Toda visibilidade é válida ou “Como vocês são marias-vão-com-as-outras”


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Às vezes vocês me decepcionam profundamente.

Por mais que eu canse de postar aqui que toda visibilidade é válida: desde um casal gay que anda de mãos dadas na rua até as travestis de peito de fora nas paradas, parece que vocês ignoram tudo quando o assunto é uma necessidade forçada de se verem 100% representados na TV brasileira.

Essa semana minha timeline foi tomada pelo vídeo abaixo:

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Fiquei quieto, não comentei com ninguém, até a hora que vários leitores começaram a me mandar esse link pelo chat me pedindo incessantemente por um post ELOGIANDO a postura do rapaz.

E eu digo: Elogiar por quê?

Concordo que ele esteja certo quando diz que é frustrante ver um casal gay assexuado durante toda a novela, e quando um dos personagens resolve trepar com uma mulher ele adquire libido magicamente.

Mas daí a dizer que é melhor NÃO mostrar gay nenhum na novela é um absurdo!

Não vou nem entrar no mérito de quando ele diz que um homossexual nunca vai trair seu parceiro com alguém do sexo oposto, porque eu vou me estressar e fugir da temática do texto.

Qualquer um aqui sabe que isso é a maior asneira do mundo e que nossa sexualidade é plástica o suficiente para termos experiências com ambos os sexos sem que isso afete a nossa atração majoritária, que define a sexualidade.

Veja uma dica de texto clicando AQUI

Vamos abrir a Caixa de Pandora, então:

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Vocês acham que foi diferente com os negros, por exemplo? Foram anos de cinema e televisão nos quais os negros se limitavam a fazer papel de escravos e empregados também assexuados.

Entretanto, só em 1968, depois de muito tentarem fazer a população americana entender que negro não era inferior, aconteceu o primeiro beijo interracial da TV:

E se tivessem tirado todos os negros da TV porque a população negra não estava contente com a representação do grupo? Será que chegaríamos ao ponto de termos negros protagonizando novelas?

Outro exemplo é o casal lésbico de Vale Tudo (1989), Cecília e Laís:

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Durante toda a novela o discurso dos personagens legitimava uma relação amorosa entre as duas, mas em nenhum momento as palavras “gay”, “lésbica” ou “homossexual” foram usadas.

E eu vos pergunto, se elas também não fossem colocadas na novela, mesmo da forma sutil que foram representadas, o assunto teria sido discutido e a população se atentaria para esse tipo de problema? Não, não teria.

A mudança é sempre paulatina.

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identidade-gayO que eu quero dizer com tudo isso é que: Um gay assexuado que representa a nossa identidade, a nossa cultura, nossos valores e pelo menos a parte relacional e psicológica de um relacionamento gay AINDA É MELHOR que gay nenhum!

Pode não existir uma sexualidade nesse gay, mas já existe um discurso identitário, um discurso que segrega um grupo e o identifica nessa separação: “Eu sou isso, e não aquilo”. Discurso esse que não existia em Vale Tudo, mas existe hoje… olha o tamanho do passo que demos só nesse exemplo.

Porque mais importante que a sociedade aceitar como eu trepo é ela aceitar a minha existência, essa é a prioridade.

Vocês tem que entender que o nosso ato sexual é só um detalhe perto do que é ser gay (leia mais AQUI) e não podemos de forma alguma endossar um discurso que deslegitima a expressão da nossa cultura.

marcello-antony-e-thiago-frMas vou além e digo mais, a não-sexualização desses personagens gays tem também seu lado bom. Se esse casal tivesse a mesma lascívia dos casais héteros, a sociedade coxinha que nós vivemos jamais se atentaria para as outras informações que são passadas pelo casal, desligariam a tv de raiva e pronto, mensagem nenhuma seria recebida.

Mesmo que não mostrem o casal gay se pegando, estão mostrando o casal gay lutando pelo direito de ter um filho, estão mostrando a cumplicidade entre os dois, os problemas comuns a casais gays e héteros (aqui entra a traição e foge da ideia de que todo casal gay de novela vive num conto de fadas) e seus sofrimentos perante a sociedade.

Se você acha que tudo isso não é um avanço só porque as duas beeshas não trepam, você apenas é mais um amolador de facas que resume a expressão da nossa sexualidade ao sexo.

E pra vocês eu faço a Rihanna no VMA:

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Dica de vídeo sobre o tema:

Anfibologia


Saiu HOJE no Jornal ATribuna:

Clique para ampliar

 

O ERRO! A lei não vai punir “quem falar mal de gays”, mas sim quem denegrir a imagem do homossexual utilizando a sua sexualidade como argumento.

