Guest Post: A onda de sair do armário e duas consequências


tumblr_mfczveBT751qzpudzo1_250Eba! Pelo que parece vocês adoraram a proposta de poder enviar postagens para o blog. Recebi vários e-mails com textos interessantíssimos, que postarei mais futuramente.

Em falar nisso, se você não enviou seu post ainda, pode enviar quando quiser, os guest posts vão ser uma parte integrante do Babado Certo agora, okay?

Então vamos ao primeiro post, escrito pelo Wallace Zank.

Vale lembrar que a opinião dele não reflete a minha opinião, então, se vocês ficarem bravos, não descontem em mim! hahahaha

Segue o texto:

200px-Jean_wyllysNunca fui muito engajado em causas sociais, acho bonito, dizem que é in, tá na moda ser ongueiro, ativista social, uma onda de purismo e bondade invade nosso mundinho torpe e declinado.

Das atrizes globais aos menos afortunados das classes suburbanas, todos estão unidos de mãos dadas para o bem do nosso planeta. E não poderia estar fora dessa onde de ¨aceitação global¨ a causa da homossexualidade, afinal, o país que sedia dois dos maiores encontros mundiais pró a causa cor de rosa não poderia alienar-se a tudo.

roniquito-jogador-de-futebol-gay-avenida-brasilSendo sincero, me incomoda essa onda de falso-moralismo que assola principalmente os gays.

Se ouve muitos “saia do armário”, “se aceite como é”, “dê o primeiro passo”, algo que vem sendo acrescido pelos noveleiros que insistem em colocar personagens gays em seus folhetins vítimas de suas neuroses por carregar o fardo da sexualidade reprimida.

amat02O fato que causa meu desconforto é que grande maioria da parcela gay assumida, são formada de pessoas que não têm vínculo social, ou simplesmente não possuem carreira sólida, ou seja, são os famosos ¨porra-locas¨ que não ligam pra ninguém. E numa utopia quase que riponga acreditam que suas ações não influenciam o mundo externo da sua bolha de sabão, e que em sua ingenuidade creem que as ações dos outros não os atingem. Ledo engano.

Machuca?

Machuca?

Vamos ser sinceros, o velho dito dos “paus e pedras não me atingirão” é pura cascata, o que os outros pensam e falam sim, influenciam em nossas vidas (pelo menos em parte dela), isso é visível principalmente no meio ¨G¨, se você analisar bem quando alguém assume sua condição ¨purpurinosa¨ (o famoso gay trio elétrico, cheio de luz, brilho e musiquinha ambiente que o segue constantemente) a primeira atitude que o dito cujo tem é se refugiar nos guetos gays, é uma forma de autoproteção contra as possíveis críticas do mundo externo. Dando uma volta por grandes capitais brasileiras onde se é possível analisar melhor a ¨espécie¨ é possível observar o grande numero de gays, que trabalham em bancas de jornais, lojinhas de roupas e afins, ou seja, gays que não são lá modelos perfeitos de homens de sucesso.

Pra ser feliz...

Pra ser feliz…

tumblr_mex622IDyf1rm8g82o1_1280Talvez isso seja influencia lá dos estranja, gay no Brasil não sabia ser gay aprendeu vendo TV, aí veio aquela imagem estereotipada de gay bolo de caixinha, que anda rebolando, que age afetadamente que escancara o verbo, e o pior é a maldita sigla LGBT (gays, lésbicas, bi e transgênicos?!) que até hoje me dá  impressão que estamos falando de ¨frutas e legumes¨e não de pessoas.

Cada um faz o que acha melhor com sua vida, só sou contra ao extremismo quase militante dos ¨assumidos¨. A impressão que tenho é estão catalogando os gays e eu não sei. Só que penso que sua vida é algo que diz respeito apenas a você e aos seus entes queridos, e se ainda temos problemas com discriminação a despeito da cor de pele de um individuo quanto mais a sua opção sexual.

