Guest Post – Cansado desse “homo” extremista


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Voltei do Rio, lindas! A viagem foi maravilhosa, cansativa e até bomba de gás lacrimogêneo eu levei. Mas voltemos à programação normal.

O Guest Post de hoje é do Renan, de São Paulo, que parece estar irritadíssimo com a política do Clone Gay, que eu escrevi há um tempo aqui no blog. Vamos ler?

A partir daqui o texto é todo dele.

Vim aqui hoje fazer uma espécie de desabafo e meter o salto na cara das gays homo extremistas. Não, não to falando de homossexuais extremistas, mas sim de gays que levam a palavra Homo sozinha ao extremo, e exatamente no sentido de:

“Gay mano tem que namorar e ficar com gay mano”
“Gay ploc ploc tem que ficar com gay ploc ploc”
“Afeminados tem que ficar com afeminados”
“Barbudo tem que ficar com barbudo”
“Drag tem que ficar com drag”

…e por aí vai.

0aaaaaaaaa

Simples, eu tô FODIDO DE RAIVA COM ISSO, sério.

Se eu vacilar no correr do texto, peço desculpas, porque de fato tenho a cabeça meio fechada pra algumas coisas, mas o blog tem me servido de grande reflexão e me livrado de certos preconceitos (o texto Amoladores de faca foi uma tamancada na minha cara).

Eu amo um cara. Pela primeira vez na vida eu tenho certeza que eu amo alguém. Não intencionalmente, eu me entreguei de corpo e alma pra uma pessoa que não quer ter nada sério comigo. Uma pessoa que procura algo sério, que quer ter um relacionamento sério, mas não comigo. Me jogou na friendzone lindamente. E sabe por que?

Porque segundo a imagem abaixo ele é um bixa MANO e eu to na categoria bixa JONAS BROTHER:

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Prfvr, um minuto de silêncio.

Pronto, voltando a minha revolta;

0bom diaEu fico completamente frustrado com isso. Ok, é legal e fofo quando a gente encontra um casal que se curte nas mesmas roupas, mesmas músicas, tem tudo em comum e um parece a cópia do outro (embora, me desculpem, mas acho isso um excesso de narcisismo).

Mas, porra, quando é que as pessoas vão começar a se deixar cativar e levar pela personalidade de alguém e não pelo tipo de roupa que ela usa ou a música que ela gosta?

patrao1Isso também é fruto daquele pensamento ridículo de “Gente bonita tem que ficar com gente bonita; gente feia tem que ficar com gente feia”.e

A coisa mais linda que já vi foi um beesha sk8ter na paulista que namorava com um cara que era anão. Eles andavam de mãos dadas, e sorriam, e foi a cena mais linda do mundo. Já reparou que quando os casais são completamente diferentes eles tendem a parecer mais bonitos, e não fofos? (talvez esse pensamento seja parte da minha revolta, mas foda-se)

Olha, estou realmente frustrado com isso, portanto, se você deixa de ficar com alguém porque ela não usa ou gosta do mesmo tipo de roupa que você, PARE COM ISSO JÁ e dê uma chance pra essa pessoa.

0loigoc

Falo isso porque quando eu estou com ele, a gente fica em uma sintonia extrema. Eu nunca me senti tão bem igual quando estou do lado dele. Parece que o mundo pode continuar seguindo o fluxo dele que, pra mim, não importa.

imagesE eu sei que ele se sente bem também porque ele se abre completamente sobre tudo da vida, todos os problemas, todas as vontades, etc e tal.

Mas ele não quer ter algo sério comigo, porque não sou “bixa mano”. É óbvio que isso está me matando e isso me mata.

ENFIM, PRFVR, Diversidade né? Parem de querer uma cópia de vocês e aprendam a aceitar as pessoas independente dela parecer com você ou não. O legal é achar alguém que te complete, porque duas peças iguais não se encaixam.

Está sozinho? A culpa pode não ser sua


Hold on, bitch! Se você é uma escrota, passional e ciumenta, esse artigo não justifica a sua solidão.

Vamos repensar o nosso comportamento antes de esbravejar com os outros.

Na década de 90 só dava ela!

Mas se você é uma fofa, educada e tranquilíssima beesha, a culpa da sua solidão pode residir no novo estereótipo dos gays.

