Kooriosidades – Na Cama com Max [Tema: Bissexualidade]


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Sentiram saudades do Kooriosidades, não sentiram? Aposto que sim.

Passei a postar menos mesmo, as perguntas começaram a ficar repetitivas e acabei por ajudar os leitores via e-mail, sem postar aqui no blog. Entretanto, esse caso é interessantíssimo e queria discutir com vocês.

Vamos ler o que a gay (?) mandou pra gente?

Desculpe-me pelo incômodo, mas algo vem me perturbando muito. Estou te enviando esse e-mail porque você é uma pessoa em quem me inspiro, mesmo sem te conhecer (eu moro em Recife). Meu nome é Matheus e eu sou leitor do BC desde os meus 14 anos, ou seja, desde a época do primeiro concurso de autores do babado certo (hoje tenho 18).

Enfim, menos blablablá e vamos para o motivo desta mensagem. Max, eu não gosto de rótulos sexuais, mas eu passei a sentir atração por mulheres. Não é que eu tenha passado a sentir atração de uma hora para outra, mas o negócio é que, desde que eu percebi que gostava realmente de homens, passei a me identificar como gay.

Porém, dentro de mim sempre estava uma chama que me fazia derreter por mulheres, mas eu sufocava isso. Agora eu não estou aguentando mais. Não me vejo como bissexual, porém eu me atraio pelo sexo oposto, também. É esquisito, eu sinto uma certa aversão à ideia da bissexualidade. Essa rejeição não é com o fato de alguém ser bissexual ou com a bissexualidade em si, mas com o fato de eu ser bissexual. Me dá uma luz, Max! Beijos!!! Amo o BC!

P.S.1: Todo mundo sabe minha orientação sexual, ou pelo menos, a orientação sexual que eu achava ter.

P.S.2: Já namorei com homens e fiquei com mulheres. A sensação é um pouco diferente, porém o prazer é o mesmo.

P.S.3: Atualmente estou solteiro.

Desde que comecei a fazer matérias de Licenciatura, tenho trazido pra discussão em sala de aula a questão de identidade de gênero e a sexualidade. Durante toda a minha graduação na Biologia me foquei na ideia biológica da determinação da sexualidade, entretanto, ultimamente tenho me auto-argumentado e chegado a novas conclusões.

Portanto, por mais que pareça controverso o que eu vou escrever, nada aqui é verdade absoluta, apenas quero convidar vocês a pensarem junto comigo.

A primeira coisa que concluí foi: Ninguém nasce gay! Nem hétero.

Como assim, Max? Desde pequenininha eu gosto de homem, nasci assumida.

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tumblr_mn0smtc4t81qhvxhko1_500Sabe por que ninguém nasce gay ou hétero? Porque ninguém nasce homem ou mulher.

Já existe um consenso tanto na Psicologia quanto nas Ciências Sociais de que o nosso gênero (masculino, feminino, os dois ou nenhum deles) é uma construção social.

Quer dizer, o seu órgão sexual não é suficiente para determinar seu gênero, porém você é criado como homem caso nasça com pênis e como menina quando nasce com vagina.

Por esse motivo, temos a tendência a considerar plausível a ideia de que homem tem pênis e mulher tem vagina, mas não é sempre assim, os transexuais estão aí e não me deixam mentir.

Acontece que nem todo mundo se sente confortável com as regras de comportamento estabelecidas para cada sexo, e se somente o órgão sexual fosse suficiente para determinar sua identidade de gênero não existiram tantas pessoas com comportamentos do sexo oposto.

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Caixa de Pandora: A origem de todo o mal

Você vai encontrar a prova disso dentre os hermafroditas: Nascem com genitália ambígua, os pais determinam um gênero para a criança e ela passa a ser criada como menino ou menina.

Vários são os casos que isso não dá certo, e a pessoa acaba por se identificar com o sexo que foi “cortado” lá no nascimento.

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Nem vou entrar no mérito da criança que tem trejeitos femininos e é taxada de gay desde pequeno. Quem garante que essa criança não era transexual e ouviu tanto que aquilo era ser gay que acabou aceitando tal identidade?

