A homofobia do morro


Antes de começar a falar sobre um tema que está me afligindo há muito tempo, cata o vídeo abaixo:

Engula o seu recalque e só abra a sua boca quando a senhora fizer metade do que Thaisa Maravilha faz com o bum bumbum girando dela, beleza?

Mas não é sobre a dança delas que eu quero falar, é sobre a coragem que elas tiveram de gravar as cenas no meio da rua, com as pessoas passando.

Que eu sou pintosa todo mundo sabe, o que pouca gente sabe é que a linha pintosa que eu faço é diferente da caricatice habitual. Só tenho roupa preta, estou sempre sério e não tem um dia que não vá pra faculdade sem um livro numa mão e um cigarro na outra. Isso porque acho que para uma bee impor respeito um livro e um cigarro são elementos fundamentais.

Eu, séria

Eu, séria

respeitoEnquanto o cigarro dá um ar de transgressão típico de todo gay, o livro (de preferência uma literatura antiga com um título bem confuso) simboliza que você é consciente e bem-informada… por isso não vale 50 Tons de Cinza nem Harry Potter, tsá?

Mas e a bee de shortinho jeans, camiseta amarrada e cabelo colorido que você encontra na boate? Já parou para pensar no que ela passou até chegar naquele rock e te agraciar com a sua presença revolucionária?

blog-367-1_580Tenho várias delas adicionadas no meu Facebook, gosto de acompanhar a evolução do comportamento do gay mais moderno que eu, porque eu mesmo, sinto informá-las, estou velha. Não tenho mais aquela força para apanhar no Triângulo em dia de Copa do Mundo e sair no jornal dando bafão.

Esses dias fiz uma pesquisa de campo e, dentre as que moravam na periferia, a maioria disse sofrer menos preconceito “na comunidade”, que o preconceito começa mesmo quando elas chegam no centro urbano.

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Na Reversal Russa, o Bonde das Maravilhas julga você!

Fiquei pensando… será? Porque se você observar no vídeo, as pessoas que passam em volta realmente parecem tratar com uma naturalidade até assustadora a imagem das beeshas rebolando, e se arreganhando em posições ginecológicas.

E é comum que as gays moradoras da comunidade frequentem os bailes funks da sua região. Claro que sofrem preconceito, ouvem algumas piadas de mau-gosto (e quem não ouve?), mas são categóricas quando dizem que preferem ser chamadas de viadinho pelo boladão no baile que de pão-com-ovo pela bombada esnobe da boate.

E não venha dar uma santa não, tá? Porque os olhares de vocês são tão sinistros que muitas nem precisariam falar pra fazer uma novinha chorar.

Não me canso de repetir, se você se considera rica, “discreta”, “não afeminada”, “macha pra caralho”, dentre outros termos masculinistas, e por esse motivo acha que é superior a quem é o contrário disso, PARE JÁ!

Você acha que é assim:

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Mas a sociedade te enxerga assim:

Tudo viado, não importa o tamanho da barba

Tudo viado, não importa o tamanho da barba

Você só pode sair com seu namoradinho discreto como você, ser não-afeminado na orla da praia, enquanto anda de mão dada com seu brother, porque muita bichinha pão-com-uma-dúzia-de-ovos deu e dá a cara a tapa todos os dias pelos seus direitos.

macho!

Não que a sua luta seja menor, não estou dizendo isso, mas a gay da periferia leva a imagem da homossexualidade para os lugares de onde sairiam uma boa parte dos agressores que tentariam te bater na porta da sua boate de luxo, compreende?

Nem adianta dizer que ser discretona é a maneira mais fácil de ser aceito pela sociedade, NÃO! A visibilidade é a melhor e mais rápida forma da sociedade engolir que os gays (ou qualquer outro grupo marginalizado) existem e devem ser respeitados, sem que pra isso tenham de se fantasiar de héteros.

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Excuse me!

o_bom_crioloBasta observar a história da luta gay. Quando foi que começamos a adquirir nossos direitos? Quando começamos a gritar que existimos, não é verdade? Qualquer livrinho de literatura homoerótica te mostra que quanto mais discretos eram os gays da época, menos direitos tinham à liberdade.

E se elas conseguem ser respeitadas lá, aos trancos e barrancos, nossa obrigação é fazer o mesmo aqui.

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Por favor, vamos colocar UM FIM no preconceito de classe social! Nós temos uma causa muito maior, que a quantidade de zeros do seu extrato bancário, para lutar juntos.

Não olhe torto pra beesha que vai de mochila pra boate e esparca no meio da pista, não julgue inferior a bee de shortinho jeans com a neca sofrida amassada dentro da cueca do irmão mais novo.

Porque não existe essa história de fulano merecer mais respeito que beltrano. Todos são iguais perante a lei, independente da origem ou do comportamento das pessoas.

Falando a verdade, cagando pra lei, sempre vai existir uma gay mais rica e mais padrão Globo de qualidade que você que vai fazer o mesmo contigo, e você não vai gostar. Então pense duas vezes.