Para as colegas de plantão só um recado: sua vida não é um Big Brother: não diz respeito a todos, só a você.

tumblr_mesxi4MfvP1rb0jvjo1_500Opinião da Max: É… ele foi bastaaaaaante elitista no texto dele, e resumiu o gay assumido ao gay que dá pinta. E a tia Max já ensinou em vários textos aqui que a diversidade do meio gay é tão grande quanto a diversidade da própria sociedade. Sua sexualidade não influencia na sua personalidade, as experiências que essa sexualidade te oferecem é que vão influenciar.

tumblr_mf6do8WniN1qb6cnho1_500A tal pressão sobre a que ele fala não vejo como uma maneira de “catalogar” os gays, ou “fazer pressão” sobre os encubados. Nada disso, é uma maneira dos militantes mostrarem que o CERTO, numa sociedade ideal, seria que gay nenhum tivesse que assumir nada, assim como o hétero não precisa fazê-lo.

Entretanto, infelizmente nossa sociedade está bem longe de ser ideal, e por esse motivo, a única maneira de fazer as pessoas verem a homossexualidade com mais naturalidade é com um grande número de gays se assumindo e vivendo em meio a ela: da pintosa que trabalha na banca de jornal até a bombadona advogata que chupa os clientes héteros em viradas de noite lendo processo.

tumblr_mfgujk21Lm1qivspno1_500Quanto mais for visto, mais rápido se tornará indiferente. A pintosa ainda incomoda muita gente exatamente por causa do protecionismo comportamental do brasileiro, que não aceita e não está acostumado com as variações desse comportamento (basta observar como os héteros são previsíveis).

Aliás, é por isso que ela vai pro gueto, porque todo mundo tem auto-estima, sabiam disso? Pois é, a bichinha que chega na boate com sua blusinha fashion surrada só está ali porque é o único lugar que a beleza dela vai ser admirada, e onde ela pode fazer pegação sem sofrer bullying.

Não porque ela está triste e depressiva com a homofobia, procurando se isolar, como disse o autor do texto. Isso não a torna menos revolucionária e corajosa, todo mundo precisa de um pouco de paz de vez em quando, porque de segunda a sexta ela estará lá, pegando o Transcol, chocando e sociedade e lutando pelos direitos que você vai fazer uso futuramente.

E digo mais, se hoje você tem a opção de “escolher assumir” é porque muita pintosa deu a cara pra bater e se assumiu numa época que a opção era somente fazer escondido. Então, elas foram, são e sempre serão um segmento fundamental para a luta LGBT, e o mínimo que a gente tem que fazer é não repetir o comportamento separatista da sociedade.

Admire minha beleza

Admire minha beleza

Quando ele reclama que os militantes estão “catalogando” o gays, não observa que fez a mesmíssima coisa em todo o texto acima, ao dividir os gays em sistemas de castas aptas ou não a viver plenamente em sociedade e usufruir de todos os seus nichos.

Compreendem? Purpurinada ou suja de graxa, somos todos igualmente VIADOS na visão da sociedade. E não tem argumento elitista que tire isso de você. Como disse a Senhora dos Absurdos:

“Pode ser bonito, macho, rico, mas tirando todos os filtros, o que sobra é o viado puro, o extrato do viado.”

engole

Mas guest posts são assim chamados porque o que importa é a opinião do convidado, a minha resposta nada mais foi que um comentário num lugar diferente de onde vocês vão comentar.

Então, o que acharam da opinião do rapaz, gatiras?

P.s.: Gostou do texto do rapaz? Quer enviar um post também? Corra e mande seu texto para max_babadocerto@hotmail.com.

47 comentários sobre “Guest Post: A onda de sair do armário e duas consequências

  1. Na minha opiniao voces deveriam apenas postar os textos convidados, e nao fazer analise deles. A analise da max foi mais extensa que o texto do rapaz. Mudem o nome do formato entao pra Show do Gongo. A ideia que passa é que voce so quer material pra exercitar o seu egocentrismo e sua mania de achar que a unica opiniao certa é a sua.

    • Blá blá blá max dona da verdade blá blá blá, muda o disco, por favor.

      Desculpe-me, mas não vou ler um texto que discordo e não retrucar, sendo isso egocêntrico ou não.