Exemplo, Serginho no Super Pop:

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Então, se ninguém nasce homem ou mulher, mas sim macho e fêmea, como podem as pessoas nascerem gays ou héteros se ao nascer o gênero ainda não está determinado? Se eu não sei se sou homem quando nasço, como posso nascer gay?

E digo mais, o homem gay, por exemplo, não se atrai por pênis, mas sim por homem e tudo aquilo que lhe foi ensinado ser característica de homem, e acaba relacionando aquilo com o pênis, apesar de uma coisa não ter nada a ver com a outra.

Cu, nasci pra isso não, mãe!

Cu, nasci pra isso não, mãe!

Quer um exemplo? Observem a foto abaixo:

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Certeza que todas vocês ficaram molhadinhas com o boy, não é? Mas e se eu contar que é um homem trans, ou seja, não tem pênis… vocês continuariam atraídas pelo boy? Provavelmente a maioria de vocês não.

Isso só comprova a ideia de que nossa sexualidade é uma construção social baseada na imagem pré-estabelecida de cada sexo, bem como suas vestimentas, características físicas e comportamentais.  E se é uma construção social, pode ser mudada. PODE ser não quer dizer que VAI ser.

Não estou aqui pra dizer que você vai conseguir um dia deixar de ser gay ou hétero, não, quero dizer que todo mundo tem a possibilidade de modificar essa sexualidade, tem o potencial para mudar, que nada está definido no nascimento. Isso porque nossa sexualidade busca prazer, não reprodução. Portanto, ela é plástica e moldável.

Acontece que ser gay ou hétero é muito mais que somente uma atração sexual, é uma identidade sócio-cultural, quase uma ideologia que você defende e reitera com unhas e dentes. Basta observar como nós, ainda mais os héteros, reafirmamos sempre a nossa sexualidade:

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“Pegar bicha afeminada? Melhor comer mulher logo!”

“Não curto lésbica bofinho, mulher pra mim tem que ser feminina.”

“Ela é gostosa, mas é mulher de tromba, deus me livre!”

pirocaOlha aí o aprendizado do que é homem ou mulher influenciando na nossa sexualidade. E se tivessem te ensinado o contrário, será que sua sexualidade seria a mesma?

Se fosse uma sexualidade estabelecida no nascimento, ter pênis/vagina, ou seja, ser macho/fêmea seria suficiente para determinar sua atração, mas não é, o comportamento é capaz de te fazer considerar a beesha afeminada tão atraente quanto uma mulher: ZERO.

O comportamento importa, e se o comportamento é aprendido, você não nasce sabendo e deve conhecê-lo primeiro para saber se existe empatia.

E aí a gente cai no maior erro do determinismo biológico: A inversão da causa e do efeito. Em vez de afirmarem que o homem desencadeia no corpo a atração da beesha, afirmam que é o corpo o responsável pela atração pelo homem.

Ora, como pode haver uma resposta fisiológica inata e padronizada àquilo que o organismo nasce sem saber que existe, que vai ser ensinado a ele depois do nascimento?

E mais, nossa noção de homem/mulher mudou diversas vezes na história da humanidade, o processo evolutivo não é rápido o suficiente para acompanhar essa mudança.

Olha o que eu faço com o Processo Evolutivo

Processo Evolutivo

Por isso que o leitor está tão confuso quanto a sua atração sexual, lógico, desde muito novo somos obrigados indiretamente a escolher um lado do muro, a bissexualidade é mal-vista por ambos os grupos e o que mais se fala é sobre a ideia de que eles são confusos, volúveis e até traidores. Ninguém quer ser isso.

Quanto mais leio mais chego à conclusão de que todos nós nascemos bissexuais e sem gênero definido, e que depois, inconscientemente, vamos estabelecendo nosso gênero e nossa sexualidade.

O que não quer dizer que eles vão mudar um dia, mas o potencial está aí, o tempo todo tensionando nossos limites e esfregando na nossa cara, com transexuais super atraentes, que ter buceta ou piru são a finalidade, não a causa da atração sexual.

