mesmo sexo (e olha que mesmo esse desejo varia muitíssimo).

E você, qual frase/expressão te irrita mais?

Androginofobia?


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Estou em Vitória desde domingo, vocês devem ter percebido pela minha presença nos comentários. Não postei nada ainda, mas tenho uma boa razão pra isso.

androginia 5Acho que nunca peguei para falar desse assunto aqui no site. Provavelmente porque sempre achei que não interessaria a ninguém, uma vez que é um assunto que envolve um grupo tão pequeno de pessoas que poucos leitores se disporiam a ler sobre.

Mas recentemente estive conversando com uma grande fã do site e ela me sugeriu falar desse tema, pra ajudar esse grupo que, mesmo pequeno, precisa saber que existe gente boa por aí que não nos vê apenas como aberrações de gênero.

Só que vocês devem estar se perguntando:

Por que só agora, depois de 4 anos de blog, Max resolveu falar do que ele tem de mais marcante?

Justifico com a minha viagem a BH que fiz nessa sexta-feira. Como disse NESSE post, não vou mais postar os Babados, confusões & gritarias, e não vou mesmo. Só que dessa viagem eu preciso selecionar uma coisinha pra discutir com vocês.

androginia 3Não tenho essa aparência à toa, e muito menos forço para construí-la. Tenho um probleminha na minha gônada chamado hipogonadismo (você pode clicar aqui pra ler mais) e, por esse motivo, produzo metade da quantidade normal de testosterona de um homem adulto. Daí, não desenvolvi totalmente as características sexuais secundárias masculinas.

Voltando a falar sobre a viagem…

Como estava bem longe da minha cidade, resolvi fazer uma coisa que sempre tive vontade, mas nunca tive coragem: vestir um short pra sair na noite!

Só isso?

Só isso?

androginia 4Hahahaha, calma! Não me julguem ainda! Eu sempre morri de vergonha de vestir shorts, minhas pernas são muito brancas e morro de medo de me desviar da androginia, pelo medo do preconceito e também porque não me identifico como trans. Então, se o máximo que posso chegar é na imagem de uma sapa masculina, tento me manter assim.

Acontece que onde eu ia recebia elogios, inclusive dos meus colegas de sala que viajaram comigo. Desde a padaria onde fui comprar uma cerveja pra começar a esquentar, até os cachaceiros do bar que, mesmo de forma vulgar, não viam a minha imagem como algo ruim.

Entretanto, quando cheguei em Vitória dei de cara com esse comentário na caixa de spam:

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Eu, enquanto sou criticada:

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androginia 2Esqueça a parte que ela viaja na maionese e fala em me processar porque comentei sobre a boate nova que vai abrir em Vila Velha (que amanhã vou postar mais informações quentíssimas) e se foquem no “SER INDEFINIDO” que ela usou pra me categorizar.

De todos os ambientes que já frequentei, e por ambiente você pode incluir até mesmo puteiros, os únicos nos quais sofri preconceito quanto a minha aparência foram nos meios GLS.

androginia 1Por alguma razão, que eu não sei qual é, a maioria dos gays afeminados tem o mais absoluto ódio de andróginos. Digo gays afeminados porque somente sofri esse tipo de preconceito de um único gay masculinizado, que depois fiquei sabendo que ele se arrependeu do que falou e disse aquilo porque era encubado e eu representava a liberdade que ele queria ter, mas não podia (foi perdoado).

E eu pergunto pra vocês, por que todo esse preconceito? Pra vocês terem noção, eu mal posso ter a auto-estima de valorizar a minha própria aparência sem ser criticado por essas pessoas, como se fosse um crime ideológico se sentir bonito tendo a aparência de ambos os gêneros.

De cara muitos podem pensar:

“Max, é lógico, tá muito claro que é recalque, principalmente porque advém de beeshas afeminadas que matariam pra ter sua aparência”

Não! Não podemos ser tão simplistas assim, até porque tem beesha afeminada bombada que ama ser bombada. Acho que isso vai muito mais além.

Tenho duas teorias, uma pensada por mim e outra pensada em conjunto com um amigo meu psicólogo, mas elas não são opostas.

A minha teoria, depois de tantos anos ouvindo críticas, é a de que o gay andrógino representa para esses gays preconceituosos a imagem que eles deveriam ter para que a pinta que eles dão fosse condizente com a aparência.

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Por exemplo, dificilmente sou ridicularizado em ambientes heteronormativos por ser feminino. Isso porque, para essas pessoas, espera-se que alguém com a minha aparência tenha um nível de feminilidade.

Aliás, sou ridicularizado sim quando tento masculinizar meus trejeitos.

Credo, Max, você falou que nem homem agora! Tomei até um susto!

androginia 7Em contrapartida, esses gays que são “apenas” afeminados sofrem muito mais que eu por serem afeminados, e a situação é ainda pior se eles são altos, fortes ou têm uma aparência bem masculina.

