UTILIDADE PÚBLICA: “Hierarquia”


Recentemente, as comentadoras assíduas puderam acompanhar uma discussão, um tanto quanto infundada, entre mim e um leitor do blog.

Acontece que durante a discussão vários pontos interessantes foram citados, e eu me vi na obrigação de trazer isso para uma discussão mais ampla, com vocês.

Dentre os comentários da gay (que vocês podem ver clicando aqui), o que mais me chocou foi esse, em referência ao subgrupo social dos gays:

“Creio que todo nicho social tem a sua devida hierarquia.”

Como se nós fôssemos divididas assim:

Eu tô louca ou está mais que claro uma boa dose de Fascismo nessa opinião? Ninguém duvida que exista uma hierarquia dentro dos grupos marginalizados, mas ninguém discorda que isso NÃO deveria existir, certo?

Afinal, se o grupo é marginalizado, nada mais lógico que dentro do mesmo não seja repetido o comportamento de quem o marginaliza, pelo menos em teoria deveria ser assim.

O tal comentador se diz “másculo, amante do universo masculino e nada afeminado”… até aí tudo bem, mas ele chegou ao ponto de concordar com a ideia de que os que não são como ele estão numa posição INFERIOR nessa suposta hierarquia que ele diz existir. Fico pensando se ele poderia ser o gay assumido e “masculino” que é se não fossem as bichinhas que lutaram por ele.

Por essas e outras que eu não tenho esperança nenhuma nesse corporativismo que pregam os movimentos LGBT, a maioria é medíocre e egocêntrica igualzinho o camarada aí de cima. São separatistas e estão pouco se lixando pra eugenia que se instaura dentro de um grupo “famoso” pelo respeito à diversidade, desde que ele esteja dentro do padrão criado pelos opressores.

O que deve passar pela cabeça dessas pessoas? Não pensam nas futuras gerações, “desde que eu tenha Big Apple na geladeira, MTV na Tv e um viadinho pior que eu pra me sentir superior”. Ledo engano de uma mente que não pensa fora do quadrado e não se toca que os verdadeiros déspotas vêem os dois (viadinho e machão) como farinha do mesmo saco, sem importar se esses fazem a barba com serra elétrica ou cera quente.

Antes de inventar uma hierarquia baseada na feminilidade dos gays, pense que tanto o viadinho levou a lâmpada fluorescente na cara, quanto o másculo pai de família teve a orelha arrancada.