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Logo hoje, que Feliciano vai votar a “cura gay”, eu venho e faço um post desses. A beesha gosta de um bafão, né? hahahaha.

Como surge a homofobia?


Voltei, delicinhas!

Como disse nesse post, estava no interior do Rio de Janeiro passando o feriado com a família. Mas como eu não valho nada, logo convenci todos a fazerem um passeio pela cidade maravilhosa, com a desculpa de que queria ir ao zoológico (“Mãe, sou bióloga, preciso ver as beesha…OPA, os BICHOS!”)

Até fui, mas de bicho mesmo só vi cobra… em outro post eu conto com detalhes a minha pegação zoológica ao lado da jaula do elefante hahahaha.

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images (1)Mas primeiro, pra deixar vocês curiosas e assim lerem esse post super intelectual, esperando uns minutos até eu escrever o BCG, quero falar de um assunto muito importante: Camisinha Femini…zzzzzzz meu koo.

Não, sério agora, é que eu estou animadíssima por voltar a escrever, senti falta demais de vocês enquanto estava lá. O assunto é homofobia mesmo.

Tanto na ida quanto na volta levei um livro pra ler na viagem: “Diversidade Sexual na Educação: Problematizações sobre a homofobia nas escolas”. Foi meu orientador fofíssimo que me mandou ler como base teórica pro meu TCC.

Enquanto lia essas paradas de Sociologia, que doem no meu ego cientificista, encontrei o texto de uma racha que fala sobre a origem da Homofobia. Afinal, a gente sempre se perguntou o porquê esse povo ter tanta raiva das bee’s, né?

Fala logo, Max!

Fala logo, Max!

O texto é complexo e você pode encontrar clicando AQUI, mas vou tentar dar uma resumida daquele jeitinho que vocês adoram.

Guacira Lopes Louro (que eu vou fazer a íntima e chamar de Guacirão) começa a discussão quebrando todo o caralho e falando sobre a necessidade de reafirmação da heterossexualidade nos meninos. Mas não como uma forma de se considerar hétero, sim evitando ser relacionado ao termo gay.

É, basta observar como a maioria dos héteros mal sabem o que heterossexualidade significa:

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=Yaqa8iHbSd0]

Quer dizer, na cabeça dessa galera eles são a “norma” e devem evitar o “desvio” (nós, as beeshas), e somando isso às religiões judaico-cristãs que, quando começaram sua expansão, foram categóricas quanto ao caráter pecaminoso da homossexualidade – lembrando que o termo homossexual surge depois, mas os gregos e romanos já comiam e davam o koo numa boa, só que com outra conotação, o casamento ainda era restrito aos HT’s – temos a merda feita.

Um olho no bacalhau e o outro no gato

Um olho no bacalhau e o outro no gato sem camisa

Ela comenta alguma coisa sobre o processo nas sociedades orientais, mas é basicamente a mesma coisa: ideologia nova cagando regra.

Eu não sei porque eles odeiam tanto as beeshas, mas eu acho que deve ter alguma coisa a ver com a expansão da religião e a necessidade de procriação dos fiéis, já que as gays não faziam filho.

E aí começa uma fiscalização generalizada do cu alheio. Se por um lado criam os meninos para fazer sexo adoidados, por outro devem controlar o contato físico entre eles e as manifestações de afeto entre amigos… porque a gente sabe, passou a mãozinha, o pintinho ficou duro, a bee em formação já bota a boquinha e pronto, cometeram pecado abominável.

Empinando meu edi, mas de uma forma heterossexual

Empinando meu edi, mas de uma forma heterossexual

Claro, tudo isso com muita misoginia, “mulherzinha” pra cá, “frutinha” pra lá, porque é de extrema importância que NINGUÉM jamais pense que você tenha características consideradas femininas e que possam ser confundidas com viadagem.

Com as mulheres isso é um pouco menos marcado, já que se permitem manifestações de afeto e tal, afinal, quem ia determinar com quem a filha ficaria era a família, independente da opinião dela. Hoje a história mudou um pouco, já observaram como as héteras estão mais espertas com as sapas? Acabou a era do peitinho, infelizmente.

