E coisa de machista? Não tem?


Dilmão, no ano passado, nos agraciou com a sua declaração infeliz sobre o governo “não fazer propaganda de opções sexuais”, quando foi abordada e perguntada sobre a necessidade de se ensinar o respeito às diferenças, aos homossexuais e aos transgêneros nas escolas.

Juro que tentei ver isso da melhor forma possível, que ela estava querendo dizer que ensinaria pelo menos a indiferença em relação às diferenças. Mas me enganei.

Dá uma olhada no material da apostila de Educação Física enviada pelo governo às escolas estaduais de São Paulo:

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Sem dúvida essa apostila merece o selo Puta que Pariu Xuxa Meneghel

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Que caralho é esse? Será que esse pessoal não percebe o quanto isso causa desconforto em crianças e jovens que se interessam por atividades atribuídas ao sexo oposto?

Tenho certeza de vários de vocês aqui já tiveram que brincar de boneca/carrinho, ou dançar É o Tchan escondido dos pais, tudo devido a essa separação escrota do que um gênero pode ou não fazer.

Por outro lado, isso pode ser usado para desmistificar preconceitos. Os alunos marcariam as atividades que acham corretas, e ao final o professor rasgaria esse papel e faria um discurso pró-igualdade de gêner… é… esqueci que estamos no Braseel.

Dica do Matheus, via Blogueiras Feministas

Escola que prepara ou mascara??


Richard Miskolci: Teoria Queer – Um Aprendizadi pelas Diferenças.

É comum, nos dias de hoje, o debate intenso sobre o conceito de escola inclusiva, que parte das capacidades de cada indivíduo para transformar o meio e acabar com a desigualdade, porém, o que se vê através dos muros da maioria das escolas é o contrário. Um regime ultrapassado,  inflexível e nostálgico. O que é ensinado não condiz com a condição real vivida pelo aluno, gerando preconceito e reproduzindo o discurso da violência, seja ela simbólica ou física.

Richard Miskolci, lançou recentemente o livro Teoria Queer: um Aprendizado pelas Diferenças, na tentativa de ajudar os profissionais de educação a lidar com a diversidade sexual que ocorre em nossa sociedade. Apoiando-se na Teoria Queer que estuda essa tendência de padronização da sociedade, Miskolci explica como a escola reforça a imposição dos modelos masculino e feminino e, por isso, propõe novas abordagens sobre essa questão. Para ler a entrevista completa: http://migre.me/dg4RN

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O que é a Teoria Queer e como ela está relacionada à educação? Trata-se de uma corrente que tem origem em diversos países ao mesmo tempo, inclusive no Brasil, mas ficou mais conhecida como tendo surgido do feminismo norte-americano no final dos anos 80. Essa vertente de estudos interessa muito para educação porque ela problematiza a tendência das instituições de normalizarem as pessoas. Frequentemente estudar no sistema escolar é também passar a sofrer a demanda de que você incorpore certo saber, se comporte de determinada maneira. Então historicamente a escola é uma das instituições que foram mais marcadas pela normalização das pessoas.

E como essa teoria pode ajudar os profissionais de educação? A Teoria Queer pode auxiliar professoras e professores a compreenderem melhor essa história e, também, a transformar o ensino escolar de maneira que ele seja menos normalizador e, de certa maneira, menos violento, já que a expectativa de que as pessoas se comportem, adotem formas de viver modelares, padronizadas, é uma forma de violência.

De que forma isso pode ser percebido na prática? Isso se expressa não só no currículo, mas também na experiência cotidiana marcada pelo bullying. O caráter violento da convivência se expressa no fato de que os próprios estudantes, às vezes, maltratam seus coleguinhas por que eles são mais gordos ou baixos demais, ou porque eles são homossexuais ou qualquer outra coisa. Na esfera do ensino há uma tendência a reiterar, sublinhar e a desenvolver padrões injustos e discriminatórios que fazem parte de nossa vida social. A Teoria Queer traz elementos para que os educadores percebam essa violência e busquem evitá-la.