    • Acho esse tipo de comentário engraçado.
      O Max em momento algum censurou o autor original do post ou forçou a opinião dele. Apenas argumentou os pontos em que discorda e, com certeza, o autor ou qualquer pessoa que pense diferente do Max pode contra-argumentar, o que provavelmente vai gerar um novo argumento do Max e assim se segue até que se acabem os argumentos.
      Se tem uma coisa que acho válida no currículo de Ensino Médio de muitos países estrangeiros é a inclusão de “Debate” como parte do currículo. Argumento, réplica, tréplica são coisas que convivemos diariamente. Não se trata de provar quem está certo mas de, ao ter uma boa exposição dos dois lados e com base no seu próprio conhecimento sobre o assunto, ter uma opinião menos superficial.
      Só que hoje em dia, qualquer opiniao contrária é vista como agressão.

      • Até porque é discutindo que você testa a veracidade das suas hipóteses. Se todo mundo ficasse com medo de soar agressivo e evitasse discutir assuntos, todo mundo teria uma opinião rasa sobre tudo, e se informar apenas pra si mesmo seria chatíssimo.

        Imagine que mundo cu hahahaha

        • Eu achei os posicionamentos do camarada que escreveu muito toscos. Mas em minha opinião, o comentário do Max poderia ser no espaço reservado para comentários. Mas é claro que, da forma dele, entendo que há uma vontade de resposta, até mesmo por representar o blog, e o guest post ser de alguém de fora, que não necessariamente represente o que é de opinião dos donos do blog.

          Comentando o post desse rapaz, eu me assumi há alguns meses, não sou pintosa, não passo batom e maquiagem, gosto de futebol (o que não impede de um gay afeminado de gostar também), arroto, tenho vários amigos héteros, minha família é bem estruturada, minha mãe é evangélica e mesmo assim nós nos relacionamos como mãe e filho do mesmo jeito. E não me sinto menos homem por ter me assumido.

          • você disse SIM que não é pintosa, darling, e ainda explicou com centenas de padrões estereotipados de masculinidade

          • Mas Max, o que é pintosa? O que é machão? Acho que me expressei mal então. O que eu quero dizer é o seguinte, eu não passo maquiagem, não uso batom, gosto de futebol, tenho vários esteriótipos de masculinidade (não estou afirmando que seja o mais másculo dos homens ok?), e não me sinto menos gay por isso. E foda-se tb se a pessoa gosta de usar maquiagem, o o que ela quiser. O que eu quis dizer é da infelicidade da forma que ele se expressou. acabei sendo infeliz na forma que eu me expressei tb…rs. Mas no mais, é isso que eu to querendo dizer, sabe? Que estereotipar é algo que pelo menos para mim é demodê. Pois padrões diversos podem ser seguidos e paradigmas podem ser quebrados a todo momento. Pode haver com craque de futebol afeminado como pode ter qualquer outro tipo de pessoa que seja vista num padrão X de feminilidade sendo máscula. É isso que eu quis dizer. Tenho algumas coisas que eu escrevo e gostaria de mandar para vc Max.

  2. eu que escrevi o texto não me senti em nenhum momento violado pelo ego do max
    max seu ego tá no tamanho certo para o meu cu, não se preocupe com lubrificantes sintéticos ou naturais.
    Em resposta ao max, querido, acho realmente que peguei pesado no meu pequeno testículo, mas vamos ser honestos : gay adora causar, chegar chegando, quer ser visto, quer se respeitado por ser diferente, e convenhamos vivemos em uma sociedade que aquilo que foge do padrão realmente e repudiado, veja bem foram 219 para que mulheres pudessem usar calça comprida em um tribunal.219 anos para algo ridículo como uma vestimenta, imagina as reivindicações da classe gay…
    O problema e que a geração queer as folk, tem uma visão superficial e vagal sobre a sexualidade.
    Acha que tudo se resolve no atrito, no escancaro e na cara dura.

    • Se você não se incomodou com minha opinião contrária, então fiquei tranquilo hahaha

      É difícil discordar de alguém e argumentar sem ofender, que bom que consegui 🙂

    • Pois é, mas essas mulheres não tiveram que usar calça comprida de pouquinho em pouquinho, batendo de frente, chocando a época para terem essa liberdade?

      É o que eu sempre digo: Como você quer que seu grupo seja aceito se ele não é visto? quanto mais se esconde, mais se alimenta as deduções maldosas.