Como disse a sábia filósofa e epistemóloga:

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65 comentários sobre “A homofobia do morro

  1. Estudo na FDV. Ando com um grupo de pessoas que tem gay, lésbica, bissexual e hétero, gente bem cabeça aberta. Mas quando eu dou uma sugestão (mesmo que de brincadeira, porque eu conheço a resposta) de ir na Chica ou Black House, as amigue todas soltam um “nuuuuusssss”. É sempre por causa da gente “feia” que elas dizem ter nas duas casas, mas gente feia é claro que se lê gente pobre.
    Entretanto, Quando eu fui na Chica, apenas duas vezes, eu me diverti HORRORES (na Black House eu realmente não gostei, tenho que ser sincero né?). Eu iria lá na Chica de boa novamente, mas não iria na Black House. Além da estrutura que não me agradou e do DJ que tava péssimo (nas 2 vezes em que fui), realmente eu me peguei pensando: porra, só tem gente feia. Não destrato de quem não tem as mesmas condições que eu, eu mesmo não tenho lá essas condições. Consigo fazer amizade e bater papo com qualquer pessoa. Mas não consegui deixar de me incomodar com o fato de ter “gente feia”, no padrão de beleza e social, na Black House.
    Me sinto um pouco elitista com isso, mas ao mesmo tempo, vejo que é meu gosto, que eu não estou desfazendo de ninguém, estou de boa… Respeito todo o viado que também respeita todo viado. Mas será que eu preciso de umas boas doses de humildade? Ou é a nova situação social em que eu estou inserido?

    • É aquela coisa, né, cat, não é por que a gente não é preconceituoso que não vai ser influenciado pela sociedade do consumo.

    • Gente feia em sua maioria entende-se gente parda/negra. Pois se fulaninho vai no Sul, diz que tem as pessoas mais bonitas do Brasil.

  2. “mas a gay da periferia leva a imagem da homossexualidade para os lugares de onde sairiam uma boa parte dos agressores que tentariam te bater na porta da sua boate de luxo, compreende?”

    Da pra entender seu ponto de vista.

    Porra, mas pelo que EU vejo, CANSO de ver, TODAS as vezes que eu vou em alguma outra periferia (sou da perifa, porra rs) vejo o comportamento deles com esses “agressores de porta de boate” e sinceramente, é vulgar PRA CARALHO! (lembrando que sempre vai haver exceções) e se repete na maioria delas, senão em todas.

    “porque muita bichinha pão-com-uma-dúzia-de-ovos deu e dá a cara a tapa todos os dias pelos seus direitos.”

    ESSE tipo de gay que você se refere, GERALMENTE são conhecidos desde moleques no bairro (não to falando do meu bairro, e sim num contexto geral) e são os que eu mais vejo, sem nada na cabeça, muitos sem estudo, servindo de escape pra mais uma gozada, pro revoltadinho da tal perifa.
    E ainda saem feliz que deu/chupou o cara, e ganhou uma maconha.
    JÁ VI!
    É nesse caso, que esse gay “dá a cara a tapa?” Ou posso citar mais exemplos?

    To falando isso, porque a maioria que eu vejo, passam uma imagem de um gay dentro desses bairros, que foge do comportamento e educação que essa “bixa rica” teve!

    Eles não são “machinhos” por repressão, mas sim, porque não tiveram muitas vezes, essa criação e amizade com pessoas do tipo “bichinha pão-com-uma-dúzia-de-ovos ”
    Além do fato, de muitas vezes, exercerem cargos importantes que requer, ainda menos, ou nenhuma “pinta” (dentro e fora do trabalho). Um contra argumento ao seu
    “sem que pra isso tenham de se fantasiar de héteros.”
    Diferente da outra la, que usa shortinho, dança esse treco no meio da rua, e tudo mais…
    Entende?

    Caralho, teria muita coisa pra falar, mas to com um sono da porra.

    Mas pra concluir

    “A visibilidade é a melhor e mais rápida forma da sociedade engolir que os gays (ou qualquer outro grupo marginalizado) existem e devem ser respeitados”

    Disse tudo.
    Faltou complementar com
    “Cada um do seu jeito, seja machinho ou pintosa”
    Não é assim?
    Tem que acabar esse conceito, de que só porque é gay, tem que ser efeminado. E o outro, que não tem esse comportamento, acaba pagando.

    PRECONCEITO CONTRA CLASSE SOCIAL, NÃO DEVE HAVER EM MEIO ALGUM.
    PRINCIPALMENTE NESSE MEIO, EM QUE AINDA TEM QUE SE VIVER DIARIAMENTE, COM O JULGAMENTO ALHEIO.

    • Aí é que tá, POR QUE é que a imagem da gay que comemora que chupou um boy não pode servir para representar a comunidade? Ela não tem nada na cabeça, metade da sociedade também não tem, pelo menos elas ainda estão lutando pelos nossos direitos, mesmo sem saber (elitismo seu achar que só são dignas de representar a comunidade LGBT as cabeçudas militantes). Aliás, a sociedade inteira está mudando seu comportamento sexual, é de se esperar que nós também mudemos.

      E se a bichinha que chupa todo mundo vira amiga da galera, logicamente alguém menos “escroto” que ela vai receber um tratamento parecido de cordialidade, ou até melhor. Eu mesmo percebo isso quando estou em bar de periferia e sou tratado como uma dama pelos traficantes, acho aquilo sensacional.

