Porque ser gay não é o mesmo que ser homossexual


Título controverso, né? Mas eu tenho certeza que vocês já ouviram falar dessa expressão em alguma mesa de bar, muito provavelmente acompanhada da máxima “gay significa alegre, não é preciso ser homossexual pra ser feliz”

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Nada disso, a questão é muito maior que só alegria, aliás, não tem nada a ver com isso, porque a gente sabe que o que mais existe é beesha amarga e mal-amada.

Alguns anônimos que comentam aqui não me deixam mentir.

O termo gay vem do inglês e quer dizer isso mesmo, inicialmente, mas depois passou por um processo de ressignificação e se transformou numa palavra usada para designar especificamente homens e mulheres homossexuais.

E eu te pergunto: Por que essa suposta alegria foi vinculada aos homossexuais?

É aí que entra a parte que eu quero desconstruir com as senhorinhas, me fazendo valer da chamada Teoria Queer.

PREPARE-SE PARA A NABADA

PREPARE-SE PARA A NABADA

A Teoria Queer é uma corrente de pensamento criada por vários estudiosos pós-modernos, como Guacirão que sempre falo aqui no blog. Ela tem esse nome como resposta ao tom pejorativo que a palavra “queer” tem na língua inglesa.

Equivale ao nosso “bicha”/”viado” (com i mesmo, diferente do bicho) e sempre foi usada com a mesma intenção do nosso termo: Desqualificar o homossexual caricato ou assumido.

Mas o que é ser caricato?

Não sei, Max, me explica?

Não sei, Max, me explica?

Qualquer pessoa diria: A beesha caricata é a beesha afeminada, escandalosa, com comportamento sexual incontrolável e super barraqueira.

Exatamente! E isso é maravilhoso do ponto de vista social. É nessa quebra do comportamento padrão que mora a base da Teoria Queer, por isso a vinculação.

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Sabendo disso, essa teoria busca confrontar todas as formas bem-comportadas de pensamento, de cultura e de expressão. Pensar “queer” é pensar fora da caixinha que nos separa em homens, mulheres, homossexuais, héteros, bis ou seres de luz.

Pra essa galera, separar os indivíduos em categorias tão superficiais não dá conta de abranger toda a diversidade humana.

Tentar explicar o meu gênero e a minha sexualidade é um enorme exemplo disso. Tô mentindo?

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E foi por esse motivo que o termo gay e, consequentemente, o termo queer foram vinculados ao homossexual.

São nos nossos guetos, nas nossas reuniões, que esses paradigmas culturais são quebrados com alegria e extroversão, sem a menor culpa ou medo dos olhares peremptórios da sociedade.

Seja quando um homem se veste de mulher, quando você chupa um boy no banheiro da balada ou quando uma bee é tão feminina que mal sabe a qual gênero pertence, todas essas são formas de botar pra foder com a lógica hegemônica do comportamento.

Isso quer dizer que se ser gay ou queer apenas se refere a um comportamento controverso mais frequente nas comunidades homossexuais, e por isso não é preciso ser homossexual para ser gay, basta que se quebrem essas amarras de gênero e sexualidade.

O heterozinho com medo da pica da verdade Maximiliana

Heterozinhos com medo da pica Maximiliana da verdade

Vale lembrar que nosso famoso gaydar é todo baseado nisso, somos treinados a procurar nos outros essas variações da cultura e da lógica patriarcal para assim vincular o COMPORTAMENTO à SEXUALIDADE.

Não é à toa que quebramos a cara inúmeras vezes, principalmente quando tentamos definir beeshas carolas e cristãs, que passam incólumes.

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Tudo isso prova que generalizações são sempre burras… OPA! Isso foi uma generalização.

Mas e você? Tá esperando o que pra se assumir queer?

7 comentários sobre “Porque ser gay não é o mesmo que ser homossexual

  1. Se não me engano, a palavra “queer” significa estranho, esquisito. Se a cissexualidade e a heterossexualidade são as normas, nada mais apropriado do que qualquer coisa ligeiramente diferente seja “esquisita”.

    Quanto ao fato de gay ser igual a homossexual, confesso que em certos contextos uso ambas as palavras indiscriminadamente, mas consigo entender o ponto de vista do texto.

    • Sim, significa estranho também 🙂

      Preferi usar o termo viado pra criar uma linha de raciocínio mais com a cara do blog. Mas você tá certo sim

  2. Max, a Guacira é uma besta (eu não ia escrever isso, mas lembrei do mestre Nelson Rodrigues, quando, perguntado por um jornalista quais seriam suas últimas palavras se ele estivesse morrendo, respondeu, do nada: “Que boa besta é o Karl Marx!”). Mas, enfim, esqueci o que ia dizer mesmo… (“Que bom!”, pensou o Max.)

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