    • Não sei qual o seu círculo social (profissão, amizades, família e afins), mas acho que a sua visão do gay assumido como “alguém sem vínculo social ou carreira sólida” um tanto quanto equivocada.
      Se tem muito gay trabalhando em bancas de jornais, lojinhas de roupas e afins, isso é um reflexo da formação deles mais do que da opção de se assumir uma vez que, em primeiro lugar, para a maioria dos cursos superiores existe a opção de se fazer um bom Concurso Público, garantindo excelentes salários e estabilidade no emprego e, segundo, também é enorme o número de pessoas heterossexuais trabalhando nesse mesmo emprego, mas esse dado não é reparado por que eles são “normais” (inclusive, seu texto é bastante carregado de heteronormatividade, o que o Max já escreveu bastante sobre no blog) e, segundo, conheço muita gente assumindo e que faz faculdade, muitos estudantes de Engenharia, Direito, Ciências da Saúde no geral e afins.
      E a maioria passa pelo dilema, antes de assumir para a sociedade, de assumir para a família. Eu, por exemplo, quero ter a liberdade de, se um dia conhecer uma pessoa legal e tentar algo sério, apresentar para minha família. Ter ele do meu lado nos churrascos, nas festas de fim de ano e outras ocasiões Foi uma das razões de eu ter assumido para a família. Em seguida eu assumi para amigos próximos e para os colegas de sala. Hoje a faculdade inteira sabe sobre mim, inclusive professores, e não sinto qualquer tentativa deles de me diminuir por conta da minha sexualidade.

      • Isso que eu pensei também, a quantidade de gays trabalhando em empregos basais é grande porque na sociedade no geral o número de pessoas trabalhando em empregos basais é grande, e ser gay não influencia no caráter de ninguém, logo, é de se esperar que se siga o mesmo padrão

  3. ha uma diferença max, entre doses homeopáticas e overdose.
    Não digo que nós gays, devamos em momento algum nos esconder, mas prudência e um pouco mais de constância ajuda, qual a relevância que grande parte dos gays capixabas ( um exemplo) tem pra sociedade como um todo?
    Sempre pensei que se a mesma galera que vai a parada gay balançando as bandeiras, se juntasse por exemplo pra duas ou 3 vezes por ano, para obras sociais, sei la pintar orfanatos, limpeza de orlas etc… com certeza o olhar reprovativo de algumas camadas da sociedade seria mais ameno.

  4. max, quero arrumar um cacho, pq namorada eu já tenho kkk sou racha e quero alguém interessante, mesmo sendo sem graça rs me ajuda kkk

  5. Eu achei ótima a resposta do Max, faltou conhecimento de mais pessoas assumidas que não sejam estereotipadas… As pessoas que eu conheço assumidas são quase todas bonitas, com ensino superior e emprego fixo que fuja ao padrão esteriotipo de um profissional gay.

    Aliás, eu mesmo sou um pouco elitistomofóbico e nem gosto muito de conhecer gays que sejam vendedores de loja de óculos, cabelereiro, etc.

  6. Me senti pessoalmente diminuída. Sou assumida, jogo porpurina no ar e estudo engenharia. Sou estereotipadíssima, e com certeza n aprendi com a globo.

    E acho que ele não se atentou aos fatos de que existem sim, e muitas, bixas que “assinam carteira”. Conheço alguns médicos, advogados e engenheiros assumidos.

    Não que eles sejam melhores ou piores, mas as pessoas não se assumem “apenas” quando não tem o que temer…

    Enfim, gay reacionária gera pensamentos estranhos e com tendências auto-descriminatórias!

  7. Na real achei ambos textos interessantes , acompanho o babado certo a um bom tempo e sempre acho bem formuladas e construtivas as ideias do(a) max , porem nesse texto o autor deixo transparece o preconceito q existe dentro do meio glbt , onde barbies não gostam de ploc ploc q nao gostam de travesti q nao gostam de cacura…
    Enfim continue sempre assim com o blog acho q a ideia do quadro ta boa e sim tem q haver intermediação dos donos do blog sim ,um maneira d fazer criti

    Continuem

  8. Legal esse espaço. Quanto ao texto, me parece mais um discurso daqueles que falam que sendo um gay menos afetado não há problema.

