A Passividade é como um Sacerdócio


Beeshas, tenho um assunto pra dividir com vocês. Esses dias estava na mesa de bar com o Dé e o pessoal do Gepss e tivemos juntas uma epifania: A passividade é um sacerdócio!

Ave, Piroca

Ave, Piroca

Pensem comigo. Quantas vezes você, ou algum amigo passivo, já se viu chupando um boy num canto qualquer sem que ele nem ao menos tocasse em você?

Ou quantas vezes você se viu diante da possibilidade de dar e mesmo sem a chuca feita, super insegura, foi lá e fez, sem sentir prazer algum por estar concentrada em não passar cheque?

E, por fim, quantas vezes vocês não tiveram orgasmo, mas mesmo assim saíram do sexo satisfeitos só por causa da cara de satisfação do boy?

Pois é, muita gente vai lembrar de várias situações ao ler o parágrafo acima.

E eu pergunto, por que será que o passivo tende a sentir prazer no ato de dar prazer, e se sujeita a essas situações?

Formulamos três hipóteses, e eu queria que ao final vocês votassem na enquete pra gente poder entender o que se passa na cabeça das senhoras. Aí semana que vem farei um post mais completo, levando em consideração seus comentários e o resultado da votação.

Primeira Hipótese: Vocês gostam MUITO de pica. 

Muito, Max!

Muito, Max!

Essa foi a resposta de um amigo meu que costuma sair da mesa do bar, esporadicamente, só pra fazer sexo oral em desconhecidos. Ele não beija, não fala nada e mal encosta no boy, seu único contato com eles é via pênis.

Pode soar estranho pra algumas pessoas o fato de alguém fazer sexo oral em outra pessoa e não rolar nem um beijo, uma retribuição… NEM UM OBRIGADO! O boy levanta a calça e fala “Valeu aê”.

Mas é super comum esse tipo de relação, principalmente em lugares heteronormativos ou em banheiros de terminal, shopping.

Segunda Hipótese: Só existem 4 ativos no Brasil.

Who run this motha?

Who run this motha?

Essa também foi bastante respondida. As gays estão desesperadas com o empassivamento coletivo dos gays desse país e, diante da sensação de que se desperdiçarem aquele pinto, pode ser que nunca mais encontrem outro pela frente, chupam/trepam sem receber nadinha em troca.

Curiosamente, aqui o grupo se divide entre passivos ortodoxos que não se deixam levar pela situação alarmante e ex-passivos que se nomeiam versáteis pra ver se conseguem pelo menos dar no troca-troca, comendo um koo com muito custo, mas sendo recompensados depois… ou antes… vai de quem deitar de bunda pra cima primeiro.

Terceira Hipótese: Nós somos uma cópia dos heterossexuais

Lá vem ela com Feminismo...

Lá vem ela com Feminismo…

Ora, ninguém nunca nos ensinou a ser bicha, né? Desse modo, nós tendemos a copiar a lógica dos casais heterossexuais, sendo o passivo a mulher e o ativo o homem. Não tem exemplo mais claro que a maneira como nós nos tratamos: “A Passiva e O Ativo”, até o gênero muda!

E como nossos únicos exemplos de comportamento sexual “de sucesso” estão na família, na TV e nos filmes… o que a gente vê nesses lugares?

Mulheres que nunca tiveram orgasmo, mulheres fingindo orgasmo, mulheres fazendo sexo só para satisfazer o parceiro. Por exemplo:

[youtube http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=cVXJ6vGJzBE] [youtube http://www.youtube.com/watch?v=b0OeM6UUAoI]

Mas como estamos falando de um homem, que foi criado sem passar pela castração social que a mulher passa, ele se bagunça todo e por um lado tem um desejo sexual aflorado, mas em contrapartida se deixa levar pela submissão da relação hétero.

Resultado: Ele se satisfaz satisfazendo o outro.

Com qual das hipóteses você se identifica?

