Saiu a lista de premiados do Destaque 2013!


Então, bee’s, pra quem não está sabendo, vai rolar um evento bafoentíssimo em grande escala no Theatro Carlos Gomes, neste sábado, dia 21.

O evento premiará os destaques da cena LGBT capixaba no ano de 2013 e todos aqueles que contribuíram para a luta contra a homofobia e outras formas de discriminação no estado.

Cata o flyer:

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Segue a lista de premiações:

Premiação

Música: Olhar de Sedução

Imprensa: LGBT-ES.COM

Produtor cultural: Ana da Band e Renan Rilton (produtores da Parada gay de VV)

Artes plásticas:

  • Marcio Pellegrino Antonelli
  • Sergio Camara
  • Saintclair Rosetti

Drags (todas farão performance no evento):

  • Ângela Jackson
  • Bianca Castelli
  • Gizelly Summer
  • Draklas.

Boite:

  • Reduto historico: Boite Eros
  • Aglomeração GLS: Chica Chiclete

Moda: Daniel Davilla

Dança:

  • Homem Cia De Dança Contemporânea (HCDC)
  •  Cia Mutumbaxé

Beleza: Mirian Vervloet

Carnaval:

  •  Petterson Alves
  •  Flavio Rafalski

Reduto LGBT: Galegão Sanduicheira

Empresários:

  •  Teddy Ferreira
  • Álvaro Schmidel

Cabeleireiros:

  • Vitoria – Francisco Guasti
  • Serra – Cosme Mattos
  • Cariacica – Bianca Biancardi
  • Vila Velha – Solon Veronezzi

Make-up: Vicky Beauty

[youtube http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=7xNr7mcLENg]

Pois é, nós do Babado Certo não fizemos o requisito esse ano, 5 milhões de visitas não devem ser destaque o suficiente pros critérios da banca… mas bola pra frente, no próximo a gente emplaca!

Agora, sabem de quem eu senti falta? Rouge House! Lógico, né, gente? Se o nome do evento é DESTAQUE nada mais lógico estar na lista uma casa noturna que trouxe ninguém menos que Silvetty Montilla com menos de um ano de existência.

Muito curioso…

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p.s.: Amanhã eu vou soltar promoção pra quem quiser comparecer ao evento para  protestar se divertir, então fiquem ligadas!

Fonte: LGBT-ES

Você é um amolador de facas?


Atenção para o Selo Luana da Lapa de “Corra, que Max vai dar coió em metade das leitoras!”

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Eu tava pra falar de tema com vocês há um tempo já. Discutimos ESSE texto no Gepss umas duas semanas atrás, e eu fiquei pensando em como ele se aplica à atualidade, por mais que seja de 1999.

Aí apareceu uma gay no meu Facebook cagando regra na timeline dela segundos depois de eu tê-la adicionado.

Dizendo que viado afeminado não deveria ser respeitado, que tinha que ser homem pra mere….COMIGO NÃO, GARÁLEO!

Virei o saci de patinete com ela e terminei bloqueando, excluindo e denunciando, porque…

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Mas eu não mando matar o pecador, só extirpar o pecado!

Mas eu não mando matar o pecador, só extirpar o pecado!

Podemos considerar amoladores de faca todos os intelectuais formadores, ou pessoas de opinião respeitada (mesmo num grupo pequeno), que proferem discursos genocidas, mas que se dizem incapazes de agredir uma pessoa que faça parte do grupo que ele critica.

Puxando a sardinha pro nosso lado queer, esses amoladores podem ser padres, pastores, políticos, pais, amigos ou professores que dispersam a homofobia, mas não seriam capazes de colocar em prática nenhum tipo de violência física contra os LGBT’s.

Mas por que amolador de faca?

Simples, porque ele não é o homofóbico que vai lá e apunhalada a beesha ou a travesti, mas ele “amola” as facas dos que têm coragem para isso, dando aval para a prática, compreendem?

Basta perguntar a QUALQUER homofóbico porque ele não gosta da gentchy, a resposta vai ser sempre a mesma: “Deus criou homem e mulher, e homossexuais são uma abominação”, ou “homossexual eu respeito, odeio é viado”.

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=BB-1lx9FYck]

Taí, um discurso fascista que dê uma razão palpável para que eles agridam ou matem homossexuais sem a menor culpa, aliás, muito pelo contrário, matam com a sensação de dever cumprido.