  9. Super legal essa participação dos leitores; apesar de concordar totalmente com o Max, eu tb acho que o post deveria conter apenas o texto do convidado, qualquer comentário em relação a isso deveria ser feito nos coments, como em todos outros posts. Mas isso é minha opinião… E lendo alguns comentários fiquei intrigado como o modo como os gays se rotulam, rotular é tão 2004… Pfvr…vejam essa lista aqui e reflitam sobre rótulos, e o quanto isso é cafona:

    http://www.listasdaweb.com.br/40-gays-assumidos-que-talvez-voce-nao-sabia

  10. Acho a Max um luxo. Mas as vezes percebo que apenas a opinião dele vale, (sendo sempre a correta).
    Não sabe passar um post sem nenhum comentário. Bjs!.

  11. Eu sou assumido e estou cagando para o que pensam de mim. Minha carreira também é sólida e nem por isso me privo de assumir que sou gay. Meus clientes não estão nem aí se sou gay ou não. Aliás, os melhores são os que aceitam numa boa. Esse gay do post é do tipo que acha que se assumir a carreira dele desaba. Só tenho pena dele. Que texto chato !

  12. Max, breve te enviarei um e-mail com um assunto parecido que me incomoda muito: Ser gay não é gostar de Lady gaga.
    Estou em um momento de transformação de ideias. Onde, aos poucos, começo a entender que meus amigos e eu, por sermos menos “afetados”, não somos menos gays que as pintosas. Mas isso ainda é um processo(rs).
    No entanto, fico com medo quando vejo um cara pintoso na boate e depois o vejo na rua. Tenho medo de ouvir: Viadooooooooo, te vi na Move ontem.
    Cada um tem seu tempo de se assumir ou não. Acho que nunca vou me assumir tão escancaradamente. Não por medo. Simplesmente não quero. E quero menos ainda que me gritem desse jeito, seja na boate, ou qualquer outro lugar.
    Enfim, te escrevo em breve.

  13. Parabens Max, adorei sua opinião. Dividir em castas os gays é só mais uma maneira de reforçar um preconceito, o que, infelizmente, é muito frequente. É o que sempre vejo: negros racistas, mulheres machistas e gays homofóbicos. Não sou afeminado (pelo menos me dizem, e se fosse, foda-se), sou assumido, e sou um exemplo de bem sucedido (modéstia à parte). E se não fosse? seria menos digno de levantar a bandeira gay? Faça-me o favor…

  14. Eu entendo o que incomoda o autor do post, embora não concorde com quase nenhum dos argumentos dele. Quem olha a militância gay a partir de fora, de fato enxerga uma tendência, senão um esforço, na construção de um imaginário gay com forte viés normatizador. O que, aliás, aconteceu com o feminismo, que de libertário e contestador passou a insuportavelmente normativo e castrador, engessado numa ortodoxia patrulhadora, totalitária, afeita a emitir fatwas ideológicas. Ai da mulher que não aceitasse o papel prescrito pelo feminismo! As feministas burn the bra queriam salvar as mulheres a despeito delas mesmas – o velho e conhecido esnobismo das elites ditas progressistas. Hoje o que resta do feminismo radical é cada vez mais parecido com a caricatura que seus adversários do passado faziam dele: o machismo que não ousa dizer seu nome de uma restrita patota de lésbicas truculentas (sei que o Max vai odiar rs). Mas isso não tem jeito: só se constrói um ideário coletivo através de uma normatização. A realidade é multifacetada demais para ser idealizável e politizável, portanto cumpre reduzir e generalizar, estabelecer uma dialética mínima de bom versus mau, identificar o inimigo para reunir o rebanho, etc. Notem esse paradoxo: todo grande sistema ideológico que nasceu como uma promessa libertária, do cristianismo ao comunismo, não tardou a degenerar no horror totalitário no seu intuito de regenerar e de criar o ‘novo homem’. Hoje se assiste à tentativa – nem tanto no Brasil, mas claramente nos países onde os movimentos gays estão mais avançados – de se criar o discurso do ‘novo gay’: o gay produtivo, identificado com as causas corretas, não afeminado, bonito, saudável, bem resolvido, bem sucedido, alardeando sua sexualidade conforme exige a ditadura da transparência, bem inserido na sociedade do hedonismo e do espetáculo. Só que noções de pertença de ‘classe’ e ‘grupo’ são abstrações precárias e francamente destrutivas quando tomadas como substitutos do esforço doloroso e solitário de se construir a própria identidade. A todo processo normatizador segue a revolta, a contestação dos que não aceitam ver sua complexidade catalogada e posta num escaninho. É sinal de amadurecimento do debate que o próprio assim chamado ‘movimento gay’ comece a ser questionado. Alguém ignora as profundas e ostensivas divisões que existem entre os gays? Nem me refiro àquelas que refletem divisões da sociedade no todo, como classe social e cor da pele, mas aquelas nativas do meio gay, tão zelosamente reforçadas no dia a dia, como as que os dividem entre os ativos, ‘as passivas’, ‘as pintosas’ e uma miríade de outros termos os mais extravagantes? A única saída dessa tormenta é se armar de um senso crítico e aceitar a dor e a delícia de pensar por si mesmo, contra tudo e contra todos. E não espere que ninguém te siga.

