Análise semiuótica de clipes fechativos: MARRY THE NIGHT (Lady Gaga)


Mais uma vez está de volta uma das seções mais amadas e raras deste blog, aquela em que desvendamos as mensagens por trás de todo o hermetismo desta moderna arte audiovisual que são os videoclipes, nossa querida Análise Semiuótica de Clipes Fechativos!  Hoje trazendo com exclusividade a análise frame-a-frame do novo clipe de Lady Gaga: Marry the Night, o mais longo (13:51) e o mais auto-biográfico de todos.

O clipe conta a história de nada mais nada menos do que da morte de Stefani Joanne Angelina Germanotta, e/ou do nascimento da mommy monster Lady Gaga! Vejamos:

O vídeo começa com Gaga sendo conduzida até a enfermaria de um hospital psiquiátrico. No texto ela deixa claro que é a história de um momento de sua vida de maneira estilizada, ela brinca dizendo que foi assim, porém sem a última coleção da Calvin Klein. Nas entrevistas, Gaga afirmou que esse clipe conta a história de um dos piores momentos de sua vida: quando foi retirada de sua primeira gravadora Island Def Jam e viu seus sonhos de ser uma superstar se desmoronando! O cabelinho preto deixa evidente que aí ela ainda era Stefani.

Na maca da clínica, Stefani tenta acender um cigarrinho, mas toma um coío da enfermeira. Quem é fumante sabe que não é fácil ficar sem. Max que o diga…

Momento emoção: a personagem desaba para a enfermeira dizendo “Eu queria ser uma estrela!”

Stefani coloca a toca do hospital de ladinho como se fosse uma boina. A câmera vai se afastando e mostrando todo o hospital. Um piano toca a introdução de um tema erudito acompanhado de uma risada histérica. Um clima de insanidade toma conta de toda a cena: Gaga era parida!

Ainda com o mesmo som de piano ao fundo, vemos a personagem dançando balé. Essa cena tem dupla função: uma é a de memória, como se lembrasse das aulas de balé clássico e piano que fez, como quem se questiona de todo o esforço realizado em vão para chegar em certo objetivo. A outra é metafórica, uma menção ao filme Cisne Negro em que  personagem se destroi e “morre” enquanto perfeição para surgir poderosa com seu lado sombrio, uma boa alegoria a história que será narrada.

Este é o exato momento em que a vida começa a desmoronar. Nua, na cama, recebe a ligação de seu diretor gongando-a e a excluindo das atividades. Ao mesmo tempo, em outra cena, ela toca piano – também nua – dando todo o tom dramático da situação. Tadinha!

Daí a racha surta! Quebra tudo, rasga seus trabalhos, come como uma louca… Tudo alternado com uma música rápida e cortes ligeiros das cenas das aulas de balé demonstrando o devaneio da personagem frustrada com o “não” que a vida lhe deu.

Silêncio! Agora vemos a personagem na banheira pintando os cabelos de verde. Essa cena é muito importante, pois ela é a grande metáfora da mudança de rumo na história de vida da personagem: é nela que acontece a morte de Stefani e o nascimento de Gaga! É aqui que se inicia a grande reviravolta! Aliás, a figura da “banheira” está em vários trabalhos da cantora lembram disso, disso e disso? Agora faz sentido, né?

Ao fundo ouvimos, ainda acapella, os primeiros versos da música “Marry the Night”.

Então chega aquele momento que só quem já se montou sabe como é, o momento de encarar o mundo. Gaga se apresenta as pessoas! Ela aparece em um grande salão toda trabalhada nas tachas, nos strass, nos óculos exóticos, na make bapho, enfim, no ladygaguismo, e é observada DE CIMA por várias pessoas. Sabe-se que na linguagem audiovisual, quando um personagem é visto de cima, ele está sendo ou se sentindo diminuído, humilhado etc. É, portanto, o retrato do julgamento das pessoas que te olham condenando, rotulando-te de esquisito, de estranho. Engraçada a carinha de constrangimento da cantora e “para descontrair” ela fazendo aquele sinal que nós fazemos pro boy quando a gente quer fazer um keti neli.

Escurece. A noite, que é tão cantada na música, chega. O cenário é Nova York em estado de caos, com carros incendiados e espalhados pela rua e Gaga está num deles. Fuma, passa batom…  respira e se fortifica com os ares noturnos.