Tá, Max, mas o que isso tem a ver comigo? Não sou padre, não sou professora, odeio pastores e de política só sei votar.

000ff

downloadPois é, só que isso tem tudo a ver com você, se você fizer parte de dois outros subgrupos: O grupo dos que se calam e dos que promovem homofobia internalizada.

É, agora peguei na sua perna, né?

Quantas vezes vocês já se viram diante de manifestações homofóbicas e não fizeram nada? Seja na escola, no ônibus, na faculdade, na academia ou no barzinho que você vai com seus amigos héteros.

“Quem cala, consente” nunca fez tanto sentido como faz nesses casos, principalmente quando o grupo homofóbico SABE que você é gay. A omissão também é uma forma de violência e quando você se cala, consequentemente, concorda com o agressor.

Você amola a faca do homofóbico quando:

  • Não defende a beesha no ônibus, que o moço do Instituto Manassés resolveu pegar no pé pra falar de Zeus;
  • Quando permite que seus amigos héteros ofendam uns aos outros chamando-se de viado;
  • Quando, ainda com esses seus amigos héteros, ri dos comentários que eles fazem sobre a beesha feminina que passou;
  • Quando senta a sua bunda na cadeira da igreja e engole tudo que seu padre/pastor fala sobre os gays;
  • Quando vê o editor do seu jornal escrever “o travesti” na matéria e permite que seja publicado (essa foi super específica hahaha);
  • Quando não vai em Parada Gay com o argumento de que “virou carnaval”.

E por outro lado, também tem dedo seu no caso da lâmpada fluorescente de São Paulo quando:

  • Você diz que seu “gaydar” é ótimo e usa conceitos heteronormativos de masculinidade para determinar se alguém é gay ou hétero;
  • Quando olha torto pra beesha fashionista que foi vestida de fita amarela de “do not across” pra imitar a Lady Gaga;
  • Quando diz que “não precisa ser afeminado pra ser gay”;
  • Quando ri das piadas transfóbicas do Pânico na TV sobre a Ariadna;
  • Quando retroalimenta a hierarquia abaixo

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Então, não venha pra mim dizer que está chocada com o que fizeram com a trans no sul do Brasil ou com as centenas de gays que são agredidos e lotam as páginas de pesquisa do Google com notícias…

…enquanto o seu final de semana se resume a ostentar sua masculinidade e ofender fulano porque “ele é uma passiva”.

0000 cuspe

Androginofobia?


000000

Estou em Vitória desde domingo, vocês devem ter percebido pela minha presença nos comentários. Não postei nada ainda, mas tenho uma boa razão pra isso.

androginia 5Acho que nunca peguei para falar desse assunto aqui no site. Provavelmente porque sempre achei que não interessaria a ninguém, uma vez que é um assunto que envolve um grupo tão pequeno de pessoas que poucos leitores se disporiam a ler sobre.

Mas recentemente estive conversando com uma grande fã do site e ela me sugeriu falar desse tema, pra ajudar esse grupo que, mesmo pequeno, precisa saber que existe gente boa por aí que não nos vê apenas como aberrações de gênero.

Só que vocês devem estar se perguntando:

Por que só agora, depois de 4 anos de blog, Max resolveu falar do que ele tem de mais marcante?

Justifico com a minha viagem a BH que fiz nessa sexta-feira. Como disse NESSE post, não vou mais postar os Babados, confusões & gritarias, e não vou mesmo. Só que dessa viagem eu preciso selecionar uma coisinha pra discutir com vocês.

androginia 3Não tenho essa aparência à toa, e muito menos forço para construí-la. Tenho um probleminha na minha gônada chamado hipogonadismo (você pode clicar aqui pra ler mais) e, por esse motivo, produzo metade da quantidade normal de testosterona de um homem adulto. Daí, não desenvolvi totalmente as características sexuais secundárias masculinas.

Voltando a falar sobre a viagem…

Como estava bem longe da minha cidade, resolvi fazer uma coisa que sempre tive vontade, mas nunca tive coragem: vestir um short pra sair na noite!

Só isso?

