Muito cuidado com o que vocês pensam…


Muito tem se falado sobre o vídeo abaixo:

avisão

Tá, fizeram o que fizeram e não tem mais volta. Os rapazes nem são gays, segundo os próprios, mas podem saber que o populacho não tá nem aí pro que eles disseram, mas sim para o que Feliciano postou: “Ativistas gays fizeram isso comigo”.

Vi muita gente comentando e usando a seguinte premissa: “Feliciano não respeita ninguém, não pode exigir respeito. Você deve respeitar para ser respeitado.”

Vem cá com a Max, leitora

Vem cá com a Max, leitora

E eu te digo que NÃO, isso não é verdade. Eu posso ser a pessoa mais deplorável e mal-educada da face da Terra, nenhuma atitude minha justificaria uma violência que não acontecesse no calor de uma discussão.

O meu recado é: cuidado com essa premissa do “respeite para ser respeitado”, porque ela pode se voltar contra você quando o assunto for a homofobia.

A noção de desrespeito é pessoal e muitíssimo relativa, com isso, o que é indiferente para você pode ser extremamente desagradável e desrespeitoso para outrem.

É… eu estou falando do beijo gay em público.

E não só beijo

E não só beijo

Se você se prende a essa premissa, você automaticamente dá aval para que pessoas que se sentem ofendidas com um beijo gay (e são várias) tenham o direito de te desrespeitar.

Em resumo, a situação foi engraçada, compreensível, mas jamais deve ser estimulada. Principalmente quando fazem menção a uma suposta homossexualidade do Feliciano como forma de denegrir a sua imagem.

Fazendo isso nenhum de vocês estará contribuindo para uma possibilidade, mesmo que remota, de contemporização. Muito pelo contrário, fazendo isso vocês corroboram e confirmam a ideia de que ser gay é algo ruim e pode ser usada como ofensa.

:*

=*

11 comentários sobre “Muito cuidado com o que vocês pensam…

  1. Reza uma lenda da sociologia que não se alcança mudanças significativas numa sociedade com manifestações insípidas. Só com doses generosas de ousadia verborrágica e dano ao cenário desconfortante se constrói novas realidades. Atingir os símbolos máximos de opressão e desconstruí-los /destruí-los abre caminho para a inserção da liberdade e justiça.

    Acredito – dentro de uma coerência limítrofe – que é necessário, às vezes, violentar os símbolos opressores a fim de extinguir o domínio sobre a coletividade. Mas, esse tipo de manifestação tem que dialogar com toda sociedade. Se o entendimento não alcança a massa a sua razão se perde. Esse é um caso claro onde a manifestação de repúdio sobre essa figura truanesca não acarretará nada além de um revés para toda comunidade gay – por mais que todos desejem intimamente fazer o mesmo ou pior.

    Venho percebendo uma falta de argúcia nas nossas manifestações; já que elas não dialogam de maneira clara com a sociedade. Está na hora de quebrar a recorrência de insucesso, de atos que reforçam os estigmas sociais e que alimentam as imagens estereotipadas sobre nossa comunidade, assim só reforçamos as inverdades edificadas por pessoas como Feliciano. Infelizmente, não podemos fazer como reza a lenda, batalha “armada” não funcionará.

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