Enquanto essa galera é considerada caricata, vide Vera Verão, eu passo despercebido aos olhares machistas porque soa “natural” que alguém com o meu rosto e corpo não seja “macho”, mas não soa natural que um homem com corpo e cara de homem saia desmunhecando por aí.

E indo mais profundamente nesse babado, podemos perceber também um problema com a questão da “identidade” da bicha dentro do seu universo.

Assim como o gay desconstrói a ideia do homem normal e o homossexual desconstrói a lógica da heterossexualidade ser a norma… o andrógino desconstrói e INdefine a afeminada, porque ele vai além e quase toca na linha finíssima que separa a pintosa da transexual. Linha essa que elas lutam o tempo todo pra manter em pé, separando, definindo, categorizando.

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E se o “ser” se define a partir da negação do outro (eu sou isso porque não sou aquilo), o andrógino entra aí como um outro que “é e não é” e, portanto, não pode ser incluído nem execrado, daí tamanha confusão e rejeição.

O andrógino não se encaixa nos padrões estabelecidos e perturba a noção de identidade que demorou tanto tempo para ser construída. Por isso gera tanto transtorno.

Compreendem a lógica? O que pensam sobre esse tema?

Isso é coisa de viado


VEADO-NO-LAGO

O quê?!

Sei que prometi postar amanhã, mas não resisti!

No post anterior eu disse que ia usar o resultado da enquete para fazer esse post. Mas vocês são maravilhosas demais, e o resultado foi melhor do que eu esperava.

As opiniões foram diversas nos comentários, e eu adorei a divisão de pensamentos que se formou:

  • Por um lado, o time das “respeite para ser respeitado”. Afirmam que o rapaz não é gay, que só mostra o quanto o preconceito da sociedade também nos afeta. Preconceito esse que nos faz determinar a homossexualidade do outro sem nem mesmo saber se ele sente atração pelo mesmo sexo;
  • E o outro, o time da pinta. Afirmam que o rapaz é gay sim, porque se comporta da maneira típica que os gays atléticos se comportam: Egocêntricos, exibidos e vaidosos.

Agora, será mesmo que hoje em dia ter um comportamento típico de gay é suficiente para afirmar categoricamente que alguém é homossexual?

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man-purpleNós vivemos num momento histórico no qual a sociedade também cobra dos homens que se tenha boa aparência. Claro que não chega nem aos pés do peso que as mulheres devem carregar, mas ainda sim muito maior que no passado.

Por esse motivo, eu acho um retrocesso determinar a sexualidade de alguém se baseando nesses detalhes (salvo em caso de brincadeira ou de pegação em ambiente HT, óbvio).

precPorque fazendo isso estamos alimentando o mesmo separatismo dos homofóbicos, que nos colocam, e tudo aquilo relacionado a nós, como diferentes, alijados da sociedade padrão com o nosso comportamento transgressor.

Quando nós retaliamos esse comportamento num homem hétero, estamos indo de encontro a tudo que pregamos como ideal de sociedade: o fim do preconceito.

E o que é preconceito?

Se “pré” significa “antes”, a gente pode dizer que pré-conceituar é determinar um conceito ANTES de conhecer o que se classifica.

E isso inclui também elogios, como quando você conhece aquela beesha super gente boa e fala que seu santo bateu com o dela, isso é preconceito.

Qué dizê, se a gente julga os héteros quem somos nós para reclamar quando eles nos julgam?

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heteroEnquanto ser considerado gay ainda for interpretado como uma ofensa para um hétero, nunca vamos conseguir que eles nos respeitem se agirmos da maneira como agimos no post anterior.

Sempre que eles permitem uma abertura para uma relação mais fraternal nós somos os primeiros a apontar o dedo e desconfiar da sexualidade deles.

Sem contar as que alimentam uma paixão secreta pelo hétero só porque no jogo do Flamengo ele deu um abraço nela na hora do gol. E juram de pé junto que o abraço foi com segundas intenções.

Assim não dá! (em todos os sentidos que o “dar” pode adquirir nessa expressão).

Amiga da galera

Amiga da galera

Deveríamos, o quanto antes, aprender com as mulheres. Elas se tocam, falam sobre seus corpos, ficam nuas na frente umas das outras, se comparam e ali edificam uma relação muito mais livre que a nossa, que mal permitimos que um homem hétero seja vaidoso ao ponto de se deixar admirar por outro homem.

E esse separatismo existe até nos elogios! Se um homem é sensível com sua namorada, é viado. Se entende de moda, é viado. Se admira no espelho, é viado. Se manja rola no banheirão, é viado… OPA! Nesse caso é viado mesmo.

Se repara no que os outros vestem, é viado… NÃO!

Aprendam, de uma vez por todas: Coisa de viado é dar o cu, o resto é preconceito.

é a lei

p.s.: Dar o cu foi licença poética, todo mundo aqui sabe que ser homossexual se refere apenas a se atrair pelo mesmo sexo, ponto.