      Sobre ser machinho por não ter contato, calma, contato com bicha todo mundo tem, nem que seja pela televisão (eu mesmo nunca tive contato direto com viado, e sempre fui pintosíssima, desde útero).

      Eu não estou dizendo que ser macho é sempre forçado, não disse isso. eu disse que quando se é machinho você NÃO DEVE achar que é por isso superior a quem não é macho como você, foi só isso que eu disse.

      Quanto ao emprego exigir, acho que isso é desculpa esfarrapada, tenho inúmeros leitores, inúmeros conhecidos em inúmeras áreas que dão inúmeras pintas e nunca foram tão desrespeitados como você acha que seriam… não vivemos mais na década de 20, cat, hoje dá processo e a empresa leva no cu se despedir alguém por ser ‘pintosa demais’, o que vale é a sua competência.

      É até esquisito ouvir em 2013 que existe emprego que “pintosa não pode trabalhar”.

      • “Aí é que tá, POR QUE é que a imagem da gay que comemora que chupou um boy não pode servir para representar a comunidade? ”
        CONCORDO!
        A gay que dá as altas pintas mesmo, a gay que provoca os ‘olha só que viadinho kkkk’, essas estão desconstruindo o padrão heteronormativo das comunidades periféricas, que costumam ser bem machistas. O povo que passava no vídeo podia estar pensando o caralho a 4, mas ninguém fez porra nenhuma e não foi por medo, foi por tolerância. Por mais que tivessem a vontade de gongar, de bater, de evangelizar, deixaram as bichas quietas por que eles já toleram elas, que é um bom primeiro passo para a aceitação.
        E os machudos do armário? Cadê suas caras? Depois do tapa vem a recompensa, cês num tão curtindo “No Pain, No Gain”? Ou você quer deixar a gente lutar sozinhos pra sempre, enquanto a sua sexualidade cancerizada te mata aos poucos?
        Eu sei que tem família, amigos, trabalho… Mas onde fica você na história?

      • “Aí é que tá, POR QUE é que a imagem da gay que comemora que chupou um boy não pode servir para representar a comunidade?”

        A que eu citei, sem nada na cabeça, que comemora que deu/chupou o marginalzinho e ganhou uma maconha?
        Lógico, ótimo exemplo de representação.

        “Sobre ser machinho por não ter contato, calma, contato com bicha todo mundo tem”

        Não distorça, eu deixei específico o tipo de gay, que você mesmo citou.

        “não vivemos mais na década de 20, cat, hoje dá processo e a empresa leva no cu se despedir alguém por ser ‘pintosa demais’, o que vale é a sua competência.
        É até esquisito ouvir em 2013 que existe emprego que “pintosa não pode trabalhar”.”

        Então, primeiro que eu tava falando da “bixa rica”
        (rica mesmo)
        por isso da discrição fora e dentro do trabalho
        Conheço juízes, advogados, médicos e o caralho a quatro que tem essa obrigação, mas mesmo assim são naturais e NADA pintosos.

        E quanto aquela pintosa que é funcionária de empresa.
        Ela pode ser demitida com outro argumento. Uma empresa sabe como agir nesses casos (lido diretamente com elas)
        E tem sim emprego, em que pintosa não será aceita com TANTA facilidade. Já vi muitos donos de empresas pedindo despensa por esse comportamento, mas alegando outro, e a pintosa nem sonhava.

        “elitismo seu achar que só são dignas de representar a comunidade LGBT as cabeçudas militantes”

        Claro, afinal são as “bichinha pão-com-uma-dúzia-de-ovos” que vimos a frente de uma parada gay, ou numa bancada em Brasília.
        Elas ajudam sim, mas com essa tal visibilidade.
        Vulgaridade não seria a melhor maneira de representar,
        (sem generalizar que todo gay de periferia, seja vulgar)
        É isso que eu queria que entendesse, foi a esse fato que eu chamei atenção.

    • “Tem que acabar esse conceito, de que só porque é gay, tem que ser efeminado. E o outro, que não tem esse comportamento, acaba pagando.”
      O preconceito nessa frase está tão forte que Marcos Feliciano curtiu seu comentário.
      É estupidez acreditar que os viados são estigmatizados por que tem bicha pintosa na rua. Você é estigmatizado por que na cultura religiosa que moldou as regras sociais, se deitar com outro homem é uma abominação. Achar que agir como hétero vai facilitar a sua aceitação é estúpido.
      “Ontem eu saí com meu namorado…”. Pronto. Essa frase tem tudo o que precisa pra incomodar quem pense menor de alguém por ser homossexual. Independente se ela começou a frase com “Aloka, bee!” ou não.
      Não vou comentar os outros pontos recheados de preconceito na sua resposta, por que Max já abordou a maior parte deles.

      • Na verdade, sua dificuldade de interpretar,
        fez com que você não entendesse.
        Mas desenho, sem problema.
        A maneira que está sendo passado, da a entender que o machinho/discreto, não é machinho por natureza, e sim, uma “fantasia de hétero” como foi dito.