- Olha lá as sapas - rsrs

– Olha a cara das sapas
– rsrs

131467052Onde Guacirão quer chegar com isso tudo? Que a heterossexualidade NÃO é a norma! O sistema sabe disso e está com o cu na mão.

Você acha que se a heterossexualidade se desenvolvesse tão naturalmente ela precisaria ser reiterada toda hora? Precisariam de tanto esforço pra fixar na cabeça das criancinhas que meninos não podem se tocar e que o certo é brincar de médico com a menina?

Se isso precisa ser relembrado o tempo todo, ao ponto de virar uma fobia, será que no final das contas não somos todos sexualmente volúveis e só queremos obter prazer?

Até porque, nós já sabemos que o sexo, na nossa espécie, não tem como principal função a reprodução:

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=oLVHF9K1JRg]

Durma com esse barulho, heterozinho.

Gosto de homem, pica é consequência… será?


Desde o post da Léo Áquila falando sobre homens que ficam com travestis e a problemática em determinar a sexualidade deles, conversei com um amigo meu, gay e ativo, sobre essa questão.

A opinião dele me pareceu bastante preconceituosa quando ele disse que “gay gosta de pênis, se meu namorado não tivesse pênis eu não sentiria atração por ele.”

E completou: “Se esses homens que procuram travestis só quisessem sair com alguém mais liberal não precisariam sair com travesti, o que não falta no mercado são mulheres que fazem penetração com cinta nos clientes. São no mínimo bissexuais que não têm coragem de ficar com outro homem”.

Já eu achava que pênis era apenas uma “consequência do homem”, que nós nos atraíamos pela imagem masculina ou por resquícios dela (no caso de bee’s mais afeminadas) e esperamos que ali exista um pênis, claro, mas ele não seria o ponto-chave da atração, uma vez que travestis têm pênis e nem por isso nós gays nos atraímos por elas (ser mulher não se resume a ter rachada), certo?

Entretanto, voltando num post sobre transexuais Female to Male (de mulher para homem), observei que a maior parte dos leitores, tanto aqui quanto no Facebook, sentiram-se atraídos pela imagem, mas seriam incapazes de fazer sexo com eles devido à falta do pênis. Dando total razão ao que o meu amigo falou comigo lá em cima… e agora, Glória?

Será que o mesmo acontece com homens heterossexuais “de verdade” diante das travestis, quer dizer, que os homens heterossexuais sentem-se atraídos por elas fisicamente, mas quando descobrem que existe ali o pênis em vez da vagina, acontece a repulsa sexual assim como acontece conosco diante de um transexual female to male?

Ou será que tudo isso é apenas um reflexo da nossa cultura que segrega as sexualidades e nos obriga a deixar sempre claro por qual “padrão” nós nos atraímos? Sem nos dar a liberdade de experimentar e sentir novas formas de prazer, já que nós não fazemos sexo somente para a reprodução?

Aliás, eu mesmo já fiz sexo com homem, mulher, gnomo, seres de luz e entidades satânicas, e nem por isso deixei de ser gay… eu acho. Ser gay não é nada além de um rótulo, jamais vai conseguir representar a individualidade dos que fazem parte do grupo.

O que as senhoras acham? Vamos votar?

Sexualidade sob o ponto de vista biológico


Pirulla, dono de um vlog no youtube, é famoso por discutir temas polêmicos nos seus vídeos. Dessa vez, esse fala da origem da sexualidade sob o ponto de vista científico, e aproveita para falar da formação do sexo e do comportamento sexual nos animais, desde os primórdios do processo evolutivo.

Vale a pena pegar uma pipoquinha e assistir:

Eu AMEI a maneira que ele tratou o tema, didática e 100% pautada em artigos científicos. Aliás, isso me lembrou de um texto meu que já mostrei aqui e que vale como leitura complementar. Clique AQUI para ler.

Mas nada foi mais mágico que ele ter citado os X-men numa analogia, e por isso vou aproveitar pra dar uma dica de vida pras senhoras:

Dica do leitor (muito obrigado, querido ;))