Dica para as estudiosas


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Acho que já falei desse grupo aqui no blog, mas acho importante repetir.

É o GEPSs – Grupo de Estudo e Pesquisa em Sexualidades, ministrado pelo professor, e meu fofíssimo orientador, Alexsandro Rodrigues. Lá a gente discute temas como preconceito, diversidade de gênero, feminismo, sexo, psicologia, entre outros.

Então, queria convidar vocês a participarem dos nossos encontros, independente de você estudar na Ufes ou fazer alguma faculdade, não importa, o legal é que você compareça, mesmo que seja só para ouvir e aprender.

Nossos encontros acontecem todas as quartas-feiras, às 18h30 , na sala 21 do IC-IV.

Pra quem for dar uma passadinha lá hoje, dia 17, fica a dica da discussão da semana:

Documentário: “Olhos azuis

O sociólogo Eduardo Gianetti é quem faz a apresentação deste documentário sobre preconceito. O vídeo acima, intitulado Olhos Azuis, trata da experiência feita pela professora estadunidense Jay Elliott, sobre pessoas que promovem discriminação colocadas na situação dos discriminados.

Algo que poderíamos chamar de “espelhar a situação”, para a pessoa sentir literalmente na própria pele o que é viver o preconceito, o racismo e a discriminação. De fato, uma maneira engenhosa de fazer o outro se colocar no lugar do outro. E que pode ser utilizada não apenas quanto ao preconceito e racismo, mas com outras formas de discriminação, como sexo, política, religião, obesidade, deficiência, bullying etc.

Seja a senhora hétero, gay ou estudante encubada de engenharia, apareça, serão todas bem-vindas.

Sem contar que vocês terão o prazer de me ver sendo linda, engajada e debatedora ao vivo e a cores. Isso não tem preço, néam?

Para mais informações, clique AQUI

Androginofobia?


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Estou em Vitória desde domingo, vocês devem ter percebido pela minha presença nos comentários. Não postei nada ainda, mas tenho uma boa razão pra isso.

androginia 5Acho que nunca peguei para falar desse assunto aqui no site. Provavelmente porque sempre achei que não interessaria a ninguém, uma vez que é um assunto que envolve um grupo tão pequeno de pessoas que poucos leitores se disporiam a ler sobre.

Mas recentemente estive conversando com uma grande fã do site e ela me sugeriu falar desse tema, pra ajudar esse grupo que, mesmo pequeno, precisa saber que existe gente boa por aí que não nos vê apenas como aberrações de gênero.

Só que vocês devem estar se perguntando:

Por que só agora, depois de 4 anos de blog, Max resolveu falar do que ele tem de mais marcante?

Justifico com a minha viagem a BH que fiz nessa sexta-feira. Como disse NESSE post, não vou mais postar os Babados, confusões & gritarias, e não vou mesmo. Só que dessa viagem eu preciso selecionar uma coisinha pra discutir com vocês.

androginia 3Não tenho essa aparência à toa, e muito menos forço para construí-la. Tenho um probleminha na minha gônada chamado hipogonadismo (você pode clicar aqui pra ler mais) e, por esse motivo, produzo metade da quantidade normal de testosterona de um homem adulto. Daí, não desenvolvi totalmente as características sexuais secundárias masculinas.

Voltando a falar sobre a viagem…

Como estava bem longe da minha cidade, resolvi fazer uma coisa que sempre tive vontade, mas nunca tive coragem: vestir um short pra sair na noite!

Só isso?

Só isso?

androginia 4Hahahaha, calma! Não me julguem ainda! Eu sempre morri de vergonha de vestir shorts, minhas pernas são muito brancas e morro de medo de me desviar da androginia, pelo medo do preconceito e também porque não me identifico como trans. Então, se o máximo que posso chegar é na imagem de uma sapa masculina, tento me manter assim.