49 comentários sobre “A Passividade é como um Sacerdócio

      • Tem. Euzinha. E nao vejo nada de estranho em chupar sem beijar na boca, aliás, adóóóóro. Desde a minha intensa vida sexual até hj dá pra contar nos dedos quem eu beijei na boca. Engraçado que eu acho mais nojento beijo (por causa do mau hálito e dentes não-alinhados e outros..) do que uma piroca.
        Beesha, eu sou louca por neca (mas nao de outra gay, no mínimo bi). Já até fui pega no banheirão por policiais amigas. Eu até pagaria (ah tá que eu nunca paguei) pra chupar um hetero, sabe esses que põe pra fora e fala: é só pra me chupar, se encostar vai levar porrada? Fico louca.
        Bijosss. Adorei esse post.

  1. Acredito nas 3 hipóteses.
    Mas acho que a maioria se enquadra na última.
    Acredito que muitos passivos se anulam para dar prazer ao parceiro.

  2. Sempre achei que o sexo acontece muito mais na cabeça que no físico. Falar que a passividade é um sacerdócio é tão coerente – já que coloca o passivo num patamar altivo – porque que ele, mais que o ativo, realiza todo ato na psique. O desejo pelo falo, ser o objeto gerador de prazer e conseguir maturar todo o desejo, o gozo e a lascívia de uma maneira internalizada.

    Acho que a submissão, essa proximidade do feminino, o fato de ser invadido por um homem tem sim sua contribuição no prazer passivo. É a simbiose entre esses fatores que faz do passivo um sacerdote, um arauto do prazer!

    • Arrasou na teoria! Tão intrigante que me estimulou a marcar de levar seu comentário pra gente discutir no Gepss quarta que vem. Seu lindo ❤

      • sério, Gente?! Não vejo assim não. Meu namorado, que é ativo, adora meu pintinho rs. e fica doido ao me ver sentir prazer. Acho que essas coisas não tem muita explicação. Não comigo.

  3. 3 Fato, acho que a maioria dos passivos vivem numa “eterna solidão” e ai quando surgi uma oportunidade(um boy) a gente esquece de aproveitar, curti o momento, pensa somente em dar prazer para o ativo, achando que se esforçando ao máximo o cara vai se apaixonar e os 2 vão viver uma linda historia de amor e ai e aquilo vc acaba sendo apenas uma “garota de programa” e o pior sem receber $$$$ kkkk o cara te usa apenas para aliviar o tesão do momento e no outro dia nem sabe mais quem é vc e a passiva ainda se sente culpada pelo boy não ter ligado no outro dia (será que não foi bom?, poderia ter feito isso ou aquilo melhor). Acho que isso

    • Gente, isso é muito triste! Nessas horas agradeço a Zeus pelo meu problema hormonal e minha aparência, pelo menos achar homem não é dificuldade pra mim.

      • achar homem pra sexo é uma coisa, max, achar alguém que goste de você, cuide, que te deseja diariamente, queira estar com você por muito tempo não é tão fácil.

        • Também não me falta, felizmente 🙂

          Não tenho do que reclamar no que tange minha vida amorosa, mas solidarizo com a causa. Não foi à toa que tive a sensibilidade de escrever o post e provocar a discussão.

          Mas eu ainda acho que isso é resultado do fato de muita gente me conhecer, por causa do site. Quanto mais gente te conhece, maior a probabilidade de encontrar pessoas que te queiram bem.

  4. Eu acho que a questão é um misto de carência, solidão e querer ser/ ter um pouco do outro, chupar literalmente aquela ( pseudo ) masculinidade dos boys, sentir o prazer deles, provar para si próprio que sabe fazer o sujeito se derreter e finalmente gostar de ver aquele membro teso e rígido, pulsante de tesão.

  5. Curto muito pegar Ht’s, então vo falar sobre minha relação com eles.

    Eu me identifiquei muito com o 2º e 4º parágrafo. O 3º parágrafo nem um pouco porque, putz, quem está comendo um cu deveria esperar que não será pétalas de rosa que sairá. Mas nunca fui de passar cheque, mto menos fazer chuca. Nunca fiz uma chuca e nem farei.

    Eu curto mesmo é chupar o cara, ver a satisfação estampada na cara dele, não faço questão de dar a bunda, não vejo necessidade de beijar, mas se estiver afim, blz. Vários querem meter, mas ai invento vários obstáculos. Raramente aceito, só mesmo qdo estou extremamente excitado pelo cafuçu.

