Amor gay, amor político!


Antes de mais nada, ouçamos a canção Gayana, escrita por Rogério Duarte e gravada por Caetano Veloso (que está no último álbum do artista, o ‘Abraçaço’):

A canção é a expressão típica da paixão homossexual. Ainda que o amor de casais gays  “não tenha fim”,  seja maior que “terra, mar, céu e estrelas”, “maior que tudo que há”, como qualquer amor romântico, há sempre a chance de “alguém condenar”, já que, de certo modo, a expressão de amor entre pessoas do mesmo sexo é vista por alguns setores da sociedade, como bem sabemos, como errado, quase que proibido.

Quem ama ou já amou sabe, entretanto, como diz a canção, que  chega um momento em que “não dá mais para esconder”… O sujeito da relação fica então dividido: manter em segredo (muitas vezes em consideração ao outro da relação que é enrustido) ou gritar seu sentimento aos quatro ventos. Muitas vezes é em nome de um amor que pessoas deixam seus armários, para viverem suas paixões. E daí que começa o “problema”.

Ao escolher viver publicamente seu amor, o casal gay tem duas escolhas. Numa ele liga o foda-se, não importando-se com o que os outros pensam e passa, porém, a viver essa relação em ambientes de gueto, onde se relacionam apenas com pessoas que compartilham da mesma condição ou não se importa com ela, deixando assim de estar em certos espaços. Numa outra, para não abdicar de suas relações, ele tem que “negociar” com seus pares – amigos, família, colegas de trabalho – formas de estar junto, muitas vezes tendo que abrir mão de carícias e demonstrações de afeto públicas.

Infelizmente, nossas relações ainda não são vistas em todos os ambientes como a relação dominante e a necessidade de se fazer política é constante a fim de manter boas relações de convívio. E é por meio de diálogo e buscando coexistir que vamos ganhando afeto e, por conseguinte, liberdade.

Isso se deve muito ao fato de que a sociedade coloca o gay como metonímia de TODA a comunidade gay, ou seja, a parte representa o todo. Se alguém hétero trai, ele é safado. Se um gay trai TODOS os gays são promíscuos. O peso sobre nossas relações é maior, pois carregamos a imagem de milhões de outros conosco.

Porém, seja como for, nunca deixem de dizer aquele sentimento que tem àquela pessoas especial: “Eu amo muito você!”. Doa a quem doer, seja como for. O amor gay é, acima de tudo, um amor corajoso!

11 comentários sobre “Amor gay, amor político!

  1. Uma coisa que tem que se entender são os nãos da vida. Principalmente quando eles se repetem numa mesma situação. Não adianta fechar os olhos contra repetição, pois nesse caso o não de fato é verdadeiro e tem motivos que às vezes não conhecemos ou as pessoas que o dizem sem uma causa aparente tem algum desvio de caráter. Os nãos podem ser na vida social, na profissional e na pessoal. Podem ser nãos de maneira indireta em maior numero, mas que cabe a quem os escuta entende-los e fazer algo a respeito ou mesmo de maneira direta e nessa situação é necessário que reajamos seja com indignação, com recolhimento ou mudança de caminho. O que não se pode é passar a vida jogando areia nos próprios olhos. Não tenho conhecimento técnico disso, mas no meu ver a prostração diante de nãos demonstra fraqueza interior e falta de amor próprio. Quem não reage abre mão do direito de viver de verdade e com dignidade. Passa a ser escravo intelectual ou afetivo de quem impõe tal situação. Deixa de ser o que é para tentar ser o que imagina que agrada a esses ao qual se rende. Há de entender e então reagir aos nãos da vida. Um não aqui pode ser a abertura para um sim melhor na frente. Sem contar que ninguém e nada no mundo são tão importantes e insubstituíveis ao ponto de abrirmos mão de nós mesmos, do respeito ao nosso corpo e espirito. Que os nãos sumam quando não queremos ouvi-los, mas que sejam entendidos quando necessário para uma passagem decente por essa bagaça chamada vida.

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