Adoro divas que fumam nos dias de hoje, pois fumar – com todas essas políticas de combate ao fumo e discurso de boa saúde que é veiculado – tornou-se uma grande subversão! Te amo, Max.

Os carros explodem e lá vem ela como um fenix ressurgida das cinzas! Ela dança e canta passionalmente em meio ao fogo dos carros e a água da chuva (interessante contraste). Seria como a clássica cena de “E o vento levou”, em que a personagem jura nunca mais passar fome, porém a promessa, neste caso, é a de ser uma das mais importantes estrelas da década custe o que custar!

Como dizia Ford “O fracasso é a oportunidade de começar de novo com mais inteligência e redobrada vontade”. E lá está nossa heroína de volta aos ensaios de dança, certa de que o sucesso só vem com muito trabalho.

Aliás, essa cena também passa a coreô todinah do refrão. Quem já tá doida pra aprender ela todinha pra arrasar na muatchy grita: “EU SOU BUNITAAAA!”. Vengentchy:

♫”Ma ma ma marry, ma ma ma marry, ma ma ma marry the night!”♪

Tá babado!

Ainda na aula de dança, Gaga sofre um bullyingzinho de alguns, faz amizades, ajuda uma companheira que cai a se levantar e arrasa com a galera! Ou seja, a mensagem que fica é que em sua caminhada em direção ao sucesso você tem que fazer amigos e ajudá-los sempre que preciso. Um ajuda o outro e todos se dão bem!

PAUSA DRAMÁTICA: conheço pessoas que matariam para ter esses sapatos altos sem salto toda trabalhado na pedraria! Né, Lu?!

Há uma rápida menção sobre a Gaga indo fumar no banheiro e depois jogando os cigarros fora, como que dizendo que a personagem parou de fumar para fazer sucesso. Na verdade, quem é fã sabe que essa cena refere-se ao fato dela ter parado de cheirar coca, pouco antes da fama. Sabe-se que ela curte apenas um baseadinho de vez enquando… (Bicha Maconheira curtiu isso).

Ao fim do clipe uma rápida sequência de cenas  com looks baphônicos de tirar o fôlego e outras fechações evidenciam que a transformação em Gaga estava completa. Eu fui morrendo aos poucos com esse muco e esse chapeuzão!

O ritmo da música está rápido e cria um clima de frenesi aliado aos cortes velozes.

Carros explodem ao ritmo das batidas e a cantora e seu grupo dançam nas ruas. Está em estado de graça. O passado e suas derrotas é destruído e um final feliz se anuncia.

Ela sai de casa com o teclado, entra em um carro e parte, na mão está anotado o endereço da gravadora que produziu – e produz – a cantora e um horário, ou seja, é o momento em que abandonou NY em direção a LA em busca de seu sonho, provalmente para uma audição. IUPIII!

FADE TO BLACK! Ao final vemos a imagem da Mommy Monster sentada em seu trono de glória cercada por fogo de todos os lados. Enfim, vitoriosa e sambando na cara de todos que não acreditaram nela! Happy End, darling!

E se você ainda não assistiu ao clipe, #ficaolink:

Espero que tenham gostado! Muah.

♫ “O amor é o novo jeans ou preto” ♪


Sempre me pergunto porque Lady Gaga conseguiu se tornar quem ela é hoje, a personalidade que mais influencia nossa geração, em tão pouco tempo. Daí, vendo a apresentação que ela fez no Grammy da música Mary de Night isso fica evidente:

É a paixão!

Em nossa sociedade (pós-capitalista, pós-estruturalista, pós-deus) que nos quer solitários proletários, na qual todas as grandes verdades foram jogadas por terra e as instiruições tradicionais como família, igreja, Estado, Deus, polícia, hospital já não fazem mais sentido algum, ela vem e… BANG!

Seu discurso coerente, uma coisa liga-se a outra para passar sempre uma mesma mensagem. Ela transporta todo o espírito rock’n roll para o pop, este espírito que cria um frenesi quase que religioso na gente e de repente é como se todos fizemos parte de algo, com um nova crença. Nso lembrando que somos jovens.

Marry the Night é para nós que andamos a noite “sem deixar nada na rua sem explorar” em busca de diversão “como soldados contra nosso própiro vazio” e ainda que nos digam que “somos pecadores e perdedores” estamos  em busca de – sim, isso mesmo – amor!