    O mais contraditório ? Eu curto muito mais ser ativo. Gosto razoavelmente de ser passivo, 1 vez ou outra a cada 6 meses.O que mais me excita é achar que aquele cara nunca seria passivo e, de repente, vou e como ele.

    • Minha relação com gays
      Curto ser ativo também. Me excita ver a cara de satisfação do meu parceiro. Só sinto tesão pra chegar ao ponto dele ser ativo comigo se ele for bem másculo.

    • Eu curto mesmo é chupar o cara, ver a satisfação estampada na cara dele, não faço questão de dar a bunda, não vejo necessidade de beijar, mas se estiver afim, blz. Vários querem meter, mas ai invento vários obstáculos. Raramente aceito, só mesmo qdo estou extremamente excitado pelo cafuçu.

      [2]

  6. Percebi que o assunto deriva e redunda na importância do sexo.
    E também que os ativos foram colocados num papel mais egoísta.
    Eu já tive experiências onde eu não gostava muito do sexo com meu namorado, passivo, mas mesmo assim eu transava porque gostava muito dele (O relacionamento acabou por problemas de compatibilidade que não envolvem sexo, apesar que problemas sexuais não seriam menos válidos).

    Não acredito em hipóteses fechadas. Os animais são complexos demais para uma simples fórmula dizer tudo.
    Primeiro vem o lado animal, onde o sexo exerce algum papel importante fora o reprodutivo e está relacionado com o instinto e a percepção.
    Tem também o lado humano, onde a consciência e a emoção superam os instintos.
    Só que não. Mesmo os animais podem apresentar comportamentos diferenciados, que fogem às regras gerais, e é assim que evoluímos e nos diferenciamos.

    Também acredito que as pessoas têm níveis diferentes de apego ao sexo e a coisas superficiais.
    Podemos dizer que são pessoas mais razas e que se diferenciam variavelmente das demais pela importância que o sexo tem para elas.
    As hipóteses geradas no seu grupo, acredito eu, podem se resumir na dualidade: “o sexual” (trepar) x “o emocional” (fazer amor, ter alguém para amar) – qual é mais importante?

    Uma analogia grosseira do assunto: uma pessoa que faz sexo sem sentimento age como um usuário de drogas que procura prazer rápido;
    a pessoa que faz com sentimento (ao menos o de esperança) age em busca da felicidade plena e duradoura.

    (acabei de pensar numa tatuagem brasão da esperança na neca, hahaha)

      • Não, ele não se torna versátil por fazer sexo oral no passivo. Já li que existe o ativo e o passivo, porém, existem o ativo liberal (que beija, faz sexo oral e etc) e o não liberal (apenas penetra, sem demonstrações de afeto) Eu me enquadro no ativo liberal, exceto por não fazer sexo oral. Já tentei uma vez e não me senti a vontade, não curti e não quis tentar nunca mais. Lógico que, se eu tivesse um namorado de um tempinho, com o tempo ia acabar acontecendo. Ou não.

        Se vc já viu vídeo pornô gay, deve se lembrar de um ator chamado Marcelo Cabral, que atores disseram que ele não gostava nem que o passivo encostasse o saco na perna dele…enfim…

      • Existem ativo quase héteros, que nem encostam no pênis do parceiro e que não gostam que encostem na bunda deles. Ele é “o comedor”, só isso.
        Mas esse tipo de postura não é a mais comum. Ativo / passivo / versátil só se aplica a sexo anal. O resto é cultural, tipo, acharmos que parece subjugamento coisas como chupar e deixar o passivo pegar na sua bunda.

  7. Sabe quando alguém pede comida na porta da sua casa e vc dá uma vez por pena mas se o cara pedir sempre vc pára de dar e já acha que é abuso? pois é, sou dessas.