        Mas de fato, o preconceito realmente não deveria existir em ambos os lados. Já que na maioria dos casos,
        é ao machinho que a pintosa, recorre.
        Temos que levar em consideração também, que tem muitos discretos que não pensam como vocês estão apedrejando.

        E quanto ao “moralismo e puritanismo”
        que o Max se refere no meu texto.
        Acho que a imagem de libertino, que no geral, se tem sobre os gays, já é o suficiente.

        • Parece que cada vez que você para pra digitar, um preconceito escapa…

          “Já que na maioria dos casos,
          é ao machinho que a pintosa, recorre.”
          Por que a gente vive no modelo de que todo relacionamento precisa de um homem e de uma mulher, então o machinho procura a pintosa e a pintosa procura o machinho.

        • Não é o suficiente, filho, a gente não deve nunca se deixar dominar pela cultura moralista da sociedade, quando isso acontecer A revolução acaba e o preconceito toma uma nova forma, mais forte, porque agora eles vão saber que têm domínio sobre nós e podem moldar nossa cultura

          Temos sempre que ser transgressores, sempre. Dos adequar ao que eles querem é o mesmo que dar razão ao preconceito e mostrar que o nosso sexo é vergonhoso e deve ser evitado, minimizado ou escondido.

  3. Eu morei em comunidade e procurei nunca dar pinta pra ninguem ter liberdade comigo . Nunca fui ao baile funk porque nunca gostei de funk . Nunca tive nada com ninguem da rua e nem do bairro . Eu sempre sai pra Zona Zul . Eu fui morar lá eu já era grande e não tinha crescido lá e no inicio quando eu passava eles mexiam e falava e eu nunca falei nada . Com o tempo eu comecei a se respeitada . Uma vez tinha um tiroteio e minguém queria subir ,eu fui na frente se medo ,porque eu sempre fui bicha ,mas sou muito macho .Alias pra ser bicha tem que ser macho pra caralho !!!!! Não é pra qualquer um . Eu subi e todo mundo foiu atras . Com o tempo as pessoas comecaram a parar de falar e mexer . Eu sempre me relacionei com as pessoas da Zona Zul e ninguem sabia que eu vinha de comunidade e não interessava .Eu sempre achei que o mundo é bem grande e não vale a pena a ficar num gueto . A gente tem que conhecer outros ambiete e pessoas . Hoje em dia moro fora do Brasil e ninguem diz que eu venho de comunidade .

  4. Eu acho que… Ser gay é um processo evolutivo e também concordo com o ”É TUDO VIADO” , por que afinal de contas não muda nada se a bee não anda/desfila e a barbie é machuda se no final o sentimento que se tem pelo semelhante é o mesmo, e eu acho top essas gay nervosas que dançam e quebram o garáleo todo!

  5. As gays de periferia são muito mais transgressoras e, infelizmente, muitas vezes por pouca instrução e ensino sobre sexualidades, viram alvo fácil de chacota pra todos que convivem indiretamente com elas. São discriminadas pelos próprios gays e pela sociedade, que parte da premissa de que o gay não precisa ser afeminado, se gosta de homem, não custa nada “se comportar como homem” também.

    Por essas e outras, as dixxxcretas, as universitárias barbudas e cult torcem o nariz MESMO pra esse grupo tão importante no meio homossexual.

    É uma tristeza imensa isso, pois há aí um processo de hierarquização muitas vezes já citado por vc mesmo, Max. No topo tem a família branca, rica, católica, intocável e impassível de críticas. Daí vai descendo pra homossexuais instruídos da praia do canto e bichas discretas, até chegar no ponto mais inaceitável: a bichinha poc poc que não tem vergonha de ser quem é.

    No entanto, não dá pra esperar que essas classes sociais dentro do meio gay (olha só!!!) se misturem por enquanto, muitas vezes por questões de interesses e assuntos diferentes, etc. MASSSSSSHHH não, elas, além de não conseguirem se inserir não só na sociedade, mas até no gueto pra onde ela foge pra dar um pouco de pinta, viram o ALVO de desrespeito e preconceito interno.

    MEU CU. Tem que respeitar, bees, e tirar dessas beeshas a força que elas têm de enfrentar o mundo e dar a cara a tapa -independente de como você comporte-, que talvez assim a gente consiga conquistar mais respeito e tolerância, ok.

  6. bem max, eu fui criado no interior do estado e a cerca de 3 anos estou por aqui na “capital” (¬¬) , e honestamente… hoje tenho um respeito imenso pela chamadas “pintosas”, lembro-me de uma bichinha bem afetada lá no interiorzão e de como ela era execrada pela polução local e mesmo assim não mudava e não abria mão de ser quem ela era. Hj vejo que foi a coragem daquele gay que me impulsionou a vir pra cá e viver a vida que eu sempre quis. Hj tenho um companheiro, um trampo legal e sou feliz e apesar de ainda não conseguir ir numa boate gay e não gostar de paradas glbt tenho muito respeito por quem dá a cara a tapa e paga o preço por isso.
    Essas pintosinhas, pão com ovo como muitos dizem, são guerreiras que lutam pelos covardes.
    e merecem o máximo do respeito da classe que infelismente é de onde menos vem.