Afinal, vamos combinar, se fosse só “falar mal”, nós do Babado Certo e mais 70% das gays de Vitorinha já estariam atrás das grades, néam?

p.s.: Magno Malta usando essa capa para argumentar contra a lei em 3…2…1…

Dica do leitor “reticências infinitas”

Senta que a Boióloga vai falar!


Recebi e-mails, telefonemas, torpedos e até sinais de fumaça para comentar sobre a gafe postada no Século Diário pelo autor que se intitula ‘doutor’ Nazar.

O texto fala sobre uma mulher indignada porque descobriu que seu marido contraiu HIV, até aí tudo bem, qualquer uma ficaria poota na paulista. Mas, diante do pedido de ajuda, cata o que o tal doutor respondeu:

“[…]Não sei se você sabe realmente da vida sexual de seu marido fora de casa. Será que ele sai mesmo com outras mulheres? Isto é uma verdade, ou não seria apenas uma suposição sua para encobrir alguma coisa que você não quer ver, algo que possa lhe constranger? Por que você acredita que ele se infectou com mulheres? E se foi com homens? Você deve levar em conta esta possibilidade. Isto porque, o grande canal deste tipo de infecção é sangue com sangue e esperma com sangue, e a probabilidade de um homem ser infectado por uma mulher é rara, mínima. O homem, sim, infecta uma mulher muito mais facilmente.

Use o raciocínio lógico. A grande maioria de homens casados que se infectam com o vírus da Aids tiveram relações homossexuais passivas pela via anal. É muito difícil uma família admitir um fato como este. O imaginário social presta um grande beneficio para todos neste caso. Pelo simples fato de serem casados eles acreditam que podem passar a idéia de terem sido infetados por uma mulher. A probabilidade é menor. Acredito que seu marido é gay, certamente ele teve relações com homens. E não há que se ter vergonha desta situação. Acredito que seria indicado um bom tratamento analítico para ele, talvez ele seja mais humano nesta sua posição gay, menos rígido. […]”

De fato o doutor fez a linha “Dourado do BBB” ao afirmar que a probabilidade é mínima, quase nula. E isso não é verdade. Apesar da probabilidade do passivo (seja homem ou mulher, afinal, hétero também faz sexo anal) ser infectado pelo HIV ser muito maior, devido a maior laceração do tecido com o atrito, e consequentemente, maior quantidade de microlesões, tanto no pênis quanto no ânus, o ativo também têm boas chances de se contaminar.

A vagina possui maior lubrificação e maior resistência ao atrito, afinal, é a sua função abrigar o pênis durante o sexo, por esse motivo, é menos susceptível a infecções de contaminação via transfusão sanguínea. Bem como o pênis, que possui a pele também preparada para suportar o atrito.

O ânus possui lubrificação natural, mas apenas interna e escassa, afinal, as fezes já vêm lubrificadas do intestino. Ou seja, ele é menos preparado para receber tais agressões, logo, mais propício permitir a troca sanguínea entre o ativo e o passivo, uma vez que o pênis também se “machuca”, tanto com a maior dificuldade na penetração, a menor lubrificação interna em relação à vagina e ao diâmetro do canal retal, menor que o canal vaginal.

Ou seja, o doutor não foi homofóbico, apenas extremista, e na ciência tudo é passível de correção. O autor está certo ao falar que a grande maioria dos HOMENS CASADOS se infectam dessa maneira. Ele especificou o grupo a fim de evitar erros de interpretação, afinal, as estatísticas comprovam que atualmente, na população total, o número de infectados é muito maior entre heterossexuais jovens.

O comentário infeliz do doutor foi o de dizer que “certamente” o marido adúltero é gay, e isso não é benquisto pela comunidade científica. Uma probabilidade, por mais que esteja 99% correta, NÃO deve determinar um diagnóstico.

Outro péssimo comentário foi o de afimar que o marido adúltero tem AIDS, e isso não está claro na carta que a esposa mandou. Ter Aids é diferente de ter HIV, estar infectado não implica em ter os sintomas que caracterizam a doença. Ele como “doutor” deveria saber disso.

No fim das contas, para José Nazar só se transmite HIV via relação homossexual, mas tentou mascarar sua opinião inserindo uma probabilidade que pra ele mesmo nunca existiu. Que vergonha! Tem que ver isso aí, gente!  É por isso que cada vez mais o grupo homossexual deixa de ser “de risco” e mais pessoas “casadas/de bem” aparecem com a “sopa de letrinhas” no sangue. Lamentável o desserviço do site, colocando em xeque décadas de campanha de ministérios, secretarias e organizações de saúde.

Nós do BC estamos indignadas e já vamos enviar e-mails com a fúria de Marimar para a redação do site. Se quiserem fazer o mesmo, basta clicar AQUI (ou diretamente para faleconosco@seculodiario.com.br) e enviar sua bronca.

Leia a matéria completa clicando AQUI