Só isso?

androginia 4Hahahaha, calma! Não me julguem ainda! Eu sempre morri de vergonha de vestir shorts, minhas pernas são muito brancas e morro de medo de me desviar da androginia, pelo medo do preconceito e também porque não me identifico como trans. Então, se o máximo que posso chegar é na imagem de uma sapa masculina, tento me manter assim.

Acontece que onde eu ia recebia elogios, inclusive dos meus colegas de sala que viajaram comigo. Desde a padaria onde fui comprar uma cerveja pra começar a esquentar, até os cachaceiros do bar que, mesmo de forma vulgar, não viam a minha imagem como algo ruim.

Entretanto, quando cheguei em Vitória dei de cara com esse comentário na caixa de spam:

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Clique para ampliar

Eu, enquanto sou criticada:

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androginia 2Esqueça a parte que ela viaja na maionese e fala em me processar porque comentei sobre a boate nova que vai abrir em Vila Velha (que amanhã vou postar mais informações quentíssimas) e se foquem no “SER INDEFINIDO” que ela usou pra me categorizar.

De todos os ambientes que já frequentei, e por ambiente você pode incluir até mesmo puteiros, os únicos nos quais sofri preconceito quanto a minha aparência foram nos meios GLS.

androginia 1Por alguma razão, que eu não sei qual é, a maioria dos gays afeminados tem o mais absoluto ódio de andróginos. Digo gays afeminados porque somente sofri esse tipo de preconceito de um único gay masculinizado, que depois fiquei sabendo que ele se arrependeu do que falou e disse aquilo porque era encubado e eu representava a liberdade que ele queria ter, mas não podia (foi perdoado).

E eu pergunto pra vocês, por que todo esse preconceito? Pra vocês terem noção, eu mal posso ter a auto-estima de valorizar a minha própria aparência sem ser criticado por essas pessoas, como se fosse um crime ideológico se sentir bonito tendo a aparência de ambos os gêneros.

De cara muitos podem pensar:

“Max, é lógico, tá muito claro que é recalque, principalmente porque advém de beeshas afeminadas que matariam pra ter sua aparência”

Não! Não podemos ser tão simplistas assim, até porque tem beesha afeminada bombada que ama ser bombada. Acho que isso vai muito mais além.

Tenho duas teorias, uma pensada por mim e outra pensada em conjunto com um amigo meu psicólogo, mas elas não são opostas.

A minha teoria, depois de tantos anos ouvindo críticas, é a de que o gay andrógino representa para esses gays preconceituosos a imagem que eles deveriam ter para que a pinta que eles dão fosse condizente com a aparência.

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Por exemplo, dificilmente sou ridicularizado em ambientes heteronormativos por ser feminino. Isso porque, para essas pessoas, espera-se que alguém com a minha aparência tenha um nível de feminilidade.

Aliás, sou ridicularizado sim quando tento masculinizar meus trejeitos.

Credo, Max, você falou que nem homem agora! Tomei até um susto!

androginia 7Em contrapartida, esses gays que são “apenas” afeminados sofrem muito mais que eu por serem afeminados, e a situação é ainda pior se eles são altos, fortes ou têm uma aparência bem masculina.

Enquanto essa galera é considerada caricata, vide Vera Verão, eu passo despercebido aos olhares machistas porque soa “natural” que alguém com o meu rosto e corpo não seja “macho”, mas não soa natural que um homem com corpo e cara de homem saia desmunhecando por aí.

E indo mais profundamente nesse babado, podemos perceber também um problema com a questão da “identidade” da bicha dentro do seu universo.

Assim como o gay desconstrói a ideia do homem normal e o homossexual desconstrói a lógica da heterossexualidade ser a norma… o andrógino desconstrói e INdefine a afeminada, porque ele vai além e quase toca na linha finíssima que separa a pintosa da transexual. Linha essa que elas lutam o tempo todo pra manter em pé, separando, definindo, categorizando.

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E se o “ser” se define a partir da negação do outro (eu sou isso porque não sou aquilo), o andrógino entra aí como um outro que “é e não é” e, portanto, não pode ser incluído nem execrado, daí tamanha confusão e rejeição.

O andrógino não se encaixa nos padrões estabelecidos e perturba a noção de identidade que demorou tanto tempo para ser construída. Por isso gera tanto transtorno.

Compreendem a lógica? O que pensam sobre esse tema?