CASA DA BARTÔ – Ser travesti (para além do fetiche)


Todos sabemos como foi e é dura a vida das nossas irmãs travestis. Marginalizadas do sistema público de saúde, muitas vezes se submetem a tratamentos quase medievais para adequarem seus corpos aos desejos de suas identidades. É o que mostra o vídeo abaixo, que é um trecho de uma das famosas reportagens do jornalista Goulart de Andrade que passavam na TVS no final dos anos 1980 (essa especificamente é de 87). Nele, conhecemos a casa da travesti Bartô, famosa bombadeira (aplicadora clandestina de silicone industrial) de São Paulo da época, e as práticas de aplicação de silicone pelo corpo, a violência a qual eram submetidas por políciais e o uso de navalhas para proteção.

Atenção: as imagens são fortes!

Agora você imagina, para a pessoa se submeter a essa tortura física o tamanho que é a necessidade dessas pessoas de serem exatamente aquilo que desejam ser. Quem somos nós para julgá-las? Mesmo a pratica sendo perigosa, mais triste é ver como foram e são tratadas nesse país.

E não se engane, esses procedimentos são feitos até hoje, como mostra o documentário “Bombadeira – a dor da beleza” (que já postamos aqui).

E como vocês sabem que as bichas não valem nem a cuspida pra lubricar o edí, elas já fizeram uma paródia do vídeo, aquenda:

“Xuxu, peraí, Xuxa!”

Obrigado, Marcos.