Gaga é sim inspiradora. Pelo menos para mim…

"rs. brigadãm"

Concurso Cultural BC: NOVO BANNER!


Já repararam que estamos sem banner, né?

Desde o início deste blog, recebemos todo tipo de contribuição que as pessoas nos mandam: dados, matérias, fotos, etc. Desde sempre também que nossos leitores criam para gente a parte gráfica do blog, como a logo e os banners (imagem da parte superior do blog).

Nosso primeiro banner foi criado pelo Marvin e foi escolhido por uma enquete. O segundo foi criado pelo Nil, que foi quem ganhou o concurso para criação da nossa logo. Ou seja, a experiênca nos mostra que nossa casa de criadores só revela grandes talentos. Sabe como é, os melhores artistas, publicitários e designers capixaba são gays e são nossos leitores. Chupa, concorrência! Muah!

Não sei se vocês sabem, mas o blog completou no fim do mês passado 3 anos de idade! OOOOOWWWWNNNNN, tá ficando mocinho nosso menino! E por isso trazemos até vocês nosso concuro cultural para criação do novo banner. Não precisa ser profissional, não! Se a senhora é talentosa e arrasa no paint, se joga, bunita!

Vamos às regras:

O quê:

Criação de um banner para o blog.

Especificações: 740 × 192 pixels (ou 26,11 x 6,77cm) –  formato .jpeg. Deve necessariamente conter a logo do blog (clique aqui para baixá-la em alta resolução). Enviar para o e-mail: blogbabadocerto@gmail.com

Tema:

Três anos do blog Babado Certo (essa informação deve estar de alguma forma contida). O Babado Certo é um blog de temática LGBT capixaba leve e descontraído, mais acessado por jovens e caras descolados, criado em 2008. Tem tendências femininas.

Data limite para participação:
21 de novembro de 2011.

Avaliação:

Para avaliação será levado em consideração a estética, a originalidade e a relevância da peça. Haverá uma enquete com as participação dos leitores para que opinem sobre o trabalhos. Porém a decisão final será dos autores do blog.

Questões legais e éticas:

Ao participar do concurso os participantes aceitam ceder os diretos das imagem incritas ao blog Babado Certo. Não serão acetas peças que vão de encontro as diretrizes éticas do blog, ou seja, que incentivem a pedofilia, a violência ou o direito de imagem de outrem. A produção deve ser inédita e de autoria do participante.

Premiação:

Em primeiro lugar,  e mais importante o status de vencedor do concurso e a honra de ter seu trabalho veiculado aqui no blog. Em segundo, um par de ingressos para a boate Move Music (além de um combo de Salton Brut 750ml) e outro para a festa de aniversário do blog – ainda em negociação.

Agora é com você, use todo eu talento, sensibilidade e criatividade, participe desta brincadeira e arrase!

p.s.: Agradecimento especial à boate Move Muic pelo apoio.

Corram por sua vidas!


Desde que a @formichetti, stylist da Haus of Gaga, assumiu a parte criativa da marca francesa Thierry Mugler, a Gaga participa de todas as ações promocionais da marca e como vocês sabem, quando esses dois se juntam sempre é bapho. No halloween , postei aquele vídeo dos looks assustadores da cantora e ficamos com uma sensação de que a racha é mesmo de matar. E daí vem eles e…

DEMÔNIA!

Porque ficar linda e gostosa é para as fracas! Ficar “conceitual” é pras divas!… quédizê.

Olha, eu fiquei assustado de um jeito que mal dormi essa noite. Fiquei imaginando um filme de terror, em que você tenta fugir da filha do capeta que quer sugar todos seus fluídos corporais. Daí, você foge e está num beco sem saída, um corredor muito escuro e só vê se aproximando duas luzinhas, na verdade, o reflexo neste dois fentões de pérola aí…

DURMA COM ESSA!

Por falar em Gaga, vocês viram nesta semana a cena da novela ‘Aquele Beijo’ em que a trava Ana Girafa usando o vestidinho de carne a la VMA é atacada por cães raivosos na rua? E depois de ficar toda cagada vai mesmo assim pro concurso de dublagem e ganha por ter dado um ar decadente a performance? Não?! Veja agora clicando nas IBAGENS:

Parte 1

Parte 2

É por diálogos como “O cachorro está te olhando com uma cara horrível, acho que ele é homofóbico”, “- A Lady Gaga não mora em comunidade, não! – Mas, se morasse não ia se envergonhar disso!” e “Ainda bem que ela não veio com aquele vestido. Era muita carne de segunda, muito pescoço de galinha…” que eu vivo e amo ♥Miguel Falabella♥. É muita fechação, Brasil! Muah.