  8. Bacana! O texto me fez pensar o seguinte: para mim o prazer em dar prazer dos passivos se encontra no princípio erótico de transformação do indivíduo em objet d’art. Daí teríamos por exemplo as tecnologias do corpo como a chuca e a depilação. A relação de submissão e dominação entre ativo e passivo seria então horizontal, havendo um efeito de dominação também por parte do submisso, através da sua transformação em objeto do gozo. Há na cultura gay uma grande presença de hierarquias a meu ver, como podemos observar no culto às estrelas de Hollywood e às Divas,que nada mais seriam que a personificação de um objet d’art. Minha hipótese é que a passividade é culturalmente construída, dentre outras, nessas relações de hierarquia que se busca atingir. Bom, são só divagações e hipóteses!

  9. Amo o Max defendendo suas convicções. Pulso firme! / E pode usar o comentário, fico honrado. Qualquer dia dou um pulinho em Vila para boas discussões! Bjos!

  10. Comecei minha vida sexual como passivo por um bom tempo e percebia isso mesmo. Que ativo era egoísta. Que gozava e ia embora, pouco se importando se você tinha gozado/gostado.

    Porém aconteceu de eu arrumar um namorado passivo e, por isso, comecei a me aventurar mais como ativo. No início era bem estranho. Mas sinceramente pra mim é igual aprender a dar o cu. Você tem que entender a posições e estímulos que te fazem sentir mais prazer e que permita que o parceiro sinta prazer também. Não tenho do que reclamar do meu ex. Ele era muito bom na cama. Acontece que mesmo depois de a gente ter terminado, comecei a ser ativo com mais frequência que passivo (hoje em dia tenho até preguiça de dar. Avalio os boys ativos em “vale uma chuca”/”não vale uma chuca” hahaha)

    Tenho reparado o mesmo egoísmo nos passivos com quem eu fico. A maioria tem pavor de continuar sendo penetrado depois que gozam, não chupam piru depois da trepada por causa do gosto do lubrificante da camisinha e estão muito cansados pra bater uma. Resultado: termino a maior parte das minhas transas como um adolescente, só na punheta. Porém nunca reclamei disso com nenhum deles e até transo de novo com alguns.

    Como achar passivo não é difícil, não acho que as hipóteses 1 e 2 sejam aplicáveis à situação. A hipótese 3 também não se aplica.

    Queria saber dos outros ativos se é só comigo que acontece isso.

    • Concordo. O escritor do texto é um gay passivo querendo falar por todos os gays de forma preconceituosa e estereotipada.

  11. Acho que os 3 fatos sao um resumo perfeito de todos nós
    semana passada mesmo, saí com um cara (70 anos de idade, acreditem, até agora nao sei como tive essa coragem) e a relaçao entre nós foi apenas, boca, rola e cu, boca de novo, cu de novo e por aí vai…. entao eu podia dizer aqui que é pq gostamos muito de rola, mas os 3 fatos nos completam

    Mas entao, como eu tive que votar, votar na 3ª opçao, pela passividade, eu amo ser passivo, amo ser dominado, amo dar, somos um reflexo perfeito das mulheres, gostamos de tudo o que elas gostam e por isso fazemos tudo o que elas fazem, nos tornando assim, passivAs

    Foi na 3ª opçao que eu votei

  12. Rs. Somos uma constante em movimento, né Max?! Até seus posts rs.
    Por exemplo, já vi você, inúmeras vezes, sendo contra os rótulos ou a padronização de comportamentos, mas esse aí, vai de encontro a outros. (não é uma crítica, pelo contrário).
    Agora, respondendo à sua enquete, acredito que não me encaixo em nenhuma das hipóteses. Apesar de gostar bastante do “negócio”, observar que a *atividade gay está meio fraca, Nunca transei sem beijo, ou o mínimo da carinho e tal… Nem por isso, me julgo melhor que ninguém. Apenas, nunca fiz.
    Sobre a heteronormatividade, meu namorado faz eu me sentir o homem mais homem de todos: em nenhum momento temos um comportamento parecido com o dos héteros. Somos apenas nós mesmos: dois homens que se amam fazendo sexo/amor/foda/metida bem feitos.
    Estou aprendendo a levar as coisas de uma maneira mais leve. Talvez, por estar amando, talvez, por estar amadurecendo…
    Enfim, ser passivo é um sacerdócio? Não vejo assim. Mas já conheci pessoas que se encaixam nos perfis que você cita.
    Grande beijo!!!
    😀

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