Novo estereótipo, Max? Sim, novo! Observaram que aos poucos a bicha pintosa deixou de ser o exemplo de gay e agora os valores são outros? Vamos pensar um pouco…

Aqui no Brasil, no final do século passado, as beeshas se resumiam nas caricatas, leathers e Homens-que-comem-homens-mas-só-quando-falta-buceta. Observem que os exemplos de gays sexualmente atraentes eram Cazuza, Ney Matogrosso e os boyzinhos dessas bandinhas pop que estouraram na mesma época.

Onde estavam as Barbies? Não estavam, ainda! As Barbies e a geração saúde surgem nessa transição dos anos 90 pros 2000, e é disso que quero falar.

Os gays hoje, numa tentativa de fugir do estereótipo da beesha que só sabia ser cabeleireira e estilista, criaram um padrão no qual você deve atender a vários requisitos para ser considerado o gay ideal, o gay que mais foge do paradigma daquele gay que morreu de Aids quando esta estourou no país (o gay de porta de discoteca: degenerado, afetado e promíscuo).

Esse gay é rico, bonito, inteligente, bom de cama, bilíngue, másculo e musculoso. Sendo esse másculo e musculoso as principais características visuais que destoam do gay magro e feminino que era visto logo de cara como “aidético” nas décadas de 80 e 90.

Aliás, já observaram que basta uma bee ser muito magra que as pessoas logo fazem piada sobre ela estar beijada pela tia?

Pois é, esse novo padrão é inalcançável para a maioria absoluta das pessoas e, por mais que você tente fugir desse estereótipo, as possibilidades de encontrar um parceiro para esse gay que atende à maioria das características é bem maior em relação ao resto.

Não vamos ser hipócritas e julgar todos que atendam a esse padrão, estética privilegiada e riqueza também podem vir de berço.

E quando não vêm? Dentre os héteros também existem padrões de parceiro ideal, mas eles tendem a abdicar de uns em detrimento de outros: É a mulher Raimunda, é o pobretão gostoso ou o careca rico. Quem consegue o pacote completo é considerado sortudo, mas quem não é o pacote completo também não fica sozinho.

E por que você, beesha bonita e pobre só consegue foda de uma noite e você beesha rica e feia só arruma boy toy que te liga quando seu salário bate na conta?

Simples, como nossa cultura é ainda muito jovem e estamos nos adaptando aos novos padrões, todo mundo quer o ‘melhor’, e se não consegue prefere ficar sozinho SE transformando nesse melhor para atrair outros melhores como você: É a teoria do Clone Gay.

Observem uma boate no século passado:

E uma boate atualmente:

A homogeneidade chega a assustar, não é verdade? E cada boy musculoso ali sem camisa só está musculoso e sem camisa porque batalhou para se tornar aquele ‘melhor’ que citei lá em cima. Por isso ele anda sem a camisa, pra vender o produto assim como a racha malhadora usa vestido curto pra mostrar os pernões.

Isso gera um círculo vicioso, porque os gays que se tornaram esse melhor não querem perder o seu tempo com gays que não atendam a esse padrão, forçando os outros gays a também buscarem se encaixar no padrão para conseguir os clones que desejam.

Afinal, não é porque você não faz parte do padrão que você não vai ser seduzido por ele. Principalmente com a mídia reforçando sempre, com flyers de boate e propagandas de turismo GLS, que o gay que todo mundo quer é esse:

Defeito

Padrões de beleza são assim chamados exatamente pelo fato de serem um ideal de beleza de um grupo, mas isso não significa que todo esse grupo esteja encaixado nele, principalmente num utópico como esse.

Nosso grupo sempre foi conhecido pela diversidade, por aceitar a todos… mas é só conhecido mesmo, porque a realidade não é muito diferente da feminina quanto à manutenção do seu corpo para servir o desejo estabelecido pela maioria (vá pra porta da São Firmino e veja se não estou certa).

Pintosa quebrando louça com pintosa, urso com urso, discreta com discreta, drag com drag, bombada com bombada? Já passou da hora de misturar.

E aí? Qual a opinião de vocês sobre esse novo esterótipo de gays que domina o meio LGBT? Em que ponto ele deixa de ser saudável e se torna uma obsessão?