  7. O texto me lembrou muito a imagem que há um tempo atrás vi circulando nos perfis de algumas gays daqui e me incomodou demais.
    Uma montagem com duas fotos:
    Escrito: “Lembre-se:”
    O Ricky Martin, e um dizer: “Isso é um homossexual”.
    E uma mona negra e pintosa, e outro dizer: “Isso é uma bichona”.

    Aquilo me entristeceu e incomodou de uma tal maneira, porque não eram heteros que simplesmente nao entendiam porra nenhuma de nada que estavam compartilhando pra fazer graça, eram gays que de verdade acreditam naquilo.
    Em dois posts – de pessoas mais chegadas a mim – argumentei. Um, no post mesmo… obviamente, fui “atacado” como falso defensor dos pobres e oprimidos (falso, só porque estudo na fdv e acham que eu to cagando pra geral, por causa disso. rs), e não só pelo dono do post. rs O outro, conversei via inbox, e a decepção foi ainda maior… falava em discrição. Uma bicha nervosa falando sobre discrição. POUPE-ME!

    Arrasou no post, no shock value, no carão, etc.
    Parabéns! ♥

  8. Max, adorei o texto!! ME identifiquei muito, mas, ao contrário do que possam pensar, me identifiquei com a parte que não discrimina (apesar de ter achado que algumas trechos foram escritos pra mim!!!).
    Eu sou rika, bem nascida e bem criada. Frequento festas PVT da sociedade, e não só da Capixaba… E sou bem aceito no meio em que vivo, nunca tive grandes problemas… mas penso que estou loooonge de ser discreto… sou fashionista, estou sempre com um cabelo diferente e roupas e acessórios que acabaram de ser lançados nas principais fashion weeks do planeta e gesticulo sem parar enquanto falo, ou seja, olhou pra mim, já sabe que é viado…. e isso não me preocupa, acho o máximo!! E eu considero isso como uma forma de dessensibilização do meio hétero em que vivo, ou seja, quanto mais eu me exponho, mais eles se acostumam. É a minha forma de transgredir e de contribuir. Em relação às pão-com-ovo, bichas de periferia, pobre, ou qualquer outro nome que se queira dar… eu só tenho uma palavra a dizer: desprezo…..BRINKS!!!! kkkkkk a palavra é: AMO! E é verdade, seu texto resume exatamente o que sempre pensei. Não é possível que eu, que já sofri preconceito no colégio, em casa, na rua, por ser gay, e conheço como isso dói, vou ter a coragem de discriminar quem quer que seja. Se a pessoa não está prejudicando ninguém, deixa ela ser feliz, pode ser rico, pobre, hétero, gay, lésbica, bi, gostar de orgia, gostar de transar com árvore…. nada disse me interessa…. E para concluir, já passei por várias situações em que fui criticado por amigos gays por dar atenção, na buatchy, festas, etc… a outras gays mais femininas, pobres ou que não se encaixam no “padrão de beleza”!!! Pode isso Brazil??? E, não, essa pressão social vinda do meu próprio círculo, nunca teve o poder de mudar meu comportamento, continuo tratando todos bem!!
    Ótimo texto! Parabéns! Bjos!

    • “isso como uma forma de dessensibilização do meio hétero em que vivo, ou seja, quanto mais eu me exponho, mais eles se acostumam.”

      ISSO ISSO ISSO ISSO ISSO ISSO ISSO! Como as pessoas não percebem que foi assim com tudo? A própria moda, da qual você entende, foi assim… só pensar na evolução do biquíni e no costume gradativo da sociedade diante de cada vez mais contato com o novo.

      É isso, você está corretíssimo, eles só vão se acostumar com a gente quando a gente parar de achar que temos que nos enquadrar no padrão deles para sermos aceitos, como se estivéssemos pedindo licença pra viver entre eles… perae, caralho, os direitos são iguais!

  9. Pois é, deve ser.
    HAUEHAUEHAUHEUAHEUAH

    é que eu nao vinha aqui há algum tempo, e gostei demais do raciocínio desse post em especial.

  10. não sei amigas, eu estou tão cansado de tentar ensinar as coisas para as mais ignorantes que eu (lembrando que eu não sou dono da razão e também tenho minhas ignorâncias assim como todos), que eu estou deixando uma coisa ou outra passar sem eu brigar para elucidar a galera. Sei que não é certo de minha parte deixar a ignorância deles persistir, mas uma hora cansa. Esses dias atrás eu vim falar para eles que eu sou gay, e eles SÃO gays (com gaydar quebrado NE) e ficaram :O, até ai tudo bem, e falaram: mas vc n da pinta, ai eu toda nervosa quase coloquei o meu salto agulha 43/44 e falei porra velho, tenho que me montar para falar que eu gosto de homem? Ai eu assustei elas né, mas eu n estou nem ai se eu dou ou deixo de dar pinta, mancha ou bandeira, o importante é ser eu mesmo, sem se “castrado” pela sociedade.