Então a violência na escola reproduz a violência da sociedade? Não há como negar que a violência na escola está ali porque, no fundo, ela é uma marca da sociedade brasileira. O fato é que a maior parte da população brasileira não tinha acesso a nenhum serviço prestado pelo Estado, que historicamente não atendeu às classes populares desse país. E isso inclui as áreas de saúde e de educação.

O senhor falou em futuro. Que futuro consegue vislumbrar a partir do atual quadro de violência na escola? Toda violência é negativa, mas o fato de vermos sua expressão na sala de aula também traz a promessa de que ali, naquele contexto, com adequação e com o acesso dos professores à informação, talvez consigamos transformar isso em algo positivo, em demandas por direitos, por reconhecimento. A discriminação cotidiana, o bullying, isso tudo acontece por causa da nossa história, mas ela está se transformando e a sala de aula pode contribuir para tornar a sociedade brasileira plenamente democrática.

Fonte: Yahoo Groups – Grupo Plur@l

“…e é por essas pessoas que vale a pena continuar”


Do Mix:

Petter é um moço gay da cidade de Santa Maria, Rio Grande do Sul, que decidiu transformar as palavras de intolerância que ouvia por sua orientação sexual, principalmente na época da escola, em uma música-manifesto dançante com mensagem positiva da superação de uma fase aonde chegava até mesmo a se cortar com giletes, como dramatiza em seu clipe “Sou o que sou”.

Assista:

É meio emo? É. Mas, só quem foi gay e sofreu muito bullying no colégio pode entender esses sentimentos adolescentes, um sentimento de “não haver saída”.

Se eu pudesse dizer algo a todos os gays que sobrem com a violência na escola eu diria uma única coisa: “Calma, bee, o colégio vai acabar, é uma fase. Depois você nunca mais precisa olhar na cara dessas pessoas”.

Nós temos que fazer o possível para ser respeitados em todos os ambientes, mas quando não há como, temos que ser fortes, porque, como disse a Kurt, do Glee, um dia todos esses homofóbicos trabalharão para você. É só acreditar… E vai lhe dar um enorme prazer um dia poder fazer isso:

“Dá licença, beu abôr!”


Muah!

Faca de dois gumes


Muito se comenta sobre o caso do banheiros para gays do Colégio Vicente Rijo, em Londrina. Vários leitores me pediram para falar sobre o assunto, mas estou receoso em emitir uma opinião definitiva, uma vez que essa situação nos coloca numa via de mão dupla. Vamos analisar juntas?

Assista ao vídeo da reportagem:

Temos duas situações:

1. O maior número de casos de bullying nas escolas acontece no anonimato dos banheiros, é lá que os alunos preconceituosos se sentem seguros o suficiente para cometerem seus delitos sem o medo de sofrer retaliação. A criação de um novo banheiro evitaria esse tipo de situações.

Entretanto, um leitor veio me dizer que é nos banheiros que também acontece a “pegação”. Mas aí é uma obrigação da escola em fiscalizar, uma vez que pegação em banheiro hétero também sempre existiu, não é de exclusividade dos gays.

2. Apesar da criação dos banheiros evitar situações constrangedoras que esses gays passariam num banheiro regular, isso também promoveria uma segregação ainda maior.

Na cabeça dos jovens alunos homofóbicos, isso serviria de motivo para corroborar a ideia de que eles não são obrigados a conviver com a diversidade, que basta se sentirem incomodados que ela logo será colocada de lado e escondida onde não poderá ser vista pelos “normais”.

E aí? De que lado você está?

Via G1, dica do Jean e do Luiz

Novos direitos


diferenteNos tempos da escola me mantinha calado e sem muitos amigos. Na verdade corria das atenções com medo de ser notado e assim virar alvo de brincadeiras. Uma professora uma vez elogiou a minha letra, e de maneira nada “pedagógica”,  disse para a turma que tinham que aprender a escrever, e me citando como exemplo completou – “O Pedro escreve bem e com letra legível. Parece até letra de menina!”. Bastou isso para um festival de piadinhas. O resultado foi uma semana sem querer colocar os pés na escola.

Não deixem de ler essa matéria do jornal A Gazeta sobre escola, preconceito e homossexuais:

Homossexuais ganham novos direitos em escolas públicas