Um tipo de campanha incoerente


Acabei de acordar e dei de cara com a seguinte notícia na minha timeline:

bla bla bla

O projeto fez o uso dos boys deliciosos acima para angariar fundos para uma empresa que luta contra a homofobia e o bullying na sociedade. Ótimo, uma gracinha, se você olhar por um lado.

Porém, eu fiquei pensando, como pode uma empresa que luta contra o bullying, sofrido muitas vezes por pessoas que não têm o corpo dos remadores, fazer uso da cultura hegemônica de beleza quando a intenção é ganhar dinheiro?

Sexo vende, nós já sabemos disso desde o primeiro episódio de Queer as Folk. Mas o que vale mais, uma ideologia ou algumas centenas de de dólares?

Isso pra mim soa como se as feministas, que lutam contra a objetificação do corpo da mulher, fizessem um calendário cheio de mulheres gostosas semi-nuas para juntar dinheiro para financiar uma campanha contra a violência contra a mulher.

Falta coerência no discurso.

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É uma coisa a se pensar, a intenção do projeto pode ter sido das melhores, mas não é um tiro no pé fazer o uso da imposição estética, responsável pela homofobia internalizada e pelo bullying contra os quais você luta, para bater uma meta monetária?

Tá que têm fotos ali que mostram um contato íntimo entre os homens (como um fazendo a barba do outro) que passa uma mensagem legal contra o machismo e a falta de contato físico masculina. Mas qual a lógica de fazer tudo isso com eles pelados no meio do mato com baldes pendurados na piroca? A mensagem por si só não seria passada se eles estivessem vestidos?

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remadores-2

Se eles fossem gordos eu tenho certeza que arrumariam uma forma alternativa de passar as mensagens sem precisar explorar o corpo. Mas quando é sarado, parece que o jornalismo punheteiro toma conta da cabeça dos fotógrafos e eles se esquecem do discurso nocivo que pode surgir.

Por isso que eu digo que, mesmo com a melhor das intenções, eles não fugiram da fórmula mágica do homem sarado pelado que lotam nossas campanhas contra a homofobia e vendem um padrão de beleza ideal que tanto oprime quem não se enquadra.

Até que ponto a super-exposição de corpos de homens sarados em campanhas contra a homofobia ajudam ou prejudicam a própria luta contra essa homofobia, principalmente contra a homofobia internalizada?

PENSEM, BEESHAS, PENSEM!

celine

16 comentários sobre “Um tipo de campanha incoerente

  1. Tá mais pra calendário de oficina mecanica versão gay, não vejo como isso vai ajudar moralmente na causa, mas o arrecadamento de fundos é algo bom! =D.Ainda sim…sou uma má pessoa se eu disser que quero esse calendário?huahsuahsuah

  2. Tem razão, estimula preconceito.
    Mas não acho que seja a homofobia, e sim um ideal estético que, no maio gay, é exacerbado. Mas não se trata de um preconceito com a sua própria homossexualidade ou a dos outros, mas de uma exclusão impiedosa de pessoas que não estão dentro de um determinado padrão físico.

    • Não é homofobia, é machismo, pra ser mais exato, o padrão de beleza masculinizado está aí para execrar qualquer traço feminino, é misoginia pura. Mas eu usei homofobia porque isso gera homofobia internalizada.

      • Concordo em discordar. Aí eles buscaram um belo, que poderia ser rapazer magrinhos com cara de bebê e cabelo grandinho. Quase feminino, o que em inglês se diz preety para homens, mas ainda assim um belo. Mas que se torna um problema por ser a atração de algo que busca valorizar (e valorar) uma causa anti-bullying. Ou seja, que viria a dizer “não importa quem você seja, você é lindo”.

      • Diversidade é apenas uma das propriedades do universo gay.
        Imagine o mundo sem padrões beleza. Ninguém teria meta nem motivação. A beleza seria deixada de lado.

      • Max, você tá vendo machismo em tudo, bicha! A senhora vai acabar paranoica igual a Betty Friedan – que por sinal era uma homofóbica militante e, nos bastidores do movimento, uma Amélia que aceitava inclusive apanhar do marido que a traía (no fim das contas, até a Dona Lola de Éramos Seis era mais feminista que aquela hipócrita do discurso radical). Você não concorda que não há nada de surpreendente em apreciar um “padrão de beleza masculinizado” num corpo masculino? Não que eu ache esses caras tanta coisa assim (até prefiro você a eles, e não estou dizendo isso só para evitar um contra-ataque furioso rs).

        • A resposta ao seu comentário está no proprio post. Você parece que lê tudo pelas metades só pelo prazer de discordar de mim.

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