Mais sobre estupro masculino


Assunto pesadíssimo pra um domingo de manhã, mas achei muito legal a iniciativa de uma fotógrafa americana que resolveu tirar fotos de homens que sofreram violência sexual segurando cartazes com frases ditas pelos seus agressores, e postar no seu tumblr: projectunbreakable.tumblr.com

Lembrando que em 2012 fiz outro post sobre isso, que você pode ler clicando AQUI.

"Homens não podem ser estuprados" - Quando eu contei a alguém

“Homens não podem ser estuprados” – Quando eu contei a alguém

"Não se preocupe, meninos devem gostar disso"

“Não se preocupe, meninos devem gostar disso”

"Eu queria que você fosse uma garota"

“Eu queria que você fosse uma garota”

Veja todas CLICANDO AQUI

Curioso que eu também me lembro de tudo que ele falou pra mim na hora, e já faz 4 anos! Esse tipo de violência é extremamente marcante.

Esse tópico é interessante de se falar num blog gay por um motivo: Por que quando um homem hétero é abusado sexualmente toda a sociedade se sensibiliza, mas quando um homem gay é violentado não é dado o mesmo enfoque (isso quando não vira vídeo de humor)?

Obtive essa resposta através de um artigo que falava sobre o valor dado à vagina e ao ânus diante de uma violência sexual. Pois é, o artigo dizia que é curioso como a maioria das mulheres sabe quando são violentadas sexualmente, enquanto homens gays passam por inúmeras situações de violência nesses locais de pegação (principalmente aqueles de final de praia) e quase nunca se consideram violentados.

Ele fala também umas paradas sobre os estupradores serem tratados muito pior do que realmente deveriam, que o crime, do ponto de vista dele, não é tão terrível assim e mais um monte de merda que só uma pessoa que nunca sofreu um estupro é capaz de dizer.

Mas vale a leitura, clique AQUI para baixar.

Estupro Masculino


Pegue o sabonete

Demorei muito tempo para ter coragem de escrever sobre esse assunto. A vergonha e a quantidade de críticas que a vítima sofre são os principais fatores que me levaram a evitar tratar desse acontecimento aqui.

Sem contar que o estupro é mais tratado como humor, por ser mais comum em cadeias, que como um crime. Quem nunca ouviu piadas sobre “deixar o sabonete cair”?

Sei que poucos de vocês já passaram por um “estupro”, é mais comum que aconteça com mulheres ou em atos de homofobia (não foi o meu caso). Mas acho importante tocar no assunto, a fim de gerar uma discussão nos comentários.

Desde 2009 a ideia de “estupro” mudou de figura, não mais se configura como “constranger mulher à conjunção carnal, mediante violência ou grave ameaça”. Agora a lei diz o seguinte:

Portanto, estupro agora é sinônimo de abuso sexual de qualquer tipo, sem que haja a necessidade de penetração ou da presença de vagina na vítima.

No final do ano de 2010 eu resolvi ir com uns amigos à Move. Cheguei por volta de meia noite, mas não estava me sentindo bem.

Me diverti, tomei umas e resolvi ir embora às 4 da manhã, mais cedo que meus amigos. Dali fui em direção ao posto de gasolina da orla pegar um ônibus. Não queria pagar um táxi até Vila Velha e resolvi esperar o “bacurau”, que passaria por ali às 4:30.

Fiquei no ponto de ônibus e poucos minutos depois um homem se aproximou de mim. Começou a puxar assunto, me elogiando e falando da minha aparência, mas como eu estava passando mal e ele não me atraiu, nem dei confiança e logo finalizei o assunto (quem me conhece sabe que eu sou uó com pegação inesperada).

Mas ele insistiu, chegou mais perto, começou a tentar passar a mão em mim, e eu sempre relutante. Quando resolvi me afastar senti que ele havia colocado um objeto pontudo nas minhas costas. Olhei e era uma arma de fogo.

Protesto no Metrô de Xangai, sobre o governo dizer que a culpa dos abusos sofridos pelas mulheres era da vestimenta

Prontamente parei de me mexer, ele disse para que eu fosse para o outro lado da rua e, dentro de uma daquelas moitas que têm na praia de Camburi, fez o que tinha que fazer. O tempo todo apontando a arma para minha cabeça.

Felizmente, não me agrediu, mas me machucou bastante com a força que fazia pra me manter imóvel. Depois de uma hora consegui me levantar, sangrando, e voltei pro ponto, onde havia 3 beeshas esperando o ônibus (afinal, já eram 5 da manhã).

Cheguei até elas, contei o ocorrido e pedi ajuda, se alguém poderia me acompanhar até uma delegacia, ou ligar para a polícia, mas a única expressão que ouvi foi: “Mentira, viado! Chama o estuprador lá que eu também quero!”.

No final das contas quem me ajudou foram os rapazes do posto de gasolina, me deram uma toalha e me mostraram um chuveiro para tomar banho.

Saí dali e fui direto na delegacia, onde fizeram um B.O. (que nunca dá em nada), exames de corpo de delito, e as medidas profiláticas das DST’s, habituais em caso de estupro. Graças a Zeus, não peguei nada.

Acabei de contar isso para uma leitora e ela, muito esperta, me lembrou do vídeo do rapaz que foi preso fazendo sexo com outro homem no banheiro público, e durante a entrevista disse que “foi forçado a fazer sexo”. Cata:

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=QSm8VeZ46BQ&feature=related]

Todos zoaram o rapaz, admito que eu também, mas vocês percebem que dizer que ele estava “só fazendo charme” parte do mesmo discurso dos machistas que diz que uma mulher pede para ser estuprada quando usa roupas sensuais, e que a culpa do estupro é dela, que “provocou”?

E o pior, para as poucas pessoas que contei esse caso a maioria teve a mesma reação: “Claro, Max, você já é andrógino, ainda usa maquiagem e roupas justas, não pode reclamar que o cara achou que você quisesse sexo”.

Bullshit! Eu poderia estar pelado na orla da praia, nada justifica ele ter continuado após o primeiro NÃO que eu falei.

Sobre esse tema, vale ler o post da Lola, uma feminista e blogueira, que trata da chamada “cultura do estupro”, na qual a ideia de sexo forçado torna-se cada vez mais bem aceita pela sociedade.

Propaganda da Prudence postada no Facebook

Ora, se a culpa do racismo é do racista e a culpa da homofobia é do homofóbico, por que a culpa do estupro é do estuprado?