Happy… Gagaween?!


Hoje é halloween! Para comemorar nosso recalque por essa data americana que incentiva o travestishmo deste a infância, vamos ver um vídeo da fantasy que 9 em cada 10 bees usaram/usarão nas festinhas temáticas nas muatchys  neste período:

Amo/sou a cena em que ele decepa os sapos Cacos! Pior que olhando assim a Gaga é meio assustadora mesmo, néam? Loosho, poder, riqueza AND sedução!

Neste halloween, desejo que todos arrasem na montação e fechem horrores por aí. HAPPY HALLOWEEN, LITTLE MONSTERS!

Jo Calderone no VMA


Este VMA, prêmio da MTV americana dos melhores clipes do ano,  teve muito basfond: teve homenagem a rainha do pop, BritBicht, e a Amy Winehouse, teve Beyonça anunciando gravidez de forma loodica e teve Katy Perry como grande campeã. But, eu amei mesmo, foi o Jo Calderone, namorado da Lady Gaga, dando close no lugar dela, quando todo mundo esperava o glamour e a feminilidade da Gaga, o que as bee tiveram a surpresa foi um Jo báááásico e  máshcoolo. Aliás, Gaga, como boa ariana, tentou tombar Britney na sua homenagem ao tentar beijá-la, mas tomou um coió… “Não, eu já fiz isso no passado”, disse a bitch.

Isso tudo vimos na teleenha, mas poucos viram a entrevista do fofo, cata:

“Você nunca bateu punheta pra Britney quando era menor?” NOT!

Vazou: ‘Dívidas’ da Angela Jackson


Saiu o clipe da drag-diva-little-monster Angela Jackson: Dívidas, paródia de ‘Judas’, da Gaga. Abusada, Angela dá close e arrasa para falar de um mal que quase toda bee assalariada – eu! – passa: dívidas. E ela ainda dá umas alfinetadas ao se mostrar em lojas e numa famosa boate de Vitória: cita aquelas gays que se matam pra comprar umas roupinhas, gastar horrores na boate e depois ficam todas cagadas financeiramente, com cobrador batendo na porta… Olha sua vida aí, bee:

“Ai, como sofro, não tenho dinheiro e sou pintosa!”

Lady Gaga is BACK!


Depois da porcaria que foi o último clipe da racha, Lady Gaga ressurge das tumbas de Mumm Rá com looks fechatchyvos, muita transexualidade, um MONTE de referências do cinema e uma vibe Pequena Sereia que eu não dou dois dias pras gays aparecerem dentro de uma piscina 1000 litros no rock, só pra dar bafão. Cata:

Gentchy! Fiquei CHO-CA-DA com a Gaga beijando o próprio alter-ego masculino, vocês têm noção do quão semiuótico isso é? E esses óculos? Já estou quebrando todos os cascos de Brahma daqui de casa. Vou usar o fundo das garrafas pra fazer aquele oclão redondo, se eu me cortar toda aproveito e finjo que são as brânquias da sereia.

Não vou nem comentar do outro dourado feito de arame, porque senão não sobraria uma grade na entrada da Ufes.

Jo Calderone lança novo single


Qual é seu personagem de montada? Ah vá, toda bee que se prese tem um. O meu é Samantha Bity. A da Max é… Max mesmo, sobrenome Vanilla. E a nossa diva mor Lady Gaga também tem um: Jo Calderone! Lembram dele naquele ensaio da Vogue Japão? Ele agora está de volta, mais máschcoolo que nunca, na capa do novo single da gata (quédize), Yoü and I, qüenda, mona:

Um beijo pra quem é travestchy!

A dúvida agora é se ele estrelará o vídeoclipe da música, o que ia ser magia, ia ser sedução, néam?!

Não lembra qual música é? Canta cagente:

GAGA ROCKS!

E você, munitãm, qual seu nome de montada?

Lady ativista Gaga: “Sejamos revolucionários do amor!”