      • No face eu simplesmente ignoro as publicações alheias, pq se eu fosse brigar com cada um que fala merda eu já teria cabelos brancos e marcas de expressão nos meus divinos 19 anos HAHAHA, isso por que eu não sai do armário para muitos, mas se eles descobrirem por conta própria melhor para mim, menos um para eu ter que explicar o que é gostar de peroka em vez de raxa. Aproveitando o ensejo, eu tenho uma pergunta para a senhora(sou seu fã), pq eu sou novo no pedaço HAHAHA, max tu acha que é necessário eu me assumir para as pessoas do meu convívio? Tipo um amigo meu falou para mim, que eu n sou obrigado, ela faz a linha mais discreta, mas todos sabem que ela gosta de sentar menos a mãe dele, pq ele falou que assim como o irmão dele não teve que falar que é hétero ele n tem que falar que ele é gay. Eu até concordo com isso, mas ao mesmo tempo eu quero levantar bandeira, vai que um sobrinho meu venha a ser gay, pelo menos o terreno vai estar mais aceitável para ele e com menos ignorância. Beijos sua linda.

        • LÓGICO que você deve se assumir para as pessoas que convivem com você! Ser gay não é só uma sexualidade, isso influencia nas suas experiências, na sua expressão, nas suas idiossincrasias, te constrói como indivíduo. viver com pessoas que te conhecem e te dão a liberdade para ser você mesmo quando e a hora que quiser (enquanto a sociedade não te dá) é maravilhoso, não deixe de viver isso não.

          Ser discreto é coisa de recalcado (exceto quando você não pode se assumir, por viver num ambiente muito homofóbico, claro)! Você não deve pedir licença pra existir e a vida é muito curta pra viver esse teatro.

          • Então pelo visto eu estou certo mesmo HAHAHA, obrigado max :D, se tinha como eu n sei, mas sou mais seu fã ainda! O mais entranho de tudo isso é que ele é mais caricato que eu (fã da neide, kylie minogue, MDNA etc) e tem um pensamento mais fechado que eu quanto a isso. O ser humano é burro mesmo, sabe que vai morre e gasta o tempo da vida como se ele fosse infinito. só fiquei confuso com algo, eu amo teatro vou ter que parar de fazer? HAHAHA to brincando. Tudo de bom gato!

          • A pintosa é sempre os outros, Henrique, aprenda isso de uma vez por todas. Ninguém acha que é tão gay quanto parece.

          • HAHAHA arrasou, eu n nego que eu entrego no N (robsonnnn, mannncha HAHAHA) ou tenho a mão mais solta, mas em termos de gostos eu não sou tão obvio, acho que é pq eu sou underground HAHAHA, como se isso me fizesse menos gay né. Essa homofobia internalizada eu já estou trabalhando há um tempo, mas sempre tem um resquício ou outro, mas eu n deixo ela tomar as rédias da minha vida e atos. vc é ótimo ^^

  11. Compartilhamos da mesma tese. Exceto a parte do cigarro, pois acredito que é um vício infeliz que não traz benefício nenhum, e a massa esmagadora fuma pq… pq… pq… Não tem pq nenhum!!! Voltamos para o tema central!!! Detesto o discurso do “manchar nossa imagem”, “estraga raça”, afinal realmente são as nossas amadas pintosas que esfregaram e esfregam na cara da sociedade que nós existimos e estamos ai. Antes trilokas da chica que as carudas que escondem a sua ignorância atrás de marcas importadas do Brás. Pintosa da Embratel ou a médica enrustida do Apart, não se encaixam nos padrões aceitos pela tal sociedade (generalizei para seu sucinto), afinal ambos comem e dão o Koo!!! O problema não está no gay e sim no homofóbico.
    Na escola em que faço estágio, durante uma formação sobre gênero as professoras começaram com aquele discurso: “mas tem que rebolar tanto”, “parece que faz para chamar atença”, tem que ficar no meio das meninas”, “tem que falar fino” e esse blá blá blá todo. Fui obrigado a soltar: Quando eu era criança e nem sabia o que era gay, hétero, bi, eu rebolava muito, eu era muito pintoso. Cantava igual as Chiquititas. E só fui dar conta que era “diferente” quando me chacotearam. Então resolvi mudar, porém quanto mais eu tentava nadar “normal” mais ficava nítido meu caminhar afeminado. Pois a psicologia já explica que quanto mais tentamos sufocar, mais aquilo nos dominará e nos sufocará. Depois para cagar na cara delas e mostrar que os gays não são só as afetadas, completei: Sabe o seu médico? Ele pode ser gay! Sabe o padre ou pastor? Ele pode ser gay! Sabe o seu filho que passa o pinto nas meninas da escola? Também pode ser gay! Olha, não queria falar, mas o seu marido também pode ter um amante e te faça de trouxa a vida toda. E vc ainda nem pode o condenar por isso, pois são discursos como o de vcs, que fazem que vários gays se casem e enganem toda uma família.
    Bjo Max! Deve ter alguns erros de portuga, mas VAI TOMAR NO MEU CU, POIS COISA BOA A GENTE NÃO MANDA A GENTE FAZ!!!

        • Faz bastante. Se você ler sobre, vai parar de dar. Ainda mais quando se trata da eterna discussão Camisinha vs. HPV: protege ou não?