Acontece que onde eu ia recebia elogios, inclusive dos meus colegas de sala que viajaram comigo. Desde a padaria onde fui comprar uma cerveja pra começar a esquentar, até os cachaceiros do bar que, mesmo de forma vulgar, não viam a minha imagem como algo ruim.

Entretanto, quando cheguei em Vitória dei de cara com esse comentário na caixa de spam:

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Clique para ampliar

Eu, enquanto sou criticada:

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androginia 2Esqueça a parte que ela viaja na maionese e fala em me processar porque comentei sobre a boate nova que vai abrir em Vila Velha (que amanhã vou postar mais informações quentíssimas) e se foquem no “SER INDEFINIDO” que ela usou pra me categorizar.

De todos os ambientes que já frequentei, e por ambiente você pode incluir até mesmo puteiros, os únicos nos quais sofri preconceito quanto a minha aparência foram nos meios GLS.

androginia 1Por alguma razão, que eu não sei qual é, a maioria dos gays afeminados tem o mais absoluto ódio de andróginos. Digo gays afeminados porque somente sofri esse tipo de preconceito de um único gay masculinizado, que depois fiquei sabendo que ele se arrependeu do que falou e disse aquilo porque era encubado e eu representava a liberdade que ele queria ter, mas não podia (foi perdoado).

E eu pergunto pra vocês, por que todo esse preconceito? Pra vocês terem noção, eu mal posso ter a auto-estima de valorizar a minha própria aparência sem ser criticado por essas pessoas, como se fosse um crime ideológico se sentir bonito tendo a aparência de ambos os gêneros.

De cara muitos podem pensar:

“Max, é lógico, tá muito claro que é recalque, principalmente porque advém de beeshas afeminadas que matariam pra ter sua aparência”

Não! Não podemos ser tão simplistas assim, até porque tem beesha afeminada bombada que ama ser bombada. Acho que isso vai muito mais além.

Tenho duas teorias, uma pensada por mim e outra pensada em conjunto com um amigo meu psicólogo, mas elas não são opostas.

A minha teoria, depois de tantos anos ouvindo críticas, é a de que o gay andrógino representa para esses gays preconceituosos a imagem que eles deveriam ter para que a pinta que eles dão fosse condizente com a aparência.

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Por exemplo, dificilmente sou ridicularizado em ambientes heteronormativos por ser feminino. Isso porque, para essas pessoas, espera-se que alguém com a minha aparência tenha um nível de feminilidade.

Aliás, sou ridicularizado sim quando tento masculinizar meus trejeitos.

Credo, Max, você falou que nem homem agora! Tomei até um susto!

androginia 7Em contrapartida, esses gays que são “apenas” afeminados sofrem muito mais que eu por serem afeminados, e a situação é ainda pior se eles são altos, fortes ou têm uma aparência bem masculina.

Enquanto essa galera é considerada caricata, vide Vera Verão, eu passo despercebido aos olhares machistas porque soa “natural” que alguém com o meu rosto e corpo não seja “macho”, mas não soa natural que um homem com corpo e cara de homem saia desmunhecando por aí.

E indo mais profundamente nesse babado, podemos perceber também um problema com a questão da “identidade” da bicha dentro do seu universo.

Assim como o gay desconstrói a ideia do homem normal e o homossexual desconstrói a lógica da heterossexualidade ser a norma… o andrógino desconstrói e INdefine a afeminada, porque ele vai além e quase toca na linha finíssima que separa a pintosa da transexual. Linha essa que elas lutam o tempo todo pra manter em pé, separando, definindo, categorizando.

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E se o “ser” se define a partir da negação do outro (eu sou isso porque não sou aquilo), o andrógino entra aí como um outro que “é e não é” e, portanto, não pode ser incluído nem execrado, daí tamanha confusão e rejeição.

O andrógino não se encaixa nos padrões estabelecidos e perturba a noção de identidade que demorou tanto tempo para ser construída. Por isso gera tanto transtorno.

Compreendem a lógica? O que pensam sobre esse tema?