Acredito ser muito importante o trabalho que muitos artistas fazem aproveitando de sua visibilidade para dar apoio a causas humanitárias. Lady Gaga é uma que sempre está falando a favor dos LGBT, se não em suas músicas, aparições e shows, em entrevistas e atos públicos. Também pudera, Gaga deve muito de seu estilo às boates gays novaiorquinas e seu sucesso a fidelidade de seu público homossexual.

No último sábado (11), cantou para milhões na parada gay anual da EuroPÁ #marilacfeelings, a Europride, que aconteceu em Roma, e fez um discurso apaixonado sobre o tema, cata:

Do Mídia News:

Segundo a organização do evento, a Europride desse ano veio com a promessa de sacudir a Itália “retrógrada” de Silvio Berlusconi. Os organizadores justificaram que a parada seria uma resposta ao que o primeiro ministro da Itália revelou ano passado – ao se justificar sobre seus escândalos sexuais, Berlusconi disse à imprensa local: “melhor amar as menininhas do que ser homossexual”.

Sem contar este vestidão Versace bapho que ela usou que eu já estou indo na costureira do bairro A-GO-RA mandar copiar, mona! Não tô morta. Arrasô, Gaga!

Análise semiuótica de álbuns fechativos: ‘Born This Way’ da Lady Gaga


Não tem a expressão ‘babado, confusão e gritaria’? Pois então, nada define o novo álbum de Lady Gaga tão bem. ‘Babado’ porque tem um monte de fechações, efeitos bem aplicados e letras abusadas. ‘Confusão’ porque  mistura várias referências e mixa vários ritmos e texturas diferentes de coisas bem tradicionais até os mais vanguardistas experimentos indies de música eletrônica. ‘Gritaria’ porque a racha tira voz do koo e grita muito mesmo (coisa que ela adora fazer).

Sem dúvida é o mais autoral e ousado da artista. Com ele, o universo particular de Gaga se delimita ainda mais tornando-se bastante concreto e reconhecível.

Neste trabalho, ela flerta com com um lado bastante obscuro, ela está ‘casando com a escuridão’, como diz na canção que abre o álbum. Para isso aproxima-se do rock’n roll, em muitas faixas em seus estilos mais pesados. Muito antes de ser lançado, já se imaginava isso pelo que se havia sendo dito por seu produtor e por alguns ícones do rock como a banda Kiss e OzzyRecentemente, a própria cantora falou de seu encantamento pela banda Iron Maiden. Ao mesmo tempo a batida eletrônica está mais presente do que nunca, porém muito mais ousada: cheia de ruídos, distorções e sobreposições interessantes e surpreendentes. São infinitas camadas sonoras que o fã é convidado descobrir ao longo do trabalho. Ao que parece, há a presença do trabalho de experimentação de outros artistas desta casta.

Pessoalmente, acho o álbum pouco pop em relação aos trabalhos anteriores, o que pode ser bastante arriscado, apesar de sincero e autêntico, por outro lado. Com ‘Born This Way’, Gaga provavelmente perderá todos os fãs que a buscavam apenas por seus looks fechativos, até porque ela tem cada vez mais se desmontado, entretanto cativará ainda mais quem a segue por sua música criativa.

Vamos avaliar e comentar faixa-a-faixa este bapho, então?! Bota o fone de ouvido, aumenta o som e se joga bunita:

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1. Marry the Night

A música funciona super bem como introdução do álbum e é quase como que uma profissão de fé: fala sobre o flerte que a autora fará com seu lado mais obscuro para passar sua mensagem de liberdade. É divertida e dançante, daquelas que dá vontade de cantar junto pulando e rodando ao som das batidas.

2. Born This Way

A gente está quase  surdo de ouvir esta. Foi a primeira lançada e já tem videoclipe. Está no meu top 3 do álbum. Além de ter uma batida bapho, tem a letra mais foda do álbum por congregar várias mensagens que a cantora sempre quer passar: liberdade, auto-estima, tolerância as diferenças, causa LGBTT. Tem o trocadilho genial que amo: “Don’t be a drag junt be a queen”. Ah vá! Vai me dizer que a senhora resiste a dublá-la e fazer a coreô?