          Eu gostaria de perguntar pras pessoas que dizem que fumar faz mal onde está o referencial deles pra “A partir desse ponto já não pode mais”, por que aquela cerveja/vodka/tequila/álcool de balcão também faz mal. Aquela picanha douradinha saindo do espeto com uma gordurinha faz mal. Aquele brigadeiro que você fez pra assistir “Meninas Malvadas” pela vigésima terceira vez faz mal.
          Nosso corpo foi programado para desligar. Honestamente, não tenho pretensões de viver pra sempre. Acho muito sem sentido.
          Ao fumar, o risco que você assume não é tão diferente do que assume ao comer uma picanha gorda ao invés de uma salada de folhas com arroz integral e peito de frango defumado. Ou o risco que você assume ao assistir um filme sentado no sofá ao invés de ir correr na praia.
          A idéia de ser saudável é tão desagradável que para vender esse conceito, é preciso confrontar as pessoas com um dos medos mais primitivos: medo da morte. Mas o que é mais importante: quando e como você morre ou como você viveu?

  12. Max, ótimo post.
    Um dos melhores já postado.
    E sobre o preconceito na própria periferia, não diria que seja algo tão simples.
    São muito desses gays que são assassinados e que acabam entrando nas estátiscas como violência geral, e não como crime de homofobia. E mais, existe a evasão nas escolas, suportar as piadas, a violencia que muitos gays sofrem é muito díficil.
    O gay pintoso com grana é exótico. A pintosa da perifa é sempre a bicha-pao-com-ovo.

    • Na periferia eles são a maioria dos mortos? Mas a maioria dos casos que eu vejo acontece quando esses gays SAEM da periferia e são mortos em outros lugares, não?

      • Acho que não, Max.
        O que ocorre, são casos com maiores repercusões quando os crimes são cometidos fora das periferias.
        Lembro de alguns anos atras, travestis assassinados na Lindemberg. E não foi apenas um. Houve um que foi apedrejado.
        Claro, a situaçao deles era mais complicada, envolvia prostituição. Mas já presenciei outros casos de violência. E coisas gratuitas.
        Triste!

        • Compreendo, você quer dizer então que a maioria acontece sem cobertura da mídia, que nem vai até o morro por medo mesmo da retaliação?

          • Não só o medo de retaliação, mas por não dar importância as vítimas. Afinal, quer estar mais a margem do que ser gay, pobre, feminino, na maioria das vezes negro, com esse combo a mídia nem liga. É muita minoria junta!

  13. Antes eu era mais preconceituosa com as pãozinha-com-ovo e as ultra pintosérrimas. Mas depois de acompanhar o blog mudei bastante minha visão sobre isso. Continuo com as minhas preferências, mas nao julgo mais (tanto assim) as pintosas… Aprendi a respitá-las.
    Masssss, tem muita bichinha que faz e fala coisas obscenas só pra se aparecer e acabam por constranger quem está ao redor e é onde que aumenta o preconceito contra os gays de uma forma geral.

    • Não aumenta, darling, só dá “argumento”. Quem é preconceituoso é preconceituoso com a depravada e com a nerd virgem, não interessa pra eles.

      Morro quando vocês tentam procurar lógica em homofobia, é só ódio, não tem racionalidade envolvida.

      • A versão homofóbica do slut shamming. A gente podia cunhar o termo fag shamming pra isso..rs. A culpa da homofobia não está no viado.

  14. Te adoro Max… Também sou pintosa, sou de uma minúscula cidade do interior de Minas e digo: Amo as bichas daqui! Andam de salto e meia rastão pelas ruas mesmo. Quando mechem com elas, gritam que gostam de dar o cu mesmo. É um choque pra essa sociedade ridícula e repressora… Eu já faço a linha Max: sempre com um livro na mão. E quando me insultam pelo meu jeito pintoso, adoro mandar: “Pelo menos eu me formei com méritos, recebi homenagens, estudo em uma universidade federal… E você/seu filho?” Dou as costas e vou embora. Pode até ser um pouco de prepotência minha, mas… não sou perfeito, né!?

  15. Sou de uma família de classe média alta (isso que se passa por rico no Brasil), mas tenho e sempre tive amigos de todas as classes sociais, de milionários a moradores de periferias brabas. Minha impressão pessoal, sem pretensão à objetividade e a generalizar, é de que as ditas “bichas ricas” (digamos “ricas”…) são as piores. O mais triste é que, geralmente, o nível de instrução e educação das “pão com presunto de Parma e mostarda Dijon” é sofrível: a maioria é desoladoramente ignorante, fútil e deslumbrada, vivendo de seus fetiche basbaque por grifes e gadgets estúpidos. Conheço outras que partiram pro outro extremo da caricatura e se tornaram fervorosas militantes do cardápio bourgeois-bohème: LGBTistas furiosas, ecologistas desmioladas, esquerdistas festivas… enfim, máquinas de repetir os slogans que convêm para se passar por inteligente sem ter de se dar ao trabalho de ler e pensar. Em comum, um preconceito extremamente arraigado contra todos que ousam ser diferentes da patota. A minha conclusão é que o preconceito de classe – manifestação definitiva de burrice – é o grande “elephant in the room” da risivelmente chamada “comunidade gay”. Comunidades existem onde há afinidades de valores e visões de mundo, por isso a classe social é a comunidade por excelência (vide Marx). Que visão de mundo é compartilhada pela “comunidade gay”? Gostar de piroca?? Por isso eu sempre achei ridículo o esforço militante em inventar uma “comunidade gay”, que desaba ao menor exame. Aliás, isso só serve para tornar os homossexuais um Outro dentro da sociedade, quando é justamente integração o que deveríamos querer (para militantes profissionais, é claro, quanto mais divisão melhor; é assim que burrices estridentes garantem notoriedade, privilégios, votos…). A melhor militância e a comunidade mais sólida é a da inteligência, até porque esta rejeita o pensamento único e é marcada pelo livre debate, que sempre se renova. A que “comunidade” pertenciam Oscar Wilde, Jean Genet, André Gide, Jean Cocteau…? E Joãozinho da Gomeia? Madame Satã? O que tinham em comum Bruno Tolentino e Clodovil? Cada gay é o produto do seu meio, e o meio, eventualmente superado por um alargamento dos horizontes trazidos pela cultura ou pela experiência, é antes de mais nada a classe. O dia em que não houver mais preconceito contra homossexuais, os gays vão se voltar uns contra os outros armados de seus valores de classe. Mas a militância não parece disposta a discutir problemas internos e prefere orientar seu berreiro em tarefas mais eleitoralmente proveitosas, embora contraproducentes (anotem aí: Marco Feliciano, que ninguém sabia quem era, vai ser o deputado mais votado ano que vem).