A homofobia do morro


Antes de começar a falar sobre um tema que está me afligindo há muito tempo, cata o vídeo abaixo:

Engula o seu recalque e só abra a sua boca quando a senhora fizer metade do que Thaisa Maravilha faz com o bum bumbum girando dela, beleza?

Mas não é sobre a dança delas que eu quero falar, é sobre a coragem que elas tiveram de gravar as cenas no meio da rua, com as pessoas passando.

Que eu sou pintosa todo mundo sabe, o que pouca gente sabe é que a linha pintosa que eu faço é diferente da caricatice habitual. Só tenho roupa preta, estou sempre sério e não tem um dia que não vá pra faculdade sem um livro numa mão e um cigarro na outra. Isso porque acho que para uma bee impor respeito um livro e um cigarro são elementos fundamentais.

Eu, séria

Eu, séria

respeitoEnquanto o cigarro dá um ar de transgressão típico de todo gay, o livro (de preferência uma literatura antiga com um título bem confuso) simboliza que você é consciente e bem-informada… por isso não vale 50 Tons de Cinza nem Harry Potter, tsá?

Mas e a bee de shortinho jeans, camiseta amarrada e cabelo colorido que você encontra na boate? Já parou para pensar no que ela passou até chegar naquele rock e te agraciar com a sua presença revolucionária?

blog-367-1_580Tenho várias delas adicionadas no meu Facebook, gosto de acompanhar a evolução do comportamento do gay mais moderno que eu, porque eu mesmo, sinto informá-las, estou velha. Não tenho mais aquela força para apanhar no Triângulo em dia de Copa do Mundo e sair no jornal dando bafão.

Esses dias fiz uma pesquisa de campo e, dentre as que moravam na periferia, a maioria disse sofrer menos preconceito “na comunidade”, que o preconceito começa mesmo quando elas chegam no centro urbano.

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Na Reversal Russa, o Bonde das Maravilhas julga você!

Fiquei pensando… será? Porque se você observar no vídeo, as pessoas que passam em volta realmente parecem tratar com uma naturalidade até assustadora a imagem das beeshas rebolando, e se arreganhando em posições ginecológicas.

E é comum que as gays moradoras da comunidade frequentem os bailes funks da sua região. Claro que sofrem preconceito, ouvem algumas piadas de mau-gosto (e quem não ouve?), mas são categóricas quando dizem que preferem ser chamadas de viadinho pelo boladão no baile que de pão-com-ovo pela bombada esnobe da boate.

E não venha dar uma santa não, tá? Porque os olhares de vocês são tão sinistros que muitas nem precisariam falar pra fazer uma novinha chorar.

Não me canso de repetir, se você se considera rica, “discreta”, “não afeminada”, “macha pra caralho”, dentre outros termos masculinistas, e por esse motivo acha que é superior a quem é o contrário disso, PARE JÁ!

Você acha que é assim:

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Mas a sociedade te enxerga assim:

Tudo viado, não importa o tamanho da barba

Tudo viado, não importa o tamanho da barba

Você só pode sair com seu namoradinho discreto como você, ser não-afeminado na orla da praia, enquanto anda de mão dada com seu brother, porque muita bichinha pão-com-uma-dúzia-de-ovos deu e dá a cara a tapa todos os dias pelos seus direitos.

macho!

Não que a sua luta seja menor, não estou dizendo isso, mas a gay da periferia leva a imagem da homossexualidade para os lugares de onde sairiam uma boa parte dos agressores que tentariam te bater na porta da sua boate de luxo, compreende?

Nem adianta dizer que ser discretona é a maneira mais fácil de ser aceito pela sociedade, NÃO! A visibilidade é a melhor e mais rápida forma da sociedade engolir que os gays (ou qualquer outro grupo marginalizado) existem e devem ser respeitados, sem que pra isso tenham de se fantasiar de héteros.

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Excuse me!

o_bom_crioloBasta observar a história da luta gay. Quando foi que começamos a adquirir nossos direitos? Quando começamos a gritar que existimos, não é verdade? Qualquer livrinho de literatura homoerótica te mostra que quanto mais discretos eram os gays da época, menos direitos tinham à liberdade.

E se elas conseguem ser respeitadas lá, aos trancos e barrancos, nossa obrigação é fazer o mesmo aqui.

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Por favor, vamos colocar UM FIM no preconceito de classe social! Nós temos uma causa muito maior, que a quantidade de zeros do seu extrato bancário, para lutar juntos.

Não olhe torto pra beesha que vai de mochila pra boate e esparca no meio da pista, não julgue inferior a bee de shortinho jeans com a neca sofrida amassada dentro da cueca do irmão mais novo.

Porque não existe essa história de fulano merecer mais respeito que beltrano. Todos são iguais perante a lei, independente da origem ou do comportamento das pessoas.

Falando a verdade, cagando pra lei, sempre vai existir uma gay mais rica e mais padrão Globo de qualidade que você que vai fazer o mesmo contigo, e você não vai gostar. Então pense duas vezes.

Como disse a sábia filósofa e epistemóloga:

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