3. Government Hooker

Também está fácil no meu top 3 e é forte candidata a minha preferida. Ela é estranha, tem uma introdução debochada (“Gaga, GagaaaaaAH!”). Vão mudando a voz da cantora eletronicamente ao longo da canção de forma a tomar vários timbres diferentes. Tem um momento que a voz dela fica i-go-al a da Madge (2:48) e em outro igual da Nonô Spears (2:11). A música é uma crítica sarcática as “prostituídas” pela industria fonográfica. Mas as bees – conhecendo como eu as conheço – darão outro sentido. Tipo eu que sempre canto “P*ca na minha boca” em vez de “I wanna PIIII government hooker

4. Judas

Outra que já ouvimos bastante e também já tem clipe. A batida é pesada e seca – parece que vão rasgar a bateria. è também bem barulhenta sendo um pouco enjoativa a longo prazo. Minha parte preferida é o trecho incidental (a partir de 2:41) em que mixam a voz da cantora em tom grave e agudo. Cool!

5. Americano

A música de tema latino do cd é quem completa minha tríplice de favoritas. É uma mistura louca de ritmos latinos tradicionais e cafonas com uma batida eletrônica sen-sa-ci-o-nal. A letra tem caráter político, é uma espécie de lamento dos imigrantes ilegais nos EUA. Parte é cantada em inglês, parte em espanhol. Amo o trecho que fala “Chicos” e vem uma respostazinha aguda dizendo “Chicas” (02:25). Reparem: começa com uma arma sendo engatilhada e termina com um tiro.

6. Hair

Achei chata e sem graça. Uma pena porque a letra é até legal. Especialmente quando diz que é ‘livre como seu cabelo’.

7. Scheiße

‘Scheiße’ quer dizer ‘merda’ em alemão, coisa que esta faixa não é (!). Parte da música é cantada na língua germânica e Gaga, sempre muito debochada, começa-a dizendo que não fala alemão, mas que pode se a gente quiser. São muito gostosos e divertidos os fonemas da frase repetida infinitas vezes (tente repeti-la, a língua faz uns movimentos saborosos). Já a conhecíamos em versão remix do desfile de Mugler com o Zombie Boy, lembram?

8. Bloody Mary

Ai, amo esta! Ela é deliciosa! É daquelas que a gente sente: na boate fecha os olhinhos, dança rebolando lentamente e esfregando sensualmente as mãos pelo corpo. Os sons incidentais são um show a parte, especialmente umas vozes que lembram canto gregoriano e o gritão que ela dá. A letra é belíssima, é Maria Madalena cantando seu amor. “Nós não somos só arte para Michelângelo esculpir/Ele não pode reescrever o ápice/do meu coração enfurecido“, diz a letra. Só eu que ouço ela falando “Liberdade, meu amor!” em português no final da música?

9. Bad Kids

Tem um espírito rock’n roll – ouvimos a guitarra elétrica e suas distorções – apesar de ser bem eletrônica. Música gostosinha, bacaninha. Assim mesmo, no diminutivo.

10. Highway Unicorn (Road to Love)

É boa.Tem unicórnios, pôneis, sutiã e bebedeira na letra. O ‘Run run with her t‘ é um prato cheio para um remix bapho.

11. Heavy Metal Lover

Outra que tem uma batida gostosa. Adoro o “ooh-ooh-ooh-who-who”, especialmente na parte tunada (03:04). Tem essa coisa mais modernex da música eletrônica mais indiezinha. Na letra, Gaga faz a bad girl com um bad romance.

12. Electric Chapel

É retrô que você quer? Então toma, querida! Porque essa música respira ares oitentistasBARRAnoventistas. E num clima dark. Ao mesmo tempo com uma coisa de pop japonês. Enfim, misturinha boa que a gente gosta.

13. You and I

É a música melódica do álbum. Sabe aquela que a Gaga vai sentar no piano e se rasgar toda cantando? Então. É a nova ‘Speechless‘. Não curti.

14. The Edge of Glory – 

Corram é música chiclete! Mentira que eu amo! É a atual música de trabalho dela e está pra sair um clipe da faixa. Já é chamada carinhosamente pelas bees como “o edí da glória”.Vamos ouvir MUITO essa faixa nas baladas e envolvidos por seu ritmo cativante. A fatida é foda, o sax é foda. Dá vontade de pular todas juntash cantando bem alto e bem forte (vamo lá, gentchy!): “I’M ON THE EDGE OF GLORY!