Constrangimentos pós-armário


Super discreta.

Ah, quem já fez seu outing sabe o quanto é libertador sair do armário. Você pode enfim deixar as coisas às claras com os amigos e familiares, contar sobre relacionamentos, lugares e situações sem necessidade de mentir. O problema é que antes de arrasar trelíssima na pinta depois de sair do closet,  você já teve que dar muitas voltas para trucar em outras ocasiões sua viadice. E a memória do povo é boa.

Eu e meus amigos rimos até hoje de quando eu entrei na faculdade e era enrustido. Eu contava meus relacionamentos adaptando as histórias. Quem era homem virava mulher, dar virava comer, etc. As histórias ficavam meio absurdas e se cumpria aquele pacto social “você finge que é verdade e eu finjo que acredito”.

Nossa, para minha mãe eu era o top dos tops na BlowUp (boate hétero de Vila Velha) porque eu dizia para ela que sempre ia lá e deixava subentendido que era para pegar gatchynhash. Mal sabia ela que eu já praticamente fazia ponto na Move Music de tanto dar close lá.

Era só virar a esquina…

Um amigo me contou que na escola passavam a revista de mulher nua entre os meninos e ele ficava lá fingindo que curtia, até fazia aquele barulhinho de pneu furado para ser convincente: Shhhhhhhhhhlipt!

Fora quando a guei para parecer autêntica pega racha: depois que todos descobrem, vira piada! Teve uma amiga minha que ficou com três beeshas enrustidas que depois se assumiram. E ela ficou com má fama, pobrezinha… Mas não era culpa dela, sabe como é, comunicação social…

E você, já inventou histórias absurdas para camuflar sua sexualidade? Fala a verdade, conta pra tchytchya!

Juniors e mais juniors


identidade-de-quem Hoje me chamo Dé. Não nasci com esse nome, nem sei se morrerei com ele. Já me chamei Thiago, sabiam? Nesse mundo em que é tão difícil se viver a sexualidade e, principalmente, onde ronda o medo da descoberta, de ser gongado diante de todos que participam de nosso meio social, correndo o risco de sofrer todo o preconceito que sua condição de homossexual traz, muitos de nós, gays, mentimos o nome ao conhecer uma nova pessoa para nos relacionarmos afetivamente e/ou sexualmente. Temos medo e mentimos. Não é pra menos, já que o conflito de identidade existe de fato e o pânico do eu-homossexual vir a público prevalece. Daí os nomes.

Lembro de um mico que passei há muito tempo quando ainda era bem novinho. Como disse, eu dizia pros bofes que me chamava Thiago. Acontece que uma vez eu estava me relacionando com um cara (negro, forte, baixinho) e falei para ele o meu nome fictício. Nos encontramos por semanas até que um dia apareci na presença dele com uma camisa de formando dessas cafonas de ensino médio que tem o nome da gente bem grande atrás.

É claro que o cara me questionou. “Ué, você não chamava Thiago?”. Na hora criei uma história como desculpa de que a camisa não era minha e sim do meu irmão. O cara aparentemente acreditou ou fingiu fazer. Logo em seguida, coisa do destino, vejam só, passa um colega meu de classe e fala “Fulano! Bla bla bla” , repetindo meu nome real, o mesmo da camisa. Deposi que meu amigo e foi tive que admitir a mentira, rimos juntos da situação, quase desmaiei de vergonha, foi bastante constrangedor…

Aliás, o nome dele era Junior. Já repararam que 2 entre 3 beeshas se chamam Junior? Junior é nome por acaso, gente? Ah, e quem vocês dizem ou já disseram ser?