    • O discurso é bom embora repleto de clichês academicistas. Preocupa-se (o Victor) em demonstrar erudição e esmero na linguagem. Mas ainda sim quase nada disse do centro da questão que é: o esforço do autor em manter o direito ao anonimato social. A sua invisibilidade. Sua vontade de ter “prazer gay” sem ser socialmente gay. Seu medo de que as pessoas saibam que é homossexual e, após isso, sua “carreira sólida” desabe. ele aponta no discurso que o gay é retratado de uma forma que “obriga” uma inferioridade social na qual ele não se encaixa. Ora, a única realidade na qual ele realmente não se encaixa é a dele na medida em que, sendo gay, não aceita esta condição do ponto de vista social. Não para sua vida que é , em aparência, heterossexual. O ponto mais central é: ele defende que a heteronormatividade é uma realidade insuperável. A questão da identidade individual bem como a imagem do gay que vem sendo construída só o incomoda por conta desta posição que o autor do post assume. Que é de aceitar a “inferioridade” dos gays e que os entes queridos e amigos são os que “devem” saber que ele é gay. Ele diz, então: sou gay . Não me obriguem a assumir pois tenho uma carreira sólida. Os gays que se assumem não têm vínculo social e são “porra loucas”. Eu não sou assim porque tenho uma carreira sólida que pode se comprometer pois a opinião dos demais influenciam na minha vida.

      O Victor aprendeu bem os jargões acadêmicos aparentemente universais tirados de alguns livros de sociologia. Entretanto é superficial na análise do caso concreto que está sendo examinado.

      • Eu posso escrever mal, mas o que eu disse tem sim a ver com o que vai no post. Eu não abordei nenhum argumento pontual (que eu achei todos ruins), preferi pegar a estrutura da queixa: o mal-estar em relação à normatividade. A “inferioridade social” percebida dos gays nada mais é do que um juízo que toma por parâmetro uma norma vigente que exclui a homossexualidade. Ponto. Objetivamente, aliás, estatísticas apontam que os gays têm escolaridade e poder aquisitivo ligeiramente acima da média da população; a “inferioridade social” é só percebida mesmo. Daí o autor do post parte para atacar o discurso da militância gay e dos gays formadores de opinião, que insistem na ideia de todo mundo se assumir, casar, adotar filhos, mostrar que o gay “é como todo mundo” (de certa forma é, já que o que caracteriza o “todo mundo” é justamente o fato de ninguém ser igual a ninguém). No fim das contas, o autor do post está é preso entre a cruz e a caldeirinha, entre uma norma que o rejeita e outra que o empurra a ser o que não é, a ambicionar o que não ambiciona. O que eu escrevi, resumindo, é isso: não busque se identificar com discursos, crie suas próprias normas e busque construir uma identidade ao invés de receber uma prêt à porter. O caminho é solitário mas é o único que vai te sustentar a longo prazo – porque, não tenha dúvidas, o arrependimento por ter vendido os melhores anos da sua vida à opinião alheia vai te consumir amargamente na velhice.

        • Bem mais específico essa análise. Quando a preocupação em parecer mais verdadeiro que a verdade desaparece temos uma análise mais assertiva. (dica)

  15. Max querida passe o texto dessa beesha no corretor ortográfico, pelamor… Entendi o texto dele pelo seu então a senhora pode e deve comentar os guest posts!

Comenta, beesha!

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