    (Max, sorry for yet another long comment, darling)

    • Falou, falou que os outros repetem slogans e não pensam por si mesmos, e você repetiu o mesmíssimo slogan da classe média elitista. Seu ponto de vista está coreto sob esse aspecto.

      Mas uma coisa é mais certa que seu discurso preconceituoso: compreender a luta contra a violência não é uma excluisivdade dos instruídos, aliás, se dependessemos deles para conseguir alguma coisa, não teríamos conquistado nada… por mais ignorantes e mal-informados esses gays sejam, eles ainda sim enchem os movimentos pró-lgbt. Visibilidade, meu querido, é a chave, e isso eles oferecem com abundância, conscientemente ou não.

      • Além disso, o conceito de com-unidade é fundamental para a luta das minorias, porque se cada um dessa unidade maior se individualiza e luta somente pelos seus ideais pessoais, a comunidade inteira permanece marginalizada. A união é momentânea e não descaracteriza o indivíduo. Apenas se sacrifica parte de suas idiossincrasias para se lutar por uma causa mais crítica.

        E se um dia a homofobia acabar e os gays começarem a julgarem entre si, eu digo, QUE BOM! pelo menos seríamos julgados pelas nossas ideologias, não por com uma condição que não influencia no nosso caráter.

      • Queria entender onde você enxergou elitismo no meu comentário. Sei que pareço pedante e até esnobe (e te garanto que não sou nada disso), mas elitista? Acho cafona a pessoa se enfiar num grupo, numa tribo, numa horda primeva qualquer para se sentir segura de si. Eu sou bastante individualista, sim, mas também não sou egoísta e sei que o preconceito é real e muita gente sofre ele no lombo muito mais do que eu, mas não é sempre exatamente por ser gay. Acho todo discurso militante maniqueísta porque ele tende a simplificar demais as coisas para açular o rebanho contra o inimigo que muda ao sabor das conveniências. Eu sei muito bem o quanto os gays podem ser cruéis, preconceituosos, racistas e excludentes entre si. O discurso militante mete tudo num balaio de vítimas e se nega a discutir os problemas e as fraturas dentro desse pseudo-grupo. Há pouco tempo vi uma matéria sobre uma ativista francesa que comanda um centro de ajuda a gays vítimas de agressão conjugal; como ela dizia o óbvio, que a violência conjugal existe entre os gays e é alarmante, e como se discutia na França a lei Taubira do casamento gay, ela foi enxovalhada pelo movimento organizado justamente com esse pretexto de que era preciso ter união. Max, eu concordo muito com você em muitas coisas; temos até o mesmíssimo desprezo pelos que tentam varrer os efeminados, pintosos etc para debaixo do tapete para apresentar uma imagem edulcorada e o mais hétero possível de si e dos gays; acho também que exposição leva à dessensibilização e à indiferença, e que é positiva. Só não tenho uma visão partidária das coisas e me recuso a ir no embalo. Não sei se ficou claro, mas eu concordei com o seu post, só não acho que a gente tem de pôr um fim ao preconceito de classe porque a gente tem uma causa muito maior, mas simplesmente porque preconceito de classe é uma burrice.

        Sei lá rs. Comment enorme de novo. Não precisa publicar (sempre cai no spam mesmo lol).

        • Você relaciona a marginalidade dos gays da periferia com a ignorância, a falta de informação e de senso político, simples e elitista.

  16. Para as preconceituosas vai o meu recado: frequentar um culto do Feliciano que é bom, nenhuma de vocês querem, né?!? Pedir conselhos pro Malafaia, vocês não querem, né?!? Dar um dinheirinho pro Edir Macedo, não rola, né?!? [Por que será? São tão mal informados e preconceituosos quanto quem fala mal da periferia.]
    PS: Tô desesperada com o vídeo, porque me dei conta que não consigo fazer o quadradinho de 8. #helpme

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